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[Desafio] Villanelle

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Haleth, 22 Jun 2011.

  1. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Por causa da sestina do Gigio, acabei descobrindo outras formas poéticas de versificação fixa. Bom, a da vez é a Villanelle (que nome bonitinho, né? :sim: ). A estrutura dela dá um impacto muito bacana no texto, dependendo do assunto, o texto fica forte, forte mesmo. Não achando nada em português sobre a villanelle além da tradução da música do Cohen que não segue o padrão desejado, vou tentar explicar do meu jeito, com a villanelle que fiz =) .

    Funciona assim:

    A villanelle tem 19 linhas, distribuídas em 5 estrofes de três linhas e uma de quatro. A primeira e a terceira linha de cada estrofe rimam (ABA):

    Do lado contrário da sorte
    Sem medo, sem vista ou porquê,
    Zombamos e rimos da morte

    A próxima estrofe começa com uma linha que rima com a estrutura anterior (ABA), mas... o pricipal é que a primeira linha da estrofe anterior se repete na últma:

    Quem há que com isso se importe?
    Em que se fia, teme ou crê
    Do lado contrário da sorte?

    A terceira estrofe segue o esquema rímico (ABA), e dessa vez, a última linha é a reptição é da terceira linha da primeira estrofe do poema:

    Flecha ardente em certeiro norte
    Abatendo o que não se vê
    Zombamos e rimos da morte

    Agora, a quarta e quinta estrofes seguem o padrão das duas anteriores:

    Se nos desgasta o braço forte,
    Ou se a aljava nos desprovê
    Do lado contrário da sorte,

    De onde extraimos o suporte?
    Pois em fuga, em frágil cupê
    Zombamos e rimos da morte.

    Pronto, a última estrofe, de rimas ABAA, tem como duas últmas linhas aquelas que já temos repetido anteriormente:

    A vida entalhou-nos um corte.
    Cegos de dor, ufanos porque
    Do lado contrário da sorte,
    Zombamos e rimos da morte.


    O segredo da coisa é escolher bem essas repetições. Num site onde vi explicação da villanelle, eles diziam até que o ideal ao fazer a primeira estrofe era fazer esse "couplet" primeiro e depois encaixar uma frase no meio. Realmente, fica mais fácil.

    Nâo é bacana? Quem mais se arrisca? =)
     
  2. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Depois do trabalho eu posto uma aqui, continuação da minha sestina.
     
  3. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Afinal, acabei de encontrar uma coisa em português sobre o assunto, mas foi tudo o que encontrei de mais substancial (é que descobri que villanelle se chama vilanela :P ).

    Descobri que a forma que postei acima é uma variante criada usada pelos portugueses para a forma italiana original. Olha só:

    A variante é mais bonitinha, hein? XD
     
  4. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    O que não é lá uma grande novidade, né? Muitas formas métricas portuguesas são traslados ou mudanças de formas italianas...

    Vou pesquisar no meu dicionário de arte poética se o autor faz algum comentário em relação à Villanelle.
     
  5. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Pois, mas eu postei a variante como se fosse a original, achei conveniente esclarecer.

    [size=xx-small]ps.: mavericco, o que eu sei de estrutura poética é o que eu aprendi na escola, e sem contexto histórico. Dá um desconto pq ainda sou iniciante nessas explorações mais detalhadas. :P[/size]
     
  6. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Sem problema. Existe alguma restrição quanto ao número de sílabaras métricas? Vi que você usou oito no seu poema... O que é um número incomum :think: ... Geralmente se utilizam os de nove (Gonçalves Dias) ou os de sete (redondilhas maiores; logo, cancioneiros); mas um de oito eu acho que nunca vi!

    (o que, é claro, não deixa o poema ruim. O seu, pelo contrário, achei que ficou com um ritmo muito bom)
     
  7. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Acho que na variante portuguesa não há.

    Na verdade eu queria ter feito com seis, ou o "heróico quebrado", a propósito o nome casaria bem com o assunto, rs. Mas quando comecei a escrever, o primeiro verso ficou com sete, e eu tinha gostado muito da ideia dele mas não consegui reduzir de jeito nenhum. Fui, então, tentar consertar o terceiro verso, até consegui fazer sete, mas ficou com eco feio e a conjugação verbal ia arruinar a rima das segundas linhas das estrofes. Aí, nesse MMC poético mandei tudo pra oito e fiquei satisfeita. ^^

    O ritmo ficou bacana, né? Acho que é porque oito deixa a gnt confortável, por estarmos acostumados com tetrassílabos, e oito é quatro duas vezes, hehe
     
  8. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    De Hades pedindo Prosérpina

    No Olimpo fulgente, de cânticos noto, de prantos autênticos
    A prole também ejacula, vertendo copiosa: e acumula
    Em todo pedaço de autênticos laços as dores, os cânticos.

    Plutão mais de Pluto idênticos voos à campina de cânticos
    Benquista perlustram, pois plúmula os pés se lhos tornam súmula
    No Olimpo fulgente, de cânticos noto, de prantos autênticos.

    "Irmão: se benquistos autênticos traz-me, prejulgo idênticos
    Aos sempre doados á mula que empaca: tabefe que simula
    Em todo pedaço de autênticos laços as dores, os cânticos."

    "O quê? Vens dizer-me, em cânticos dúbios, teus ódios autênticos
    Que a mim e a meu filho tal flâmula toca? Tumula-te!, trêmula
    No Olimpo fulgente, de cânticos noto, de prantos autênticos

    Os braços se fazem, autênticos faustos! Desejo outros cânticos:
    Prosérpina quero, pois flâmula toca-me invisa, pois flâmula
    Em todo pedaço de autênticos laços as dores, os cânticos

    Me clamam, me chamam, em fórmula nota, em fórmula súmula".
    "Te garba: eu dou-ta", simula o Tonante, distante, que emula
    No Olimpo fulgente, de cânticos noto, de prantos autênticos
    Em todo pedaço de autênticos laços as dores, os cânticos.
     
  9. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    O dia que eu fizer 19 linhas com 17 sílabas cada, meu filho, tenho mesmo muito o que dizer. :P
     
  10. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Né! Esse tipo de coisa só sai se você tiver um enredo detrás. James Joyce não conseguiria escrever o Ulysses sem a Odisseia como pano de fundo ou Camões sem a Eneida...
     
  11. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    Interessante (Villanelle). Nunca vi, nem ouvi dizer... rsrsrs (só agora) Agregou muito ao fórum. Só acho que você deveria ter colocado no tópico dos escritores, valoriza ainda mais e sacode a poeira lá :sim:, para não desfigurar muito o tópico de poesias. É uma forma poética bem interessante de versificação. Quantas vertentes nesse rio caudaloso chamado poesia iremos encontrar?
     
  12. Sr.Personna

    Sr.Personna Usuário

    Minha tentativa segue a baixo, eu não costumo me dar bem com essas formas aparentadas do rondó. Versos que se repetem costumam me incomodar durante a construção, mas o desafio é sempre um desafio! Um deleite enorme é se escapar das retrições que se colocam em nossa frente.

    Villanelle de um Vadio

    Não sou terreno baldio
    com meu peito abandonado
    por um coração vadio

    Se tem a sede de um rio
    pois tome muito cuidado
    não sou terreno baldio

    Apenas nunca sacio
    o desejo apaixonado
    por um coração vadio

    Pela flor não lhe sorrio
    em um gesto perfumado
    não sou terreno baldio

    que carente pelo frio
    se apanha todo encantado
    por um coração vadio

    Me fiz de torto e errado
    por um peito apedrejado
    Não sou terreno baldio
    por um coração vadio
     
  13. Tayana

    Tayana Usuário

    Gente que trabalhão, mas deve ser divertido, ainda estou processando, quem sabe não consigo fazer um também.
     
  14. Calib

    Calib Visitante

    Tentem fazer um pantum.
     
  15. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Em breve, caro Calib. =)
     
  16. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Aguardem os próximos episódios de: "A Vingança da Métrica"
     
  17. Sr.Personna

    Sr.Personna Usuário

    Confesso que escrevi esse poema mais preocupado com a estrutura que com o conteúdo em si, não é difícil de se arrumar versos que casem bem com os dois versos que se repetem ao longo do poema.
    Ainda mais usando de redondilha que é uma forma ridulamente eufônica. Praticamente qualquer coisa em sete sílabas entraria em consonância com os versos que eu escolhi.
    Uma vez que eu pegar o jeito dessa forma farei um poema com um conteúdo mais encorpado.
     
  18. Anica

    Anica Usuário

  19. Sr.Personna

    Sr.Personna Usuário

    Villanelle de um Cardigã

    Vou despir seu cardigã
    na verdade vou rasgá-lo
    em mil pedaços de lã

    saiba que tenho um afã:
    quero seu seio desnudá-lo
    vou despir seu cardigã

    Vou lhe jogar ao divã
    e todo corpo amarrá-lo
    em mil pedaços de lã

    não lhe quero nada sã
    será sonho o pesadelo
    vou despir seu cardigã

    do poente até a manhã
    quero o desejo singelo
    em mil pedaços de lã

    é por isso que lhe falo
    que juro e sequer vacilo
    vou despir seu cardigã
    em mil pedaços de lã
     
  20. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    - Adorei seu cardigã.
    Gastei todo meu latim
    e você me disse: "hã?"

    Para te ver de manhã,
    Dormi só no botequim.
    Adorei seu cardigã...

    - Comprei-te boa maçã.
    Gastei todo meu dindim
    e você me disse: "hã"?

    Armei-me todo em galã,
    me vesti como pinguim.
    Adorei seu cardigã...

    - Que tal sair amanhã?
    Implorava por um sim
    e você me disse: "hã"?

    Ah, parei de ser seu fã!
    É surda, ou coisa assim?
    Adorei seu gardigã...
    E você me disse: "hã"!
     

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