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Brasil deve se preparar para zika endêmica, dizem cientistas

Tópico em 'Ciência & Tecnologia' iniciado por Fúria da cidade, 1 Fev 2016.

  1. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    O Brasil deve se preparar para que o zika vírus se torne uma doença endêmica tanto em território nacional como em outros países de América Latina, em um cenário semelhante ao que ocorre com a dengue - que desde os anos 1990 teve o número de casos multiplicados na região.

    O aviso vem de cientistas ouvidos pela BBC Brasil para analisar os possíveis desdobramentos no surto que já atingiu mais de 20 Estados brasileiros e pelo menos duas dezenas de países no continente. Entre eles o entomologista e médico Andrew Haddow, neto de Alexander Haddow, um dos três cientistas que em 1947 isolaram pela primeira vez o zika.

    A projeção é de um cenário preocupante diante da possível relação do zika com os quase
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    no Brasil.

    Para os especialistas, o
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    para uma proliferação ainda maior do vírus do que a registrada até agora.

    O principal fator é a resistência do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da doença, e que voltou a infestar centros urbanos no Brasil depois de duas vezes erradicado nas últimas décadas.
    Dados do Ministério da Saúde mostram o avanço dengue no país. Foram 40 mil casos registrados em 1990. No ano 2000, o total saltou a mais de 135 mil casos, e superou 1 milhão em 2010. Em 2015, foram mais de 1,5 milhão de casos.

    A segunda questão é o fato de que a população brasileira não tem o organismo "preparado" para um vírus que, até o atual surto, não tinha sido registrado fora de países de África, Ásia e Oceania.

    'População suscetível'


    "A velocidade transmissão do zika no Brasil não é surpresa porque o vírus tem o Aedes aegypti como o principal vetor de transmissão, e o país tem o que se pode chamar de 'população suscetível', que não não foi anteriormente exposta. Parece-me bastante improvável que o Brasil e outros país da América Latina afetados livrem-se do zika, que tende a se tornar endêmico na região", afirmou Haddow, em entrevista por telefone, à BBC Brasil.

    Uma endemia se refere a uma doença típica e frequente em uma determinada região, por vezes em algumas épocas do ano.

    Haddow, que trabalha como pesquisador da Divisão de Virologia do Departamento de Defesa dos EUA, classificou o surtro brasileiro como um "grande alerta" para necessidade de mais estudos sobre o zika, em especial por causa da possível correlação do vírus com a má-formação em bebês.
    Em 2012, o cientista fez uma apresentação em uma conferência virologistas nos EUA em que argumentou que o vírus estaria prestes a se espalhar.

    "Estava claro que havia a possibilidade de uma distribuição geográfica ainda maior do que apenas a África e a Ásia, mas acredito que muitos casos de zika, inclusive no Brasil, tenham sido diagnosticados erroneamente como dengue por causa dos sintomas semelhantes entre as duas doenças. Os casos de microcefalia no Brasil, ainda que não tenham sido definitivamente provados como consequência do zika, mudarão esse cenário", completou o americano.

    'Endêmica e epidêmica'


    A epidemologista Jane Messina, da Universidade de Oxford, coautora de um estudo de 2013 sobre o risco de contração de dengue no Brasil durante os meses da Copa do Mundo, também projeta um quadro de expansão do zika em território brasileiro. "Não vejo razão que para que o surto seja diferente do que aconteceu com a dengue no Brasil, ainda que conheçamos pouco sobre o vírus e seja um pouco cedo para se especular".

    Messina também adota essa cautela para discutir as possíveis implicações para mulheres brasileiras e latino-americanas grávidas ou que pensem em engravidar.
    "Não há solução simples. Além da diminuição da população de mosquitos, tudo o que se pode fazer é seguir as orientações das autoridades nacionais e internacionais de saúde. E avaliar os riscos", completou a epidemiologista.

    O diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, Alexander Precioso, também prevê um cenário de zika endêmico.

    "O vírus é muito recente. A maior parte da população não está imune, ou seja, é suscetível ao zika. Vivemos hoje com o mosquito disseminado por todo o país e, mais, pelas Américas. O número de casos vai aumentar progressivamente. Há uma situação ideal para a doença ser endêmica e epidêmica", alerta.

    Desconhecimento


    O que piora a situação é o desconhecimento dos cientistas a respeito do vírus. Não se sabe, por exemplo, se uma pessoa que contraia o zika ficará imune. Também não se pode prever se o vírus sofrerá mutações.
    "Evolução vale para todos os organismos", alerta Precioso. "Basta ver o influenza (vírus da gripe), que demanda uma vacina diferente todo ano".

    O pesquisador do Butantan lembra que nem sequer é possível estabelecer com certeza uma relação direta entre o zika e os casos de microcefalia. "A hipótese é forte, mas ainda não há uma comprovação (científica). Assim como ainda não se sabe se há transmissão por contato sexual", diz.

    O americano Haddow elogiou os esforços do Brasil em intensificar as campanhas de combate ao Aedes aegypti, incluindo a mobilização de milhares de homens das Forças Armadas.

    Olimpíada


    "Na minha opinião, as autoridades brasileiras até reagiram rápido, pois o zika nas últimas décadas tinha sido ignorado pelas principais autoridades. O que se pode fazer agora é tentar reduzir as chances de contágio".
    O americano, no entanto, não acredita que a Olimpíada deva ser simplesmente classificada como "de risco".

    "As pessoas viajam para outros lugares do mundo onde há doenças graves transmitidas por mosquitos, como a malária. Há vírus em outros lugares do mundo que não o Brasil. O surto de zika serve para mostrar como a globalização e as mudanças climáticas estão criando condições para a propagação de doenças ao redor do mundo", finalizou Haddow.

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    Embora tenhamos várias notícias, algumas mais e outras menos alarmistas, só torço demais que isso realmente não se torne uma epidemia, pois já não estava fácil lidar com a dengue a qual eu já contraí uma vez e não foi nada fácil.
     
  2. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Os Estados e municípios não conseguiram controlar a dengue e a chikungunya, o que dirá do zika que é transmitido pelo mesmo mosquito. Já está virando epidemia.
     
  3. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Interessante é a chamada da campanha na rede Globo... "...Chikungunya, Dengue e o perigoso Zika...". Tipo, alguma coisa aconteceu de especial para o só o Zika ser chamado de perigoso e a Dengue não. E olha que uma dengue bem encaixada despacha que é uma beleza...

    De fato o combate a doenças no Ministério da Saúde anda tão enferrujado e desacostumado que só é perigoso a doença que estiver na moda. E Dengue é muito démodé, então não merece ser chamada de perigosa.
     
    Última edição: 2 Fev 2016
  4. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Zika virus declared global health emergency by WHO panel of experts
    The world health body expects the current outbreak to affect four million people in Latin America alone

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  5. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ


    É o que tema "microcefalia" fez com que a repercussão sobre o Zika fosse bastante amplificada e a grande mídia adora massificar a exaustão o que é mais recente, mas isso não quer dizer que a Dengue foi completamente esquecida. Seja qual for a doença, o combate intensivo a proliferação do mosquito transmissor terá que ser feito.
     
  6. Neithan

    Neithan Ele não sabe brincar. Ele é Mito

    Zika é muito mais perigoso que a dengue por causa da microcefalia, oras.

    E o combate só terá efeito se a população se mexer. O exército pode ir todo para as ruas, 2 semanas depois de uma vistoria completa, sem apoio da população, não adiantaria de nada.

    A Amanda viu um especialista falando algo engraçado: Se ao invés de você tirar a água parada de um determinado recipiente, esperar o mosquito pôr os ovos e depois jogar a água fora, o mosquito terá depositado "suas ovas" e elas não nascerão. Faz sentido, mas precisaria de um monitoramento diário.
     
  7. Thor

    Thor ἀλήθεια

    E de onde surgiu essa Zika Vírus? O mesmo mosquito já está por aí há um bom tempo, mas só agora é que apareceu esse troço.
     
  8. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Sei não, considero as duas perigosas porque enquanto uma tem condição deficiente para o resto da vida a outra tem seriedade de morte. Claro que a outra tem agravante de afetar a reprodução humana mas acho as duas perigosas do ponto de vista individual...
     
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  9. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Tem que destruir os ovos além de jogar a água fora, pq qualquer contato com água depois e os bichinhos nascem.

    O mosquito do bem (geneticamente modificado) que desenvolveram parece ser a melhor opção ainda...

    O vírus existe há muito tempo na África (dengue e chikungunya vieram de lá tbm). Mas aqui no Brasil (e na Polinésia) parece ter sofrido uma mutação e começado a "causar" microcefalia (aspas pq a correlação é forte mas ainda não é certeza absoluta que o vírus é a causa).

    Já faz mais de 1 ano que a Zika chegou no Brasil, mas como os sintomas são bem brandos se comparados com os da dengue, o alerta só aconteceu quando relacionaram com o aumento de casos de microcefalia.
     
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  10. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Em temos de muita boataria sobre algo que é novidade é sempre bom checar o que é fato ou boato

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    Aquele textão enviado pela sua tia no grupo do Whatsapp ou o vídeo compartilhado várias vezes pelos seus amigos no Facebook podem conter inúmeras inverdades, afinal as redes sociais estão cheias delas. Quando o assunto é zika vírus, doença que tem espalhado temores em todo o mundo pela possível relação com a microcefalia, uma notícia falsa pode atrapalhar os esforços da população e de governos no combate à enfermidade.

    O UOL desmitifica alguns dos boatos que estão rolando na internet sobre o zika e a microcefalia. Fique de olho e não caia nessa!

    Vacina vencida não tem relação com microcefalia

    O boato circulou no final do ano passado e, apesar de
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    em dizer que um lote vencido da vacina contra rubéola aplicada em gestantes causou o aumento de casos de microcefalia (e não o zika vírus), tem muita gente que ainda acredita nessa teoria. Então, a gente explica!

    A vacina contra a rubéola não poderia ter causado microcefalia nos bebês pelo simples fato de que ela não é aplicada em grávidas, nunca foi e não será. A imunização é feita em bebês de até 15 meses de vida, de acordo com o calendário nacional de vacinação, ou em adolescentes e adultos em idade fértil que não tenham sido vacinados na infância.

    A vacina contra rubéola vem em forma tríplice (protege contra sarampo, rubéola e caxumba) e quádrupla (contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
    Gestantes não tomam a vacina e, inclusive, existe a determinação de que a mulher evite gravidez por 30 dias após tomá-la. Especialistas afirmam ainda que não existe possibilidade de a microcefalia ter sido causada pelo vírus presente na vacina, porque ele é atenuado e não tem condições de causar uma infecção tão grave.
    É preciso lembrar que a rubéola foi erradicada do Brasil desde 2009 e
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    . Programas de imunização de qualidade são a chave para a erradicação da doença.

    Mosquitos geneticamente modificados não causaram surto de zika


    Você não vive em um filme de ficção científica em que experiências de laboratório arruínam a vida de toda uma população. Não foi isso que aconteceu com o zika vírus.
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    i
    , transmissor da dengue, zika vírus e febre chikungunya. Em uma das iniciativas, os mosquitos machos, que não transmitem doenças, são geneticamente modificados para que seu corpo produza em excesso uma proteína que causa a sua morte. Eles são liberados no ambiente e reproduzem com fêmeas selvagens. A prole terá os genes do pai e morrerá antes da vida adulta, quando vira vetor de doenças.

    Por causa dessa "experiência de laboratório" um bairro da cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo,
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    , na comparação com um bairro próximo que não foi "tratado" com os insetos geneticamente modificados.

    Zika vírus não "escolhe" crianças de até 7 anos e idosos para causar problemas neurológicos


    O aumento do número de casos da Síndrome de Guillain-Barré (SGB) no Nordeste brasileiro pode sim
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    , mas isso ainda não foi confirmado cientificamente. O problema, no entanto, não acomete uma faixa etária especial, por tanto não existe esse grupo de risco (crianças de até sete anos e idosos).

    A síndrome é uma condição neurológica autoimune e pode ser desencadeada por qualquer doença infecciosa viral ou bacteriana. Depois de infecções agudas, aparentemente o organismo deixa de reconhecer as próprias células e passa a atacá-las. Os primeiros sintomas da síndrome são fraqueza e dormência. Se a paralisia chega aos pulmões, é necessário usar respiradores.

    O aumento de casos da síndrome coincidiu com a elevação dos casos de zika. Equipes de vigilância tentam agora comprovar a correlação entre as duas doenças.
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    O risco de transmissão sexual do vírus da zika ainda não foi comprovado cientificamente, mas três casos de possível contágio intrigam cientistas e já levaram médicos a recomendar que grávidas usem proteção durante relações sexuais.

    O mais recente ocorreu no Estado do Texas, nos EUA. Em entrevista à BBC, a vice-diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Anne Schuchat, disse que "o laboratório confirmou o primeiro caso de zika vírus em um não-viajante. Nós não acreditamos que o contágio tenha ocorrido por meio de picadas de mosquito, mas sim por contato sexual".

    Questionada sobre a confirmação, Schuchat explicou que, até o momento, não há outras formas plausíveis que possam dar conta da transmissão, já que uma pessoa esteve na Venezuela, voltou aos EUA, apresentou sintomas de zika, e teve contato sexual com o parceiro.

    O caso no Texas soma-se a outros dois que, embora não comprovados, são amplamente citados na literatura científica. Em um deles, o vírus foi detectado no sêmen de um paciente e, no outro, um cientista que havia estado em uma área de contaminação por zika voltou aos EUA onde teria contaminado a esposa.
    Em 2013, durante um surto de zika na Polinésia Francesa, o vírus foi detectado no sêmen de um homem de 44 anos. Ele havia apresentado sintomas típicos da infecção por zika: febre, dores de cabeça e nas articulações. Após alguns dias, o paciente notou vestígios de sangue no sêmen e procurou atendimento médico. Exames detectaram o vírus no material coletado.

    Neste caso, não houve a comprovação de infecção de uma segunda pessoa pela via sexual, mas, sim, da contaminação do sêmen pelo chamado vírus replicante, ou seja, capaz de gerar a propagação da doença. "Nossas descobertas apoiam a hipótese de que o zika pode ser transmitido por via sexual", conclui artigo de fevereiro de 2015, disponível no site do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

    No segundo caso de possível contaminação sexual, o sêmen do paciente com zika não foi examinado. No entanto, a esposa deste paciente teve a zika diagnosticada e a única explicação plausível seria o contágio sexual.

    Foi o caso do cientista americano Brian Foy, em 2008. Ele havia visitado uma região do Senegal afetada por zika e, ao retornar para casa, no Colorado, Estados Unidos, teria infectado sua esposa durante uma relação sexual um dia após seu retorno.

    Brian Foy/ Arquivo pessoal
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    O cientista Brian Foy contraiu zika durante visita a Senegal, em 2008

    "Vivemos no Colorado, um Estado americano onde não há mosquitos na época do ano em que minha mulher contraiu o vírus. E onde não há ocorrência do Aedes aegypti (o mosquito transmissor do vírus). O mais provável é que minha mulher tenha sido infectada quanto tivemos relações, antes de eu me sentir doente, mas a ciência ainda não está nem perto de provar a possibilidade desse tipo de contágio", conta Foy, em entrevista por telefone à BBC Brasil.

    O professor-assistente da Universidade Estadual do Colorado é um dos autores de um estudo que sugere a possibilidade de transmissão do zika por contato sexual. Inicialmente, Foy foi diagnosticado com dengue e médicos não conseguiram descobrir o que tinha se passado com sua esposa. Passou-se um ano até que eles descobrissem que se tratava de zika.

    O americano acredita que a repercussão causada pela epidemia no Brasil incentive o financiamento de pesquisas buscando investigar o assunto. Foy afirma não haver dúvidas de que a picada do Aedes aegypti é a forma principal pela qual se pode contrair o vírus, mas defende a importância de que ao menos se descubra mais sobre a via sexual.

    "Para atingir uma área de contágio tão extensa de forma tão rápida, o mosquito é a grande explicação. Pode ser até que o contágio sexual represente uma ocorrência rara e, diante dos problemas enfrentados pelas autoridades de saúde dos países afetados, como o Brasil, não esteja no alto da lista de prioridades. Como cientista, porém, sempre acredito na importância de se investigar outras possibilidades", completa.

    Em uma entrevista a uma rede de TV americana, Foy relatou ter sido constantemente picado por mosquitos enquanto fazia seu trabalho de campo no vilarejo senegalês de Bandafassi. Voltou para os EUA no final de agosto de 2008 e, dias depois, começou a se sentir mal, com sintomas que variavam de fadiga a dores no momento de urinar, além de inflamações na pele -- a esposa teria notado o que parecia ser sangue no sêmen do marido.

    Foy pediu ajuda a colegas do CDC, a principal agência voltada para a proteção da saúde pública dos EUA, para identificar a patologia com que tinha sido infectado. O diagnóstico de dengue não o deixou convencido, e muito menos a indefinição sobre o que teria acontecido com a mulher.

    Um ano depois, um dos auxiliares do cientista na viagem à África, Kevin Kobylinski, que também ficou doente, estava conversando em um jantar com o entomologista Andrew Haddon, da Universidade do Texas, quando tocou no assunto.

    Haddow, por uma grande ironia do destino, é neto de Alexander Haddow, um dos três cientistas que isolaram o zika pela primeira vez, em 1947, quando o extraíram de um macaco na Floresta de Zika, em Uganda. Quando soube que amostras de sangue de Kobylinski e dos Foy ainda estavam preservadas em um laboratório, o entomologista sugeriu que elas fossem enviadas para o virologista Robert Tesh. As três amostras testaram positivo para zika.

    Em seu estudo, Foy apresenta outros argumentos para defender a hipótese de contato sexual. Joy, sua mulher, jamais visitou a África ou a Ásia e, na época da publicação do documento, já fazia quatro anos que não deixava os EUA. Antes da epidemia no Brasil e que começa a chegar a outros países da América do Sul, o zika jamais tinha sido reportado no hemisfério Ocidental.

    Outros estudos envolvendo doenças transmissíveis por mosquitos há haviam sugerido a possibilidade de contágio sexual. Haddow, por exemplo, aponta para o fato de que a epidemia de zika na Micronésia (Oceania), em 2007, deu margem para especulações sobre este tipo de contágio.

    Isso porque a proporção de mulheres infectadas foi 50% maior que a de homens -- na maioria das doenças sexualmente transmissíveis, o sexo vaginal oferece riscos de contágio muito maior para as mulheres.
    "É a explicação mais lógica. Outra possibilidade é que tivesse sido passado pela saliva ou outros fluidos corporais, mas temos quatro filhos, e eles não ficaram doentes.
     
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