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A CINÉTICA DO INTANGÍVEL

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por jessebarbosa182727, 9 Ago 2009.

  1. Observo passos ao longe:
    Na verdade, eu tão-só os escuto. Tenho
    A forte impressão de parecerem bastante nitentes
    Para o raio de ação da minha audição. No
    Entanto, o manto da intangibilidade
    Guarnece-os e os absconde
    Sobre o ignoto píncaro do monte
    Onde irrompe o inexpugnável horizonte.


    Como que avidamente,
    Fico querendo desvelar
    Este hermético mistério, mas não consigo.
    Em minha mente,
    Vislumbro ordas de ladrões soturnos e escorregadios,
    Sádicos seriais assassinos furtivos,
    Rancorosos fantasmas:
    Habitantes das minhas tenras
    Eras lôbregas que me jazem,
    Há muito, no memorial limbo.


    De repente,
    Como num passe de mágica,
    Meu pensamento viaja:


    Passeia sorumbaticamente
    Pelas alamedas da tortura de Guantânamo e de Bagdá,
    Do genocídio na plaga do Araguaia,
    Pelas salas e celas escuras do DOPS.
    Ainda, neste mesmo pungente passeio,
    Contemplo um homem
    Rosnar ferozmente contra a fronte da
    Intencional morte. O nome dele...Vladimir Herzog!





    Deparo-me com as feridas psicológicas de frei Tito:
    Continuamente florescem e inexoravelmente
    O lancinam, dando a luz a um facínora
    Que lhe fala cruelmente ao ouvido.


    Testemunho impotente e furioso
    O condor da maldade,
    Trajado sombriamente
    Com seu riso malevolamente sutil,
    Voar impune, gracejoso, cáustico, soberano:
    Hipocritamente intrépido, varonil!


    Contudo, é só a verve que se revolta:
    Ela constata que a velhacaria
    É o maior estandarte da espécie humana;
    É a energia que movimenta a roda-viva
    Da nossa odiosa invisível força.



    Mas a chama do sol teima em fulgurar:
    Talvez espere que um dia o povo
    Saia do estado de animação suspensa
    E reivindique o comando do mundo.


    Ah, e a elite destronada,
    Ao cair no abismo da desgraça,
    Depreenda que uma vida de migalhas
    Atenua a fome, porém também,
    Erige o caminho para a emancipação
    Do dragão confinado no âmago das massas.


    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
     

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