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The History of Middle-earth IV – The Shaping of Middle-earth

The Shaping of Middle-earth (A Formação da Terra-média), quarto livro da série The History of Middle-earth, revela aos leitores uma fase fundamental da evolução da mitologia tolkieniana. Com efeito, é nos textos desse livro, escritos em geral no decorrer dos anos 30, que o ciclo de lendas que hoje conhecemos como parte de O Silmarillion assumiu, em linhas gerais, a forma atual.

 

Um dos primeiros textos a ser apresentado é o chamado "Rascunho da mitologia", um esboço feito por Tolkien de seu projeto para transformar e completar as histórias dos Lost Tales. Baseando-se nesse esboço, Tolkien escreveu, em 1930, o Quenta Noldorinwa ou "A História dos Noldoli", a única versão das lendas dos Dias Antigos que chegou a ser efetivamente completada. Para se ter uma idéia, a versão da queda de Gondolin publicada em O Silmarillion foi fortemente baseada no relato do Quenta Noldorinwa.

Ao mesmo tempo, é nessa versão que povos e personagens importantes ganham um caráter mais definido, e outros fazem sua primeira aparição, como a Casa de Haleth (que era chamado de Haleth, o Caçador – pasmem, Haleth era um homem!). O Quenta Noldorinwa se encerra com a misteriosa Segunda Profecia de Mandos, na qual é pressagiado o Final dos Tempos.

Outros textos muito interessantes também integram The Shaping of Middle-earth: um dos melhores é o Ambarkanta ou "A Forma do Mundo", uma bela descrição cosmológica que mostra como Tolkien concebia a estrutura de seu mundo nesse momento.

Muito interessantes são também os Anais de Valinor e os Anais de Beleriand, que dão uma estrutura cronológica aos acontecimentos do Quenta. Um fato curioso é que, nesse estágio da mitologia, Tolkien havia definido um período muito curto, de cerca de 200 anos, entre a chegada dos Noldoli (Noldor) e o fim do Cerco de Angband. The Shaping of Middle-earth contém também o primeiro mapa detalhado de Beleriand desenhado por Tolkien.

Conteúdo do Livro

Prose fragments following the Lost Tales Três breves textos sobre Tuor e Gondolin e sobre a partida dos Noldor de Aman e sua chegada na Terra-média. 1920

The Earliest Silmarillion (The Sketch of the Mitology) Uma sinopse breve e condensada da mitologia escrita para acompanhar "The Lay of the Children of Húrin". 1926

The Quenta [Noldorinwa] Um versão retrabalhada e expandida do "Sketch". Inclui o poema "The Horns of Ylmir". Também inclui "AElfwines translation of the Quenta into Old English". c. 1930

The First Silmarillion Map Mapa de trabalho por muitos anos, foi muito trabalhado e alterado. 1926

The Ambarkanta Um pequeno tratado sobre a forma do munedo, acompanhado de mapsa. Meados dos anos 1930.

The Earliest Annals of Valinor
Anais dos eventos de Valinor e outro local do começo das coisas até a chegada dos Noldor na Terra-média. Inclui "AElfwines translation of the Annals of Valinor into Old English". 1930

The Earliest Annals of Beleriand Anais dos eventos de Beleriand desde o surgimento do Sol e da Lua até a grande batalha contra Morgoth. Inclui "AElfwines translation of the Annals of Beleriand into Old English". 1930

Mitos Transfomados – Parte VIII – Orcs!!!

Sua natureza e origem requerem mais reflexão ((Este texto corresponde ao Mitos Transformados, partes VIII a X, publicado no The History of Middle Earth 10  – maiores detalhes aqui )). Elas não são fáceis de se trabalhar na sua teoria e o seu sistema.
[1] Como o caso de Aulë e os Anões mostra, somente Eru poderia fazer criaturas com vontades independentes, e com capacidade de raciocínio. Mas os orcs parecem ter ambas: eles podem tentar enganar Morgoth/Sauron, rebelar-se contra ele, ou criticá-lo.
[2] Entretanto, eles devem ser corrupções de alguma coisa pré-existente.

[3] Mas os homens não haviam aparecido ainda, quando os orcs já existiam. Aulë construiu os anões de sua memória da Música; mas Eru não sancionaria o trabalho de Melkor a fim de permitir a independência dos orcs. [A não ser que os orcs fossem ao final remediáveis, ou pudessem ser corrigidos e “salvos”?]

Também parece claro que embora Melkor pudesse corromper e arruinar indivíduos completamente, não é possível contemplar sua perversão absoluta de um povo inteiro, ou grupo de pessoas, e sua criação que afirma hereditariedade [Adicionado posteriormente: Este último deve[se um fato] ser um ato de Eru].

Neste caso os elfos, como uma fonte, são muito improváveis. E os orcs são “imortais” no sentido élfico? Ou os trolls? Parece claramente implícito no Senhor dos Anéis que os trolls existiam no seu próprio direito, mas foram “consertados” por Melkor.

[4] E o que dizer de feras falantes e pássaros com raciocínio e linguagem? Estes têm sido adotados levianamente por mitologias menos “sérias”, mas representam um papel que agora não pode ser cortado. Eles são certamente “exceções” e não muito usados, mas suficientemente para mostrar que eles são uma faceta reconhecida do mundo. Todas as criaturas aceitam-os como naturais, se não comuns. Mas criaturas “racionais” verdadeiras, “povos falantes”, são todas de forma humana/”humanóide”. Somente os Valar e Maiar são inteligências que podem assumir formas de Arda à vontade. Huan e Sorontar poderiam ser Maiar – emissários de Manwë. Mas, infelizmente, no Senhor dos Anéis é dito que Gwaehir e Landroval são descendentes de Sorontar [Thorondor].

Em qualquer caso, é provável ou possível que mesmo os menores dos Maiar tornariam-se orcs? Sim: tanto fora de Arda como dentro dela, antes da queda de Utumno. Melkor corrompeu muitos espíritos – alguns grandes, como Sauron, ou menores, como balrogs. Os menores poderiam ter sido primitivos [e muito mais poderosos e perigosos] orcs; mas, por procriar quando encarnados, eles [como Melian][tornariam-se] cada vez mais ligados à terra, incapazes de retornar ao estado de espírito [mesmo forma demoníaca], até serem libertados pela morte [assassinato], e eles definhariam em força. Quando libertados eles seriam, claro, como Sauron, “condenados”: isto é, reduzidos à impotência, infinitamente recessiva: ainda odiando, mas incapazes cada vez mais de fazê-lo fisicamente eficaz. [ou não seria o estado órquico muito definhado de morte um poltergeist?]

Mas novamente – Eru proveria fëa [espírito] a tais criaturas? Para as águias etc., talvez. Mas não para os orcs.

Entretanto, parece melhor ver o poder de corrupção de Melkor como sempre começando, pelo menos, no nível moral ou teológico. Qualquer criatura que o tomou por Senhor [e especialmente aquelas que blasfemamente chamaram-o de Pai ou Criador] logo tornou-se corrompida em todas as partes de seu ser, o fëa arrastando o hröa [corpo] em sua queda ao Morgothismo: ódio e destruição. Como para os elfos serem “imortais”: eles, na verdade, possuiam vidas excepcionalmente longas, e foram “cansando-se” fisicamente, e sofrendo um enfraquecimento lento e progressivo de seus corpos.

Em resumo: eu acho que deve-se assumir que “falar” não é necessáriamente o sinal da posse de uma “alma racional” ou fëa. Os orcs eram bestas de forma humanizada [para zombar de homens e elfos] deliberadamente pervertidos/convertidos em uma semelhança mais próxima dos homens. Sua “fala” era na verdade “gravações” recitadas, colocadas neles por Melkor. Melkor ensinou-lhes a fala e ao reproduzirem-se, eles herdaram isto; e eles tinham tanta independência como têm cães ou cavalos de seus mestres humanos. Sua fala era largamente ecoada [como papagaios]. No Senhor dos Anéis é dito que Sauron inventou uma linguagem para eles.

O mesmo tipo de coisa pode ser dito de Huan e as águias: eles aprenderam uma linguagem à partir dos Valar – e elevaram-na a um nível superior – mas eles ainda não tinham fëa. Mas Finrod provavelmente foi muito longe na sua afirmação de que Melkor não poderia corromper completamente qualquer obra de Eru, ou que Eru [necessariamente] interferiria para anular a corrupção ou para cessar a existência de Suas próprias criaturas, pois elas teriam sido corrompidas e voltadas para o mal.

Permanece, portanto, terrivelmente possível que houvesse uma linhagem élfica nos orcs. Estes podem então ter sido cruzados com feras [estéreis!] – e posteriormente homens. Seu tempo de vida seria diminuído. E morrendo eles iriam para Mandos e mantidos aprisionados até o Fim.

…as vontades dos orcs e balrogs etc., são parte do poder de Melkor “dispersado”. O espírito deles é de ódio. Mas o ódio é não-cooperativo [exceto sob medo direto]. Daí as rebeliões, motins, etc., quando Morgoth parecia estar distante. Orcs são feras e balrogs Maiar corrompidos. Também, Morgoth, não Sauron, é a fonte das vontades dos orcs. Sauron é apenas outro [senão maior] agente. Orcs podem rebelar-se contra ele sem perder sua própria fidelidade irremediável ao mal [Morgoth]. Aulë queria amor. Mas, claro, não pensava em dispersar seu poder. Apenas Eru pode dar amor e independência. Se um sub-criador finito tenta fazer isto, ele na verdade quer ardorosa obediência absoluta, mas ela vira servidão robótica e torna-se mal.

Isto sugere – embora não seja explícito – que os “orcs” eram de origem élfica. Sua origem é tratada mais claramente em outro lugar. Um ponto apenas é certo: Melkor não poderia “criar criaturas” vivas de vontades independentes.

Ele [e todos os “espíritos” dos “Criados–primeiro”, conforme seus limites] poderia assumir formas corpóreas; e ele [e eles] poderia dominar as mentes de outras criaturas, incluíndo elfos e homens, pela força, medo, ou por engôdos, ou por pura magnificência. Os elfos de épocas remotas inventaram e usaram uma palavra ou palavras com uma base [o]rok para indicar qualquer coisa que causasse medo e/ou terror. Isto teria sido originalmente aplicado a “fantasmas” [espíritos assumindo formas visíveis] tão bem quanto a quaisquer criaturas existindo independentemente. Sua aplicação [em todas as línguas élficas] especificamente às criaturas chamadas orcs – assim devo escrevê-la no Silmarillion – foi posterior.

Uma vez que Melkor não poderia “criar” espécies independentes, mas tinha imensos poderes de corrupção e distorção daquelas que caíam em seu poder, é provável que estes orcs tivessem uma origem mista. A maioria deles claramente [e biologicamente] eram corrupções de elfos [e, posteriormente, de homens provavelmente também]. Mas sempre entre eles [como servos especiais e espiões de Melkor, e como líderes] deviam haver numerosos espíritos menores corrompidos que assumiram formas corpóreas semelhantes. [Estes apresentariam personalidades aterrorizantes e demoníacas]

Os elfos teriam classificado as criaturas chamadas “trolls” [no Hobbit e Senhor dos Anéis] como orcs – em personalidade e origem – mas eles eram maiores e mais lentos. Pareceria evidente que os orcs eram corrupções de tipos humanos primitivos.

A origem dos orcs é matéria de debate. Alguns chamavam-os de Melkorohíni, os Filhos de Melkor; mas os mais sábios diziam: não, os escravos de Melkor,  mas não seus filhos; pois Melkor não tinha filhos. De qualquer modo, foi pela malícia de Melkor que os orcs surgiram, e eles foram claramente pretendidos por ele para serem um escárnio dos Filhos de Eru, sendo criados para serem completamente subservientes à sua vontade e cheios de ódio implacável por elfos e homens.

Ora, os orcs das guerras posteriores, depois da fuga de Melkor-Morgoth e seu retorno à Terra-média, não eram “espíritos”, nem fantasmas, mas criaturas vivas, capazes de falar e de algumas habilidades e organização; ou pelo menos capazes de aprender estas coisas de criaturas superiores e de seu mestre. Eles procriavam e multiplicavam-se rapidamente, sempre quando deixados imperturbados. Até onde pode-se compilar das lendas que chegaram até nossos dias de antigamente, parece que os Quendi não haviam encontrado nenhum orc desse tipo antes da chegada de Oromë a Cuiviénen.

Aqueles que acreditam que os orcs surgiram de alguma espécie de homens, capturados e pervertidos por Melkor, afirmam que era impossível para os Quendi terem conhecido os orcs antes da Separação e da partida dos Eldar. Pois embora o momento do despertar dos homens não fosse conhecido, mesmo os cálculos dos mestres de tradição que determinavam-no o mais próximo possível, não designaram uma data antes da Grande Marcha começar, certamente não uma suficiente para permitir a corrupção dos homens em orcs. Por outro lado, é evidente que logo após seu retorno, Morgoth tinha sob seu comando um grande número dessas criaturas, com as quais ele começara a atacar os elfos. Havia ainda menos tempo entre o seu retorno e esses ataques para a procriação dos orcs e para a transferência de seus exércitos para o oeste.

Esta visão da origem dos orcs depara-se com dificuldades de cronologia. Mas, embora os homens possam encontrar conforto nisto, a teoria permanece de qualquer modo a mais provável. Ela concorda com tudo que é sabido sobre Morgoth, e da natureza e comportamento dos orcs – e dos homens. Melkor era impotente para produzir qualquer coisa viva, mas hábil na corrupção de coisas que não originaram-se dele, se pudesse dominá-las. Mas se ele tivesse de fato tentado fazer criaturas por sua própria conta em imitação ou zombaria dos Encarnados, ele teria, como Aulë, sido apenas bem sucedido em produzir fantoches: suas criaturas teriam agido apenas enquanto a atenção de sua vontade estivesse sobre elas, e elas não teriam mostrado relutância em executar qualquer comando seu, ainda que fosse para destruírem a si mesmas.

Mas os orcs não eram desse tipo. Eles eram certamente dominados pelo seu mestre, mas sua dominação era por medo, e eles estavam cientes desse medo e o odiavam. Eles eram de fato tão corruptos que eram impiedosos, e não havia crueldade ou perversão que eles não cometessem; mas esta foi a corrupção de suas vontades independentes, e eles tinham satisfação nos seus atos. Eles eram capazes de agir por si próprios, cometendo atos malignos para seu próprio divertimento; ou se Morgoth e seus agentes estivessem distantes, eles poderiam negligenciar seus comandos. Eles às vezes lutavam entre si, para o detrimento dos planos de Morgoth.

Além disso, os orcs continuaram a viver e se reproduzir, e prosseguiram no seu trabalho de destruição e pilhagem após Morgoth ter sido destronado. Eles também possuiam outras características dos Encarnados. Eles tinham linguagens próprias, e falavam entre si várias línguas de acordo com as diferenças de linhagem que eram discerníveis entre eles. Eles precisavam de comida e bebida, e descanso, embora muitos fossem treinados tão duros como os anões para suportar as adversidades. Eles podiam ser mortos, e eram alvos de doenças; mas à parte desses males, eles morriam e não eram imortais, mesmo de acordo com o modo dos Quendi; de fato, eles pareciam ter por natureza vidas curtas comparadas com a longevidade dos homens de raças superiores, tais como os Edain.

Este último ponto não era bem compreendido nos Dias Antigos. Pois Morgoth possuía muitos servos, dos quais os mais velhos e mais potentes eram imortais, pertencendo de fato, no seu início, aos Maiar; e estes espíritos malígnos, como seu mestre, podiam tomar formas visíveis. Aqueles cujo trabalho era comandar os orcs frequentemente tomavam formas órquicas, porém eram maiores e mais terríveis. Assim as histórias falavam de Grandes Orcs ou capitães-orcs que não eram mortos, e que reapareciam em batalha através dos anos muito mais longos que os períodos das vidas dos homens.

Finalmente, há um ponto irrefutável, embora horrível de se relatar. Tornou-se claro com o tempo que indubitavelmente os homens podiam, em poucas gerações, sob a dominação de Morgoth ou de seus agentes, ser reduzidos quase ao nível órquico em mente e hábitos; e então eles estariam, ou poderiam estar, prontos para cruzar com orcs, produzindo novas linhagens, frequentemente maiores e mais astutas. Não há dúvida de que muito mais tarde, na Terceira Era, Saruman redescobriu isto, ou aprendeu sobre isto em estudo, e em sua sede pela supremacia, praticou isto, seu ato mais maligno: o cruzamento de orcs e homens, produzindo tanto homens-orc, grandes e astutos, como orcs-homens, traiçoeiros e desprezíveis.

Mas mesmo antes dessa perversão de que Morgoth era suspeito, os sábios nos Dias Antigos sempre ensinaram que os orcs não foram feitos por Melkor e, portanto, não eram malignos na sua origem. Eles podiam ter se tornado irredimíveis [pelo menos por elfos e homens], mas eles continuavam dentro da Lei. Isto é, que embora sendo necessário [sendo os dedos da mão de Morgoth] serem enfrentados com a maior severidade, eles não deveriam ser tratados com os seus próprios termos de crueldade e traição. Cativos, não deviam ser atormentados, nem mesmo para descobrir informações para a defesa das casas de elfos e homens. Se quaisquer orcs se rendessem e clamassem por misericórdia, ela seria concedida, a qualquer preço. Este era o ensinamento dos sábios, embora no horror da guerra isto não fosse sempre considerado.

É verdade, claro, que Morgoth mantinha os orcs em horrenda escravidão; pois em sua corrupção, eles haviam perdido quase toda a possibilidade de resistir à dominação de sua vontade. De fato, tão grande era a sua pressão sobre eles que, antes de Angband cair, se direcionasse seu pensamento na direção deles, eles ficariam conscientes de seu “olho” onde quer que estivessem; e quando Morgoth finalmente foi removido de Arda, os orcs que sobreviveram no oeste se dispersaram, sem liderança e quase sem sagacidade, e estiveram por um longo tempo sem controle ou propósito.

Esta servidão à uma vontade central que reduziu os orcs a uma vida quase como a de formigas, foi vista mais claramente na Segunda e Terceira Eras sob a tirania de Sauron, tenente-comandante de Morgoth. Sauron realmente alcançou maior controle sobre seus orcs do que Morgoth jamais havia conseguido. Ele estava, claro, operando em uma escala menor, e ele não tinha inimigos tão grandes e tão ferozes como os noldor no auge de seu poder nos Dias Antigos. Mas ele também herdou destes dias dificuldades, tais como a diversidade de orcs em linguagem e linhagem, e as hostilidades entre eles; enquanto em muitos lugares da Terra-média, após a queda das Thangorodrim e durante a ocultação de Sauron, os orcs, recuperando-se de sua impotência, ergueram pequenos reinos por si próprios e tornaram-se acostumados à independência. Mas Sauron conseguiu em tempo unir a todos em ódio irracional a elfos e aos homens que associaram-se a eles; enquanto que os orcs de seus próprios exércitos treinados estavam tão completamente sob sua vontade que sacrificariam a si mesmos, sem hesitação, ao seu comando.

[Mas havia uma falha no seu controle, inevitável. No reino do ódio e do medo, a coisa mais forte é o ódio. Todos os seus orcs odiavam-se uns aos outros, e precisavam ser mantidos sempre em guerra contra algum “inimigo” para evitar que se matassem entre si] E ele mostrou-se também mais habilidoso do que seu mestre na corrupção dos homens que estavam além do alcance dos sábios, e em reduzí-los à vassalagem, na qual eles marchariam com os orcs, e rivalizariam com eles em crueldade e destruição.

É dessa maneira que provavelmente devemos olhar para Sauron para encontrar uma solução do problema da cronologia. Embora de poder natural imensamente menor do que seu mestre, ele permaneceu menos corrupto, mais audacioso e mais apto à prudência. Pelo menos nos Dias Antigos, e antes de ser privado de seu senhor e cair na insensatez de imitá-lo, e esforçando-se para tornar-se Senhor Supremo da Terra-média. Enquanto Morgoth ainda governava, Sauron não procurou sua própria supremacia, mas trabalhou e planejou para outro, desejando o triunfo de Melkor, que no início ele venerava. Ele, assim, foi frequentemente capaz de concluir coisas, primeiramente concebidas por Melkor, que seu mestre não completou ou não podia completar na pressa furiosa de sua malícia.

Podemos supor, então, que a idéia do cruzamento de orcs partiu de Melkor, a princípio talvez não tanto pela provisão de servos ou da infantaria de suas guerras de destruição, como pela profanação dos Filhos e escárnio blasfemo dos desígnios de Eru. Os detalhes da realização dessa depravação foram, entretanto, deixados principalmente às sutilezas de Sauron. Neste caso, a concepção [em pensamento] dos orcs deve ter surgido há muito tempo, na noite do pensamento de Melkor, embora o início da sua atual reprodução devesse esperar pelo despertar dos homens.

Quando Melkor foi feito prisioneiro, Sauron escapou e permaneceu escondido na Terra-média; e desse modo pode ser compreendido como a reprodução dos orcs [sem dúvida já iniciada] continuou com velocidade crescente durante a era em que os noldor habitavam Aman; então quando retornaram à Terra-média, econtraram-na já infestada por esta praga, para o tormento de todos que lá habitavam, elfos, homens ou anões. Foi Sauron, também, que secretamente reparou Angband para o auxílio de seu mestre quando este retornasse; e lá, os escuros lugares subterrâneos já estavam guarnecidos com exércitos de orcs antes de Melkor por fim voltar, como Morgoth, o Sinistro Inimigo, e os enviou para trazer ruína a tudo que era belo. E embora Angband tenha caído e Morgoth tenha sido removido, eles ainda saem dos lugares sem luz na escuridão de seus corações, e a terra é destruída sob seus pés impiedosos.

History of Middle-earth IX – Sauron Defeated

"Sauron Defeated" ou "Sauron Derrotado", o nono livro da monumental série History, recebeu esse título um tanto genérico meio por falta de opção, admite Christopher Tolkien. É que a obra teve de reunir material um tanto díspar, que vai desde a continuação da história textual de "O Senhor dos Anéis" até um romance (abortado) de viagem no tempo, altamente experimental. A diversidade de temas e estilos mostra que, além de genial, Tolkien podia ser muito versátil, enveredando inclusive pela ficção científica tradicional.
 

O início do livro fecha o desenvolvimento de "O Senhor dos Anéis" com as versões preliminares dos capítulos que hoje compõem o Livro VI da Saga do Anel. Alguns detalhes interessantes são a aparição do velho Ghân-buri-Ghân para a coroação de Aragorn e o papel ativo e guerreiro que Frodo, inicialmente, teve durante o Expurgo do Condado.

Mas emocionante mesmo é o Epílogo do livro (que acabou sendo retirado da edição final) em que Sam, já mais velho e rodeado de seus filhos, conta aos pequenos sobre o destino final dos companheiros da Sociedade do Anel e da visita do rei Elessar ao Condado. Abraçado com Rosinha, Sam contempla o céu estrelado da Terra-média e volta para o aconchego do Bolsão, não sem antes ouvir ao longe o barulho do Mar – um prelúdio de sua partida para as Terras Imortais. Como guloseima para os que se interessam pelas línguas élficas, a Carta do Rei no original sindarin também está disponível.

O tom muda bastante na segunda parte do livro, voltando-se para a história de Númenor. É quando surgem os "The Notion Club Papers" (As Palestras do Clube Notion), um romance ousado e infelizmente inacabado no qual Tolkien retoma o antigo "The Lost Road": um grupo de eruditos de Oxford, que se reúne durante os anos 80 do século XX (logo, no que era o futuro para Tolkien), discute as possibilidades da viagem espacial e temporal e acaba redescobrindo o mundo perdido da Segunda Era e da ameaça de Sauron sobre Númenor.

Finalmente, a terceira parte traça a evolução do texto "The Drowning of Anadûnê", uma das principais fontes para o Akallabêth, a Queda de Númenor. Como bônus, temos o início de uma gramática histórica do adûnaico, o idioma numenoreano, feita por um dos membros do Clube Notion – que termina, infelizmente, antes de chegar ao verbo.

Dos Anões e Homens

Importante texto da série HoME que trata dos Anões, seus clãs, suas alianças com os Homens e também relata sobre os Homens do Norte.
[Christopher Tolkien:Este longo ensaio não possui título, mas em uma página de rosto meu pai escreveu:

“Uma história e comentário extenso sobre a inter-relação das linguagens em O Silmarillion e em O Senhor dos Anéis, originadas de considerações sobre o Livro de Mazarbul, mas tentando clarificar e onde necessário corrigir ou explicar as referências a tais assuntos espalhadaos por O Senhor dos Anéis, especialmente no Apêndice F e na Fala de Faramir no SdA II”

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Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

History of Middle-earth XI – The War of the Jewels

"The War of the Jewels" ou "A Guerra das Jóias" se refere, é claro, à terrível contenda entre os Noldor e seus aliados élficos e humanos contra Morgoth, o Inimigo do Mundo, pela posse das Silmarils. O livro continua o esquema iniciado em "Morgoths Ring" ao mostrar como as lendas dos Dias Antigos foram sendo reelaboradas por Tolkien depois que ele terminou "O Senhor dos Anéis".

 

O foco do livro é o período que segue a chegada dos Noldor à Terra-média até o fim da Primeira Era. O Quenta Silmarillion continua, acompanhada pelos chamados Anais Cinzentos. Não há grandes novidades para quem já conhece "O Silmarillion", com a notável exceção de um belo texto que descreve a relação entre o sindarin e o quenya e como os Noldor se adaptaram, na marra, ao novo idioma (no caso, o élfico-cinzento).

Os grandes atrativos e surpresas do livro vêm depois. O primeiro deles é "The Wanderings of Húrin" (As Andanças de Húrin), que relata parte do que aconteceu ao maior guerreiro humano da Primeira Era depois de ser libertado de Angband. Acredite se quiser, Christopher Tolkien acochambrou em "O Silmarillion": a idéia de Tolkien era que Húrin entrasse em Brethil para vingar a morte de seu filho Túrin, causando uma guerra civil entre os Haladin. Infelizmente, como essa versão estava inacabada, Christopher precisou criar seu próprio final para Húrin.

Fechando com chave de ouro o livro, temos "Quendi and Eldar", um monumental texto filológico que também traz novas revelações sobre a história élfica.

O Parentesco de Gil-galad

Meu pai originalmente supôs que Gil-galad era o filho de Felagund Rei de Nargothrond. Esta informação provavelmente é encontrada pela primeira vez no texto FNII da Queda de Númenor (HoME 5 pag 33); e continuou sendo sua crença até após o término de O Senhor dos Anéis, como visto no principal texto inicial do Conto dos Anos e no Sobre os Anéis de Poder, onde, no texto publicado (O Silmarillion) Fingon é uma alteração editorial de Felagund.

 

Em adições de data incerta feitas no Quenta Silmarillion (HoME 11 pag 242) é dito que Felagund enviou sua mulher e filho Gil-galad de Nargothrond para os Portos de Falas para garantir-lhes segurança. Deve ser notado também no texto do Conto dos Anos acima referido que não apenas Gil-galad era o filho de Felagund mas Galadriel era irmã de Gil-galad (e portanto filha de Felagund). Surgiu, contudo, nos Anais Cinzentos de 1951 (HoME 11 pag 44 $108) que Felagund não tinha esposa, pois à Vanya Amarië a quem ele amava não foi permitido deixar Aman.

 

Aqui algo deve ser dito sobre Orodreth, filho de Finarfin e irmão de Felagund, que  tornou-se o segundo Rei de Nargothrond. Nas árvores genealógicas dos descendentes de Finwë, que podem ser datadas de 1959 mas que meu pai continuava utilizando e alterando quando esreveu o texto sobre The Shibboleth of Feanor, a curiosa história de Orodreth pode ser traçada. Colocada o mais concisamente possível, Finrod (Felagund) a início tinha um filho chamado Artanaro Rhodothir (e portanto contradizia a história dos AnaisCinzentos de que ele não tinha esposa) o segundo Rei de Nargothrond e pai de Finduilas. Portanto “Orodreth” fora agora movido para uma geração abaixo, tornado-se o filho de Finrod ao invés de seu irmão. No próximo estágio meu pai (recordando, aparentemente, a história dos Anais Cinzentos) anotou que Finrod “não tinha filhos {ele deixara a esposa em Aman)” e moveu Artanaro Rhodothir para se tornar,

ainda na mesma geração, o filho do irmão de Finrod, Angrod (que com Aegnor manteve Dorthonion e foi morto na Batalha das Chamas Repentinas).

 

O nome do filho de Angrod (ainda mantendo a identidade de “Orodreth”) foi então alterado de Artanaro para Artaresto. Em uma nota isolada encontrada com as genealogias, escrita com grande rapidez mas ainda assim datada, Agosto de 1965, meu pai sugeriu que a melhor solução para o problema do parentesco de Gil-galad era encontrá-lo como “o filho de Orodreth”, ao qual aqui é dado o nome de Artaresto, e continua:

 

Finrod deixou sua esposa em Valinor e não tinha filhos no exílio. O filho de Angrod era Artaresto, que era amado por Finrod e escapou quando Angrod foi morto, e morou com Finrod. Finrod fez dele seu “regente” e ele o sucedeu em Nargothrond. Seu nome Sindarin era Rodreth (alterado pata Orodreth devido ao seu amor pelas montanhas ……. Seus filhos eram Finduilas e Artanaro = Rodnor mais tarde chamado Gil-galad. (A mãe deles era uma dama Sindarin do Norte. Ela chamou seu filho Gil-galad). Rodnor Gil-galad escapou e eventualmente chegou à Foz do Sirion e foi Rei dos Noldor lá.


 

As palavras que eu não consegui ler aparentemente contém uma preposição e um nome próprio, e este último pode ser Faroth (o Alto Faroth a oeste do rio Narog). Na última das tabelas genealógicas Artanaro (Rodnor) chamado Gil-galad aparece, com uma nota de que “ele escapou e morou na Foz do Sirion”. A única mudança posterior foi a rejeição do nome Artaresto e sua substituição por Artaher, Sindarin Arothir; e portanto nos apêndices Arothir [Orodreth] é nomeado como o “parente e regente” de Finrod, e Gil-galad é “o filho de Arothir, sobrinho de Finrod”.


A genealogia final era:

 

                              Finrod Felagund ---- Angrod
                                               |
                                   Artaher/Arothir [Orodreth]
                                               |
                                  Artanaro/Rodnor/Gil-galad

Uma vez que Finduilas permaneceu sem correção na última genealogia como a filha de Arothir, ela tornou-se irmã de Gil-galad.* 

Portanto não há dúvidas de esta era a última palavra de meu pai sobre o assunto; mas nada de sua concepção tardia e radicalmente alterada tocou as narrativas existentes e foi obviamente impossível incluí-las no Silmarillion publicado. De qualquer modo teria sido muito melhor deixar o parentesco de Gil- Galad obscuro [N.T. no Silmarillion publicado].

 

Também devo mencionar que no texto publicado sobre Aldarion e Erendis (Contos Inacabados) a carta de Gil-galad para Tar-Meneldur abre “Ereinion Gil-alad filho de Fingon”, mas o original era “Finellach Gil-galad da Casa de Finarfin” (onde Finellach foi mudado de Finhenlach, e este de Finlachen). E também no texto de Uma Descrição da Ilha de Númenor (Contos Inacabados) eu imprimi “Rei Gil-galad de Lindon” onde o original era “Rei Finellach Gil-galad de Lindon”; eu mantive, contudo, as palavras “sua parente Galadriel”, uma vez que Fingon e Galadriel eram primos de primeiro grau. Não há traços entre as muitas notas e sugestões escritas nas tabelas genealógicas da descendência proposta de Gil-galad a partir de Finarfin; mas de qualquer forma Aldarion e Erendis e o proximamente relacionado Descrição de Numenor precediam por algum tempo (eu agora sou inclinado a datá-los de cerca de 1960) a tranformação de Gil- Galad no neto de Angrod, com o nome Artanaro Rodnor, que aparece pela primeira vez como uma nova decisão na nota de Agosto de 1965 citada acima. Uma análise muito mais detalhada do admitidamente complexo material do que a que eu fiz vinte anos atrás torna claro que Gil-galad como filho de Fingon (ver HoME 11 pag 243) era uma idéia efêmera.

 

[Nota do Tradutor]* O texto acima é de Christopher Tolkien, com excessão do trecho em itálico, que é do próprio Tolkien. Interessante reparar nesse texto, além do mea culpa de Christopher quanto ao parentesco incorreto de Gil-galad publicado no Silmarillion, o número de “influências editoriais” exercidas por ele sobre os textos do pai.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Glorfindel

No verão de 1938, quando meu pai estava refletindo sobre O Conselho de Elrond no O Senhor dos Anéis, ele escreveu: ‘Glorfindel fala de sua origem em Gondolin’ [VI.214]. Mais de trinta anos depois ele levantou a questão se Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda eram realmente um e o mesmo, e esta foi discutida em duas discussões, junto com outros escritos breves ou fragmentários associados com eles. Eu irei me referir a estes como ‘Glorfindel I’ e ‘Glorfindel II’. A primeira página de Glorfindel I está faltando, e a segunda página começa com as palavras ‘como guardas ou assistentes’. Então se segue:
Um Elfo que conhecesse a Terra-média e tivesse lutado nas longas guerras contra Melkor seria uma companhia realmente adequada para Gandalf. Nós podemos então razoavelmente supor que Glorfindel [possivelmente como um de um pequeno grupo, mais provavelmente como uma companhia única] desembarcou com Gandalf-Olórin por volta de 1000 da Terceira Era. Esta suposição pode realmente explicar o ar de poder especial e santidade que cercava Glorfindel – percebava como o Rei-Bruxo fugiu dele, enquanto todos os outros [como o Rei Eárnur] embora corajosos não conseguiam fazer seus cavalos encará-lo [Apêndice A [I, iv]]. De acordo com os registros [completamente independente deste caso] sobre a natureza Élfica dados em outro local, e suas relações com os Valar, quando Glorfindel foi morto seu espírito foi para Mandos e foi julgado, e então permaneceu nos Salões de Espera até que Manwë lhe concedesse liberdade. Os Elfos eram por natureza destinados a serem ‘imortais’, até os limites desconhecidos da vida na Terra como um mundo habitável, e seus desligamentos corporais eram mortificantes. Era o dever dos Vala, então, restaurá-los, se eles fossem mortos, para a vida encarnada, se eles assim o desejassem – a não ser por alguma razão grave [e rara]: como os feitos de grande mal, ou quaisquer feitos de malícia dos quais permanecessem obstinadamente sem arrependimento. Quando eles eram re-incorporados eles podiam permaneceer em Valinor ou retornar para a Terra-média se seu lar tivesse sido lá. Nós podemos então razoavelmente supor que Glorfindel, após a purificação ou perdão de sua parte na rebelião dos Noldor, foi liberto de Mandos e tornou-se ele mesmo novamente, mas permaneceu no Reino Abençoado – pois Gondolin foi destruída e todos ou a maioria de seus parentes tinham perecido. Nós podemos dessa forma compreender porqeu ele parecia uma figura tão poderosa e quase ‘angelical’. Pois ele tinha retornado à primitiva inocência dos Primogênitos, e tinha então vivido entre aqueles Elfos que nunca se rebelaram, e em companhia dos maiar por eras: desde os últimos anos da Primeira Era, através da Segunda Era até o final do primeiro milênio da Terceira Era: antes dele retornar à Terra-média. É também bastante provável que ele já em Valinor tenha se tornado um amigo e um seguidor de Olórin. Mesmo nos breves vislumbres dados sobre ele em O Senhor dos Anéis ele aparece como especialmente preocupado com Gandalf, e foi um [o mais poderoso, ao que parece] daqueles mandados de Valfenda quando as preocupantes notícias de que Gandalf não reaparecera para guiar ou proteger o Portador do Anel chegaram a Elrond.O segundo ensaio, Glorfindel II, é um texto de cinco páginas manuscritas que sem dúvida segui-se ao primeiro depois de um curto intervalo; mas um pedaço de papel no qual meu pai apressadamente colocou alguns pensamentos sobre a matéria presumivelmente veio entre eles, visto que ele disse ali que enquanto gandalf poderia ter vindo com Gandalf, ‘parece bem mais verossímel que ele tenha sido mandado na crise da Segunda Era, quando Sauron invadiu Eriador, para auxiliar Elrond, e embora não [ainda] mencionado nos anais relatando a derrota de Sauron ele representou um notável e heróico papel na guerra.’ Ao final desta nota ele escreveu as palavras ‘navio Numenoriano’, presumivelmente indicando como Glorfindel poderia ter cruzado o Grande Mar.Seu nome é de fato derivado do mais antigo trabalho na mitologia: A Queda de Gondolin, escrito em 1916-1917, no qual a linguagem Élfica que no final das contas tornou-se aquela do tipo conhecido como Sindarin estava em uma forma primitiva e desorganizada, e sua relação com o tipo chamado Alto Élfico [por si mesmo bastante primitivo] ainda era aleátorio. A intenção era que significasse ‘Tranças Douradas’, e foi o nome dado ao ‘Gnomo’ [Noldo] heróico, um líder de Gondolin, que na passagem de Cristhorn [‘abismo das �?guias’] lutou com um Balrog [>Demônio], a quem ele matou ao custo de sua própria vida.Seu uso em O Senhor dos Anéis é um dos casos do uso de alguma forma aleatório dos nomes encontrados nas antigas lendas, agora conhecidas como sendo O Silmarillion, e que escapou à reconsideração na versão final publicada de O Senhor dos Anéis. Isto é desafortunado, uma vez que agora o nome é difícil de encaixar no Sindarin, e possivelmente não pode ser Quenyarin. Também na agora organizada mitologia, dificuldades estão presentes nas coisas anotadas sobre Glorfindel em O Senhor dos Anéis, se Glorfindel de Gondolin é supostamente a mesma pessoa que Glorfindel de Valfenda.

Como mencionado anteriormente: ele foi morto na Queda de Gondlin ao final da Primeira Era, e se um líder daquela cidade deveria ser um Noldo, um dos Senhores Élficos na tropa do Rei Turukáno [Turgon]; de qualquer maneira quando A Queda de Gondolin foi escrito ele certamente foi pensado como um. Mas os Noldor em Beleriand eram exilados de Valinor, tendo se rebelado contra a autoridade de Manwë, supremo líder dos Valar, e Turgon fora um dos apoiadores mais determinados e sem arrependimento da rebelião de Fëanor. Não há’como escapar disso. Gondolin no O Silmarillion é dita ter sido construída e ocupada por um povo de origem quase inteiramente Noldorin. Poderia ser possível, embora inconsistente, supor que um príncipe de origem Sindarin uniu-se à tropa de Turgon, mas isto iria contradizer inteiramente o que é dito de Glorfindel em Valfenda em O Senhor dos Anéis, onde é dito ele ser um dos ‘senhores dos Eldar de além do mais distantes mares… que havia morado no Reino Abençoado.’ Os Sindar nunca haviam deixado a Terra-média.

Esta dificuldade, muito mais séria que a linguística, deve ser considerada primeiro. De qualquer modo a solução mais simples à primeira vista deve ser abandonada: aquela na qual temos uma mera duplicação de nome, e que Glorfindel de Gondolin e Glorfindel de Valfenda são pessoas diferentes. Esta repetição de um nome tão impressionante, embora possível, não é crível. Nenhum outro personagem de destaque nas lendas Élficas como relatadas em O Silmarillion e O Senhor dos Anéis tem um nome usado por outra personalidade Élfica de importância. Também pode ser percebido que a aceitação de Glorfindel de antigamente e da Terceira Era realmente explica o que é dito dele e aprimora a história.

Quando Glorfindel de Gondolin foi morto seu espírito deveria, de acordo com as leis estabelecidas pelo Um, ser obrigado a retornar imediatamente para a terra dos Valar. Lá então ele deveria ser julgado, e permaneceria nos ‘Salões de Espera’ até que Manwë lhe concedesse perdão. Elfos foram destinados a serem ‘imortais, isto é não morrer dentro dos limites desconhecidos estabelecidos pelo Um, que no máximo seria até o fim da vida da Terra como um mundo habitável. Suas mortes – por qualquer ferimento a seus corpos que fosse tão severo que não pudesse ser curado – e o desligamento corporal de seus espíritos era um assunto ‘não-natural’ e doloroso. Era então dever dos Valar, por comando do Um, restaurá-los à vida encarnada, se assim o desejassem. Mas esta ‘restauração’ poderia ser adiada por Manwë, se o fëa enquanto vivo tivesse cometido atos malignos e recusado a se arrepender deles, ou ainda mantinha qualquer malícia contra qualquer outra pessoa entre os vivos.

Agora Glorfindel de Gondolin era um dos Noldor exilados, rebeldes contra a autoridade de Manwë, e eles estavam todos sob a proibição imposta por ele: eles não poderiam retornar em forma corpórea ao Reino Abençoado. Manwë, contudo, não estava preso à suas próprias regrasm e sendo o governante supremo do Reino de Arda poderia colocá-las de lado, quando desejasse. Pelo que é dito em O Silmarillion e O Senhor dos Anéis é evidente que ele era um Elda de espírito nobre e elevado e pode-se assumir que, embora tenha deixado valinor na tropa de Turgon, então incorrendo na proibição, ele o fez relutantemente devido ao parentesco e lealdade para com Turgon , e não teve parte no fratricídio de Alqualondë.

Mais importante: Glorfindel sacrificou sua vida na defesa dos fugitivos das ruínas de Gondolin contra um Demônio saído de Thangorodrim, e assim permitindo Tuor e Idril filha de Turgon e seus filho Eärendil escapar, e buscar refúgio nas Bocas do Sirion. Apesar dele não ter sabido a importância disto [e teria defendido-os mesmo eles sendo fugitivos de qualquer nível], este feito foi de vital importância para os desígnios dos Valar. É então inteiramente para manter o propósito geral de O Silmarillion a descrição da história subsequente de Glorfindel. Após a purificação de qualquer culpa que ele tivesse assumido na rebelião, ele foi liberto de Mandos, e Manwë o restaurou. Ele tornou-se então novamente uma pessoa vivente encarnada, e foi-lhe permitido morar no Reino Abençoado; pois ele tinha recuperado a graça e inocência primordial dos Eldar. Por longos anos ele permaneceu em valinor, em reunião com os Eldar que não se rebelaram, e em companhia dos Maiar. Para estes ele tinha se tornado quase um igual, pois embora ele fosse um encarnado [para quem uma forma corporal não feita ou escolhida por si mesmo é necessária] seu poder espiritual foi grandemente aumentado pelo seu auto-sacrifício. Em algum momento, provavelmente no início de sua residência provisória em Valinor, ele tornou-se um seguido, e um amigo, de Olórin [Gandalf], que como é dito em O Silmarillion tinha um amor e preocupação especiais pelos Filhos de Ilúvatar. Aquele Olórin, como era possível a um dos Maiar, já tinha visitado a Terra-média e tinha conhecido não apenas os Elfos Sindarin e outros no âmago da Terra-média, mas também com os Homens, mas nada é [>ainda foi] dito sobre isto.

Glorfindel permaneceu no Reino Abençoado, sem dúvida a princípio por sua própria escolha: Gondolin fora destruída, e todos os seus parentes tinham perecido, e estavam nos Salões de Espera inacessíveis pelos vivos. Mas sua longa residência temporária durante os últimos anos da Primeira Era, e pelo menos vários anos na Segunda Era, sem dúvida estavam de acordo com os desejos e desígnios de Manwë.

Quanto então Glorfindel retornou para a Terra-média? Isto deve provavelmente ter ocorrido antes do final da Segunda Era, e a ‘Mudança do Mundo’ e o Afundamento de Númenor, após o que nenhuma criatura viva corpórea, ‘humana’ ou de tipos inferiores poderia retornar dos Reinos Abençoados que haviam sido ‘removidas dos Círculos do Mundo’. Isto de acordo com uma regra geral procedente de Eru; e de qualquer forma, até o final da Terceira Era, quando Eru decretou que o Domínio dos Homens deveria começar, Manwë poderia ter recebido a permissão de Eru para fazer uma exceção em seu caso, e para ter planejado alguns modos de transporte para Glorfindel até a Terra-média, isto é improvável e faria de Glorfindel ter poder e importâncias maiores do que parecia ajustar-se a ele.

Nós então podemos melhor supor que Glorfindel retornou durante a Segunda Era, antes que a ‘sombra’ se estendesse em Númenor, e enquanto os Numenorianos ainda eram saudados pelos Eldar como poderosos aliados. Seu retorno deve ter sido para o propósito de fortalecer Gil-galad e Elrond, quando crescente mal das intenções de Sauron foi finalmente percebido por eles. Poderia, então, ter sido tão cedo quanto 1200 da Segunda Era, quando Sauron veio em pessoa para Lindon e tentou ludibriar Gil-galad, mas foi rejeitado e mandado embora. Mas poderia ter sido, talvez mais provavelmente, tão tarde quanto 1600, o Ano do Terror, quando Barad-dûr foi completada e o Um Anel forjado, e Celebrimbor finalmente tomou consci6encia da armadilha em que caíra. Pois em 1200, embora cheio de ansiedade, Gil-galad sentia-se forte e capaz de lidar com Sauron com descaso. E também a este tempo seus aliados Numenorianos tinham começado a fazer portos permanentes para seus grandes navios, e também muitos deles tinham começado a morar lá definitivamente. Em 1600 tornou-se claro a todos os líderes dos Elfos e Homens [e Anões] que a guerra contra Sauron era inevitável, agora desmascarado como um novo Senhor Escuro. Eles então começaram a se preparam para seu ataque; e sem dúvida mensagens e pedidos urgente por ajuda foram recebidos em Númenor [e em Valinor].

O texto acaba aqui, sem indicação de que está incompleto, embora a ‘dificuldade linguística’ a que ele se refere não foi levantada.

Escrito ao mesmo tempo que os textos ‘Glorfindel’ existe uma discussão da reincarnação Élfica. Ele tem duas versões, uma um rascunho bastante bruto [parcialmente escritos de fato no manuscrito de Glorfindel I] em relação ao outro. Este texto não está incluído aqui, exceto sua parte conclusória, que se refere à crença dos Anões no renascimento ou reaparição de seus pais, mais notavelmente Durin. Eu entrego esta passagem na forma em que está no rascunho original. Ela foi escrita rapidamente [com pontuação omitida, e formas variantes ou frases atropelando0se umas às outras] que na versão impressa que se segue não foi de modo algum transportada; mas são anotados pensamentos emergentes de uma matéria relativa à qual muito pouco é encontrada nos escritos de meu pai.

Esta falsa noção está conectada com várias idéias estranhas que tanto Elfos quanto Homens tinham em relação aos Anões, as quais eram de fato grandemente derivadas dos próprios Anões. Pois os Anões afirmavam que os espíritos dos Sete Pais de suas raças de tempos em tempos renasciam entre seus clãs. Isto é notável principalmente no caso da raça dos barbalongas cujo antepassado primeiro era chamado Durin, um nome tomados de tempo sme tempos por um de seus descendentes, mas não por outros exceto aquels em linha direta de descendência de Durin I. Durin I, o mais antigo dos pais, ‘acordou’ a muito tempo atrás na Primeira Era [suipostamente logo após o despertar dos Homens], mas na Segunda Era vários outros Durin apareceram como reis dos barbalongas [Anfagrim]. Na Terceira Era Durin VI foi morto por um Balrog em 1980. Foi profetizado [pelos Anões], quando Daín Pé-de-Ferro assumiu a realeza em 2941 da Terceira Era [após a Batalha dos Cinco Exércitos], que na sua linha direta apareceria um dia um Durin VII – mas ele seria o último. Sobre estes Durin os Anões reportaram que eles retinham na memória suas vidas anteriores como Reis, como se fosse real, e natualmente incompleta, como se eles tivessem vivido anos consecutivos como uma única pessoa.

Como isto poderia ter chegado ao Elfos não é conhecido; nem os Anões falam muito mais sobre o assunto. Mas os Elfos de Valinor conhecem um estranho conto sobre a origem dos Anões, o qual os Noldro trouxeram para a Terra-média, e declaram que o aprenderem do próprio Aulë. Este poderá sem encontrado entre vários assuntos menores encluídos em notas dou apêndices de O Silmarillion, e não é relatado completamente aqui. Para o presente propósito é suficiente recordar que o criador direto da raça dos Anões foi o Vala Aulë.

Aqui está uma breve versão da lenda da Criação dos Anões, a qual eu omiti; meu pai escreveu no texto: ‘Não é o lugar para contar a história de Aulë e os Anões.’ A conclusão então se segue:

Os Anões acrescenta que àquele tempo Aulë conquistou para eles este privilégio que os distinguia dos Elfos e dos Homens: que os espíritos de cada um dos Pais [como Durin] poderiam, ao final da longa duração da vida destinada aos Anões, adormeceriam, e então descansariam em um túmulo de seus próprios corpos, em descanso, e ali seus cansaços e ferimento que sofreram seriam curados. Então após longos anos eles deveriam acordar e tomar sua realeza novamente.

A segunda versão é bem mais breve, e sobre a questão do ‘renascimento’ dos pais diz apenas: ‘… a reaparição, a longos intervalos, da pessoa de um dos Pais dos Anões, nas linhas de seus reis – especialmente Durin – não é, quando examinada, provavelmente um caso de renascimento, mas da preservação do corpo de um prévio Rei Durin [é dito] para o qual a certos intervalos seu espírito retorna. Mas as relações dos Anões com os valar e especialmente com o Vala Aulë são [ao que parece] bastante diferentes daquelas de Elfos e Homens.’

[Tradução de Fábio Bettega]

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Círdan

CírdanEsse texto é retirado do HoME 12 e os comentários feitos por Christopher Tolkien ao texto de seu pai, J.R.R. Tolkien, encontram-se em itálico 
Este breve manuscrito também é associado com a discussão de Glorfindel: o rascunho• do mesmo é encontrado no verso de uma das páginas do texto Glorfindel II.

Está é apalavra Sindarin para ´Armador´, [29] e descreve sua função posterior na história das Primeiras Três Eras, mas seu nome ´próprio´,isto é, seu nome original entre os Teleri, dos quais ele fazia parte, nunca é utilizado [30]. É dito nos Anais da Terceira Era (c. 1000) que ele poderia ver mais longe e profundamente o futuro do que qualquer um na terra-média [31]. Isto não inclui os Istari (que vieram de Valinor), mas inclui mesmo Elrond, Galadriel e celeborn.

Círdan era um Elfo Telerin, um dos mais nobres daqueles que não foram transportados a Valinor, mas vieram a se tornar os Elfos-cinzentos[32]. Ele era parente de Olwë, um dos dois reis dos Telerin e senhor daqueles que partiram por sobre o Grande Mar. Ele é também parente de Elwë [33], o irmão mais velho de Olwë, aceito como Alto Rei de todos os Teleri em Beleriand, mesmo após ele ter se recolhido ao reino protegido de Doriath. Mas Círdan e seu povo permaneceram de muitas formas distintos do resto dos Sindar. Eles mantiveram o alntigo nome Teleri (em Sindarin tardio [34] Eorm Telir ou Telerrim) e permaneceram de muitas forma um povo à parte, falando, mesmo em tempos posteriores, uma língua mais arcaica [35]. Os Noldor os chamavam Falmari, “povo das ondas”, e outros Sindarin de Falathim, “povo da costa espumante” [36].

Foi durante a longa espera dos Teleri pelo retorno da ilha flutuante, sobre a qual os Vanyar e Noldor foram transportados sobre o Grande Mar, que Círdan direcionou seus pensamentos e habilidade para a construção de barcos, pois ele e todos os demais Teleri se tornaram impacientes. Apesar de tudo é dito que por amor e lealdade aos seus Círdan era o líder daqueles que procuraram longamente por Elwë quando este estava perdido e não foi ao litoral para partir da Terra-média. Assim ele adiou sem maior desejo: ver o Reino Abençoado e encontrar novamente Olwë e seus parentes próximos. Dessa forma ele não atingiu o litoral até praticamente todos os Teleri seguidores de Olwë terem partido.

Então, é dito, ele permaneceu abandonado olhando o mar, e era noite, mas muito distante ele podia ver o brilhar da luz sobre Eressëa antes desta desaparecer no Oeste. Então ele gritou alto: ´Seguirei aquela luz, sozinho se ninguém quiser ir comigo, pois o navio que eu estiveconstruindo está agora quase pronto´. Mas quando ele disse isso recebeu em seu coração uma mensagem, que ele reconheceu vir dos Valar, embora em sua mente ele tenha lembrado como uma voz falando em sua própria língua. E a voz o alertou para não tentar este feito: pois sua força e habilidade não seriam capazes de construir nenhum barco capaz de desafiar os ventos e ondas do Grande Mar ainda por longos anos. ´Permaneça até aquele tempo, pois quando ele chegar seu trabalho será da máxima importância, e será lembrado em canções por muitas eras´. ´Eu obedeço´, Círdan respondeu, e então pareceu a ele ter visto (em uma visão, talvez) uma forma como a de um navio branco, brilhando sobre ele, que navegou para o oeste através do ar, e enquanto diminuia ao longe parecia como uma estrela de brilho tão grande que lançava uma sombra de Círdan sobre a praia onde ele estava.

Como sabemos agora, esta era a previsão do navio que após os ensinamentos de Círdan e com seus conselhos e ajuda, Earendil construiu, e no qual ele finalmente atingiu as prais de Valinor. Daquela noite em diante Círdan recebeu um poder de previsão em todos os assuntos importantes, além da medida de todos os outros Elfos na Terra-média.

Este texto é extraordinário pois por um lado nada é dito sobre a história e importância de Círdan como aparece em outros lugares, enquanto por outro lado quase tudo que é dito aqui é único. Nos “Anais Cinzentos” é dito (XI.8, $14):

Ossë persuadiu muitos a ficarem em Beleriand, e quando o Rei Olwë e seu grupo embarcaram na ilha e passaram sobre o Mar eles permaneceram no litoral, e Ossë retornou a eles e continuou sua amizade com eles. E ele ensinou-os a arte da contrução de navios e da navegação, e eles setornaram um povo de marinheiros, os primeiros da Terra-média.

Mas de Ossë agora não existe menção, a construção de navios no litoral de Beleriand é dito ter começado nos longos anos de espera dos Teleri pelo retorno de Ulmo, e é mencionado como (ver nota 29) como uma evolução de uma arte já desenvolvida entre os teleri durante a Grande
Jornada.

Outras características deste texto que não aparecem em nenhum outrolugar (em adição, claro, da história do desejo de Círdan de cruzar o Mar até Valinor e sua visão do navio branco indo a oeste através da noite, acima dele) são o fato dos teleri terem se demorado nas costas do Mar de Rhun durante a Grande Jornada (nota 29) que Círdan era olíder destes que buscavam por Elwe Thingol, seu parente, e que Eärendil foi ´ensinado´ por Círdan, que o auxiliou na construção de Vingilot.

Notas

29. Mesmo antes de chegarem a Beleriand os Teleri desenvolveram a arteda construção de barcos: primeiro como balsas e logo como barcos com remos em imitação aos pássaros aquáticos dos lagos próximos às suas casas iniciais ou especialmente durante sua longa permanência nos litorias do ´Mar de Rhun´, onde seus navios se tornaram maiores e mais fortes. Mas em todos estes trabalhos Círdan sempre foi o principal e mais inventivo e hábil.

30. Apenas Pengoloh menciona uma tradição entre os Síndar de Doriath de que este era em sua forma arcaica Nowë, cuja significado original é incerto, assim como o de Olwë.

31. [Apêndice B (nota de topo da Terceira Era): ´Pois Círdan via mais longe e mais profundamente do que qualquer outro na Terra-média´ (dito no contexto da entrega de Narya, o Anel de Fogo, a Mithrandir). Esta afirmação aqui na qual é dita ´nos Anais da Terceira Era (c.1000)´ é confusa, mas presumivelmente relatada às palavras da mesma passagem do Apêndice B ´Quando talvez mil anos se passaram… os Istari ou Magos apareceram na Terra-média´.]

32. Um nome Queny dado pelos exilados Noldor, e primariamente aplicado ao povo de Doriath, povo de Elwë Capa-cinzenta.

33. [Que Círdan era um parente de Elwë é mencionado no “Quendi e Eldar”]

34. Este é usado como um termo geral para o dialeto Teleriano do Eldarin, para o que veio a ser depois das mudanças de longos anos em beleriand, embora não seja inteiramente uniforme em seu desenvolvimento.

35. [“Quendi e Eldar”: ´Os Eglain tornaram0se um povo de alguma formaseparado dos Elfos do interior, e ao tempo da chegada dos Exilados sua língua era de muitas formas diferente´. (os Eglain eram o povo de Círdan)].

36. [Para Falatrhim ver “Quendi e Eldar”; e sonre Falmari: ´os Elfos do Mar se tornaram em Valinor os Falmari, pois faziam música junto às ondas quebrando na praia.´]

The History of Middle-earth VII – The Treason of Isengard

No sétimo livro da série "The History of Middle-earth", entitulado "The Treason of Isengard" (A Traição de Isengard), Christopher Tolkien continua seu relato da evolução de "O Senhor dos Anéis", chegando ao fim da narrativa de "A Sociedade do Anel" e aos primeiros capítulos de "As Duas Torres". Como acontece em "The Return of the Shadow", aqui também vemos diferenças surpreendentes entre as primeiras versões dos textos e a versão finalmente publicada por Tolkien.
 

É nesse momento (por volta de 1940) que o personagem Saruman e o papel de sua traição finalmente emergem. No Conselho de Elrond, após muitas incertezas a respeito dos membros da Sociedade do Anel, os Nove que conhecemos são finalmente definidos.

Outro fato curioso é a grande indecisão sobre o nome verdadeiro de Trotter (depois Strider/Passolargo). Embora esse personagem finalmente se transforme num humano, já que antes era concebido como um hobbit, o Professor hesitou muito quanto ao seu nome: Aragorn, Ingold, Tarkil e Elfstone foram cogitados, até a definição de Aragorn.

Lothlórien e sua rainha Galadriel, elementos fundamentais na estrutura narrativa de "O Senhor dos Anéis", apareciam de forma bastante distinta: basta dizer que Frodo olharia no espelho do rei de Lórien, chamado Galdaran.

Contudo, talvez a diferença mais chocante dos textos de "The Treason of Isengard" em relação ao texto publicado seja a ausência completa de Arwen e de seus irmãos Elladan e Elrohir. Nessa fase da história, Elrond não possuía filhos, e Aragorn deveria se casar com Éowyn no fim do livro.

"The Treason of Isengard", além de traçar essa interessante evolução, traz também outros atrativos para o fã de Tolkien: a versão completa do poema de Bilbo sobre Eärendil, nunca publicada, mapas e desenhos feitos pelo próprio Tolkien e um apêndice sobre as runas dos anões.

A Segunda Profecia de Mandos

Luthiens_Lament_Before_MandosExiste uma referência no Contos Inacabados, na seção Os Istari, que diz o seguinte: “Manwë não descerá da Montanha até a Dagor Dagorath, e a Chegada do Fim, quando Melkor retornará“. Christopher Tolkien fez um comentário no pé da página, ao leitor: “Esta é uma referência à Segunda Profecia de Mandos, que não aparece no Silmarillion; sua elucidação não pode ser tentada aqui, uma vez que necessita de algum explicação da história da mitologia em relação à versão publicada”.

Unfinished Tales foi publicado em 1980, e, afortunadamente, com a publicação, em 1986 do quarto volume da The History of Middle-earth, entitulado The Shaping of Middle-earth, pode-se ententer mais sobre a Segunda  Profecia de Mandos. Elas aparecem neste volume de duas formas, no primeiro Silmarillion, o Sketch of the Mythology como escrito para o primeiro professor de Tolkien, R. W. Reynolds por volta de 1926, e também no Quenta Silmarillion propriamente escrito por volta de 1930. Para a versão do primeiro Silmarillion, veja section 19, pp. 40-1 de The Shaping of Middle-earth. A segunda versão, da qual alguns trechos abaixo foram retirados, encontra-se em section 19 , pp. 163-5 do mesmo volume:”Após o triunfo dos Deuses, Earendel continuou a navegar nos mares do céu, mas o Sol o queimava e a Lua o caçava no céu… Então os Valar desceram de seu navio branco, Wingelot, para a terra de Valinor, e o enxeram com brilho e o consagraram, e o lançaram através da Porta da Noite. E por muito tempo Earendel navegou na vastidão sem estrelas, Elwing a seu lado, a Silmaril à sua fronte, navegando o Escuro atrás do mundo, uma brilhante e fugitiva estrela. E algumas vezes ele retornava e brilhava atrás dos cursos do Sol e da Lua sob a proteção dos Deuses, mais brilhante que todas as outras estrelas, o marinheiro do céu, mantendo guarda a Morgoth até os confins do mundo. Dessa forma deverá navegar até que veja a Última Batalha sendo lutada nas planícies de Valinor.

Dessa forma falou a profecia de Mandos, que ele declarou em Valmar durante o julgamento dos Deuses, e rumores dele são sussurrados por todos os Elfos do Oeste: quando o mundo estiver velho e os Poderes cansarem-se, então Morgoth deverá retornar através da Porta para fora da Noite Eterna; e ele deverá destruir o Sol e a Lua, mas Earendel virá até ele como uma chama branca e o derrubará dos ares. Então deverá ser travada a última batalha sobre os campos de Valinor. Naquele dia Tulkas lutará com Melkor, e à sua direita estará Fionwe e à sua esquerda estará Turin Turambar, filho de Hurin, Conquistador do Destino; e será a espada negra de Turin que trará a Melkor sua morte e fim definitivo; e então as Crianças de Hurin e todos os homens estarão vingados.

 

Então as Silmarilli serão recuperadas do mar, da terra e do céu; pois Eärendil descerá e dará aquela chama a qual mantinha posse. Então Feanor utilizará as Três e com seu fogo reacenderá as Duas Árvores, e uma grande luz surgirá; a as Montanhas de Valinor serão rebaixadas, para que a luz possa atingir todo o mundo. Naquela luz os Deuses novamente sentir-se jovens, e os Elfos despertão e todos os mortos levantarão, e o propósito de Ilúvatar estará completo em relação a eles. Mas dos Homens naquele dia a profecia não fala, com excessão de  Turin apenas, e a ele o nomeia entre os Deuses.