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The Children of Húrin FAQ

The Children of HúrinO Tolkien Estate disponibilizou há algum tempo um excelente FAQ sobre o mais recente livro de J. R. R. Tolkien, The Children of Húrin. Este FAQ a Valinor traduziu e publicou abaixo, divirtam-se!
Quanto tempo Christopher Tolkien levou para produzir The Children of Húrin?
Sem os trabalhos prévios de Christopher Tolkien no papéis de seu pai – começando com O Silmarillion em 1977, e concluindo com o décimo-segundo volume da série The History of Middle-earth, The Peoples of Middle-earth, em 1996 – com certeza seria quase impossível para ele produzir uma versão tão completa e fiel como esta do conto sobre os filhos de Húrin. Como tal, este livro pode ser descrito como o ponto culminante de um trabalho de trinta anos.De acordo com Christopher, a estimativas mais precisa possível seria de que para compilar todo o material necessário foram necessários vários anos de um trabalho complexo, durante o curso completo de seus estudos sobre os papéis do pai.

Por que está sendo publicado agora?
Christopher Tolkien está publicando o livro neste momento por duas razões principais: porque ele acredita que é um ótimo exemplo da prosa de seu pai, e da qualidade de suas histórias; e porque, por se passar em uma era mais antiga da Terra-média, muito antes do período retratado em O Senhor dos Anéis, ele mostrará àqueles que apenas conhecem este trabalho e O Hobbit o quão ampla a História da Terra-média realmente é.E mais, sempre foi a principal preocupação de Christopher com relação aos escritos de J. R. R. Tolkien que estes fossem publicados de uma maneira apropriada ao seu tema e sua natureza essencial como literatura. O mundo da Terra-média é visto por muitos como um parque de diversões. A verdadeira natureza do mundo inventado por Tolkien e os temas e assuntos de suas histórias são freqüentemente sérios e sombrios, como The Children of Húrin irá mostrar.

 

Por que uma edição ilustrada?
Nós sempre admiramos o trabalho de Alan Lee, desde que ele foi contratado para ilustrar O Senhor dos Anéis no centenário de J. R. R. Tolkien. Enquanto preparava a história para publicação, Christopher decidiu que ter o livro ilustrado desde a primeira publicação iria ressaltar sua qualidade essencial como uma história ao invés de um trabalho acadêmico. 

Existem planos de se produzir edições similares dos outros dois “Grandes Contos” da mitologia de J. R. R. Tolkien?
Infelizmente, nem A Queda de Gondolin nem Beren e Lúthien foram desenvolvidos extensiva e suficientemente  por J. R. R. Tolkien para que podussem ser publicados de forma similar ao The Children of Húrin. Mesmo que fosse possível – por exemplo – fazer edições ilustradas destes contos, os textos existentes já foram publicados e continuariam incompletos. 

Posso eu/alguma pessoa escrever/completar/desenvolver a própria versão de um desses contos inacabados? (ou qualqer outro)
A resposta simples é NÃO.Você pode, claro, fazer o que quiser para seu próprio divertimento particular, mas não há qualquer possibilidade sobre qualquer exploração comercial desta forma de “ficção-de-fã”.

E mais, nestes dias de Internet, e de itens de colecionador produzidos por particulares à venda no eBay, devemos deixar tão claro quanto possível que o Tolkien Estate nunca autorizou e jamis autorizará a comercialização ou distribuição de quaisquer trabalhos deste tipo.

O Estate existe para defender a integridade dos escritos de J. R. R. Tolkien. O trabalho de Christopher Tolkien como o executor literário de seu pai foi sempre publicar de forma mais fiel e honesta possível as obras completas e incompletas de seu pai, sem adapatação ou embelezamento.

 

Há planos de se produzir um filme de The Children of Húrin?
Não há planos desta natureza em um futuro previsível.
Quanto / quais partes de The Children of Húrin já haviam sido publicadas?
Uma resposta rápida é que aproximadamente 75% da história aparecem de forma interrompida no Contos Inacabados. Também uma breve versão co conto pode ser encontrado em O Silmarillion e há variações de partes da história e referências a ela por toda a série History of Middle-earth, mais notavelmente nos volumes II, III, IV, V e XI.Há alguma razão para ler este livro se eu já li o Contos Inacabados / The Lays of Beleriand / etc ?
Isto fica a seu critério. Se você leu qualquer um ou todos as obras citadas acima, haverá pouco com o que se surpreender na história agora publicada. Contudo, você estará lendo uma história estanque do conto, construída com o prazer do leitor em mente, ao invés de dar uma explicação precisa e analítica de com a história evoluiu, e que é a forma utilizada em The History of Middle-earth. Dessa forma, você pode descobrir que o fluir da história trás um novo prazer e dimensão à sua leitura.

 

Como o The Children of Húrin de encaixa na mitologia de J. R. R. Tolkien? Onde ele se passa, relativamente a O senhor dos Anéis?
O Conto se passa durante a Primeira Era da Terra-média. Túrin nasceu no ano 464 desde o primeiro nascer do Sol após Morgoth ter destruído as duas ávores de Valinor, e morreu no ano 499.Isto seria 5000 anos após o acordar dos Elfos na Terra-média, e 978 anos após Fëanor ter completado as Silmarils. Os homens chegaram com o primeiro Nascer d Sol, e Beren e Lúthien, que se encontraram no ano de nascimento de Túrin, empreenderam sua busca pela Silmaril quando Túrin era um jovem rapaz.

Túrin morreu aproximadamente 100 anos antes do Afundar de Beleriand, que marcou o início da Segunda Era, a qual durou três milênios e meio. Sauron forjou o Um Anel durante o ano 1600 da Segunda Era. Bilbo encontrou Gollum no ano 2941 da Terceira Era, e a Sociedade foi formada em Valfenda no ano de 3018. O Um Anel foi destruído em 3019. Frodo, Bilbo, Gandalf e Elrond (que a esta época tinha 6500 anos de idade, tendo nascido 33 anos após a morte de Túrin) partiram da Terra-média em 3021, marcando o final da Terceira Era.

Então, você porvavelmente pode se basear nisso, e de qualquer forma é seguro dizer que o Conto dos Filhos de Húrin se passou “há muito tempo atrás”!

Uma discussão detalhada do registro do tempo na Primeira Era pode ser encontrado no Morgoth’s Ring e no The War of the Jewels, que são os volumes X e XI do The History of Middle-earth.

 

Qual a importância do conto dos filhos de Húrin nos escritos de J. R. R. Tolkien?
O conto era de grande importância pessoal para oautor, e provavelmente uma dos principais nascedouros para seu Legendarium. Ele trabalhou no conto durante toda sua vida, retornando a ele de nvo e de novo, e foi uma grande fonte de frustração para ele nunca ter conseguido completá-lo.É uma história da Terra-média de um modo literário completamente diferente de O Senhor dos Anéis, acontecentendo em um período diferente. Mas também se destaca de outros contos da Primeira Era por sua elaboração muito maior, e seu estudo de personagem. Nós acreditamos que ele é um trabalho de grande poder emocional e interesse trágico, a seu próprio modo.

 

Já existe uma versão em português?
Sim, publicada sob o título Os Filhos de Húrin, pela Publicações Europa-América. No Brasil saiu pela Martins Fontes em 2009.

Fonte do FAQ: Tolkien Estate (exceto última questão, que é original do tradutor)

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Retrospectiva Valinor 2007

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2007 foi um excelente ano para os fãs de Tolkien: quando todos estavam achando que com a coleção e Oscar para o Retorno do Rei
morreria todo ou qualquer interesse sobre Tolkien, bastante gente
mostrou o contrário. Primeiro, com o lançamento de Children of Húrin
(ainda sem tradução no Brasil), e agora no fim do ano, com a
confirmação da produção de O Hobbit.

Como vocês poderão ver ao longo desta restrospectiva, durante o ano que
passou uma coisa ficou clara: as pessoas ainda querem mais da
Terra-média, e ainda existem fãs tão apaixonados quanto aqueles que
apareceram fantasiados em filas de pré-estréias. E a Valinor, como não
poderia deixar de ser, cumpriu o papel de levar informação sobre
Tolkien para todos, sejam os fãs antigos, sejam os novos fãs que estão
chegando.

 
 
JANEIRO: A briga entre Bob Shaye e Peter Jackson cai como uma bomba , acabando com qualquer esperança de que o diretor conduzisse O Hobbit.
O ano também começou com algumas homenagens à Tolkien, seja batizando
uma nova espécie descoberta como Gollum, ou apelidando uma nova galáxia
de hobbit
.

FEVEREIRO: Se por um lado chega a má na notícia sobre o adiamento do desenvolvimento do jogo The Lord of the Rings: The White Council , por outro as notícias envolvendo o lançamento de Children of Húrin não paravam de chegar, especialmente as que divulgavam a capa e a arte de Alan Lee para a edição de luxo .

MARÇO: Mais um bom mês para as obras, com a divulgação do conteúdo detalhado de Children of Húrin,
além do anúncio de uma edição de luxo de O Hobbit lá fora. Em março
também foi noticiada uma pesquisa que colocava O Senhor dos Anéis em
segundo lugar entre os livros favoritos dos britânicos
.

ABRIL: Mês dos dois principais lançamentos relacionados à Tolkien de 2007. Chega às livrarias The Children of Húrin e também é lançado o MMORPG Lord Of The Rings Online . Ainda nos destaques do mês… Você já pensou em chamar seu filho de Lehgolaz?

MAIO: No meio de rumores sobre quem poderá ser o novo diretor de O Hobbit e de novas informações sobre As Aventuras de Tom Bombadil , vem a triste notícia do falecimento do ilustrador Angus McBride .

JUNHO: Tivemos o privilégio de publicar uma resenha sobre o tão
comentado Musical O Senhor dos Anéis, sob o ponto de vista de um fã
brasileiro
. Além disso, a trilogia de PJ continuava rendendo
notícias: O Senhor dos Anéis entrou na lista dos 100 melhores
filmes americanos segundo a AFI
, e a New Line seguia enroscada com
problemas legais
(e não só com Peter Jackson!).

JULHO: Notícias pareciam mostrar que a novela sobre O Hobbit estava para chegar ao fim . E para os fãs, dois trabalhos novos: a divulgação do RC1 do Modo Tengwar Português – MTP3 e além desse, o livro The Frodo Franchise, que investigava como um filme virou uma máquina de fazer dinheiro.

AGOSTO: É anunciada a idéia de desenvolver um jogo de tabuleiro para O Senhor dos Anéis. Surgem boatos de que Peter Jackson e Sam Raimi trabalhariam juntos em O Hobbit. O artigo "J.R.R. Tolkien" ganha destaque na Wikipédia, servindo como modelo de bom artigo.

SETEMBRO: Sam Raimi joga um balde de água fria em quem estava espalhando o boato de que ele dirigiria O Hobbit,
anunciando que não estava envolvido com a produção. É anunciado o cd
com a trilha sonora completa de O Retorno do Rei
(cujo lançamento saiu
um pouco mais tarde do que o previsto) e a saga dos Hobbits da Ilha das
Flores sofre uma reviravolta
.

OUTUBRO: O MMORPG The Lord of the Rings Online mostra
novos recursos
que fazem do jogo algo completamente diferente do que já
foi visto, especialmente quando o aproxima do Second Life. E uma vez
que o EW parecia anunciar que a paz tinha retornado à Terra-média
, por
que não comemorar fazendo uma cirurgia para ter orelhas de elfos?

NOVEMBRO: E os dois grandes lançamentos continuam sendo notícia juntos: enquanto a HarperCollins lança uma edição de luxo para Children of Húrin, The Lord of the Rings Online ganha como melhor jogo para computador de 2007. Além disso, é lançado The History of the Hobbit, de John D. Rateliff. Mais um livro mostrando que o interesse na obra de Tolkien continua vivo.


DEZEMBRO
: Se por um lado Zaentz e New Line voltam ao Tribunal, por
outro, finalmente, chega a notícia que todos queriam ouvir desde que
começou a briga de Peter Jackson com a New Line. Paz oficialmente
selada e, o que é ainda melhor, a produção de O Hobbit é anunciada
, incluindo Peter Jackson. Para coroar este excelente ano, The Children of Húrin aparece na lista dos melhores lançamentos de 2007.

E é isso aí. Que 2008 traga notícias ainda mais doces para todos nós =D

The Children of Húrin entre os Melhores de 2007

The Children of Húrin foi eleito pelo Library Journal como um dos melhores lançamentos de 2007.

 

 

The Children of HúrinOs livros não estão em ordem de preferência é The Children of Húrin aparece citado desta forma:

Tolkien, J.R.R. The Children of Húrin. Houghton. editado por Christopher Tolkien. ISBN 978-0-618-89464-2. $26.
Iniciado em 1918, retrabalhado por Tolkien durante toda sua vida e colocado em sua forma final pelo filho Christopher, este conto de heroísmo trágico e terrível mal que se passa em uma Terra-média 6.000 anos antes de O Senhor dos Anéis é uma gloriosa adição ao cânon Tolkieniano. Chamando Peter Jackson.

Parabéns a Christopher Tolkien pelo ótimo e bem sucedido lançamento!

 

Fonte: Library Journal

 

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Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Os Filhos de Húrin / The Children of Húrin

Os Filhos de Húrin (The Children of Húrin) é um romance de alta fantasia épica com origem em um
conto inacabado de J.R.R. Tolkien, que escreveu a versão original da
história no final da década de 1910, revisou-a inúmeras vezes depois
disso, mas não a completo até sua morte em 1973. Seu filho, Christopher
Tolkien, editou os manuscritos para formar uma narrativa consistente e
o publicou em 2007 como um trabalho independente.

 

 
Capa do Os Filhos de Húrin
Os Filhos de Húrin foi publicado em 17 de abril de 2007, pela HarperCollins no Reino Unido e Canadá, e pela Houghton Mifflin nos Estados Unidos. Alan Lee, ilustrador de outras obras de fantasia de J.R.R. Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis) criou a sobrecapa, bem como as ilustrações internas do livro. Christopher Tolkien também incluiu um artigo sobre a evolução do conto, várias árvores genealógicas e um redesenho do mapa de Beleriand.

 
Pano de Fundo

A história e descendência dos personagens principais são dadas nos parágrafos iniciais do livro, e a história de fundo é elaborada nO Silmarillion. Ela começa 500 anos antes das ações do livro, quando Morgoth, um ser imortal encarnado possuindo grandes habilidades sobrenaturais e que é o poder maligno primevo, escada do Reino Abençoado de Valinor para o noroeste da Terra-média. De sua fortaleza de Angband ele iniciou a reconquista de toda a Terra-média, iniciando uma guerra com os Elfos que residiam mais ao sul, em Beleriand.

Contudo, os Elfos conseguiram resistir a seu ataque e a maioria dos reinos permaneceu sem ser conquistada; o mais poderoso destes sendo Doriath, governado por Thingol Capa-cinzenta. Em adição a isso, após algum tempo os Elfos Noldor deixaram Valinor e seguiram Morgoth até a Terra-média para se vingarem. Juntos com os Sindar de Beleriand, eles iniciaram um Cerco a Angband, e estabeleceram novas fortalezas e reinos na terra-média, incluindo Dor-lómin por Fingon, Nargothrond de Finrod Felagund e Gondolin de Turgon.

Após três séculos, os primeiros Homens apareceram em Beleriand. Estes eram os Edain, descendentes daqueles Homens que se rebelaram contra o governo dos servos de Morgoth e partiram para o oeste. A maioria dos Elfos lhes deu boas-vindas e a eles foram dados feudos em Beleriand. A Casa de Bëor governou sobre a terra de Ladros, o Povo de Haleth recuou para a floresta de Brethil e governo de Dor-lómin foi dado à Casa de Hador. Mais tarde outros homens adentraram Beleriand, os Orientais, muitos dos quais estavam em acordos secretos com Morgoth.

Eventualmente Morgoth conseguiu furar o Cerco de Angband na Batalha das Chamas Repentinas. A Casa de Bëor foi virtualmente destruída e os Elfos e Edain sofreram grandes baixas; contudo, muitos reinos permaneceram sem serem conquistados, incluindo Dor-lómin, onde o governo havia passado a Húrin Thalion.

 
 
Resumo

O livro Os Filhos de Húrin começa com um registro da chegada de Húrin e seu irmão Huor à cidade oculta de Gondolin. Após morarem lá por um ano, eles juraram jamais revelar a localização da mesma a ninguém e foi-lhes permitido partir para Dor-lómin. Lá Húrin se casou com Morwen Edhelwen e tiveram dois filhos, Túrin e Lalaith. O livro continua com a história da criação de Túrin, a morte prematura de Lalaith e a partida de Húrin para a guerra.

Na desastrosa derrota da Batalha das Lágrimas Incontáveis Húrin foi capturado vivo. O próprio Morgoth o torturou, tentando forçá-lo a revelar a localização de Gondolin mas, apesar de seus esforços, Húrin resistiu e mesmo debochou de Morgoth. Por isso Morgoth o amaldiçoou e a toda sua família.

Sob o comando de Morgoth os Ocidentais sobrepujaram Hithlum e Dor-lómin. Morwen, temendo a captura de seu filho, enviou Túrin ao reino de Doriath, por segurança. Logo depois Morwen deu a luz a uma segunda filhas, Nienor. Em Doriath, Túrin foi tomado como filho adotivo pelo Rei Thingol e se tornou um guerreiro poderoso, tornando-se amigo de Beleg Arco-forte, como um dos guardas das fronteiras. Contudo, após muitos anos Túrin causou a morte de um dos conselheiros de Thingol, o Elfo Saeros. Recusando a se desculpar por suas ações, Túrin foge de Doriath e entra nas terras ermas.

Túrin se uniu a um grupo de foras-da-lei, os Gaurwaith, e logo se tornou seu líder. Enquanto isso, Thingol descobriu as circunstâncias da morte de Saeros e  perdoou o ato de Túrin, enviando Beleg para procurá-lo. Ele teve sucesso em encontrar o bando, mas Túrin se recusou a retornar para Doriath. Beleg então partiu para participar das batalhas nas fronteiras norte de Doriath.

Algum tempo depois Túrin e seus homens capturaram Mîm o não, que resgatou sua vida conduzindo o bando às cavernas da colina de Amon Rûdh onde ele tinha sua morada.  Os foras-da-lei se entrincheiraram nas cavernas e logo Beleg retornou e se uniu a eles. O bando gradualmente se tornou mais ousado e bem sucedido na guerrilha contra as tropas de Morgoth, e Túrin e Beleg chegaram a estabelecer o reino de Dor-Cúarthol. Contudo, após alguns anos, Mîm os traiu, revelando o quartel-general do bando às forças de Morgoth. Os foras-da-lei foram vencidos, Túrin foi capturado mas Beleg escapou.

Túrin frente a Orodreth em Nargothrond
Beleg seguiu a companhia de Orcs, encontrando um Elfo mutilado, Gwindor de Nargothrond, no caminho. Eles encontram Túrin dormindo e solto de suas amarras, mas Túrin, pensando que um Orc veio atormentá-lo, mata Beleg antes de perceber seu erro. Gwindor conduz Túrin a Eithel Sirion, onde Túrin recupera o juízo, e mais tarde a Nergothrond. Lá Túrin obtém o favor do Rei Orodreth e o amor da filha deste, Finduilas. Após liderar os Elfos a consideráveis vitórias, ele se tornou o conselheiro chefe de Orodreth e virtual comandante de todas as forças de Nargothrond.

Contudo, após cinco anos Morgoth enviou uma grande força de Orcs sob o comando do dragão Glaurung e derrotou o exército de Nargothrond no campo de Tumhalad, onde tanto Gwindor quando Orodreth foram mortos. As forças de Morgoth saquearam Nargothrond e capturaram seus moradores. Em um tentativa de evitar isso, Túrin encontrou Glaurung, que enfeitiçou Túrin e o fez retornar a Dor-lómin para procurar sua mãe e irmão ao invés de resgatar Finduilas e os outros prisioneiros.

Quando Túrin retornou a Dor-lómin, ele descobriu que Morwen e Nienor já haviam fugido para Doriath. Em um ataque de fúria, Túrin incitou uma luta e teve que fugir novamente. Ele seguiu os captores de Finduilas até a floresta de Brethil, apenas para descobrir que ela havia sido morta pelos orcs quando os homens-da-floresta tentaram resgatá-la. Quase destruído por seu pesar, Túrin pediu asilo entre o Povo de Haleth, que mantinha uma resistência tenaz contra as forças de Morgoth. Em Brethil túrin se renomeou Turambar, "Senhor do Destino" em Alto-élfico, e gradualmente superou o Chefe Brandir.

Enquanto isso, Morwen e Nienor ouviram rumores dos feitos de Túrin em Nargothrond e tentaram encontrá-lo. Lá foram atacadas por Glaurung, que enfeitiçou Nienor de tal forma que ela esqueceu tudo enquanto Morwen se perdia. Eventualmente Morwen chegou a Brethil, onde foi encontrada por Turambar; sem perceber seu parentesco eles se apaixonaram e se casaram, apesar dos conselhos de Brandir.

Após algum tempo Glaurung partiu ao extermínio dos Homens de Brethil, mas Turambar o matou, perfurando por baixo enquanto este cruzava a ravina de Cabed-en-Aras. contudo, quando Turambar puxou a espada, o sangue envenenado de Glaurung escorreu por sua mão, fazendo-o ficar inconsciente. Nienor, grávida, encontrou Turambar caído inconsciente, e o moribundo Glaurung fez sua memória retornar. Percebendo com horror que seu marido era também seu irmão, ela se atirou do despenhadeiro próximo no rio Taeglin, e foi levada por este. Quando Turambar acordou e ouviu de Brandir que Nienor estava morta, o matou em sua fúria e mais tarde se jogou sobre sua própria espada.

A parte principal da narrativa termina com o enterro de Túrin. Anexo a este há um trecho extraído de As Andanças de Húrin, o próximo conto do legendarium de Tolkien. Este reconta como Húrin foi finalmente libertado por Morgoth e chegou ao túmulo de seus filhos. Ali encontrou Morwen, que também conseguiu encontrar o local, mas morria agora nos braços de seu marido, ao pôr-do-sol.

 

História do Conto

Uma breve versão da história forma a base do capítulo XXI dO Silmarillion, colocando o conto no contexto das guerras de Beleriand. Embora baseado nos mesmos textos utilizados para completar o novo livro, o Silmarillion deixa de fora grande parte do conto. Outras versões incompletas que foram publicadas em outros livros:

    * O Narn i Hîn Húrin no Contos Inacabados.
    * A série The History of Middle-earth (HoME), com destaque a:
          o Turambar e o Foalókë, do The Book of Lost Tales (HoME 1)
          o O Lay of the Children of Húrin, uma narrativa antiga em forma de poema.
          o Versões em prosa do Lay (ou Húrinssaga), eventualmente levando a versões mais antigas e alternativas do Narn e também ao Os Filhos de Túrin.

Nenhum destes textos forma uma narrativa completa e madura. O Os Filhos de Húrin publicado é uma síntese dessas fontas e de outros textos, inéditos até então.

 
 
Críticas 

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

HarperCollins lança edições luxo de Tolkien

HarperCollins inaugurou um novo site vendendo edições de luxo limitadas
de The Children of Húrin (Os Filhos de Húrin), de J.R.R. Tolkien. A
editora produziu 500 cópias do livro, assinadas e encapadas em couro,
que serão vendidas exclusivamente on-line pelo preço de £350
(aproximadamente R$ 1.300,00) em http://store.tolkien.co.uk.

 
The Children of Húrin, edição de luxoThe Children of Húrin, que Tolkien nunca completou em vida, foi retrabalhado e terminado por seu filho, Christopher Tolkien, e finalmente publicado em abril deste ano. Christopher Tolkien assinou cada uma das cópias limitadas, assim como o ilustrador, Alan Lee.
 
HC também produziu um novo conjunto de edições de luxo de O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion, cada uma das quais em uma caixa especial marcada com o símbolo do próprio Tolkien.

"Esta é uma notícia muito excitante para todos os fãs leais de J.R.R. Tolkien", disse o diretor de publicações David Brawn. "Nós acreditamos que haverá uma forte demanda por estes belos livros. Tolkien é um dos autores mais populares e duradouros do mundo, e estas edições de colecionador serão um fantástico presente aos amantes de livros".

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Resenha de 'The Children of Húrin' que sairá no G1

Ainda não é dessa vez que eu consigo publicar minha avaliação para tolkienmaníacos de "Os Filhos de Húrin" aqui na Valinor. Enquanto isso, fiz uma versão dedicada ao público geral, que só conhece SdA, para o G1, onde trabalho. Deve sair no domingo, mas vocês já podem conferi-la aqui.
 

Devo dizer que o livro melhorou em muito a minha relação com o sem-noção do Túrin. É um dos melhores personagens de Tolkien ever. Bem, vamos à resenha!

 ———————-

Só há um jeito de descrever "The Children of Húrin" (Os Filhos de Húrin),
novo livro de J.R.R. Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis": um soco no
estômago, daqueles dados com precisão cirúrgica. Os críticos literários mais
esnobes, que adoravam pegar no pé do autor (nascido em 1892 e morto em 1973) por
causa de supostos personagens de baixa complexidade, otimismo e finais felizes
vão ter de engolir em seco. "The Children of Húrin" traz uma visão sombria e
desesperada do mundo, um herói culpado de traição, assassinato e incesto e um
ritmo aventuresco capaz de capturar até o leitor mais desatento.

Os mais chatos podem discordar do uso do adjetivo "novo" para designar um
livro escrito por um autor morto há mais de 30 anos. A confusão é fácil de
explicar, já que Tolkien deixou uma massa gigantesca de escritos inéditos quando
morreu. A tarefa de lidar com esse vasto material não-publicado coube a seu
filho caçula e testamenteiro literário, Christopher. 

Ele passou as últimas décadas publicando volume após volume dessa obra antes
oculta, lutando contra dezenas de versões variantes da mesma história – Tolkien,
maniacamente perfeccionista, reescrevia inúmeras vezes seus textos. Foi graças à
edição de Christopher Tolkien que os fragmentos da saga de Húrin e seu filho,
Túrin Turambar, finalmente vão poder ser lidos como uma narrativa detalhada e
contínua, tal como o pai do editor havia sonhado. É por isso que a maior parte
do texto – pedaços espalhados ou resumos da trama – já tinha sido publicada em
outros livros do autor, como "O Silmarillion" e "Contos Inacabados" (ambos já
disponíveis no Brasil). 

"The Children of Húrin" é uma história do passado remoto da Terra-média
(região equivalente ao nosso Velho Mundo numa época remota, onde se passam as
sagas de Tolkien). Bota remoto nisso: a trama se passa cerca de 6.500 anos antes
de "O Senhor dos Anéis".

A Terra-média está debaixo da sombra da guerra e do genocídio, cortesia de
Morgoth, "o Inimigo Escuro" – ninguém menos que a versão tolkieniana do Demônio.
(Ele é o chefão de Sauron, seu equivalente em "O Senhor dos Anéis".) Só que, na
mitologia de Tolkien, Morgoth decide construir seu Inferno no mundo físico – uma
fortaleza conhecida como Angband, da qual ele comanda vastos exércitos que
ameaçam escravizar a Terra-média e seus habitantes. Mas os reinos dos imortais
elfos, junto com seus aliados, os guerreiros humanos das Três Casas dos Edain,
ainda ousam desafiar Morgoth e lutar pela sua liberdade.

Entre os humanos rebeldes está o nobre Húrin, Senhor de Dor-lómin. Mas Húrin
parte para uma batalha decisiva contra Morgoth, deixando seu filho pequeno e a
mulher grávida em casa. E aí a coisa desanda de vez: derrotado em batalha, Húrin
é levado à presença de Morgoth e, como se recusa a trair seus aliados élficos, é
aprisionado em tortura perpétua. Como se não bastasse, Morgoth amaldiçoa toda a
família do guerreiro.

A narrativa passa então a acompanhar as andanças do jovem Túrin, filho de
Húrin, e a multidão de desgraças que a combinação explosiva entre a
personalidade do menino e a maldição de Morgoth acaba trazendo. Levado para a
proteção do exílio, ele é adotado por um rei dos elfos e se transforma num
guerreiro praticamente invencível, mas a desgraça parece segui-lo feito as
abelhas rodeiam o mel. Onde quer que vá, Túrin troca de nome o tempo todo – um
sinal claro de suas tentativas desesperadas de fugir do próprio passado – e
ganha posições de comando e destaque, mas todos os seus planos de enfrentar
Morgoth e vingar sua família se convertem em mais desespero.

É claro que não ajuda o fato de que Túrin tem um caráter difícil, orgulhoso e
violento, dado a explosões quase assassinas e erros brutais de julgamento que o
levam a escolher justamente os amigos e a mulher errada, ou a se deixar levar
pelos planos que Morgoth traçou para ele. Túrin é uma figura que lembra um
bocado os heróis trágicos gregos, como Édipo, ou escandinavos, como Siegfried, e
a força literária da trama é justamente ver como livre-arbítrio, maldição e
destino se unem (para usar uma expressão da moda, "agem em sinergia") para
arrastar Túrin ao abismo. 

De quebra, a história provavelmente é o melhor exemplo de um dos temas mais
apreciados por Tolkien na literatura antiga que ele conhecia tão bem: a chamada
"teoria da coragem do Norte". Dito assim parece uma chatice sem tamanho, mas o
conceito é um bocado interessante.

A teoria da coragem é uma característica típica da mitologia escandinava, do
norte da Europa. Ao contrário do que se vê no cristianismo ou na mitologia
grega, no Norte o lado do bem, que reúne deuses e humanos contra as forças das
trevas, está destinado a perder de goleada do lado do mal quando o
Apocalipse (ou melhor, Ragnarok) chegar. Mas os heróis pronunciam um "dane-se"
fenomenal diante desse destino sombrio e continuam a lutar com todas as forças
mesmo assim. Mesmo a derrota completa não transforma o certo em errado, segundo
a teoria da coragem do Norte.

Esse é o espírito de Túrin. Eis o que ele diz ao comentar o fato de que seu
pai, ainda que amaldiçoado e prisioneiro, continua a resistir a Morgoth:

"O desafio de Húrin Thalion é um grande feito; e, embora Morgoth possa matar
aquele que o pratica, não pode fazer com que esse feito nunca tivesse existido.
Não está ele escrito na história de Arda [a Terra]?"

Qualquer um que tenha sentido o peito queimar com a vontade de fazer o que é
certo, pouco importando o custo ou as conseqüências, sabe do que ele está
falando.

 

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Brasileira ganha edição de luxo de Children of Húrin!


Anunciamos dia 26 de maio
que a Tolkien Library junto com a Houghton Mifflin sorteariam duas edições de luxo de Children of Húrin, primeira edição e primeira impressão. O resultado foi anunciado, e uma brasileira foi uma das pessoas contratuladas!!!

 

Alessandra Luisa Silva, de São Paulo
é o nome da sortuda! Parabéns, Alessandra!

O outro vencedor é Matt Carrier, de Virginia, EUA.

Clique aqui para ver o resultado oficial:

Agradecemos ao colega Guilherme Fagundes Torres pela notícia. =) 

A melhor resenha de "Os Filhos de Húrin"

Continuamos trazendo a você, nobre leitor da Valinor, o melhor publicado por enquanto sobre "Os Filhos de Húrin", o novo livro de J.R.R. Tolkien editado por seu filho Christopher. Confira abaixo uma das melhores resenhas publicadas por enquanto na imprensa internacional, feita pela revista eletrônica Salon.com. E aguarde a nossa resenha exclusiva em breve!

 


Senhor das ruínas

Christopher, filho de J.R.R. Tolkien,
passou mais de 30 anos montando fragmentos que seu pai deixou para
trás. Agora, os leitores podem descobrir o que aconteceu 6.000 anos
antes de Bilbo Bolseiro encontrar o Um Anel.

por Andrew o'Hehir

Depois de alguns capítulos da narrativa de "The Children of Húrin", o
livro mais ou menos novo mais ou menos escrito por J.R.R. Tolkien, um
carpinteiro aleijado chamado Sador contempla seu trabalho abandonado
com emoções misturadas. Sador é um servo fiel de Húrin, senhor da Casa
de Hador na terra de Dor-lómin, e estava esculpindo uma grande cadeira
para seu mestre. Mas, meses antes, Húrin cavalgou para uma batalha que
terminou em derrota terrível. Ele não retornou, e suas terras foram
conquistadas e pilhadas por forasteiros. Assim, Sador deixou de
trabalhar na cadeira, e ela "foi enfiada num canto, incompleta".

Enquanto tenta decidir se deve desmontar a cadeira e usá-la como lenha
no inverno, Sador conversa com Túrin, o filho pequeno de Húrin que logo
será mandado para o exílio e tornar-se-á o herói andante e amaldiçoado
dessa história sombria, sangrenta e apaixonante. "Perdi meu tempo", diz
Sador sobre sua longa labuta, "embora as horas parecessem agradáveis.
Mas todas as coisas desse tipo são de vida curta; e a alegria da
criação é seu único fim, imagino."

É impossível não ouvir John Ronald Reuel Tolkien repreendendo ou
consolando a si mesmo com essas palavras. Ao morrer, em 1973, Tolkien
deixou para trás as ruínas impublicáveis de um imenso conjunto de
literatura lendária, englobando uma história imaginária inteira do
mundo, da criação até épocas quase modernas. Os grandes episódios
heróicos dessa história – os elementos que ele considerava os mais
importantes – foram escritos apenas de forma sumária ou em fragmentos,
apesar de numerosas tentativas de transformá-los em prosa narrativa ou
poesia épica. Ele teve um sucesso acadêmico significativo como
lingüista e filólogo em Oxford, mas a maior parte de sua carreira
literária foi gasta desperdiçando energia em projetos que Tolkien nunca
completava. Ele era atormentado por bloqueios criativos, humores
sombrios e numerosas mudanças de rumo. Enfiou muitas cadeiras
incompletas num canto.

Tolkien ainda poderia ser recordado dessa maneira por algum grupelho
minúsculo de admiradores, se não fosse pela única parte de sua história
– na mente dele algo relativamente sem importância, tirado dos estágios
posteriores de seu "legendarium", mas que tinha um foco unicamente
íntimo e pessoal – que ele transformou numa narrativa de larga escala.
Tolkien tinha 62 anos quando publicou o primeiro volume de "O Senhor
dos Anéis", sua obra-prima de fantasia responsável por definir esse
gênero, e mais de 70 quando a popularidade explosiva do livro o tornou
rico e famoso. Não há como negar que a história do hobbit Frodo e de
seu pequeno grupo de companheiros, que encaram uma perigosa jornada com
o Um Anel de Sauron, o Senhor do Escuro, está entre os livros mais
queridos já publicados. Inevitavelmente, para a maioria de seus
leitores o enorme conjunto de tradições por trás do livro não passa de
um pano de fundo curioso, cheio de genealogias incompreensíveis,
línguas inventadas e nomes impronunciáveis.

Contudo, como bem sabe o universo de fãs viciados de Tolkien – um
universo que nem é tão pequeno, aliás – o autor tinha imaginado e
examinado cada detalhe de sua criação, de forma tão detalhada quanto
havia feito Ilúvatar, o equivalente de Javé que criou a Terra e deu
vida a Elfos e Homens. (A linguagem de Tolkien, assim como sua visão de
mundo, nunca é neutra em termos de gênero.) Nenhum autor de fantasia ou
de qualquer outro gênero jamais construiu um mundo com tanta densidade
histórica e lingüística; chega a parecer que esse imenso trabalho de
arquiteto exauriu Tolkien e, com exceção da narrativa de "O Senhor dos
Anéis", não lhe tenha sobrado energia para contar suas histórias.

Por mais de 30 anos, Christopher Tolkien, que trabalha como
testamenteiro literário de seu pai, tem revelado fragmentos e pedaços
do baú tolkieniano, quase como um ferreiro anão tentando reforjar uma
grande espada élfica a partir de agulhas e lascas espalhadas. Embora "O
Silmarillion" tenha sido um best-seller quando foi publicado em 1977,
por exemplo, só os fãs mais durões de Tolkien atravessaram seus
sumários secos e empolados de grandes feitos do passado distante. O
próprio Christopher Tolkien escreveu, com seu circunlóquio
característico, que "o estilo e forma de compêndio ou epítome de 'O
Silmarillion', com sua sugestão de eras de poesia e 'tradição' por trás
deles, evoca fortemente um senso de 'histórias não-contadas', mesmo
quando elas são contadas. A 'distância' nunca se perde. Não há urgência
narrativa, a pressão e o medo do evento imediato e desconhecido. Não
vemos as Silmarils do mesmo jeito que vemos o Anel."

Christopher Tolkien tem hoje 81 anos, a mesma idade que o pai dele
quando morreu, e pode-se imaginar que "The Children of Húrin" é sua
última e melhor tentativa de contar uma das grandes "histórias
não-contadas" de Tolkien em algo próximo a uma forma completa. Ele
trabalhou de forma contínua e árdua para reunir pedaços de manuscritos
que aparentemente recuam até 1918, quando Tolkien concebeu
originalmente a história, e que continuam quase até o fim da vida dele.
A história de Húrin de Dor-lómin, de seu filho Túrin e da luta fadada
ao fracasso dos dois contra Morgoth (o "Grande Inimigo" de Elfos e
Homens, senhor e mestre de Sauron) foi contada duas vezes antes,
primeiro em "O Silmarillion" e novamente no volume "Contos Inacabados"
(1980), editado por Christopher. Ela emerge aqui pela primeira vez como
um relato de aventura, com toda a sua urgência narrativa, medo do
desconhecido e personagens reconhecivelmente humanos.

"The Children of Húrin" vai empolgar alguns leitores e deixar outros
desanimados, mas vai surpreender quase todo mundo. Se você está
procurando a acessibilidade, o lado lírico e acima de tudo o otimismo
de "O Senhor dos Anéis", bom, é melhor ir lê-lo de novo. Não há hobbits
nem Tom Bombadil, nada de estalagens aconchegantes na beira da estrada
e muito pouca alegria à beira do fogo de qualquer tipo. Esta é uma
história cujo herói é culpado de traição e assassinato múltiplo, uma
história de estupro e pilhagem e incesto e ganância e gloriosas
batalhas que nunca deveriam ter sido travadas.

Se "O Senhor dos Anéis"
é uma história na qual o bem vence o mal, esta aqui caminha
inexoravelmente para o outro lado.
Embora os leitores casuais de "O Senhor dos Anéis" possam se assustar,
"The Children of Húrin" não exige nerdice nível Silmarillion. Qualquer
fã médio de Tolkien com apetite pelos cantos mais escuros e estranhos
de seu reino vai se deixar prender rapidamente pela saga sangrenta de
Húrin, que desafia o temido Morgoth e é torturado sem piedade, e Túrin,
o guerreiro lendário cujos grandes feitos arrastam tudo e todos que ele
ama para o desastre completo. Ou, pelo menos, vai se deixar prender se
conseguir atravessar as primeiras páginas.

Inicialmente, "The Children of Húrin" tem aquele estilo empolado de
Tolkien em seus momentos mais emperrados. Esta é a terceira sentença do
capítulo 1: "Sua filha Glóredhel desposou Haldir, filho de Halmir,
senhor dos homens de Brethil; e na mesma festa seu filho Galdor, o Alto
desposou Hareth, a filha de Halmir". (Aliás, nenhuma das pessoas nessa
sentença aparece de novo.) Eu ainda precisei consultar os mapas,
índices e apêndices completos e muito úteis de Christopher Tolkien de
vez em quando para recordar a nomenclatura geográfica e genealógica – e
voltei a "O Silmarillion" algumas vezes para entender o contexto
histórico – mas me incomodei cada vez menos com isso conforme as horas
passavam e a luta terrível de Túrin contra o mal interno e externo
ficava cada vez mais horrenda.

As aventuras de Túrin se passam na "Primeira Era" da Terra-média de
Tolkien, uns 6.000 anos antes de Bilbo Bolseiro achar o Um Anel, de
forma que, fora algumas referências a Sauron, o lugar-tenente de
Morgoth, quase não há intersecção entre essa história e "O Senhor dos
Anéis". (Eu disse quase; preste atenção!) Túrin nasce num mundo em
guerra, onde a antiga aliança de Elfos e Homens está perdendo terreno
gradualmente numa longa luta com Morgoth, o qual lançou de sua
fortaleza em Angband o equivalente do mundo antigo das armas de
destruição em massa.

Ele conjurou ou criou ou perverteu uma raça de
demônios letais chamados Balrogs (um dos quais aparece em "A Sociedade
do Anel") e revelou um grande dragão chamado Glaurung, cujas armas
incluem tanto o fogo quanto o diálogo sarcástico. (Ele é provavelmente
o pai ou o avô de Smaug, que Bilbo encontra em "O Hobbit".) Logo depois
que as forças de Húrin e os outros grandes exércitos de Elfos e Homens
são estraçalhadas por Morgoth na Nirnaeth Arnoediad ("a Batalha das
Lágrimas Incontáveis"), o mundo ocidental é engolfado pelo caos. (Ainda
estamos muito no começo do livro, e eu não citei nenhum grande spoiler.

Mas saia agora se não quiser mais detalhes da trama.) Uns poucos reinos
élficos ocultos continuam protegidos, incluindo a fortaleza de
Nargothrond, a cidade secreta de Gondolin e a floresta de Doriath – uma
espécie de precursora de Lothlórien em "O Senhor dos Anéis" -, mas os
reinos dos Homens são tomados pelas forças de Morgoth.
Mandado para longe de sua mãe e de sua irmã ainda não-nascida quando
garoto, Túrin se torna o filho adotivo de Thingol, o rei élfico de
Doriath, e torna-se um guerreiro feroz quando adulto.

Mas elfos
imortais e homens mortais não se misturam com facilidade, e nem
Thingol sabe que Morgoth, que está mantendo aprisionado o desafiador
Húrin, colocou a família inteira do herói sob uma maldição horrenda.
Morgoth, aliás, não é só aquele típico demônio de romance de fantasia –
na origem, ele era o maior dos Ainur, os espíritos divinos que cantaram
com Ilúvatar e criaram o mundo. "A sombra do meu propósito jaz sobre
Arda [a Terra]", diz Morgoth, "e tudo o que está nela se inclina lenta
e certamente à minha vontade."

Ao contrário de Sauron em "O Senhor dos Anéis", o Morgoth de "The
Children of Húrin" aparece como um ser físico malévolo mas sofisticado,
tal como os deuses da mitologia grega e nórdica aparecem para os seres
humanos. De fato, toda essa história apresenta uma visão sombria e
visceral da vida, muito mais próxima do fatalismo dos antigos mitos
europeus do que do bom-senso rural e inglês dos hobbits, que funciona
como base moral de "O Senhor dos Anéis".

Parte disso vem do fato de que "The Children of Húrin" é principalmente
uma história sobre seres humanos, sempre as figuras moralmente mais
ambíguas do universo de Tolkien. Embora seja claramente o herói da
história e um grande guerreiro de sua época, Túrin não pode ser
descrito adequadamente como bom ou mal. Como Édipo ou Siegfried ou o
herói do épico finlandês "Kalevala" (um dos modelos de Tolkien), ele é
definido pela nuvem escura do destino que jaz sobre ele. É amaldiçoado
por um poder grande demais para ser derrotado ou eludido, mas seu
próprio temperamento só torna as coisas piores, como uma mosca que se
sacode numa teia de aranha.

Ele é arrogante, cabeça-dura, de
temperamento explosivo e inclinado à violência, e os que o amam e se
tornam seus amigos são sugados por seu vórtex sombrio.
Túrin torna-se um famoso amigo-dos-elfos e matador dos Orcs de Morgoth;
no fim do livro, realiza um ato de heroísmo lendário, o tipo de coisa
sobre a qual as pessoas ainda estavam cantando baladas na época de
Frodo. Mas, ao longo do caminho, ele também se torna um fora-da-lei que
tolera banditismo e brutalidade entre seus homens, um conselheiro
prestigioso cujas palavras só levam à perdição, um homem que mata um de
seus melhores amigos e depois rouba o amor de seu outro amigo. (É claro
que ela acaba se revelando exatamente a mulher errada para ele,
responsável por selar seu destino.) Não fica muito claro se Morgoth
realmente precisa amaldiçoar esse sujeito; ele faz um serviço muito bom
ao amaldiçoar a si mesmo a cada passo.

Terminei "The Children of Húrin" com um apreço renovado pelo fato de
que a narrativa de Tolkien é muito mais ambígua em tom do que
normalmente se nota. Como já se disse várias vezes, ele era um católico
devoto que tentou, com sucesso imperfeito, harmonizar a violenta
cosmologia pagã por trás de seu universo imaginativo com a crença numa
salvação cristã. A salvação parece muito distante em "The Children of
Húrin". O que fica em primeiro plano é aquela sensação tolkieniana
persistente de que o bem e o mal estão travando uma luta maniqueísta
não-resolvida com fronteiras amorfas, e que o mundo é um lugar de
tristeza e perda, cujos habitantes humanos freqüentemente são os
agentes de sua própria destruição.

Yiddish Policeman’s Union, O Hobbit, O Senhor dos Anéis, Preacher, O Silmarillion, Cristianismo Puro

Children of Húrin supera as expectativas

Depois de alguns dias de lançamento já é possível ter uma idéia de como
o público se sente com relação ao lançamento de Children of Húrin, e as
notícias são boas: o livro estreou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times e os editores estão com dificuldade em dar conta de todos os pedidos.
 
 
Para quem quiser saber mais sobre o lançamento, a TolkienLibrary.com tem alguns fatos e imagens sobre Children of Húrin,
incluindo detalhes sobre quantas cópias assinadas estão circulando por
aí. Para conferir, clique aqui.

Fonte: Tolkien News