Bored of the Rings: as histórias que Tolkien não contava

Tudo bem, vamos pôr a coisa em contexto histórico. O ano é 1969, auge da contracultura nos EUA, e a edição norte-americana de O Senhor dos Anéis, lançada pela Ballantine Books em 1965, era um dos maiores fenômenos da cultura de massa na época. Foi então que dois estudantes de Harvard, Henry N. Beard e Douglas C. Kenney, resolveram criar a mais famosa e hilária paródia da trilogia: Bored of the Rings, que copia de forma corrosiva e às vezes obscena quase todos os aspectos do livro de Tolkien, até mesmo as línguas élficas, com o seu Auld Elvish, equivalente ao alto-élfico.

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Terra-média, o Um Anel de Morgoth

Quem lê sobre o final da Guerra da Ira e a derrota de Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, no Quenta Silmarillion, tende a ficar abismado com a violência do ataque dos Valar. Afinal, para derrotar o Inimigo do Mundo, o exército de Valinor afunda quase toda  Beleriand.
Pouca gente sabe, mas Tolkien deixou um ensaio que explica de maneira muito clara o porquê de toda essa destruição. Publicado no livro Morgoth’s Ring, o décimo da série The History of Middle-earth, o texto explica que Morgoth “fixou” sua forma física, ao contrário dos outros Valar, para “controlar a hroa, a ´carne´ ou matéria física, de Arda. Ele tentou identificar-se com ela, num procedimento muito parecido com o de Sauron e os Anéis, embora muito mais vasto e perigoso. Assim, fora do Reino Abençoado, toda ´matéria´ tendia a ter um ´ingrediente de Melkor´”.
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Tolkien explica que, dessa forma, Morgoth foi transferindo sua antiga potência “angélica” para a própria Terra-média: “Por essa razão, Morgoth tinha que ser combatido, principalmente através de força física, e uma enorme destruição material seria o resultado provável de qualquer combate contra ele (…) Esta é a principal explicação para a contínua relutância dos Valar em entrar em combate aberto com Morgoth. A tarefa e o problema de Manwë eram muito mais difíceis que os de Gandalf. O poder de Sauron, relativamente menor, estava concentrado; o vasto poder de Morgoth, disseminado. Toda a Terra-média era o Anel de Morgoth”.

O grande dilema dos Poderes do Mundo era que Arda seria irremediavelmente desfigurada, seja na vitória ou na derrota. Mas no fim, como sabemos, os Valar prevaleceram – ainda que pagando um alto preço.

Que tal seu nome em Quenya?

Se não dá pra simplesmente aprender quenya de uma hora pra outra, saber o próprio nome na língua mais importante do universo tolkieniano já é um grande avanço. Esse é o objetivo da página Quenya Lapseparma (Livro dos Bebês em quenya), que provê um verdadeiro dicionário de nomes ocidentais traduzidos para o alto-élfico.

De acordo com Ales Bican, criador da página, a idéia de fazer essa listagem surgiu quando ele leu o artigo “Now we have all got Elvish names” (Agora todos nós temos nomes élficos), escrito por Helge Fauskanger, do site Ardalambion, um dos melhores em atividade sobre lingüística tolkieniana. “Peguei alguns dicionários de nomes em inglês, como o Oxford Dictionary of English Christian Names, e comecei a tentar a tradução para o quenya”, conta Bican.

O resultado, bastante completo, revelou algumas surpresas. O nosso prosaico Marina (em latim, “mulher do mar”) se equipara a Eärwen (eär=mar + wen=donzela), o nome da mãe de Galadriel; Sansão (em hebraico, “filho do Sol”) é idêntico ao nome do filho caçula de Elendil, Anárion (anar=sol + ion=filho de).

Vale lembrar que sobrenomes também podem ser traduzidos, embora não apareçam na lista de Ales Bican. O brasileiríssimo Silva (em latim “da floresta”) ficaria Aldaron, enquanto Lopes (espanhol antigo “filho do lobo”) seria Narmion. O endereço do Quenya Lapseparma é http://www.elvish.org/elm/names.html.

Já o ensaio de Helge Fauskanger pode ser lido em http://www.uib.no/people/hnohf/elfnam.htm.

Romance relata saga de Isildur

Embora esboçada em muitos livros de Tolkien, a história da derrota de Sauron pelos exércitos da Última Aliança, no final da Segunda Era, nunca foi contada numa narrativa completa. Os irmãos americanos Brian e Gary Crawford, fãs de carteirinha de O Senhor dos Anéis, decidiram remediar isso, e escreveram uma das mais elaboradas fans fictions já inspiradas por Tolkien: o romance Isildur.

A intenção dos dois irmãos, a julgar pela leitura do livro, foi realmente esclarecer os “cantos escuros” deixados por Tolkien na narrativa sobre a Última Aliança. Na verdade, a história se passa depois que as tropas de Elendil e Gil-galad conseguiram invadir Mordor, impondo um cerco de sete anos a Barad-dûr. Isildur, liderando os soldados de Gondor, percorre praticamente toda Rhovanion, reunindo forças para o ataque final a Sauron.

Mas o herdeiro de Elendil enfrenta a oposição dos Numenoreanos Negros de Umbar, liderados pelo cruel Malithôr (que, no decorrer das Eras, se tornaria o terrível Boca de Sauron). Através de ameaças, Malithôr consegue dissuadir muitos aliados de Gondor a ajudar Isildur, entre eles os homens de Erech, que são amaldiçoados pelo filho de Elendil (outra história que fica na sombra em O Senhor dos Anéis). Um último conselho de Elfos e Homens é reunido em Osgiliath, e a Aliança parte para sua cartada final.

O romance é uma leitura agradável e bastante fiel ao clima do universo tolkieniano, embora os autores pequem em alguns detalhes.

A boa notícia é que a obra se encontra disponível para download, traduzida para o Português por Victor Luiz Barone Júnior e Luis Fernando C. Fogaça para a antiga e offline Dúvendor.

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