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Werther

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Devotchka, 12 Out 2008.

  1. Devotchka

    Devotchka Usuário

    [size=xx-small]Bem, sei que não chego nem aos pés do pessoal daqui, mas eu acabei decidindo que iria postar este modesto conto que escrevi uns meses atrás. Não está muito bom e é um pouco grande, mas é um dos poucos que eu acho que seriam "aceitáveis". Então, é isso. Críticas construtivas são bem-vindas.[/size]

    [align=center]WERTHER[/align]

    Sentado à sarjeta, ele procura uma ilusão. Ali há apenas lixo, mendigos e viciados. Estes últimos, ambos atrelados à uma pseudo-esperança de que tudo não passa de um sonho ruim e que logo acordarão, aliviados, em suas camas quentes.

    Fazia frio. Nas árvores, era possível ver pequenos flocos de neve, acumulando-se pouco a pouco. Então, houve chuva. Uma tempestade forte, que trouxe consigo raios e trovões, enquanto grossas gotas d’água caíam do céu ressoando nos telhados ou em qualquer superfície sólida que pudesse produzir algum ruído. Corpos esqueléticos, encharcados, todos naquela mesma sarjeta, tinham sua sujeira momentaneamente dissipada, enquanto tiritavam de frio, ambicionando uma fonte de calor inexistente. Todos eles morreriam naquela mesma noite, vencidos, rendidos. Teriam seus corpos reduzidos à cadáveres em decomposição, alguns dias depois, ali mesmo. Não tinham qualquer importância, afinal, eram apenas inúteis vagabundos.

    Ele tinha saído quando a chuva começara. Andou por ruas desertas durante horas, molhado até os ossos, sentindo inveja daqueles que possuíam um lar. Chamava-se Henry, mas isto só fazia-o lembrar do passado, que já era recordado mais do que suficiente por meio de pesadelos e a cada momento da sua vida, interminavelmente. - Meu Nome é Werther - dizia, inspirado num livro que tinha lido tempos atrás. Carregava-o consigo, no grande bolso do seu velho, porém elegante, sobretudo. Juntamente com ele, havia também um caderno, uma caneta e uns trocados. Ninguém sabia como aquele homem, de idade indefinida, porém jovem e atraente, conseguia prolongar a sua existência.

    Seu belo cabelo negro, de porte médio, grudava-se à sua testa. A barba densa, porém organizada e incrivelmente limpa, era acompanhada de um bigode meticulosamente arrumado. Os olhos, profundos e ao mesmo tempo vazios, percorriam toda a extensão da rua, procurando algo que nem mesmo ele sabia. Pés cansados obedeciam ao seu instinto mecânico, que o levava em busca do desconhecido. Werther sabia, a chave dos seus problemas estava perigosamente perto.

    Caminhava há horas, sem qualquer noção de tempo, apenas seguindo sua intuição. Parou, tinha que descansar. O cansaço estava dominando-o de forma que deitou-se à sarjeta e dormiu. Não se sabe por quanto tempo permaneceu ali, adormecido, mas, quando acordou, já era outra noite. Teria que completar sua missão.

    Cambaleando, levantou-se. Por um momento, procurou alguma indicação de onde estava, quase que em vão. Então, viu o prédio: uma velha construção do início do século XX, já ruindo e abandonada. Esta era habitada apenas por ratos e outros pequenos animais, que refugiavam-se nas sombras. Composta por 15 andares, poderia ser considerada uma estrutura alta, sua imponente aparência ajudava neste aspecto. As janelas e portas principais estavam fechadas por tábuas velhas, pregadas de forma desordenada e desleixada.

    Werther piscou, confuso. Sentia a sensação de que já conhecia aquele local, mesmo nunca estando ali. Revirou sua mente, vasculhando-a em busca de uma recordação ou pista, então, a verdade veio. Não sabia como, mas este era o prédio presente em seus pesadelos. Um lugar onde ocorrera um incidente macabro, cinquenta anos atrás. Não podia esperar, agora tinha certeza absoluta. Ferozmente, arrancou as tábuas da porta principal, e subiu.

    As escadas estavam dispostas de forma circular e vertiginosa, de jeito que pareciam não ter fim. Volta e meia, ratos e aranhas corriam, apressados, vindos de lugar nenhum, enquanto ele parava para tomar fôlego.

    Enfim, chegou ao 15° andar. Satisfeito, percorreu o corredor de portas rústicas. Em todas era possível ver marcas de sangue reproduzindo estranhos símbolos de um culto misterioso. Werther não se surpreendeu, ele já sabia da existência delas.

    No fundo do corredor, encontrou uma portinhola. Com esforço, arrombou o cadeado que a mantinha trancada. A porta se abriu. Até agora, havia caminhado na escuridão, apenas recebendo a fraca luz que provinha das janelas dos corredores. No interior do compartimento que a pequena porta guardava, só se via escuridão. Sentiu um tremor momentâneo, mas não hesitou. Adentrou nas sombras, fechando a portinhola atrás de si.

    Após subir um pequeno lance de escadas, viu um alçapão, por onde a luz do luar penetrava, pálida, através das frestas.

    Estava agora no telhado, onde era possível ver a lua cheia e as luzes da cidade. Olhou para o céu. Estava estrelado. Subiu a manga do sobretudo e deixou à mostra o pulso. Ali, na pele pálida e ferida, estava um velho relógio. Observou-o. Estava na hora.

    Sentiu a brisa suave e a luz do luar que irradiava no céu. Por um momento, lembrou-se do seu passado cruel e da tragédia apocalíptica que o marcara. Enfim, estaria livre. Tirou o livro do bolso e começou a ler.

    - “Dizem que a vida não passa de um sonho [...] “.

    Exatamente às 3h33 da madrugada, Werther pulou do prédio, sentindo o vento acariciar seu rosto, mergulhando de encontro com a morte.

    Adeus.
     
  2. (trágico.)

    escrito interessante. é solene falar sobre suicídio.

    Mais textos seus serão benvindos, N!


    ferreiro
    :cthulhu:
     
  3. Devotchka

    Devotchka Usuário

    Eu agradeço, Ferreiro!
    Bem, eu tenho uma certa tendência a acabar textos com assassinatos ou suicídios. É meio estranho, mas é que não gosto muito de finais felizes. Prefiro os trágicos ou vagos.

    Enfim, se eu fizer outro texto DECENTE (tenho vários, mas são ruins), talvez eu poste. :B
     
  4. Tentei suicidar dois persônae, mas não tive sucesso ...

    Um deles foi salvo por amigos (estranhos, cheios de compaixão, que passavam ao largo ...), o outro, pelo acidente do acaso ...

    Bom, nem todo plano dá certo na vida :lol:


    ferreiro
    [size=xx-small]pòs-meia-noite'lua_cheia[/size]
    :cthulhu:
     
  5. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Jovem, pensei muito antes de ler esse seu texto, achei que seria muito dark para a minha cabecinha, mas agora lendo, percebe que era dark até de mais, porém mesmo assim não deixei de vibrar com cada linha escrita. Posso dizer que você é uma futura senhora Lovecraft :sim:

    Na espera de novos textos:pipoca:
     
  6. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    sarjeta, frio, chuva, sangue, suicídio... quanto mais sombrio melhor :sim:
    gostei do conto, espero que mande outros!
     
  7. Excluído01

    Excluído01 Banned

    Gostei , gosto de coisas mais leves , mais esse foi um conto ( trágico , como disseram ) que me deixou interessado !











    :tchauzim:
     

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