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Villanelle do fogo

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Haleth, 3 Jul 2011.

  1. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    (Villanelle dos condenados - fogo)

    O orgulho nos saúda co' um beijo,
    eriça o ego protuberante
    na fornalha ardente do desejo

    É dele o fogo e todo o lampejo;
    fervor constante, boca crispante:
    o orgulho nos saúda co' um beijo.

    Armadilhados nesse cortejo
    entramos, qual cavalo trotante,
    na fornalha ardente do desejo.

    Não percebemos, em tal ensejo,
    as brasas que somos. Triunfante,
    o orgulho nos saúda co' um beijo.

    Então ergo os olhos, enfim vejo
    incinerar-se o destino errante
    na fornalha ardente do desejo.

    Molha-me, toda água do Tejo!
    Todavia não és o bastante...
    O orgulho nos saúda co' um beijo
    na fornalha ardente do desejo.


    [size=x-small]Pois é, achei que essa villanelle ficou meio esquisita. A métrica acho que ficou certinha (né, Mavericco? hehe), mas acho que tem alguma coisa desconjuntada nela... Não sei se foi falta de ritmo, se foi o título precário que me incomodou, se foi a pontuação meio alquebrada que me desarranjou... não sei.
    Deixei na gaveta por uns quatro dias (milagre!), mas nem assim consegui ter afastamento pra analisar nem pra aperfeiçoar. É que gostei bastante do arremate, e quando chegava lá, esquecia todo o antecedente e ficava toda meditantemente contente. hehe [/size]
     
  2. Gigio

    Gigio Usuário

    O espírito achei muito bom, Manu, mas tem alguma coisa esquisita mesmo, e acho que está em "O orgulho nos saúda com beijo". Não sei exatamente o que é, se é culpa da palavra "beijo"... Ou se a gente involuntariamente fica pensando com o artigo antes, o que atrapalha a métrica...
     
  3. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Hm... Faz sentido :think:
    Vou pensar em alternativas e volto amanhã pra editar se der certo, rs. Obrigada ;)
     
  4. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Não vi nada desarranjado aí não :think:
    Pelo contrário. Gostei de na fornalha ardente do desejo., com aliterações em N e em D :sim:
     
  5. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Resolvi fazer uma coisa graficamente feia e arcaica, mas oralmente é naturalíssima. Em lugar de "o orgulho nos saúda com beijo", vou usar "o orgulho nos saúda co' um beijo." Todo mundo diz "cum" (pelo menos no Rio, haha) mas quando a gnt escreve "com um", não conta como sendo uma sílaba só. Então, ponha-se essa apóstrofe horrorosa mas extremamente funcional, hehe.

    Ficou melhor ou nem por isso? rs
     
  6. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Dá pra contar "com um" como apenas uma sílaba poética. Fernando Pessoa faz isso em (e se o Pessoa fez, então tá liberado XD):

    O poeta é um fingidor
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.


    No caso do Pessoa, ele faz sinérese em "-ta-é-um", engolindo inclusive um "é" que comumente não conta (ele "engole" esse "é" também no terceiro verso -- o que acaba criando um padrão uniforme no poema inteiro, o que reduz a "infração") :sim:
    Aliás, no final das contas o "co'a" acaba contando mais como arcaísmo e como recurso sonoro; ninguém lê "com a" quando se grafa "co'a", todo mundo ler "coa".
     
  7. Ataualpa

    Ataualpa Usuário

    Não sei se passou despercebido, mas existe uma peculiaridade no poema: ela usa a 3ª pessoa do plural nas 4 primeiras estrofes, oscila para a 1ª pessoa, ao passo que fala com uma 2ª pessoa e volta para a 3ª (conforme o protocolo do poema), no encadeamento final.

    O orgulho, a ideia generalizada no poema, é também também demonstrado pelo eu lírico num "gesto polissêmico hiperbólico":

    "Molha-me, toda água do Tejo!
    Todavia não és o bastante..."


    Grande abraço.
     
  8. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Ah, então posso deixar "com um" e tirar a apóstrofe sem danificar a métrica? Eba! Detesto essas apóstrofes. Fica sempre parecendo preciosismo ou poema de guaraná de rolha, hehe.

    Atalupa, que bacana vc ter percebido essa variação de pessoas. Agora, "gesto polissêmico hiperbólico" é uma expressão nova pra mim, parece até que fiz uma coisa mega gênia, haha
     
  9. Ataualpa

    Ataualpa Usuário

    É só pra mostrar como terminologias soam de forma estranha. :)
     
  10. Gigio

    Gigio Usuário

    Ah, acho que fez diferença! Agora sumiu a estranheza...

    Molha-me, toda água do Tejo!
    Todavia não és o bastante...
    O orgulho nos saúda co' um beijo
    na fornalha ardente do desejo.


    :clap:
     
  11. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    “Co’ um beijo” gostei disso :sim:.Uma veia concreta pulsando forte?
    “Na fornalha ardente dos desejos” é difícil mudar alguma coisa depois de um verso desses.Esse afastamento é complicado mesmo.

    "Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure." Vinicius de Moraes.Assim seja.:sim:
     

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