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~~Vamos Brincar de Interpretar Poesia~~

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Artanis Léralondë, 23 Dez 2007.

  1. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Olá o/

    Por curiosidade gostaria de saber o que muitos do fórum acham/pensam sobre as poesias em geral.

    Então, a melhor forma é brincando, neh? :joy::joy:

    Assim, um posta uma poesia de sua preferência e faz um breve comentário dela,e o próximo faz um comentário interpretando o que ele acha da poesia que o outro usuário postou, depois posta a sua poesia com seu comentário para o próximo comentar,...e continua...
    :lendo:

    Vou começar ... :traça:


    Ora (direis) ouvir estrelas!

    "Ora (direis) ouvir estrelas!
    Certo perdeste o senso!"
    E eu vos direi, no entanto,
    Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
    E abro as janelas, pálido de espanto ...
    E conversamos toda a noite, enquanto
    A via láctea, como um pálio aberto, cintila.
    E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
    Inda as procuro pelo céu deserto.
    Direis agora: "Tresloucado amigo!
    Que conversas com elas? Que sentido
    Tem o que dizem, quando estão contigo?"
    E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
    Pois só quem ama pode ter ouvido
    Capaz de ouvir e de entender estrelas.

    Olavo Bilac




    Postei está, porque como já mencionei aqui, gosto de poemas envolvendo estrelas :mrpurple:
    O motivo desta fascinação, não sei explicar direito :think:
    Gosto do céu estrelado, bem quem não gosta, não é?:lol:
    E está poesia do Bilac, representa bem isso :)
     
  2. Liv

    Liv Visitante

    Ah, eu adoro o Bilac! Esse foi o primeiro poema que eu li *num livro de português, na 6ª série, acho* e caramba! É tão lindo! *__*


    Distância

    Um sentimento terrível
    Separação, impedimentos…
    Um não poder fazer tudo o que mais se quer
    Talvez, o que somente se quer

    Distância é mais do que físico:
    Transcende as barreiras da matéria e penetra a alma
    Tudo e nada andando juntos de mãos dadas
    E nós? Andando separados eternamente…

    Quisera, que distância fosse uma pessoa
    (não falo de “ser” ou “entidade”, pois esses são imortais)
    Poder trancá-la, aprisioná-la
    Impedir de fazer o seu papel… matar se preciso for
    Mas não é.

    Têm-se que conviver todos os dias
    Têm-se que lutar todos os dias

    Mas, pelo menos, outros artifícios tenho…
    E por mais que, o querer querer perto estar seja terrível
    Sua existência se traduz em palavras que a tí escrevo

    Escrevo… não me importando com a distância.

    Meu namorado "K" que fez pra mim, lindão, né? :)
     
  3. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Ah eu achei linda =D
    A forma que ele descreve a saudade que sente de ti,através da poesia é muito boa ^.^v


    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

    O Tigre

    Tigre! Tigre! Brilho Brasa
    Que a furna noturna abrasa,
    Que olho ou mão armaria
    Tua feroz simetria?

    Em que céu se foi forjar
    O fogo do teu olhar?
    Em que asas veio a chama?
    Que mão colheu esta flama?

    Que força fez retroceder
    Em nervos todo o teu ser?
    E o som do teu coração
    De aço, que cor, que ação?

    Teu Cérebro quem o malha?
    Que martelo? Que fornalha
    o moldou? Que mão que garra
    seu terror mortal amarra?

    Quando as lanças das estrelas
    cortarem os céus
    Ao ve-las, quem as fez sorrir talvez?
    Quem fez a ovelha te fez?

    Tigre! Tigre! Brilho,
    Brasa que a furna noturna
    abrasa que olho ou mão armaria
    Tua feroz simetria?

    Autor:Willian Blake
    Tradução de Augusto de Campos.


    Gostei dessa poesia, porque ela descreve um tigre metaforicamente,então achei curioso...
    :mrpurple:
     
  4. LatinoAmericano

    LatinoAmericano Aqui jaz Alcarecco

    Essa primeira poesia do Olavo Bilac, eu nunca tinha lido. Mas quando bati o olho, logo percebi, os dois primeiros versos são citados por Belchior em uma de suas canções, não me lembro exatamente qual agora.

    Sobre a poesia do post anterior:
    Gostei. Ferocidade e Simetria unidas num animal, o Tigre.

    Vou colocar uma que gosto muito:

    Não-Coisa
    Ferreira Gullar


    O que o poeta quer dizer
    no discurso não cabe
    e se o diz é pra saber
    o que ainda não sabe.

    Uma fruta uma flor
    um odor que relume...
    Como dizer o sabor,
    seu clarão seu perfume?

    Como enfim traduzir
    na lógica do ouvido
    o que na coisa é coisa
    e que não tem sentido?

    A linguagem dispõe
    de conceitos, de nomes
    mas o gosto da fruta
    só o sabes se a comes

    só o sabes no corpo
    o sabor que assimilas
    e que na boca é festa

    de saliva e papilas
    invadindo-te inteiro
    tal do mar o marulho
    e que a fala submerge
    e reduz a um barulho,

    um tumulto de vozes
    de gozos, de espasmos,
    vertiginoso e pleno
    como são os orgasmos

    No entanto, o poeta
    desafia o impossível
    e tenta no poema
    dizer o indizível:

    subverte a sintaxe
    implode a fala, ousa
    incutir na linguagem
    densidade de coisa
    sem permitir, porém,
    que perca a transparência
    já que a coisa ë fechada
    à humana consciência.

    O que o poeta faz
    mais do que mencioná-la
    é torná-la aparência
    pura — e iluminá-la.

    Toda coisa tem peso:
    uma noite em seu centro.
    O poema é uma coisa
    que não tem nada dentro,

    a não ser o ressoar
    de uma imprecisa voz
    que não quer se apagar
    — essa voz somos nós.
     
  5. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Xii, pois é Ferreira Gullar... como comentar... é ler e ponto final. Fecha a conta e passa a régua.
    Ora (direis) ouvir estrelas!, também foi minha primeira - 6ª série. Linda!

    A Vida

    "Mudarás, todos mudam, e os espinhos
    com surpresa verás por todo lado,
    - São assim nessa vida os seus caminhos
    desde que o homem no mundo tem andado...

    Não hás de ser o eterno enamorado
    com as mãos e os lábios cheios de carinhos,
    - hoje, juntos os dois... tudo encantado!
    - amanhã, tudo triste!... os dois sozinhos!...

    ...

    Isso tudo nos dizem, - entretanto
    nós dois seguimos braços dados, creio
    que se tu sabes que te adoro tanto
    do que ouviste talvez não tens receio...

    A vida, - é o nosso amor, o nosso encanto!
    Nem a podemos mais parar no meio...
    Chorar? - bem sei que choras, mas teu pranto
    é a alegria que canta no teu seio...

    O mundo é bom e nós o cremos, basta!
    E se um amor tão grande nos enleva
    e pela vida unidos nos arrasta,

    - que eu te abrace e te apóies sempre em mim,
    e desafiando o mundo envolto em treva
    sigamos juntos para um mesmo fim!

    J. G. de Araújo Jorge
     
  6. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Achei linda esta poesia *.*
    mostra que tudo está em movimento, e nós temos que seguir em frente,
    independente do que nos aconteça ^^

    Eu gosto do Luiz Fernando Veríssimo, um gaúcho muito guapo tchê..
    uma poesia dele para discontrair =D

    ~Armário~

    Eu queria, senhora, ser o seu armário
    e guardar os seus tesouros como um corsário
    Que coisa louca: ser seu guarda-roupa!
    Alguma coisa sólida circunspecta
    e pesada nessa sua vida tão estabanada.
    Um amigo de lei (de que madeira eu não sei)
    Um sentinela do seu leito com todo o respeito.
    Ah, ter gavetinhas para suas argolinhas
    Ter um vão para seu camisolão e sentir o seu cheiro, senhora, o dia inteiro
    Meus nichos como bichos engoliriam suas meias-calças,
    seus soutiens sem alças, e tirariam
    nacos dos seus casacos,
    E no meu chão,como trufas, as suas pantufas...
    Seus echarpes, seus jeans, seus longos e afins
    Seus trastes e contrastes.
    Aquele vestido com asa e aquele de andar em casa.
    Um turbante antigo. Um pulôver amigo. Bonecas de pano.
    Um brinco cigano.Um chapéu de aba larga.
    Um isqueiro sem carga.Suéteres de lã e um estranho astracã.
    Ah, vê-la se vendo no meu espelho, correndo.
    Puxando, sem dores, os meus puxadores.
    Mexendo com o meu interior à procura de um pregador.
    Desarrumando meu ser por um prêt-à-porter...
    Ser o seu segredo,senhora, e o seu medo.
    E sufocar com agravantes todos os seus amantes.




    motivo de editar:[postei no lugar errado xD]
     
  7. Liv

    Liv Visitante

    hã? o_O
     
  8. Só faltou o Chico Buarque em Eu te amo, no trecho ''Meu paletó enlaça o teu vestido
    E o meu sapato inda pisa no teu''

    Veríssimo e o seu bom humor elegante.

    Foi totalmente ''coisificado'' ,

    O armário bruto e protetor, que abraça a delicadeza e beleza das roupas e vestimentas, dando apoio, e conforto.
    Masculino X Feminino , belas antíteses (na minha visão houve rs)


    Aqui vai uma de Fernando Pessoa. Aprecio seu lirismo.

    O ENCOBERTO

    Que símbolo fecundo
    Vem na aurora ansiosa?
    Na Cruz Morta do Mundo
    A Vida, que é a Rosa.

    Que símbolo divino
    Traz o dia já visto?
    Na Cruz, que é o Destino,
    A Rosa que é o Cristo.

    Que símbolo final
    Mostra o sol já desperto?
    Na Cruz morta e fatal
    A Rosa do Encoberto.

    (Fernando Pessoa)
     
  9. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Sei não! Penso que em um período de descobertas rosacruzes, o entusiasmo elevado de Fernando exigia contar ao mundo o que era oculto. E a poesia é perfeita para as verdades encobertas.

    Kalil Gibran usou também a poesia para contar suas experimentações sensoriais:

    "Concedei-me o silêncio e afrontarei a noite.
    Conheci um segundo nascimento
    quando o meu corpo e a minha alma se amaram e desposaram."

    Kahlil Gibran
    Areia e Espuma
     
  10. certissimo!
     
  11. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    estrelas


    quando anoitece
    procuro estrelas...
    fecho os olhos,durmo,sonho
    posso vê-las


    ricardo campos

    Gosto da noite porque a poesia está a procura do poeta, e o poeta procura a poesia...Interpretar, buscar a inspiração nas sombras noturnas.
     
  12. Zuleica

    Zuleica Usuário

    O Assassino Era o Escriba - Leminsky

    " Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
    Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida, regular como um paradigma da 1ª conjunção.
    Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.
    Casou com uma regência.
    Foi infeliz.
    Era possessivo como um pronome.
    E ela era bitransitiva.
    Tentou ir para os EUA.
    Não deu.
    Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
    A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
    Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça. "


    Um relato das aulas desinteressantes que assistimos. Não por escolha.
     
  13. LatinoAmericano

    LatinoAmericano Aqui jaz Alcarecco

    acho que esse relato pode se aplicar a alguns professores meus...

    eu vou de Mário Quintana:

    Eu escrevi um poema triste

    Eu escrevi um poema triste
    E belo, apenas da sua tristeza.
    Não vem de ti essa tristeza
    Mas das mudanças do Tempo,
    Que ora nos traz esperanças
    Ora nos dá incerteza...
    Nem importa, ao velho Tempo,
    Que sejas fiel ou infiel...
    Eu fico, junto à correnteza,
    Olhando as horas tão breves...
    E das cartas que me escreves
    Faço barcos de papel!
     
  14. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Faço barcos de papel!? Putz, é o que dá escrever para um erudito. :dente:

    Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.
    ...
    Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

    Clarice Lispector

    Ahh... uma delícia alguém tão inteligente falar assim. :hug:
     
  15. Hérmia

    Hérmia Usuário

    Eu apaixonada pelos poemas da Cecilia....

    Canção

    Pus o meu sonho num navio
    e o navio em cima do mar;
    depois, abri o mar com as mãos,
    para o meu sonho naufragar.

    Minhas mãos ainda estão molhadas
    do azul das ondas entreabertas,
    e a cor que escorre de meus dedos
    colore as areias desertas.

    O vento vem vindo de longe,
    a noite se curva de frio;
    debaixo da água vai morrendo
    meu sonho, dentro de um navio...

    Chorarei quanto for preciso,
    para fazer com que o mar cresça,
    e o meu navio chegue ao fundo
    e o meu sonho desapareça.

    Depois, tudo estará perfeito;
    praia lisa, águas ordenadas,
    meus olhos secos como pedras
    e as minhas duas mãos quebradas.

    Autora: Cecília Meireles
    Acho que é o que acabei fazendo com muitos de meus sonhos.....escolhas...escolhas.....sonhos naufragados....
     

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