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Ungoliant, Dualismo e Livre-Arbítrio nos Mitos de Tolkien, Parte II

Tópico em 'Comunicados, Tutoriais e Demais Valinorices' iniciado por Artigos Valinor, 25 Jun 2005.

  1. Artigos Valinor

    Artigos Valinor Usuário

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    Maniqueísmo lato sensu ou impróprio- razões da sua inexistência nos mitos de Tolkien.
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    Agora é necessário entender que quando as pessoas dizem que a obra de Tolkien é maniqueísta elas empregam o termo simplesmente como uma maneira de dizer que o Mal e o Bem estão polarizados no Tolkien e que as caracterizações dos personagens refletem essa dicotomia [ esquecendo-se ou desconhecendo personagens como Fëanor e seus filhos, Gollum, Maeglin, Húrin e tantos outros]. O que essas mesmas pessoas desconhecem e que NEM SEQUER desse modo Tolkien pode ser chamado de maniqueísta.
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    Chegamos enfim ao ponto onde as pessoas em geral cometem grandes erros de julgamento em se tratando de Tolkien. Pelo fato do autor ter incorporado elementos de correntes de pensamento dualistas e maniqueístas muitos tendem a tomar a parte pelo todo e ignoram determinados pormenores de suma importância na mitologia de Tolkien que demonstram que o Mal e o Bem não são princípios antitéticos na sua ambientação.
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    Que pormenores são esses?</P>
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    1]Bom, nos tópicos anteriores ficou demonstrado que qualquer doutrina que pregue a contraposição antinômica entre o Bem e o Mal , vê esse último como algo inteiramente corrupto que deve ser expurgado a todo custo. É com essa finalidade de separar o joio do trigo que as religiões em geral pregam sobre a existência de um tipo de Inferno ao menos como uma espécie de estância purgatorial., isso no caso das correntes mais brandas que acham que o Mal pode ser redimido de alguma forma.Em oposição a esse Inferno existe sempre uma espécie qualquer de Paraíso . [ Valhalla e o Mundo de Hel na mitologia nórdica, os Campos Elíseos e o Tártaro e na Mitologia Grega são alguns dos equivalentes nos mitos pagãos]
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    Pois bem : a mitologia de Tolkien carece de um Inferno no sentido Judaico-Cristão, ou mesmo de qualquer coisa correspondente encontrada no Zoroastrismo [ no qual em Frashkart “os vivos e os mortos suportarão uma torrente incandescente que os purificará dos seus pecados e lhes permitirá regressar gozosamente junto a Ormuzd. No entanto, para os justos a torrente será como leite morno” citação extraída do Atlas do Extraordinário, Mitos e Lendas II, verbete Saoysant, Ediciones Del Prado] ou em outra mitologia Indo-Européia. E de maneira similar ela também prescinde de qualquer conceito análogo ao Céu muito embora Aman, o Reino Abençoado possa ser considerado como um correspondente do Paraíso Terrestre.
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    Na mitologia tolkieniana o mais próximo que se tem de um Purgatório são as Mansões de Mandos onde os espíritos de Elfos residem enquanto expiam suas faltas e aguardam o momento em que será permitido que eles reencarnem. Mas essa expiação é feita através de reflexão e pelo próprio decurso do tempo sem a infligência de castigos suplementares. E os espíritos élficos , inclusive, contam com a faculdade de não atenderem à convocação para se submeterem ao juízo de Mandos [ o correspondente ao Hades grego, o vala que preside o julgamento dos mortos].
    <HR>



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    <P class=CorpoTexto>
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    A grande fortaleza de Melkor , Utumno poderia até corresponder àquilo que a iconografia judaico-cristã concebia como um Inferno, mas Utumno era um lugar existente no nosso mundo [ como as Mansões de Mandos também o eram, aliás] e não um plano metafísico reservado para a punição dos pecadores e/ou sua expiação.</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Já os espíritos dos Homens residem durante um curto período de tempo em Mandos mas depois de lá partem para cumprir o destino que lhes está reservado por Eru Ilúvatar cuja natureza somente o Único sabe ao certo.
    <HR>



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    <P class=CorpoTexto>
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    2] Outro elemento importante correlacionado com o primeiro: a morte no Tolkien não é uma punição por alguma transgressão passada mas sim uma dádiva que resulta da mercê de Eru Ilúvatar. Era após a morte que o juízo divino poderia prescrever os respectivos quinhões de recompensas e punições a justos a pecadores. No Tolkien inexiste essa concepção abraçada pelo Dualismo e demais crenças por ele influenciadas.
    <HR>



    </P>
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    3] A canção de Ilúvatar em seu terceiro tema incorporou a discórdia de Melkor e tornou-a “tributária de sua glória”. O Mal no Tolkien é assimilado, não destruído, e através dele e /ou por causa dele muitas coisas foram integradas no plano original de Ilúvatar que do contrário não estariam lá. Que coisas?Bom só para começar os Homens e os Elfos foram introduzidos por Ilúvatar no terceiro tema que assimilou a dissonância gerada por Melkor o que implica em dizer que se Melkor não tivesse se rebelado.,em tese, os Filhos de Ilúvatar não existiriam.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    4] É sugerido com frequência nos livros de Tolkien que a Escuridão e os seres que são dela partidários têm uma dependência de luz e de que dela carecem mesmo odiando -a. Mas qual é a natureza desse ódio e desse sentimento de privação , de ausência ? Ele é de alguma forma responsável pelos atos praticados pelo Mal?
    <HR>



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    <P class=CorpoTexto>
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    Vamos dar alguns exemplos em que o último deles vai ser a chave para se entender melhor esse dilema:</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    No Senhor dos Anéis, quando os Hobbits foram capturados pelo espectro das colinas tumulares nas cercanias da Floresta Velha , Tolkien disse que:
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    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Inesperadamente começou uma canção: murmúrio frio que se elevava e baixava. Era uma voz remota e desmesuradamente lúgubre, às vezes estridente no ar, às vezes um gemido baixo no chão. A torrente disforme de sons tristes, horríveis tomava formato, chusmas de palavras, vez por outra. Palavras duras, sombrias, frias, desumanas e tristes. A noite invectivava contra a manhã que não tinha nunca, e o frio tecia maldições contra o calor pelo qual ansiava. </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Suddenly a song began: a cold murmur, rising and falling. The voice seemed far away and immeasurably dreary, sometimes high in the air and thin, sometimes like a low moan from the ground. Out of the formless stream of sad but horrible sounds, strings of words would now and again shape themselves: grim, hard, cold words, heartless and miserable. The night was railing against the morning of which it was bereaved, and the cold was cursing the warmth for which it hungered
    <HR>



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    <P class=CorpoTexto>
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    No Silmarillion quando se fala de Ungoliant: [ O Escurecimento de Valinor]</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Mas ela traíra o seu senhor desejando ser senhora da sua própria gula, tomando para si todas as coisas para alimentar o seu vazio; e fugira para o Sul, escapando aos ataques dos Valar e aos caçadores de Oromë, pois a vigilância destes concentrara-se no Norte, e o Sul ficara longo tempo ignorado. Daí arrastara-se na direção da Luz do Reino Abençoado, pois tinha fome de luz e ao mesmo tempo odiava-a.
    <HR>



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    <P class=CorpoTextoItalico>
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    But she had disowned her Master, desiring to be mistress of her own lust, taking all things to herself to feed her emptiness. To the South she had fled, and so had escaped the assaults of the Valar and the hunters of Orome, for their vigilance had ever been to the North, and the South was long unheeded. Thence she had crept towards the light of the Blessed Realm; for she hungered for light and hated it.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Está se descortinando um padrão, não é?</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Na Valaquenta se afirma também que Melkor “Começou pelo desejo da Luz mas não a podendo possuir só para si desceu desceu através de fogo e ira num grande incêndio, à Escuridão”.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    He began with the desire of Light, but when he could not possess it for himself alone, he descended through fire and wrath into a great burning, down into Darkness.</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Como esse desejo pela Luz pode ser entendido?
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Robert Foster novamente ajuda a esclarecer a questão. Luz em maíuscula é claro deve ser o oposto de Escuridão ou Trevas [ Darkness] quando escrito com letra maíscula então nas palavras do próprio Foster, Luz é : “O oposto de Escuridão ou Sombra, a presença de Ilúvatar, a aceitação de sua vontade e da beleza de sua criação especialmente das Duas Árvores.”
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas porque as Trevas iriam depender da Luz ? Qual seria a correlação entre essa dependência e a corrupção de Melkor?</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    A referência que no meu entendimento contém a grande pista para esclarecer essa indagação está na Valaquenta na parte que fala de Varda, Elbereth Gilthoniel a esposa de Manwë.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Com Manwë habita Varda, Senhora das Estrelas, que conhece todas as regiões de Eä. A sua beleza é tão grande que não pode ser descrita em palavras dos Homens ou dos Elfos, pois a luz de Ilúvatar ainda vive no seu rosto. Na luz está o seu poder e a sua ventura. Das profundezas de Eä acudiu em socorro de Manwë, pois a Melkor conhecia-o antes da composição da música e repelia-o e ele temia-a e a odiava mais do que a todos os outros feitos por Eru.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    With Manwë dwells Varda, Lady of the Stars, who knows all the regions of Eä. Too great is her beauty to be declared in the words of Men or of Elves; for the light of Ilúvatar lives still in her face. In light is her power and her joy. Out of the deeps of Eä she came to the aid of Manwë; for Melkor she knew from before the making of the Music and rejected him, and he hated her, and feared her more than all others whom Eru made.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Esse trecho sugere claramente que não era só a soberania sobre o reino de Arda o que Melkor invejava em Manwë. Ao que parece ele cobiçava também Varda mas foi rejeitado por ela e como frequentemente o amor não correspondido se converte em um ódio proporcionalmente grande, Melkor odiava Varda mais do que a todos os seres criados por Ilúvatar.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    E, entretanto, qual era a chave desse desejo por Varda? O próprio trecho elucida isso quando diz que a beleza de Varda não pode ser descrita porque a luz de Ilúvatar ainda vive no seu rosto. O que Melkor almeja em Varda, o que ele deseja e ao mesmo tempo odeia porque não pode ter só para si é a Luz de Ilúvatar da qual ela é portadora.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Essa relação conturbada entre Melkor e a Luz de Ilúvatar está implícita na sua busca pelo Fogo Secreto [ a causa de suas andanças pelo Vazio] e está totalmente explícita na história tardia em que Tolkien reformulou o Mito do Sol e da Lua, uma versão incluída no Myths Tranformed [ Mitos Transformados ] que faz parte do HOME 10.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Nessa narrativa, Varda foi especialmente agraciada por Ilúvatar com um tipo especial de Luz com a qual ela consagrou o nosso Sol, que seria nessa concepção o centro do nosso sistema solar, e este por sua vez seria denominado de Arda, o reino regido pelos Valar “terrestres”. Nessa versão a Terra, o nosso planeta, seria somente a parte sólida habitável de Arda chamada Imbar.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas o que acontece é que uma vez criado o Sol que iluminaria a Terra, Varda designou um espírito maia poderoso como sua guardiã, a versão posterior de Arien que aqui é chamada de Arië e deu a ela a Luz mística [ um dos Milagres de Ilúvatar que não constam da Ainulindalë]. Melkor que, entretanto, cobiçava toda a luz para si [ “pois as luzes menores se tornam trevas quando estão perante a maior”] e que havia assumido uma forma ofuscantemente luminosa veio em busca de Arië e lhe fez a seguinte proposta:
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    “Eu escolhi a ti, e tu serás minha esposa, assim como Varda é para Manwë, e juntos nós deteremos todo o esplendor e soberania. Então o governo de Arda será meu de fato como o é de direito, e tu compartilharás de minha glória”
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas Arië rejeitou Melkor e zombou dele avisando-o de que havia no Sol uma chama que não lhe seria subserviente e que se ele a tocasse ela o queimaria e o enegreceria muito embora a potência dele pudesse lograr a sua destruição.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Ignorando o aviso, Melkor replicou , gritando: </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    “-A dádiva que é recusada eu arrebato”.E ele “violentou” Arië, “tentando humilha-lá e tomar os seus poderes para si”. Depois disso, angustiada e colérica, Arië abandonou Arda e o sol ficou privado da luz de Varda e ficou conspurcado pelo assalto de Melkor.</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Todas essas referências demonstram que a relação entre a Luz e as Trevas é bem diferente da que é visualizada no “maniqueísmo” pois aqui não só o Mal tem um papel a ser desempenhado como ele também depende da Luz, anseia por ela e por isso mesmo a odeia.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoBold>
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    A Noite Primordial como Manifestação do Caos.</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    E o que essa discussão tem a ver com Ungoliant? Recapitulando, Ungoliant segundo a versão que me parece mais correta é um Espírito do Vazio, uma encarnação da Noite primordial que é o Vazio não criado, privado da Luz de Ilúvatar ,a própria “Alma” das Trevas.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas essas Trevas do Vazio são a manifestação suprema do Mal do qual todo o resto derivou? A resposta a princípio é sim. Mas é importante salientar de que o Mal do qual estamos tratando aqui não é o Mal metafísico, absoluto do Maniqueísmo, nem sequer uma personificação dele como era o caso de Ahriman.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Santo Agostinho definiu que o Mal é desprovido de dimensão ontológica, ou seja ele não possui ser próprio, nada mais é que a privação de Bem , assim como as trevas são a ausência da luz. </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    No Silmarillion quando Tolkien descreve os efeitos da Antiluz de Ungoliant Tolkien parece dialogar com essa doutrina para em seguida descartá-la
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    A Luz apagou-se mas a Escuridão que se seguiu foi mais do que perda de luz. Nessa hora fez-se uma Escuridão que parecia não a falta de qualquer coisa, mas sim uma coisa com ser próprio, pois era realmente feita de malignidade, a partir da Luz, e tinha a faculdade de traspassar os olhos e entrar no coração e na mente e estrangular a própria vontade.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    The Light failed; but the Darkness that followed was more than loss of light. In that hour was made the Dark which seems not lack but a thing with being of its own: for it was indeed made by malice out of Light, and it had the power to pierce the eye, and to enter heart and mind, and strangle the very will.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas é interessante então que em suas cartas Tolkien insiste que não há o Mal absoluto em sua mitologia, que tal coisa seria o Nada.</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    <<< Em minha história eu não trato do Mal Absoluto. Eu não acho que haja tal coisa, uma vez que ela seria nula. Eu não penso de modo algum que alguma “ser racional” seja inteiramente mau. >>></P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    <<< In my story I do not deal in absolute evil. I do not think there is such a thing, since that is zero. I`do not think that at any rate any "rational being" is wholly evil. >>></P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Então aqui nos ficamos num aparente impasse. Como combinar essas duas afirmações aparentemente tão díspares?
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    O que acontece é que Tolkien sabia que o Dualismo havia sido a grande influência por detrás da concepção judaico-cristã do Mal que a havia assimilado com a quebra da equipotência entre os princípios do Mal e do Bem. No Dualismo , Ormuzd e Ahriman eram gêmeos enquanto que no mito Judaico –Cristão, Satã era um ser criado que havia se rebelado contra Deus. Como já foi dito antes o conflito do Dualismo é refletido na inimizade entre Manwë e Melkor enquanto a relação entre Deus e o Diabo é espelhada pela oposição entre Eru Ilúvatar e Melkor.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas Tolkien, como um estudioso de mitologia comparada, sabia que o próprio Dualismo remontava as suas raízes não na contraposição antitética entre o Bem e o Mal. Originalmente o conflito que as entidades patriarcais, os deuses solares enfrentavam não era contra uma manifestação do Mal propriamente dita mas sim contra uma personificação do Caos primordial.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Essa luta entre a Ordem e o Caos reflete-se em praticamente todas as mitologias do mundo. Na Grécia, o Caos foi o progenitor de toda a vida e ele frequentemente gerava entidades sombrias que se contrapunham aos Deuses do Olimpo. Nos países Nórdicos o Caos era chamado Ginungagap e seu filho primogênito era o gigante do Gelo, Ymir, que foi morto por Odin e seus irmãos. Com os despojos de seu corpo os primeiros Deuses forjaram o universo tal como o conhecemos.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Destino similar teve a Deusa-Dragão da mitologia sumério-babilônica, a célebre Tiamat [ imortalizada pela sua contraparte dos RPGs e do desenho Caverna do Dragão]. Um de seus descendentes, Marduk, filho de Ea, o deus do Mar, que se tornaria o Deus supremo do panteão sumério também usou o seu corpo como matéria prima para criar o cosmo.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    E acontece que no mito Judaico-Cristão, há uma entidade, mencionada pouquíssimas vezes que é o correspondente semita da deusa Tiamat. No Velho Testamento [ Isaías, cap 51, versículos 9 a 10 e o Salmo nº 89 versículos 9 e 10] essa entidade que é uma manifestação do caos, das trevas e da ausência de Deus é chamada Raab [ em Inglês Rahab].
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    O link abaixo conduz a um excelente texto [ em Inglês] que analisa a existência do Caos como a matéria prima para a criação do Mundo na Bíblia</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto><FONT color=#aaaaaa>
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    </FONT>É desse texto que eu extraí o trecho traduzido abaixo</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    O escritor aqui usa dois outros termos marcadamente simbólicos para focalizar a sua mensagem. Há muitas passagens do Velho e Novo Testamentos onde trevas são uma metáfora para a ausência de Deus, assim como a luz é um símbolo da sua presença. Aqui, o elo entre o conceito de caos com a imagem de trevas é uma metáfora para a ausência de Deus. Ou analisando-se por um outro ângulo, o qual é provavelmente mais próximo do qual o escritor queria dizer, sem Deus e sua presença ativa no mundo há apenas escuridão, desordem e caos. Isso fornece um pano de fundo para a atividade criativa de Deus.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    A Segunda metáfora é o termo profundezas. Alguns tentaram fazer uma conexão linguística entre essa palavra em hebraico [ tehom] e o dragão do caos na mitologia babilônica, Tiamat. Embora haja algumas similaridades, elas não são suficientes para estabelecer uma vinculação linguística direta. Entretanto, parece óbvio através de várias outras passagens que os Israelitas adotaram a imagem da caótica água primordial da cultura babilônica para representar a ameaça da desordem e do caos no mundo. Essa água caótica descontrolada é frequentemente personificada como um dragão ou como um monstro marinho nas Escrituras. As profundezas são uma alusão a essa indômita água do caos. É esse mesmo termo que é usado na história de Noé onde a descontrolada água das profundezas é liberada no mundo como uma consequência do pecado [ Gen 6: 11].
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Há passagens demais nas quais essa metáfora ocorre para serem examinadas em detalhe. Basta dizer que a idéia de água como uma ameaça para o mundo, como uma evidência do Julgamento de Deus, é um tema constante na Escrituras. Consequentemente, a conquista ou o amansar da água é uma metáfora comum para descrever as tranformadoras e criativas ações de Deus no mundo, especialmente em junções cruciais da história humana. No meio do livro de Isaías, em uma seção que está encorajando uma nação derrotada com a promessa de uma nova ação de Deus para por fim ao seu exílio, o escritor recorre às velhas metáforas de Deus derrotando o dragão do Caos [ aqui chamado Raab]
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    A referência imediata é para o êxodo do Egito e a travessia do Mar Vermelho, mas a linguagem estilizada e metafórica é a imagem do dragão do caos [ Isaías 51 9-10]</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    9 Desperta, desperta, reveste-te de força, braço do Senhor!Desperta como nos dias de outrora,no tempo das gerações antigas!Acaso não foste tu que massacraste Raab,varando de lado a lado o dragão?
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    10 Não foste tu que secaste o mar,as águas do vasto Oceano,transformando em estrada as profundezas do mar,para abrir passagem aos resgatados?</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Outro exemplo é do Salmo 89, um hino a Deus como o defensor e auxiliador da monarquia de Davi e por conseguinte de Israel. Primeiro, Deus é exaltado como o Deus Criador que conquistou e venceu o caos novamente na figura do Dragão Raab [ Salmo 89: 9-10]
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    9Senhor Deus Todo-poderoso, quem é igual a ti?Poderoso és tu, Senhor ,e tua fidelidade é teu cortejo.</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    10 Tu dominas a fúria do mar;quando se sublevam as vagas, tu as amansas.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    11 Trituraste o cadáver de Raab,dispersaste os inimigos com o poder de teu braço.</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    As traduções da Bíblia utilizadas nos trechos acima foram obtidas do site abaixo</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto><FONT color=#aaaaaa>
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    </FONT>Posteriormente o Leviatã passou a ser a imagem bíblica que era a contraparte judaica do Dragão babilônico do Caos e é desse modo que ele é aludido no Apocalipse de São João.</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    A Noite Primordial no Tolkien corresponde a esse tipo de entidade do caos que entre os babilônicos e os semitas era frequentemente correlacionado com a imagem do mar. Isso, inclusive, parece refletir na maneira com a qual Tolkien descreveu a súbita propagação da Antiluz no Escurecimento de Valinor.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Varda olhou para baixo , de Taniquetil, e viu a Sombra subir em torres súbitas de trevas; Valmar afundara-se num mar profundo de noite. Em breve a Montanha Sagrada se erguia sozinha, última ilha num mundo afogado.</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Varda looked down from Taniquetil, and beheld the Shadow soaring up in sudden towers of gloom; Valmar had foundered in a deep sea of night. Soon the Holy Mountain stood alone, a last island in a world that was drowned
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas entendida como tal ela representa um pólo dualista oposto para Eru Ilúvatar? Eru e Ava Kúma poderiam ser os Gêmeos Cósmicos originados por uma Unidade Pré-Existente da mesma forma que Zurvam Akarana [ a Eternidade, o Tempo] havia gerado Ormuzd e Ahriman?*</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    ? *[ Zurvam Akarana foi uma figura que se originou a partir de uma mitigação do dualismo zoroástrico, uma entidade que transcendia e conciliava os opostos e que na verdade foi uma revivescência de conceitos anteriores à reforma empreendida pelo profeta persa.]
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Eu penso que não porque Tolkien disse que não há o Mal Absoluto em sua Mitologia, e além do mais o nome de Eru significa o “Ünico”. Se a referência principal para o Deus Tolkieniano foi o Deus Judaico-Cristão, e isso é inegável, a conclusão lógica é que Ilúvatar é sempiterno [ sem começo , nem fim].
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Então o que é a Escuridão? Primeiro vamos analisar mais detidamente o que é a Luz de Ilúvatar. A Luz que Melkor invejava em Ilúvatar , que ele via refletida em Varda e que mais tarde ele cobiçou nos Silmarils é a manifestação da presença do Único que permeia todas as coisas , a materialização de seu desígnio criativo, nada mais além da coisa que Melkor buscava em vão no Vazio: O próprio Fogo Secreto, a Chama Imperecível.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Tolkien disse no Silmarillion que os Ainur nasceram do pensamento de Eru e este disse aos Ainur que ele havia ateado a contelha de seus seres com o Fogo Secreto. Logo o Pensamento de Ilúvatar e o Fogo Secreto são a mesma coisa e o poder do Fogo Secreto se apresenta sob a forma de luz que é o manifestação da presença de Eru Ilúvatar e do seu pensamento.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Em uma das suas notas ao texto do Diálogo de Finrod e Andreth [nota 11] Tolkien definiu o que é o Fogo Secreto:</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Isso, de fato, já é entrevisto na Ainulindalë, na qual uma referência é feita à Chama Imperecível. Isso parece significar a atividade Criativa de Eru [ de alguma forma distinta proveniente dele ou do Seu interior], pela qual as coisas podem ter uma existência "real" e independente [ muito embora derivativa e criada]. A Chama Imperecível é enviada por Eru, para habitar no coração do mundo , e a partir de então o mundo passa a Existir no mesmo plano que os Ainur, e eles podem entrar nele. Mas esse não é de fato o mesmo que a re-entrada de Eru para derrotar Melkor. É, ao invés uma referência para o mistério da "autoria", pela qual o autor, enquanto permanece "de fora" e independente do seu trabalho, também "habita" nele, no seu plano derivativo, abaixo do seu próprio ser, como a fonte e a garantia da sua existência.>>>
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    <<< This is actually already glimpsed in the Ainulindale", in which reference is made to the "Flame Imperishable". This appears to mean the Creative activity of Eru [in some sense distinct from or within Him], by which things could be given a "real" and independent [though derivative and created] existence. The Flame Imperishable is sent out from Eru, to dwell in the heart of the world, and the world then Is, on the same plane as the Ainur, and they can enter into it. But this is not, of course, the same as the re-entry of Eru to defeat Melkor. It refers rather to the mystery of "authorship", by which the author, while remaining "outside" and independent of his work, also "indwells" in it, on its derivative plane, below that of his own being, as the source and guarantee of its being.>>>
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    O Fogo Secreto é , portanto, a maneira pela qual Eru Ilúvatar se faz presente em sua própria criação Eä, o Universo Material, é o veículo de sua Onipresença no plano físico. Ele queima dentro de tudo que possui ser individual, existência própria </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Vemos, portanto, que o Fogo Secreto é algo similar ao Espírito Santo de Deus na concepção judaico-cristã cuja morada é em cada ser vivo combinado com o conceito da Alma Universal [ o Brahman] dos Hindus que se contrapõe ao Atmã,a alma individual.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Como o Espírito Santo, o Fogo Secreto está dentro de todas as Almas mas, assim como o Brahman hindu, o Fogo Secreto está difundido, também, por tudo que existe como uma emanação do Criador [ mas sem se confundir com o próprio como acontece nessa concepção panteísta da realidade em que o Universo e o Criador são a mesma coisa.]</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Assim como Sauron precisou exteriorizar o seu poder para engendrar o Anel, Ilúvatar emanou o seu próprio Pensamento para começar a criar coisas diversas dele próprio.Assim surgiu a Chama Imperecível.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Mas se Ilúvatar tem um pensamento consciente, um impulso criativo , não poderá haver dentro dele próprio um Inconsciente Divino, que surgiu como um contraposto necessário da emanação que deu nascimento ao Fogo Secreto? Não poderia o Vazio ser uma emanação de Ilúvatar , que é à semelhança do Caos e do Inconsciente Humano é potencialidade destituída de forma visível?
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Assim dentro do Vazio haveria uma “sombra da Luz de Ilúvatar”, uma potencialidade para o ser que corresponderia à probabilidade de um lugar às escuras de comportar luz. Por isso é que Eä [ com o Fogo Secreto queimando em seu interior] foi posto no meio do Vazio e é sustentado por ele embora não faça parte dele. A totalidade das coisas demanda um Vazio para que possa se propagar.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    É exatamente essa a noção que John Milton adotou no seu Paraíso Perdido. Nesse poema épico, Deus ao criar o Terra ‘usurpa” os domínios das divindades primevas da mitologia grega listadas na Teogonia de Hesíodo: O Caos, a Noite, Erebus [ a Treva] e outros. Aliás, assim como aconteceu com Melkor e Ungoliant, no Paraíso Perdido , Satanás se alia a eles para por fim a um tipo de Paraíso. No Paraíso Perdido após ter o seu acesso franqueado através dos domínios do Caos Satanás chega até a Terra onde causa a Queda de Adão e Eva. No Silmarillion, Melkor e Ungoliant, a personificação do Vazio e do Caos fazem um pacto através do qual eles provocam a Queda dos Noldor e o Escurecimento de Valinor.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Agora suponhamos o fato de que essa emanação de Ilúvatar tenha, de alguma forma, se apartado de Eru, que ela tenha ficado menos controlável. Vamos supor, talvez, que o próprio Eru tenha sido de alguma maneira afetado pela cisão de sua própria mente e que ele já não esteja plenamente ciente da natureza da Noite que faz fronteira com a luz dimanada pelo seu Pensamento. Vamos supor que Eru tenha se esquecido de uma parte do que ele é...
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Desse modo quando essa parte incita* à rebelião o mais poderoso dos seus Ainur, Eru reformula o seu plano fazendo da discórdia de Melkor e da interferência da Escuridão uma parte do todo que compõe o seu propósito divino . Eru Ilúvatar, nessas circunstâncias, iria necessitar de um veículo para sondar o seu próprio Inconsciente [ conhece-te a ti mesmo, no descumprimento dessa máxima estaria o limite de sua onisciência] e desvendar a verdade. Isso explicaria o porquê do Tolkien ter afirmado que a discórdia de Melkor ,e portanto o Mal, são contrários ao tema de Ilúvatar apenas aparentemente. A dissonância de Melkor e a influência “corruptora” do Vazio seriam tributários da sua glória.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    *[ “ incita” em termos porque o que acontece é que privado da Luz de Ilúvatar, o poder de Criar ao invés de subcriar, Melkor recorre às Trevas que são a potencialidade irrealizada da Criação, o Marco Zero de onde ela deve se originar, a página em branco na qual ele queria pintar]
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Isso foi proposto inicialmente em forma abstrata ou musical , e então em uma “visão histórica”. Na primeira interpretação, a vasta Música dos Ainur, Melkor introduziu alterações , não interpretações da mente do “Único, e grande discórdia se propagou. O Único então apresentou essa Música, incluindo as discórdias aparentes como uma “história” visível.


    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    This was propounded first in musical or abstract form, and then in an "historical vision". In the first interpretation, the vast Music of the Ainur, Melkor introduced alterations, not interpretations of the mind of the One, and great discord arose. The One then presented this "Music", including the apparent discords, as a visible "history".
    <HR>
    </P>
    <P class=CorpoTextoBold>
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    A origem e a natureza de Ungoliant com uma forma Avatar do Caos


    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Como já foi dito antes, o conjunto de todas as coisas que têm ser possui no seu Centro , o Fogo Secreto, que está “dentro dele e simultaneamante em todas as suas partes e é a sua vida”. A Chama Imperecível crepita dentro de Eä e é a garantia da sua existência. O Fogo Secreto é colocado no meio do Vazio, que é a potencialidade para o Ser ainda não realizado, definindo as fronteiras entre aquilo que é e que pode ainda vir a ser. A totalidade das coisas é definida e circunscrita pelo Vazio que a cerca.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Isso é claro explica a maneira predatória pela qual Ungoliant existe. Ela necessita devorar Luz para conservar o seu precário estado de “ser”, a sua dimensão ontológica enquanto estiver dentro de Eä. Do contrário ela devora a si mesma, deixa de existir. Nessa dependência de uma porção da essência de Ilúvatar provavelmente se encontra a explicação para o fato de Ungoliant em sua origem ser uma serva de Melkor.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Muito possivelmente a luz que conferiu ser à Ungoliant, que moldou a própria substância do Vazio e lhe conferiu uma existência anômala dentro de Eä, foi proveniente do próprio Melkor [ os espíritos dos Ainur e de todos os espíritos no universo de Tolkien são acesos com um porção do Fogo Secreto] , que assim procedendo fez uma das primeiras dispersões do seu poder primitivo. Esse tipo de doação mais tarde foi repetida por ele inúmeras vezes, com os Dragões e com Carcharoth [ que devorou um fragmento do fana de Melkor no qual ele colocou uma parte do seu poder e que ficou possuído por “um espírito devorador, atormentado e terrível ] por exemplo.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Então Morgoth, recordou-se do destino de Huan, escolheu um de entre os filhos da raça de Draugluin e alimentou-o com a sua própria mão, de carne viva, e pôs nele o seu poder. Rapidamente o lobo cresceu , até não poder entrar em nenhum covil e permanecer enorme e faminto aos pés de Morgoth. Aí fogo e angústia de inferno entraram nele ele se encheu de um espírito devorador, atormentado, terrível e forte.


    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Then Morgoth recalled the doom of Huan, and he chose one from among the whelps of the race of Draugluin; and he fed him with his own hand upon living flesh, and put his power upon him. Swiftly the wolf grew, until he could creep into no den, but lay huge and hungry before the feet of Morgoth. There the fire and anguish of hell entered into him, and he became filled with a devouring spirit, tormented, terrible, and strong.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    O Espírito que Ungoliant possuía era uma centelha da essência de Melkor[ que é por sua vez uma parcela do Fogo Secreto] e em Eä essa espírito se conservava [ porque habitava uma forma moldada a partir da Escuridão exterior e não um corpo feito de carne] parasitando as centelhas de outras coisas vivas e não-vivas.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    No início, Ungoliant deve Ter sido pouco mais do um brinquedo, um tipo de mascote.antes que ela tivesse absorvido Luz suficiente para adquirir auto-suficiência após o que ela fugiu de Melkor refugiando-se onde estava o tipo de Luz mais pura em Arda, próximo das fronteiras do Reino Abençoado onde residia a Luz de Telperion e Laurelin.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Fica assim , eu penso explicado o aparente paradoxo da dimensão ontológica do Mal no Tolkien. </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    O Vazio em si é desprovido de consciência real [ Tolkien afirmou que ele não acredita que algo racional possa ser absolutamente mau] e nesse sentido ele é de fato, “nulo”, mas possui Substância, a qual é um reflexo da Luz manifestada por Ilúvatar por intermédio do Fogo Secreto. [ Luz é uma forma de Energia, Matéria e Energia como ensina a Relatividade são intecambiáveis e Ungoliant gera matéria [ Antiluz] derivada da Luz]. E, embora sendo dotado de dimensão ontológica, o Mal Tolkieniano não é o Mal Absoluto, Maniqueísta ou Dualista.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Assim quando tornou o “Mal” uma manifestação da influência do Vazio [ que não é literalmente vácuo, mas a matéria informe que é o Caos Primordial] Tolkien deu um ser próprio ao “Mal” SEM contradizer Santo Agostinho porque o Caos em si é privado de consciência , NÃO TEM LIVRE –ARBÍTRIO, é a mera Potencialidade da Luz não realizada e, portanto, não é Absoluto.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Tem dimensão ontológica no que diz respeito ao “Corpo”mas não no que tange à Alma; tem a Forma do Mal [ que é a Escuridão não criada onde a Luz pode se propagar, a ausência da Luz] mas não o Conteúdo- a vontade que procura reverter a criação de Ilúvatar ao Caos. Essa Vontade é atributo de Melkor, que assim sendo é o Espírito do Mal* mas que também não é em si a personificação do Mal porque foi criado a partir da Luz de Ilúvatar e a busca pela Escuridão empreendida por ele é resultado da cobiça pela Luz não de um desejo pelas Trevas em si mesmas . Ele as vê como seu instrumento não como uma parte do seu próprio ser.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    ? No texto do Athrabeth Tolkien disse que:</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Melkor não era apenas um Mal local na Terra, nem um Guardião Angelical da Terra* que havia se corrompido, ele era o Espírito do Mal, sublevando-se antes mesmo da criação de Eä. Sua tentativa de dominar a estrutura de Eä e de Arda em particular, e alterar os desígnios de Eru [ o qual governava todas as operações dos Valar fiéis] havia introduzido o mal, ou uma tendência para se tornar uma aberração em relação ao desígnio em toda a matéria física de Arda.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    *Isso é uma alusão de Tolkien à contraparte de Melkor na mitologia criada por C.S.Lewis na sua Trilogia do Espaço Exterior [ Além do Planeta Silencioso, Perelandra e Aquela Força Medonha] que está disponível em Portugal. Nesses livros o espírito angelical protetor da Terra, o Oyarsa do nosso planeta, membro da raça dos Eldils , correpondente aos Ainur ou aos Valar, era justamente o caído e seu nome era Tellus ou Thulcandra
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Melkor was not just a local Evil on Earth, nor a Guardian Angel of Earth who had gone wrong: he was the Spirit of Evil, arising even before the making of Eä. His attempt to dominate the structure of Eä, and of Arda in particular, and alter the designs of Eru [which governed all the operations of the faithful Valar], had introduced evil, or a tendency to aberration fromthe design, into all the physical matter of Arda.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Para que houvesse o Mal Absoluto da concepção maniqueísta ou gnóstica na Mitologia Tolkieniana seria preciso começar com uma FUSÃO entre Melkor e a Noite Primordial, seria preciso que o Corpo e a Alma estivessem unificados numa única entidade .</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    O que é, então, o corpo do Vazio? Se Ungoliant é a sua personificação dentro dos Círculos do Mundo que características dela são resultado das propriedades inerentes ao Caos?
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    O que compõe o “Vazio” é a própria Matéria da Escuridão que dentro de Eä se manifesta sob a forma da Antiluz, algo que podemos chamar de protomatéria porque contém a matéria que forma o Universo mas com seus elementos todos mesclados e fundidos num todo disforme e caótico. A protomatéria das Trevas, dentro da estrutura do Espaço-Tempo [ ou seja em Eä] só pode existir drenando a essência do Fogo Secreto.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Por esse motivo, Ungoliant tem uma fome insaciável por Luz, que uma vez sorvida será convertida em Antiluz que nada mais é do que a parte mais “volátil” , menos condensada da própria Ungoliant, o excedente com a qual ela pode capturar mais Luz [ urdindo suas teias de Trevas] mas que, se emanado em excesso, pode acabar por sufocá-la, privando-a do seu alimento. Vê-se então que Ungoliant é um ser preso em uma cadeia circular, num círculo vicioso. Ela precisa absorver Luz para sobreviver mas ao fazê-lo ela cresce e libera cada vez mais Antiluz fatos que a obrigam a drenar mais e mais.</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    <<<VIVIA ravina assumiu forma uma aranha monstruosa tecia as suas negras teias numa fenda das montanhas. Aí sorveu toda a que conseguiu encontrar teceu-a depois em redes de asfixiante negrume, até não poder entrar mais luz na sua morada; e estava esfaimada.>>>
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    <<<IN as a ravine lived, took shape spider monstrous form, weaving black webs cleft the mountains. There sucked up all that find, spun it forth again in dark nets of strangling gloom, until no light more could come to her abode; and she was famished.>>></P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Isso é uma característica do Mal tolkieniano que tende a se auto-aniquilar. Ele é vítima de uma” loucura niilista” [ niilismo é uma corrente de pensamento que se traduz na supressão do próprio ser, na aniquilação da qual a palavra procede] que nos termos do próprio Tolkien tende a reverter a criação a um estado informe de Caos. É por esse motivo que Lúthien Tinúviel hipnotizou Melkor fazendo com que ele sonhasse com a Noite do Vazio, o estado de plena potencialidade que antecede à criação, o Caos primitivo a partir do qual ele almejava recriar o Universo consoante os seus desígnios. Ela deu a ele uma imagem perfeita do seu maior desejo, tornado palpável.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Do texto Myths Tranformed do HOME 10, “Morgoth`s Ring”:</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Isso era puro niilismo, e negação era o seu meta principal: se tivesse sido vitorioso, sem dúvida Morgoth no fim teria eliminado suas próprias “criaturas”, tais como os Orcs, quando eles tivessem servido ao seu único propósito: a destruição de Elfos e Homens. O desespero e a impotência finais de Melkor residiam nisso: que enquanto os Valar [ e , no seu nível Elfos e Homens] pudessem ainda amar Arda Desfigurada, ou seja Arda com um ingrediente Melkor, e pudessem ainda curar essa ou aquela ferida, ou produzir a partir da própria desfiguração, iniciando do proprio estado em que ela se encontrava, coisas belas e dignas de amor, Melkor não poderia fazer nada com Arda, a qual não era proveniente da sua própria mente sendo entremeada com o trabalho e com os pensamentos de outros: mesmo que tivesse podido agir como lhe aprouvesse ele poderia apenas continuar a destruir até que tudo estivesse reduzido novamente a um caos informe. E mesmo assim, ele ainda teria sido frustrado, porque ela teria ainda “existido” independente da sua própria mente, e um mundo em potencial.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    This was sheer nihilism, and negation its one ultimate object: Morgoth would no doubt, if he had been victorious, have ultimately destroyed even his own "creatures", such as the Orcs, when they had served his sole purpose in using them: the destruction of Elves and Men. Melkor"s final impotence and despair lay in this: that whereas the Valar [and in their degree Elves and Men] could still love"Arda Marred", that is Arda with a Melkor-ingredient, and could still heal this or that hurt, or produce from its very marring, from its state as it was, things beautiful and lovely, Melkor could do nothing with Arda, which was not from his own mind and was interwoven with the work and thoughts of others: even left alone he could only have gone raging on till all was levelled again into a formless chaos. And yet even so he would have been defeated, because it would still have "existed", independent of his own mind, and a world in potential.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Caso deseje saber mais sobre o Niilismo o leitor vai encontrar informações muito úteis e esclarecedoras num ensaio presente nessa página</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    </P>
    <P class=CorpoTexto><FONT color=#aaaaaa>
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    </FONT>O link específico é esse abaixo</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto><FONT color=#aaaaaa>
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    </FONT>De Béren e Lúthien, cap 19 da Quenta no Silmarillion</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Toda a sua corte adormeceu e todas as foqueiras esmoreceram e se apagaram, mas os silmarils da coroa que Morgoth tinha na cabeça brilharam subitamente com uma radiância de chama branca; e o peso dessa coroa e das suas pedras preciosas curvou-lhe a cabeça, como se o mundo estivesse em cima dela, carregado com um peso de cuidados, medo e desejo*, que nem a vontade de Morgoth podia suportar. Então Lúthien agarrou na sua vestimenta alada e saltou para o ar, e a sua voz desceu como chuva em charcos profundos e escuros. Passou a sua capa diante dos olhos dele e mergulhou-o num sonho negro como o Vazio exterior onde ele em tempos caminhara sozinho.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    * “medo e desejo” outra referência à ambivalente obsessão de Melkor com a Luz do Poder Criativo de Eru Ilúvatar, o Fogo Secreto.Essa Luz tem sua expressão mais pura nas Árvores e só subsiste dentro dos Silmarils que aliás foram consagrados por Varda.</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    All his court were cast down in slumber, and all the fires faded and were quenched; but the Silmarils in the crown on Morgoth"s head blazed forth suddenly with a radiance of white flame; and the burden of that crown and of the jewels bowed down his head, as though the world were set upon it, laden with a weight of care, of fear, and of desire, that even the will of Morgoth could not support. Then Lúthien catching up her winged robe sprang into the air, and her voice came dropping down like rain into pools, profound and dark. She cast her cloak before his eyes, and set upon him a dream, dark as the outer Void where once he walked alone.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Nesse abismo selvagem, seio da natureza,e talvez seu túmulo, nesse abismo que não é nem mar, nem terra,nem ar, nem fogo, mas todos esses elementos misturados nas suas causas fecundas, que devem lutar sempre assim, a menos que o todo poderoso-criador ordene aos seus negros materiais que criem novos mundos ; nesse abismo selvagem, Satanás, o cauteloso inimigo, mantém-se à beira do inferno, contempla-o algum tempo, refletindo sobre a sua viagem...John Milton Paraíso Perdido, Livro II, tradução de Conceição G. Sotto Maior. Clássicos de Ouro-Ediouro- pág 52.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoBold>
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    Dualismo Complementar: O Verdadeiro Dualismo Tolkieniano</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Vemos, portanto, que levadas às suas últimas conclusões, a Teologia Tolkieniana sugere que O Mal Absoluto inexiste. O que existe é o Caos do qual a ordem da criação pode florescer uma vez que ele é imbuído com a Luz do Fogo Secreto. A Noite Primordial da qual Ungoliant é um “avatar” nada mais é do que a Potencialidade para o Ser ainda carente de “Alma” aqui entendida como o Dom da existência individual, que é a dádiva do Fogo Secreto mediante a qual as coisas que vão existir são individuadas e isoladas. Dentro do “Vazio”/ Caos as coisas estão “confundidas”.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    A outra manifestação do Mal no Tolkien é a vontade destrutiva de Melkor, seu desejo niilista que em última instância busca a negação do Ser, o Vazio, a Noite Primordial porque ele contém o potencial para dar início a uma nova Criação.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Ambos esses tipos de Mal são complementos para o Propósito de Ilúvatar, no caso do Vazio porque ele nada mais é que a Sombra projetada pela Luz de Ilúvatar, é a medida pela qual sua existência se define, o Ponto Zero que serve para aquilatar a sua materialidade. Já os impulsos destrutivos de Melkor foram assimilados pelo terceiro tema de Ilúvatar, então, mesmo os acordes mais triunfantes da discórdia de Melkor foram “entretecidos no seu solene padrão” de sorte que, por exemplo, se Ulmo não pensara na neve , no trabalho artístico da geada ou na altura e glória das nuvens de par com a queda da chuva na Terra”, tais coisas passaram a existir quando “Melkor pensou em frio e calor imoderados”. Os próprios Filhos de Ilúvatar que foram introduzidos no Terceiro Tema não teriam existido como tais se não fosse pela Dissonância criada por Melkor.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    E Ilúvatar falou a Ulmo e disse “ Não vês tu como aqui, neste pequeno reino das profundezas do tempo, Melkor abriu guerra contra o que era província tua ? Ele pensara em frio agreste e imoderado, e , contudo, não destruiu a a beleza das tuas fontes, nem das tuas claras lagoas. Vê a neve e o artístico trabalho da geada! Melkor imaginara calores e fogo sem moderação, mas não secou o teu desejo nem silenciou completamente a música do mar. Deves olhar é a altura e a glória das nuvens e as névoas sempre a mudar e escuta a queda da chuva na Terra. E nessas nuvens és levado para mais perto de Manwë, teu amigo, a quem amas.”
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    E Ulmo respondeu: “Em verdade, a água tornou-se agora mais bela do que o meu coração imaginara, e tampouco o meu secreto pensamento concebera o floco de neve, nem em toda a minha música estava contida a queda da chuva. Procurarei Manwé para que ele e eu possamos fazer eternamentee melodias para teu deleite!” E Manwë e Ulmo foram desde o princípio, aliados e em todas as coisas serviram fielmente o propósito de Ilúvatar.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    And Ilúvatar spoke to Ulmo, and said: "Seest thou not how here in this little realm in the Deeps of Time Melkor hath made war upon thy province? He hath bethought him of bitter cold immoderate, and yet hath not destroyed the beauty of thy fountains, nor of my clear pools. Behold the snow, and the cunning work of frost! Melkor hath devised heats and fire without restraint, and hath not dried up thy desire nor utterly quelled the music of the sea. Behold rather the height and glory of the clouds, and the everchanging mists; and listen to the fall of rain upon the Earth! And in these clouds thou art drawn nearer to Manwë, thy friend, whom thou lovest."
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Then Ulmo answered: "Truly, Water is become now fairer than my heart imagined, neither had my secret thought conceived the snowflake, nor in all my music was contained the falling of the rain. I will seek Manwë, that he and I may make melodies for ever to my delight!" And Manwë and Ulmo have from the beginning been allied, and in all things have served most faithfully the purpose of Ilúvatar.</P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Pois os Filhos de Ilúvatar só por ele eram imaginados; vieram com o terceiro tema e não constavam do tema proposto por Ilúvatar ao princípio e nenhum dos Ainur participara na sua criação.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    For the Children of Ilúvatar were conceived by him alone; and they came with the third theme, and were not in the theme which Ilúvatar propounded at the beginning, and none of the Ainur had part in their making. </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Então vemos que na mitologia Tolkieniana tudo leva a crer que há na verdade uma forma abrandada de Dualismo Complementar em que o Mal é a disparidade entre as partes que contribui para a harmonia do todo. Em religiões de dualismo complementar é reconhecida a existência dos opostos mas eles são contraditórios e complementares. Assim é a noção defendida principalmente nas religiões orientais como o Budismo e o Taoismo.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    No Tolkien esse dualismo complementar é temperado por influências do dualismo antagonístico que Tolkien herdou do Zoroastrismo e do Maniqueísmo uma vez esses últimos tiveram uma notável influência na teologia Judaico-Cristã..
    <HR>
    </P>
    <P class=CorpoTextoBold>
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    Origens do Mal e Livre Arbítrio. O Mal é inevitável?


    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Uma última questão sobre a qual é necessário fazer alguma consideração. Até que ponto o Mal de Melkor seria derivado da Noite do Vazio e até onde ele seria proveniente de um mau uso do legado do próprio Ilúvatar? Se uma parte do “mal’ de Morgoth foi herdado de Eru isso implicaria que Melkor é destituído de livre-arbítrio?</P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Novamente vamos ter que comparar a noção da origem do Mal em dois momentos distintos da criação mitológica de Tolkien
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTexto>
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    Na versão original da Canção dos Ainur constante do The Book of Lost Tales [ HOME I] </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    Contemplai vosso coral e vossa música! No mesmo instante em que vós a tocastes por minha vontade ela tomava forma, e olhai!. Agora mesmo o mundo se desdobra e sua história se inicia como fez o meu tema em vossas mãos. Cada um irá encontrar dentro do desígnio que é meu os adornos e aformoseamentos que ele mesmo criara, e , até mesmo Melko irá descobrir aquelas coisas que ele pensou conceber a partir seu próprio coração e fora de harmonia com a minha mente, e ele irá descobrir que eles são tão somente uma parte do todo e tributários de sua glória.
    <HR>



    </P>
    <P class=CorpoTextoItalico>
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    "Behold your choiring and your music! Even as ye played so of my will your music took shape, and lo! even now the world unfolds and its history begins as did my theme in your hands. Each one herein will find co
     

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