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Uma contra-revolução silenciosa em curso na Europa

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Elessar Hyarmen, 28 Jun 2011.

  1. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    A nova Governança Europeia visa colocar sob maior vigilância os orçamentos nacionais para reforçar as sanções contra os estados em déficit excessivo e limitar o crescimento dos gastos públicos. O pacto para o euro visa aumentar a flexibilidade do trabalho para evitar aumentos de salários e reduzir os gastos com a proteção social. A Grécia está no seu terceiro plano no espaço de um ano e viu a sua dívida e o seu déficit crescerem ao ritmo do empobrecimento da população. O mesmo destino aguarda a Irlanda, Portugal e Espanha. O artigo é de Thomas Coutrot, Pierre Khalfa, Verveine Angeli e Daniel Rallet.



    Está para ser aprovado no Parlamento Europeu um pacote de seis propostas legislativas para uma nova política econômica da União Europeia. Enquanto isso, os governos europeus subscreveram em março um "pacto para o euro."

    Do que se trata? A nova Governança Europeia visa colocar sob maior vigilância os orçamentos nacionais para reforçar as sanções contra os estados em déficit excessivo e limitar o crescimento dos gastos públicos. Uma medida já tomada completa o dispositivo, o"semestre europeu", que pretende apresentar ao Conselho e à Comissão os orçamentos dos estados antes mesmo de serem discutidos pelos parlamentos nacionais. O pacto para o euro, seguindo a proposta Merkel-Sarkozy de estabelecer um pacto de competitividade, visa, nomeadamente, aumentar a flexibilidade do trabalho, para evitar aumentos de salários e reduzir os gastos com a proteção social.

    Essas medidas são tomadas em nome de um argumento de aparente bom senso. Os Estados não podem pedir ajuda à União se não houver regras. Mas, na ausência de qualquer debate democrático sobre as políticas econômicas a adoptar, as atuais medidas acabam por enfraquecer os parlamentos nacionais em benefício dos Ministérios das Finanças e da tecno-estrutura europeia. E de que ajuda se trata? Os montantes emprestados pela União são obtidos nos mercados a juros relativamente baixos e emprestados aos Estados que estão em dificuldades a taxas de juros muito mais elevadas. É o povo que paga o preço mais alto com a implementação de planos de austeridade drástica, arruinando qualquer hipótese de recuperação económica. Prova disso é o exemplo patético da Grécia, agora no seu terceiro plano no espaço de um ano, que viu a sua dívida e o seu déficit crescerem ao ritmo do empobrecimento da população. Enquanto isso, os bancos podem continuar a refinanciar-se junto do Banco Central Europeu (BCE) com taxas ridículas, e a emprestar aos estados com juros muito mais altos. Assim, em fevereiro, as taxas a dois anos para a Grécia ultrapassaram os 25%. Não são as pessoas que recebem ajuda, são os bancos e os bancos europeus, em particular!

    O mesmo destino aguarda agora a Irlanda, Portugal e a Espanha. Mas todos os países europeus são confrontados com o mesmo tratamento. Os governos, o BCE, a Comissão e o Fundo Monetário Internacional (FMI) usam a purga social como os médicos de Molière usavam a sangria. Numa Europa de economias totalmente integradas, onde os clientes de uns são os fornecedores de outros, tais medidas levam a uma lógica recessiva e, portanto, a uma redução das receitas fiscais que vai alimentar ainda mais os défices. Socialmente desastrosas, são economicamente absurdas.

    Mas, dizem-nos, não havia outra opção. É preciso "assegurar os mercados.” Reconhecemos aqui o argumento final, o famoso "Tina", que foi, a seu tempo, empregue por Margaret Thatcher: "There is no alternative." Na verdade não há alternativa, se continuarmos a submeter-nos aos mercados financeiros. Este é o ponto cardeal e o ponto de partida de qualquer política. Como tal, para a votação do Parlamento Europeu marcada para junho, esperamos que os partidos da esquerda europeia se recusem claramente a votar em propostas com consequências dramáticas para a população.

    É possível – e hoje é indispensável – uma verdadeira ruptura: ela vai consistir não em "tranquilizar os mercados", mas organizar o seu desarmamento sistemático, começando por lhes retirar o primeiro instrumento de chantagem, a possibilidade de especular com as dívidas públicas. Antes da crise, a origem da dívida estava na queda de receitas devida aos benefícios fiscais feitos às famílias mais ricas e às empresas. No momento da crise financeira, os Estados foram forçados a injetar quantidades maciças de liquidez na economia para evitar que o sistema bancário entrasse em colapso e que a recessão se transformasse em depressão. A explosão dos déficits tem, portanto, as suas raízes no comportamento dos operadores financeiros que são a causa da crise.

    As dívidas públicas são, em grande parte, ilegítimas e, portanto, uma auditoria pública da dívida permitirá decidir o que será reembolsado ou excluído. O BCE deverá poder, sob supervisão democrática europeia, financiar os déficits públicos conjunturais. Uma reforma fiscal ampla, tanto em nível nacional como europeu, permitirá encontrar espaço de manobra à ação pública. Tais medidas requerem, portanto, vontade política para romper com o domínio dos mercados financeiros sobre a vida econômica e social. Esta vontade política, de momento, não existe. Será preciso impô-la. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, falou de uma "revolução silenciosa" a propósito das medidas tomadas pela União Europeia. Preferimos falar de contra-revolução, mas, ao passo que Durão Barroso rejubila, nós só podemos lamentar o quase-silêncio, especialmente da França, sobre estas questões que são, no entanto, capitais. Como gritam os manifestantes da praça Puerta del Sol: "Não é uma crise, é uma ladroagem." Essas políticas encostam a União Europeia à parede: está na hora de inventar outra coisa.

    (*) Thomas Coutrot, co-presidente da Attac França; Pierre Khalfa co-presidente da fundação Copérnico; Verveine Angeli, sindicalista; Daniel Rallet, sindicalista. Publicado no jornal francês Libération, em 7 de Junho de 2011.


    Fonte:
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    Realmente a União Européia passa por mudanças que a olho nú ressoa como um grito de um monstro prestes a atacar.

    França e Alemanha são os grandes mantenedores de remessas de dinheiro ao grupo. Parece que não aguentam mais ficar como estão nesse jogo de credor com os demais países.

    A Grécia está condenada, vai para o terceiro pacote que a meu ver é praticamente impagável e está seguindo uma cartilha conhecida do FMI, como redução de salários, aumento dos juros e demissões em massa.

    Infelizmente a Irlanda, Portugal e Espanha seguem para o mesmo caminho, desses três, a Espanha é a que melhor camufla a realidade local.
     
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  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Alguns economistas estão prevendo uma bolha como a de 2 anos atrás vinda do ocidente ou por causa da China, talvez a partir de 2013 (tomara que não venha). Na bolha passada os especuladores localizados no lugar errado do mercado, forçaram os americanos a aumentar o rigor econômico e agora os Europeus estão as voltas com os próprios especuladores dando as cartas aonde não deveriam desejando também aumentar o rigor econômico que já se mostra nos problemas com fronteiras e na preocupação alemã e francesa. Se o freio americano não resolveu o problema totalmente o Europeu também dá mostras de que não tem solução completa ainda.

    Em todos os países participantes do pós-segunda-guerra a geração pós-guerra (anos 50, 60 e 70) não foi substituída a contento para prosseguir reformas e evoluir políticas. Há verdadeiros vazios político-culturais na Europa de hoje, com sinais de perda de identidade e foco econômico.
     
    Última edição: 28 Jun 2011
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  3. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Portugueses e espanhóis certamente estão sentindo calafrios e muito medo só de pensar na possibilidade de voltar os tempos em que eles eram considerados os "pobretões" da Europa e a Grécia não ficava muito atrás também. O que fico mais surpreso é ver a Irlanda figurando nessa situação na atualidade.

    E todos esses países afetados tem o turismo como uma fonte importante de receita principalmente a Grécia que tem muita história e ilhas paradisíacas. Se porventura essa crise for um motivo a mais pra afugentar os turistas, eles perderão muito dinheiro e aí a situação se agrava ainda mais.
     
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  4. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    E a situação é muito grave mesmo, várias crises financeiras em pouco tempo. O governo argentino (que recentemente sofreu com uma crise idêntica) sugeriu qua a Grécia não pague tais dívidas (dar o cano) para respirar aliviada e resolver esse problema estrutural com as próprias pernas.

    E quem sofre é a população, que fica a mercê da UE e FMI obrigando a cortar gastos (que muitas vezes é importante tais gastos), demitindo funcionários e privatizando.

    Veja a matéria abaixo que complementa a situação:


    Foto:

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  5. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Essa é a pior parte, esses não são gastos, mas sim investimentos, num estado a proteção social é importante, os bancos que sifu, deve-se ajudar a população, não os bancos.
     
  6. Corsário de Umbar

    Corsário de Umbar Corsário de Umbar

    A situação realmente está péssima para os gregos, acho que a pior já vivida por eles.

    O ruim disso é que outros estados membros da União Européia estão passando por dificuldades além dos já citados acima.

    Estes países são a Romênia e Bulgária, que a meu ver ainda passam por problemas estruturais de grande escala e que no futuro podem dar dor de cabeça a UE.
     
  7. ExtraTerrestre

    ExtraTerrestre Usuário

    É uma das coisas não-democráticas que todos os governos do mundo têm: nenhum povo do mundo jamais escolheu dever, pagar impostos, realizar certos acordos diplomáticos e cooperações militares, privatizar ou estatizar emrpesas, dentre outras coisas.

    O povo não tem nenhum controle sobre aquilo de mais estratégico de um país, e acaba sempre pagando o maior preço.

    E eu discordo do pessoal de extrema esquerda sobre muitas coisas, mas numa eles têm inteira razão: o atual sistema privatiza o lucro e socializa os prejuízos.
     
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  8. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Essa frase é sensacional.
     
  9. Excluído045

    Excluído045 Banned

    De fato, descrição perfeita e verdadeira.
     
  10. Está chegando a hora de levar a cabo a revolução e caminhar para o tão falado Plano de Transição. É mais do que uma questão ideológica, é uma questão de sobrevivência, pois é inconcebível que milhares de pessoas paguem o preço do prejuízo financeiro de poucos, e os levantes populares são um sintoma desta insatisfação com a situação.

    No entanto, duas correntes me preocupam: a extrema-direita, na figura de militares, xenófobos, neo-nazi-fascistas e até alguns grupos religiosos mais conservadores, que procura nessas horas a repressão, supressão de liberdades, censura e outros meios mais escusos (os golpes militares na América Latina durante a Guerra Fria são excelentes exemplos); e, de outro, os stalinistas, que tentarão mais uma vez usurpar as demandas populares e trair o ideal de uma sociedade mais igualitária e justa, em prol de um aparelho viciado sem interesse de evoluir no sentido de almejar a auto-gestão da sociedade, e centrado na figura de um "Grande Irmão", um líder que não deve nada em matéria de crueldade aos integrantes do primeiro grupo citado.

    Estou acompanhando os levantes na Europa e a Primavera Árabe com muito interesse.
     
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  11. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    O filme de Michael Moore Capitalismo: Uma História de Amor é muito bom e toca nesse assunto.

    A extrema-direita é mesmo muito perigosa, como você disse as ditaduras latino-ameicanas são ótimos exemplos delas, e Stalin traiu o movimento comunista, véio, ele nunca foi comunista, foi mais O Grande Irmão mesmo.
     
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  12. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Bla bla bla.
    Ia ser mesmo muito diferente se Trotsky tivesse chegado ao poder.
     
  13. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Talvez, a culpa do que aconteceu não é do comunismo e sim dos comunistas.
     
  14. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Bem, talvez. Agora não vou entrar na questão da crítica ou da defesa do marxismo aqui, que é desvirtuar geral. Tô pensando em criar um tópico sobre marxismo pra isso.
     
  15. ExtraTerrestre

    ExtraTerrestre Usuário

    Penso que às vezes (e sem pensar ainda em alguma mudança mais profunda) é melhor deixar que as empresas insolventes quebrem de uma vez, mesmo que isso resulte numa crise muito maior.

    Pelo menos isso gera um certo darwinismo: companhias que adotaram estratégias equivocadas de negócios e de acesso a crédito afundam, servindo de forca para que as outras não caiam na mesma coisa. E o sistema tem alguma chance de ficar mais robusto.
     
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  16. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    Ou seja, de acordo com as palavras do escritor Thomas Hobbes, ele foi um grande representante do
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  17. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Eu ainda não li esse livro, mas por essa descrição, sim, ele seria aquele que engole tudo, todos os possíveis adversários.
     
  18. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    Não só os adversários nato, mas o próprio povo.
     
  19. Excluído045

    Excluído045 Banned

    O povo, a religião, os costumes, a moral, as instituições, a sociedade toda.
     
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  20. Almáriel

    Almáriel Die Sonne

    A Itália e a Espanha já estão endividadas, e a França, que estava segurando melhor, começa a se enrolar. A União Européia está em risco... Esta crise indica que a Europa não é mais a mesma, sem mencionar o ressurgimento de uma ultra-direita conservadora. No entanto, acredito que crises como essa são cíclicas, nunca vão parar de acontecer enquanto vivermos no capitalismo, que sai mais fortalecido de cada uma delas. Sem querer entrar mais nesse tópico, espero que os governos europeus possam segurar esse momento de uma forma mais humana do que através de demissões em massa e cortes nos serviços necessários à população.
     
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