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um poeta

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Luciano R. M., 26 Abr 2009.

  1. Luciano R. M.

    Luciano R. M. vira-latas

    Eu vi uma poeta sem braços que escrevia com o pé esquerdo
    e seus poemas eram os mais tristes que eu podia imaginar.
    Foi ela quem me apresentou à escultora cega que destruía todas
    as suas estátuas porque elas eram todas frias ao tato.
    Eu era apenas um garoto. Não entendia nada do que diziam.
    Só pensava que eram cativantes e entrevia as possibilidades eróticas
    de tais mulheres aparentemente bizarras.

    E foi tomado por essa dupla paixão que, aos nove anos de idade,
    escrevi meu primeiro poema.
    Era um poema autobiográfico e contava sobre minha mãe - figura trágica da América Latina e seus piores anos.
    Era um poema trágico e contava sobre meu pai - amigo de ovnis e vítima
    da ideologia em seu aspecto mais belo e mais imbecil.
    Era um poema de humor e contava sobre meus irmãos - dois abduzidos
    e um que ainda não nascera que viria a ser o melhor detetive do mundo
    (quase tão bom quanto Simenon, sem dúvida melhor que Poirot e Holmes).
    Acima de tudo era um poema autobiográfico e de paixão
    em que eu contava sobre mim e como cometi suicídio
    dois anos antes (portanto, quando eu tinha sete anos de idade
    e pouco mais de um metro de altura), quando li o último poema
    da poeta sem braços.
    Era o poema mais triste do mundo, e sua última linha dizia
    "E ela nunca mais latiu". Eu nunca soube sobre o que se tratava.
     

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