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Um novo escurecer: Sangue e balas de goma.

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Breno C., 2 Nov 2008.

  1. Breno C.

    Breno C. Usuário

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    Depois de um desentendimento com a visão que o mundo tem sobre algumas lendas, resolvi escrever uma série de contos/textos/poemas/poesia (já deu para entender que é qualquer coisa né?) sobre nossos mitos e lendas ocidentais. Sem pretensão!
    Postando aqui no meia, porque a opinião de alguns de vocês me interessa muito. :timido:
    Então deixem suas opiniões...
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    Todo ser humano já nasce sabendo que existe uma pequena faixa que separa a realidade da imaginação. E nesse limiar, entre o real e o irreal, que nós, homens de imaginação fértil, desenvolvemos os lendas que o ser humano irá carregar pelo resto de sua porca existência na face do grande globo azul. Um dos meus temas preferidos para as lendas são os vampiros, afinal, nada melhor que usar um ser quase humano para colocar medo nos próprios humanos não é verdade?
    A primeira história que irei contar é sobre um vampiro neófito residente na cidade mais movimentada do mundo, Nova Iorque. Leiam e aproveitem bem, porque agora o limiar entre a realidade e a imaginação acaba de ser transgredido...
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    Eram oito e meia quando Derick se levantou da cama e foi em direção ao banheiro de seu apertado e sujo apartamento. O jovem olhou para sua própria imagem no espelho riscado que fica encima da pia, assim como em qualquer outro apartamento naquele prédio velho e cheio de infiltrações. Ele sabia que havia algo de errado em sua face, mas não podia dizer o que era. O cabelo ainda era o mesmo arrepiado e negro como a noite, os olhos também estavam em perfeito estado, com sua marca roxa recorrente de uma briga que tivera com um dos seguranças do Striper´s Hotss. Então levou a mão à boca, havia um gosto estranho em sua garganta, era como se tive bebido litros de soro hospitalar de uma só vez. Perguntou-se se havia dormido no hospital mais uma vez em coma alcoólico e teria até acreditado nessa possibilidade se não lembrasse que havia sido trazido para casa pela garota de cabelos verdes que havia encontrado no bar na noite anterior. Lembrar dela também não era uma boa saída, porque hoje em dia com tantas drogadas ladras só esperando um otário como ele para roubar a carteira, ela não seria a melhor lembrança da noite que estava começando, descobrir que havia sido roubado também não era uma coisa de se ficar sabendo.
    Derick andou de volta a sua sala/quarto e procurou a carteira encima da mesa que ficava no canto da parede junto a janela, e felizmente ela se encontrava lá também. Podia deixar o desespero de saber se havia transado com a estranha ou não para depois de uma sopa pré-pronta esquentada no microondas, mas não precisou esperar tanto, porque assim que se virou para caminhar até o armário de mantimentos, pisou em uma camisinha que não precisava de maiores vistorias a fim de confirmar seu uso. Mais uma vez havia transado com uma completa estranha, o álcool tinha esse efeito nele, mas pensou que dessa vez foi menos mal, pois havia usado camisinha. Continuou seu percurso até o armário, dirigindo-se logo em seguida para ao microondas que havia sido presente de sua querida mãe.
    A mãe de Derick era uma boa mulher segundo os próprios pensamentos dele. Ele não ligava que ela havia si prostituido durante seus primeiro cinco anos de vida, porque essa foi a única forma dela o sustentar e talvez a situação não tivesse mudado muito caso o John, seu padrasto, não a tivesse aceitado mesmo com seu passado não ortodoxo.
    “A vida no mundo moderno é boa”, penso, “em cinco minutos, temos uma bela sopa, como aquelas que aparecem nas propagandas de sábado de manhã”. Mas o que ele não sabia era o que estava esperando naquele momento, foi Derick colocar a colher com o liquido ainda quente na boca, que a maçaneta da porta começou a girar, barulho de chave acompanhava no movimento giratório. A porta se abriu e uma garota de cabelos verdes que aparentava ter mais ou menos dezenove anos passou por ela, era a mulher que Derick conhecera na noite anterior, ou pelo menos assim ele achava. Ela entrou e fechou a porta, trancando a logo em seguida. Andou até onde ele estava e só então pode perceber que ela carregava sacolas de mercado nas mãos. Ele não conseguia acreditar, mal conhecia a caveira de cabelos verdes e mesmo assim ela já estava fazendo compras para a casa, aquilo se não era hilário, era humilhante.
    - Oi! – havia sarcasmo na voz de Derick – Bom, acho que não nos conhecemos muito ainda. Nem ao menos sei seu nome e vejo que você já fez compras. Devo parecer um morto de fome. Qual o seu nome? Ou vou ter que te chamar de meninas dos cabelos dos cabelos verdes?
    - Você parece muito mais que um morto de fome. Magro desse jeito nem sei como pode agüentar tanto ontem a noite. – ela não olhou para ele enquanto retirava as coisas e colocava na mesa.
    - Nossa! Quanta agressividade senhorita cabelos verdes, mas acho que essa não é a forma certa de me tratar em minha própria casa...
    - Primeiro pode me chamar de Cibele. - Ela o interrompeu olhando diretamente em seus olhos de uma forma ameaçadora - E segundo que essa casa não é mais sua, agora ela me pertence assim como você.
    Derick queria acreditar que havia um tom de brincadeira na voz daquela mulher, mas não pode achar esse tom, então concluiu que essa era mais uma das tantas loucas com quem havia tido uma transa casual, logo a melhor coisa que poderia fazer era colocá-la para fora o mais rápido possível dispensando honrarias desnecessárias. Mas não foi bem isso que aconteceu. Ela continuou olhando para os olhos dele de uma forma que denunciava o quanto era perigosa. Ele se levantou da cadeira e começou a ir em direção aquele figura de cabelos verdes que ainda tinha espinhas na cara, mais uma vez pensou em qual seria a real idade dela, agora que estava mais próximo percebeu que ela poderia ser menor de idade e esse fato seria muito ruim caso um dos seus visinhos mais fofoqueiros a tivesse visto entrar no apartamento. Já estava decidido a segura-la pelo braço para “gentilmente” guiá-la até a saída quando em uma fração de segundo ela percorreu a distancia que havia entre seus corpos e o pegou pelo pescoço levantando logo em seguida até que ele batesse com a cabeça no teto baixo.
    - Escuta aqui seu idiota. – a voz dela não era mais humana, talvez não fosse uma voz fácil de classificar. Se você tentar tocar em mim mais uma vez, juro que vou te dar a pior morte que você pode ter. Considere-se um sortudo por eu não ter te prendido no banheiro ou não ter te drogado mais. Se você ainda está vivo é porque eu sou piedosa. – terminou a frase o jogando para o canto da sala, perto da pia da cozinha.
    A dor na nuca era grande e visão ficou um pouco embaçada, porém Derick pode se levantar e pegar a faca que estava em cima da pia. Não pensou direito na hora, só sabia que aquilo que estava ali de pé não era humano. Foi direto na direção da cabeça verde, com a faca empunhada para o alto, pronto para desferir um golpe, o que realmente não seria muito inteligente, afinal de contas era assassinato. Mas Derick só deu uma facada no ar, a garota já não estava mais ali, foi então que sentiu uma presença as suas costas e logo depois mais uma forte dor na nuca. O mundo foi se apagando e deixando de ser solido, Derick estava desmaiando.

    Continua...
     
  2. Breno C.

    Breno C. Usuário

    continuação...

    O mundo foi voltando aos poucos, primeiros os vultos coloridos, depois a imagem turva; sempre é nessa ordem, Derick sabia muito bem não era a primeira vez que o faziam apagar, só a fraqueza do momento em questão que o assustava, nunca acordara de um desmaio e se sentira tão fraco assim. Agora os olhos já haviam voltado ao normal, só o ouvido que ainda zumbia como se mil abelhas tivessem se instalado no canal auditivo e também uma pequena dor na base do pescoço o incomodava. Olhou bem para todos os lados e a cena era a seguinte: a cozinha de Derick com sua mesa e suas quatro cadeiras, na cadeira da frente estava sentada a dama de cabelos verdes tomando algo vermelho vivo com um canudinho; o chão ao lado dela estava lavado de sangue; um cheiro de podre se encontrava por toda a parte e ele, estava amarrado em uma cadeira. Fazendo as contas, subtraindo as dores e tirando o triste fato de suas mãos estarem em uma posição desconfortável, tudo ainda estava como antes.

    - O que você fez comigo sua vadia? – apenas colocou uma frase interna para fora, mas o silencio ficou no ar durante os segundo em que ela bebia seu “líquido” vermelho com o canudinho transparente.
    - Sabe, você humanos são bem engraçados, como você pode me xingar estando ai amarrado? É esse tipo de atitude que eu não entendo. – ela sorria com os dentes sujos com aquela coisa vermelha que estava bebendo.
    - Vou perguntar mais uma vez e de vagar: o que... você... fez... comigo... sua vadia? – Derick não podia descer do cavalo, mesmo na situação que se encontrava.
    - Simples, estou me alimentando e você desde ontem! – ela abriu um dos sorrisos mais vermelhos que já foram dados dentro daquela cozinha enquanto levantava o copo com o líquido vermelho.
    - Você o que? Mas que porra é essa no seu copo? Eu to de saco cheio de você já! Me desamarra dessa porra agora ou se não eu quebro a sua cara! Ahh Que porra de dor é essa no meu pescoço? – gritar ajudou a libertar um pouco da tensão que estava passando pelo corpo dele. A última pergunta não precisou ser respondia, bastou que ele mesmo olhasse para baixo e visse que sua camisa estava tomada de sangue que obviamente escorria de seu pescoço. – Quem é você? O que você fez comigo? – ele agora chorava.
    - Engraçado, vocês sempre choram. A cinto e setenta e dois anos eu faço a mesma coisa e sempre vejo vocês chorando quando descobrem que tem alguma coisa de muito errado. Olha, vamos combinar algumas coisas, está bom? Eu sabia que você ia concordar. Bem... eu quero muito que você entenda o que está acontecendo, e estou sendo sincera, mas não gosto quando você me chama de vadia, não é legal, entende? Então vamos combinar que daqui para frente você vai deixar de me chamar assim. Também sabia que você ia concordar com isso. Agora faça suas perguntas e eu irei responde-las, se puder é claro. – ela foi calma, muito calma.

    O que perguntar? Essa era uma grande questão no momento, mas mesmo assim, só uma pergunta se repetia na cabeça de Derick: “O que você fez comigo?”, então achou melhor perguntar isso mesmo, porque também na havia com ter certeza se a resposta seria sincera.

    - Ta bom! Agente vai conversar né? – o choro havia parado, mas a voz de Derick ainda estava meio alterada. Me diz o que você fez comigo, por favor!
    - Essa eu já respondi, mas vou responder de novo só porque você está sendo educado. Eu estou realmente me alimentando de você. Talvez você ainda não tenha percebido, mas isso no meu copo é seu sangue assim como aquilo no chão e na sua cama lá no quarto, que foi aonde eu abri os buracos no seu pescoço e depois te costurei. Não sei se você já percebeu mais eu sou uma vampira.
    - Como assim você é uma vampira? – Derick teve que adicionar um tom de sarcasmo em sua voz, não podia acreditar. Quer dizer, uma vampira, daquelas que chupa sangue? Que tem dentes pontudos? Problemas com alho e luz do sol? Por favor, não me faça rir, doe muito quando eu começo a rir. – Mas no fundo seu medo estava crescendo, ele agora tinha certeza de que ela era maluca.
    - Não estou aqui para te fazer rir! – ela voltou a olhá-lo com aquele expressão de quem pode matar só com uma caneta, seu sangue gelou. Não estou de brincadeiras Derick, eu sou mesmo uma vampira. Essas coisas que você falou sobre os vampiros, bem... nem todas são verdades.
    - O que, por exemplo? Vai dizer que vocês não virão morcegos. – havia mais ironia em sua voz do que ele havia calculado, mas só mais uma vez ela o fitou com seu temido olhar que diz “não estou de brincadeira” e o sangue parou mais uma vez.
    - Você não é capaz de imaginar o que podemos fazer, mas também há coisas que não podemos, como andar de dia. Boa parte do que você leu sobre nós é puro mito, não morremos apenas com estacas no coração, muito pelo contrario, somos tão frágeis quanto vocês humanos. Basta que você nos faça sangras e começamos a ficar fracos, porém para vocês o maior problema é nos atingir, já que somo mais rápidos que o melhor de vocês e sim, podemos nos transformar, mas não em morcegos. Um vampiro pode muito bem colocar seu lado animal para fora, o que não é a coisa mais bonita de se ver, mesmo para mim que faço parte disso tudo, essa seja talvez a coisa mais grotesca que podemos fazer, eu mesmo só liberei meu lado animal uma única vez e nem queria, fui forçada a fazê-lo. E é fato que alguns de nós nutre certos hábitos alimentares diferentes, uns não tomam sangue humano, outros só bebem sangue humano e a quem prefira comer alimentos humanos, eu mesmo sou uma apaixonada por balas de goma, sou capaz de comer sacos e mais sacos e balas de goma. – a conversa estava deixando de ser surreal para ser ridícula.
    - Quer dizer então que, além de se alimentar do meu sangue você se alimenta de balas de goma? Nossa! Você realmente me surpreende. Agora deixa eu adivinhar: você está me contanto tudo isso porque vai me transformar em um de vocês, porque de alguma forma louca se apaixonou por mim e por isso não poderia simplesmente me deixar morrer, então vai oferecer seu sangue para me transformar. – dessa vez o deboche da voz de Derick era mais que visível, era insuportável.
    - Acho que não é tão simples assim jovem Derick. – ela se levantou e começou a dar a volta na mesa, fica bem atrás dele. Eu já tenho cento e cinqüenta anos e ainda não entendi direito como nos transformamos no que somos, então fica um pouco difícil de lhe ajudar nesse raciocínio. O que eu sei é que para se transformar em um morto-vivo sugador de sangue, você tem que ter feito algo de muito ruim quando era humano, para que sua alma esteja perdida e nem mesmo o inferno a queira, mas uma pessoa covarde como você não pode ter feito nada tão dramático assim. – ela repulsou as mãos sobre a ferida no pescoço dele, ficou um minuta parada admirando sua presa e por final deixou que seus caninos se projetassem mais na boca e atacou o pescoço como se fosse o ultimo pedaço de carne existente na terra, abrindo novamente o ferimento e fazendo mais o sangue voltar a escorrer como uma cascata. – Agora escute Derick, você vai morrer lentamente sangrando porque ninguém se preocupa virá aqui ver como você está, e foi por isso que eu te escolhi como presa.

    Derick estava em um estado de torpor, mas ainda estava consciente do mundo ao seu redor. Viu a sua vampira andando de um lado ao outro da casa pegando o que podia de valor, não que houvesse muitas coisa à pegar. Não durou muito, logo ela estava no batente da porta dando um tchau com um sorriso incrustado no rosto que só agora ele foi perceber que era muito pálido. Quando ela bateu a porta, Derick sentiu que era verdade, iria morrer e nada podia impedir isso, mas na sua cabeça as últimas informações que a vampira havia dado ficavam ecoando como se estivessem em uma sala grande e vazia. Ele se perguntava se sua vida havia sido tão ruim assim, se havia feito algo que condenasse sua alma a um estado como o dela para o resto da existência do mundo, então simplesmente desmaiou. Mas não demorou muito para que acordasse com uma tremenda sede e uma vontade enorme de comer balas de goma.
     

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