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[TOLKIEN-BASED][Eriadan] O Pré-Nascido

Tópico em 'Fanfics Tolkienianas' iniciado por Eriadan, 5 Jun 2013.

  1. Eriadan

    Eriadan Bears. Beets. Battlestar Galactica. Usuário Premium

    A ideia dessa fic é antiga: com 12/13 anos de idade, eu cheguei a escrever um caderno inteiro, todo em Tengwar, vagueando na primitiva Arda através deste inusitado personagem. Recentemente, deu saudade, e quero voltar do zero, agora aprofundando mais o personagem e a própria história. Este capítulo é um prólogo. Ainda não sei se vou conseguir dar seguimento, mas queria ouvir a opinião de vocês!

    Não sinto mais a Música.

    É com esta tardia concepção que o meu espírito resoluto fraqueja, enfim. Vejo-me só num mundo que já não reconheço. Entre os seres que beberam da juventude dos seus ares, tornei-me a única presença física: a última a admitir-se alienígena ao que se transformaram estas terras que um dia se chamaram Arda.

    Sinto-me tolo. Quando o último dos elfos partiu, há muito já haviam pressentido a transformação substancial do mundo. Profunda era a ligação dos Primogênitos à Terra, mas não superior: eu estive aqui antes do despertar dos seus ancestrais, e, em vez de as estrelas, silhuetas fixadas além do firmamento, amei primeiro e desde sempre os elementos intrínsecos: o ar, a água, a terra, o fogo! Ó Arda, que desde os primórdios conheci, por que teimei que ainda a sentia

    É a minha própria identidade que responde: apesar de espírito antigo, tenho a humanidade em minha essência. Sou produto de dissonância na Criação, que me trouxe à existência antes da hora prevista em seus acordes. Apesar de exercer a vida através de corpo extraordinariamente resistente ao tempo, a exteriorização dos meus arbítrios é refém da matéria. Abandonar o mundo seria finalmente submeter-me ao elemento fundamental da vida humana: a morte.

    A compreensão enche-me de terror! Nesta hora, sinto-me mais homem do que jamais me senti em todos os milênios contados desde que vivo. Deixarei de ser dono do meu próprio destino? Se é que alguma vez o fui. A estranheza entre o meu ego e o exterior faz-me sentir descabido, inadequado, despropositado. Exauriu-se o meu porquê.

    Não é o amor pela Terra que aqui me prende, pois aquela que amei já não reconheço: é o medo da morte, à qual os demais espíritos dos Dias Antigos não estavam sujeitos, ao transcenderem. É irônico! O momento em que conhecerei o último aspecto da vida que faltava à minha sabedoria será o mesmo em que terei a vida ceifada. Na realidade, percebo, essa sempre foi a única condição para que qualquer mortal viesse a conhecê-lo, e aqueles a quem o Primeiro não concedeu tal dádiva jamais saberão.

    Enquanto divago, sinto o corpo desfalecer. O vento agita-se de repente, como que para ajudar a minha alma a se libertar.

    Pela primeira vez, remonto às minhas primeiras memórias. Quero lembrar-me de tudo o que vivi. Quero sorrir todas as alegrias e chorar todas as tristezas novamente. Quero repetir cada momento e as suas sensações, pois jamais voltarei a experimentá-las. Quero descobrir as minhas realizações, e o propósito por que vivi. Nessa hora, velho corpo, estarei pronto para deixar-te.

    Ah! Estou ouvindo a Música outra vez!...


     

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