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Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Társio, 6 Jul 2012.

  1. Társio

    Társio Usuário

    Joe enfrentava um ogro que soltava fogo pela boca. Para vencê-lo, era necessário – além de desviar das bolas de fogo mortais – pular para cima de uma plataforma móvel, conseguir pegar algumas das pedras que caíam inexplicavelmente do céu e as tacar na cabeça do ogro. Isso fazia parte do dia a dia de Joe. Isso e pular sobre buracos, brigar com pessoas desconhecidas, coletar moedas e salvar princesas. Joe jogou uma pedra especialmente grande no monstro e terminou o serviço. Suspirou aliviado, enquanto moedas se espalhavam onde antes havia um cadáver.

    Você deve achar que Joe adora a adrenalina de uma vida arriscada, mas não. Ele odiava tudo aquilo. Às vezes ele queria só ficar ali, parado, curtindo a paisagem ou voltar para casa e para sua família. O problema é que parecia haver uma força o atraindo para aventuras. Uma hora estava comendo café da manhã, lendo o jornal. Outra, estava enfrentando um gorila biônico, com uma espada sagrada na mão direita e uma princesa gorda na mão esquerda falando em como o reino dela o recompensaria. Bem, geralmente o reino dela estava muito feliz que ela estivesse com um monstro, em vez de ficar na cidade gastando o dinheiro dos impostos com pôneis e chás de cogumelo.

    Chegou a hora de dar um basta naquilo! Recuperar o controle. Joe decidiu, não faria nada dessa vez. Sentou-se e ignorou os comandos na sua cabeça com ordem de seguir em frente e pegar moedas. Ignorou, com muito esforço, até os pensamentos de pular em cima de uma criatura indefesa que passeava tranquilamente pelo gramado. Trincou os dentes e suou quando um coração valendo uma vida extra apareceu na sua frente. Tentou se concentrar no fato de que uma vida já dava trabalho demais.

    Fato provado mais do que certo ao ver um pterodátilo de duas cabeças aterrissar na sua frente. Uma das suas cabeças segurava uma princesa em suas mandíbulas. Joe olhou para o outro lado, fingindo não o ver.

    – Ei você – chamou o pterodátilo.
    – Quem, onde?
    – Aqui ó. Capturei a princesa.
    – Socorro – disse a princesa – Me ajude! Estou dois dias sem passar creme e a minha pele está ressecando.
    – E daí, o que vocês querem? – resmungou Joe.

    O pterodátilo não era muito bom para pensar em coisas, senão estaria em outro trabalho. A única resposta boa que lhe veio à mente foi:

    – Bem, sabe como é... eu capturei a princesa.
    – Bom para você.
    – Então, vamos brigar até a morte? Só não me segure pelo rabo, está bem. É o meu ponto fraco.
    – Lamento, ninguém vai segurar o rabo de ninguém.
    – Quê! – exclamou o pterodátilo.
    – Quê! – exclamou a princesa.

    Joe mudou de posição para não encarar os dois. E sorriu para a liberdade de fazer nada.

    ***

    Sentado no chão do quarto, os dedos apertando todos os botões coloridos e girando todos os direcionais de seu joystick, Luis procurava entender o porquê de seu boneco não fazer simplesmente nada. Era como se ver no espelho. E o jogo era novo e parecia rodar normalmente, exceto pelo seu boneco, sentado ali, prestes a tirar um cochilo.

    – Se mexe, caralho? – clamou em desespero.
    – Não, obrigado – falou Joe, do ecran da televisão.
    – Peraí, você fala?
    – Quando eu não estou matando algum monstro, sim. Também sei cantar muito bem. Gostaria de ouvir “hey Jude.”?
    – EU... Ei, por que você não está me obedecendo?
    – Na na na na nananaaaaaaaaaaa! Nanananaaa Hey Jude!
    – Para!
    – Olha, eu não obedeço a ninguém, tá legal? Se você quer viver aventuras, vai fundo! Eu quero aproveitar o ótimo dia que faz hoje.
    – Mas jogar video game é tudo o que eu faço. E a gente já tava zerando o jogo.
    – Bem, eu já vi o final algumas vezes. Não é muito recompensador. Só te dão os parabéns e entra uma tela preta.
    Luis deixou o controle cair de suas mãos frouxas. Fora vencido pelo próprio personagem. Sentiu-se reduzido a menos dimensões do que um jogo de 8 bits e ficou todo encolhido em sua cadeira. Teria que começar a sair de casa agora. Talvez até falar com garotas. Que fim cruel!
    – Hey, jude, don’t make it bad – cantou Joe, tentando animá-lo. Luis permaneceu em silêncio. Joe continuou. – Take a sad song and make it better…
    Mais silêncio. Joe fitou Luis a espera de algo, a espera de...
    – Remember to let her into your heart…- soou baixinho a voz sem ritmo e esganiçada de Luis.
    – Then you start...
    – and make it better. – completou Luis.

    E juntos eles cantaram todos os nananas e todos os hey jude e nunca mais houve game over na casa de Luis.
     

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