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The One Ring: uma crítica às traduções do poema de Tolkien

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Cappadocius, 14 Dez 2008.

?

Qual das duas traduções do poema você achou mais legal/interessante?

  1. A tradução da Publicações Europa-América

    21,1%
  2. A tradução da Martins Fontes

    78,9%
  1. Cappadocius

    Cappadocius Usuário

    Eu não sou nenhum tradutor, nem portador de nenhum certificado de inglês, portanto convido todos que se interessarem a discutir a questão da tradução desse poema que é tão importante para O Senhor dos Anéis (mesmo que eu fosse um tradutor e/ou possuísse algum certificado de inglês a discussão ainda seria válida pois através dela podemos melhorar nossas conclusões).

    Abaixo está a minha crítica às duas traduções a que tive acesso (não conheço nenhuma outra que tenha sido feita por uma editora e públicada em livro), caso alguém tenha acesso a alguma outra e possa postá-la seria interessante somar mais uma a essa análise.

    "Três anéis para os Reis Elfos debaixo do céu,
    Sete para os Senhores dos Anões nos seus palácios de pedra,
    Nove para os Homens Mortais condenados a morrer,
    Um para o Senhor das Trevas no seu negro trono
    Na Terra de Mordor onde moram as Sombras.
    Um anel para a todos dominar, um anel para os encontrar,
    Um anel para a todos prender e nas trevas os reter
    Na Terra de Mordor onde moram as Sombras."
    -TOLKIEN, John R. R.. O Senhor dos Anéis, A Irmandade do Anel, Publicações Europa-América.

    "Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
    Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
    Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,
    Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
    Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
    Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
    Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
    Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam."

    -TOLKIEN, John R. R.. O Senhor dos Anéis, São Paulo: Martins Fontes, 2003.

    "Three Rings for the Elven-kings under the sky,
    Seven for the Dwarf-lords in their halls of stone,
    Nine for Mortal Men doomed to die,
    One for the Dark Lord on his dark throne
    In the Land of Mordor where the Shadows lie.
    One Ring to rule them all, One Ring to find them,
    One Ring to bring them all and in the darkness bind them
    In the Land of Mordor where the Shadows lie."


    -TOLKIEN, John R. R.. Avaiable from world wide web:
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    Eu não sou nenhum tradutor, mas vou dar minha opinião sobre qual das duas versões (A = a mais antiga / B = a mais recente) se aproxima mais do original.

    Verso 1: A, pois o poema não denomina o céu (esse ou aquele), ele se refere ao céu de modo geral, "do céu" está mais próximo de "the sky". "este céu" estaria mais próximo de this sky (o céu no Norte do Japão e no Sul do Brasil é diferente, as estrelas e constelações que se podem observar são diferentes, então existe este e aquele céu, mesmo que eles formem um só céu). Além dessa questão existe a questão da maiúscula "Three Rings" / "Três anéis" / "Três Anéis", ele não se refere a 'simples' três anéis, são Os Três Anéis Élficos (Narya, Nenya e Vilya), a maiúscula traz um maior grau de especificidade que esta presente no original.

    Verso 2: A/B(?), nenhum dos dois está assim tão bem traduzido e eles não tem a desculpa de fazer essas modificações para tentar copiar a rima presente no original, pois eles optaram por suprimi-la em valorização do significado. Eu acho que "Senhores-Anões" é claramente mais próximo de "Dwaven-Lords" que Senhores dos Anões, o significado de certo modo é o mesmo, porém eu acho que quanto mais próximo do original melhor a tradução. Em relação à "halls of stone" ambas estão 'imperfeitas', mas para mim "rochosos corredores" está mais afastado do que "palácios de pedra", "halls" seriam salões e ouso dizer que no poema seriam os grandes salões dos anões (que estão em suas fortalezas/palácios), definitivamente não se refere a seus corredores.

    Verso 3: A, a tradução B tenta 'poetizar' o poema dando à sina do homem um tom 'mais belo'. Porém "condenados a morrer" é uma tradução bastante precisa de "doomed to die". O único pequeno problema com a tradução seria o artículo "os", o original diz "Nine for (the) Mortal Men" e nisso a tradução B é mais precisa "Nove para (os) Homens Mortais", sobre este problema uma outra 'versão' do poema contem o artigo "the" que então eliminaria o problema da tradução A e a passaria à B, peço que alguém que tenha o original em inglês (no formato de livro mesmo) comente e esclareça a questão. Ainda acho que a tradução A está melhor por se aproximar mais do original.

    Verso 4: B, a tradução B se aproxima mais do original em "escuro trono" do que "negro trono" (negro é uma interpretação de dark, mas ele estaria mais ligado a black). Ambas as traduções optam por não traduzir exatamente o título de Sauron: "Dark Lord", creio que uma boa tradução seria Senhor Escuro, eu acho que todas as traduções (A, B e a minha) tem uma boa relação com o que se deseja passar no original, creio que a minha seria ligeiramente mais precisa (o Senhor Escuro não necessariamente é o Senhor da Escuridão [o que pode passar uma idéia de controle sobre o objeto, que Sauron de certo modo tinha, porém é questionável se pode-se dizer que ele a domina, eu diria que existem vários Senhores da Escuridão mas apenas um Senhor Escuro. Os Senhores da Escuridão, na obra de Tokien, são interpretados por mim como os causadores de um grande mal que trazem a escuridão para os corações dos outros, de certo modo os Nazgûl seriam Senhores da Escuridão, mas essa é uma interpretação pessoal da expressão e sua ligação com a obra]), porém em termos estilísticos eu acho que as outras se encaixam melhor pela 'sonoridade'.

    Verso 5: B, ambas estão corretas elas apenas fazem diferentes interpretações dos possíveis significados de "lie" (estar / deitar), porém "moram" mesmo que tenha o mesmo significado se distancia um pouco mais da tradução precisa do termo ao qual ela pretende se relacionar, enquanto "deitam" é o mais próximo do significado que eles tomaram. Ambas interpretações levam a um mesmo entendimento, a diferença é estilística. Pode-se pensar também sobre a ordem das palavras "where the Shadows lie" / "onde moram as Sombras" / "onde as Sombras se deitam", nesse sentido a B também está mais próxima, mas a questão não é tão importante nesse sentido (creio eu), pois a inversão da ordem em inglês deixaria a excerto muito mais estranho do que essa mesma inversão em português (presente na tradução A).

    Verso 6: B, aqui é uma questão importante (na minha opinião) a que torna a tradução B melhor. A questão da maiúscula quando se referida ao Um Anel (e não ao um anel), essa ênfase na importância e na singularidade do Anel é fundamental ao poema e a todo o resto da obra. A B também está melhor na tradução do termo "rule" para "governar", que está mais próximo do que "dominar", mesmo que eles impliquem na mesma idéia nessa situação. E eu só faria uma pequena modificação na tradução de "One Ring to rule them all" para "a todos governar/dominar", creio que "para governá-los a todos" ficaria melhor, pois "them" se refere a pessoas específicas, novamente uma questão de estilo e não de significado.

    Verso 7: B, claramente a tradução da Martins Fontes está melhor nesse verso. "One Ring to bring them all" é muito diferente de "Um anel para a todos prender", prender se relaciona a "bind" um termo usado posteriormente no verso, "bring" está muito bem traduzido em "trazer". Além dessa questão novamente se repete o problema da maiúscula. A questão do sentido não se altera tanto de um para o outro (afinal você assume que para prender alguém você tenha trazido ele), mas mesmo assim a aniquilação da primeira metade do verso e a opção por algo que se configura como uma repetição da segunda metade em seu lugar é uma grave violação do poema (na minha opinião).

    Verso 8: B, pelas mesmas razões que o Verso 6 já que eles são iguais.

    Bom, ai está: espero que possa gerar uma discussão interessante.

    P.S.: Acho que quem entrou neste tópico deve ter percebido um pequeno erro na enquete: "fosse" era para ser "você", bom ai está a correção, mas acho que mesmo sem ela ainda é possível entender a pergunta (deve ter sido o cansaço).
     
    Última edição: 14 Dez 2008
    • Ótimo Ótimo x 3
  2. Snaga

    Snaga Usuário não-confiável!!!

    Eu conheço pouco (nada) de inglês, mas alguma coisinha deu pra pegar do poema original. Dessa forma eu vi que a tradução EA parece ser bem mais fiel ao original.

    Entretanto a tradução da MF dá um tom mais "épico" ao poema. Troca palavras do vocabulário comum por algumas menos comuns.

    Mas eu gostei dos versos sobre o Um da EA:
    "Um anel para a todos dominar, um anel para os encontrar,
    Um anel para a todos prender e nas trevas os reter"

    Ah, enfim... eu estou só comentando. Não entendo nada de traduções.
     
  3. Fuinithil Draug

    Fuinithil Draug Astrônomo amador

    A tradução Europa-América se aproxima mais do original.
    No entanto, a tradução Martins Fontes deu um tom mais épico e um tanto sombrio ao poema.
    A Martins Fontes, apesar de alguns erros, em certas partes traduziu muito bem a obra de Tolkien.
     
  4. TorUgo

    TorUgo a.k.a. Tortoruguito...

    Eu estava a escrever uma resposta bastante longa mas fui interrompido e terei de sair!... Volto de tarde ou à noite e posto!

    Afinal! É necessária uma opinião portuguesa sobre as duas traduções, visto que elas são as duas para públicos diferentes e que até agora, apenas uma parte (os brasileiros) opinou neste tópico!

    Me esperem! :P

    ;D
     
  5. Cappadocius

    Cappadocius Usuário

    Na minha opinião eu não acho que a da Martins Fontes ou a da Publicações-América seja melhor ou pior, o que eu quero dizer com isso é que é uma questão de gosto, pois não é somente a proximidade estilística com o original que valoriza uma tradução mas também a capacidade de passar o mesmo sentido e emoção que o original pretende passar, para isso realmente uma tradução para o português deve (sentido de dever e não de probabilidade) mudar do Brasil para Portugal, ou para Angola (ou qualquer outro país de língua portuguesa).

    Espero anciosamente por seu comentário Torugo :mrgreen:

     
  6. Deriel

    Deriel Administrador

    Há mais uma
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    (anterior inclusive à tradução de Portugal):

    Aos Reis Elfos sob o céu três Anéis são;
    Sete para os Lordes Anões,
    Abrigados em seu salões;
    Nove para o Homem: a morrer condenado;
    Ao Lorde Negroi Um, em seu trono sentado,
    Na Terra de Mordor onde as sombras vão repousar.
    Um Anel para achá-los, para todos governar,
    Um Anel para reuni-los e para, na treva, os atar
    Na Terra de Mordor onde as sombras vão repousar.
     
  7. JPHanke

    JPHanke Usuário

    Excelente tópico!! Gostei da comparação! Eu gostei mais deste trecho da edição da Europa-América

    Mas já da 'primeira parte', prefiro a tradução da Martins Fontes mesmo!

     
  8. Elendil

    Elendil Equipe Valinor

    Concordo contigo, Cappadocius! Se eu tivesse entrado em contato pela primeira vez com a tradução da Europa-América, estaria agora dizendo que para mim essa é a melhor. Como estou familiarizado com a da Martins Fontes, prefiro essa, e ainda por concordar com os colegas em relação ao tom "épico".
    Mas, no fundo, as duas e mais essa muito estranha (:mrgreen:) da Arte Nova que o Deriel postou acima, mantêm a essência do verso original, pelo menos com relação a "aquilo que o verso quer dizer". E isso todos nós entendemos, independente das preferências.
     
    Última edição: 14 Dez 2008
  9. Cappadocius

    Cappadocius Usuário

    Nossa, essa tradução muda muita coisa em relação ao estilo(mas, como sempre, mantem em traços gerais o sentido)! Eu não sei, mas imagino que talvez a tradução seja assim pela época em que foi traduzida (afinal a arte de traduzir é aprimorada conforme o tempo passa)...mas eu não sou nenhum estudioso sobre traduções, talvez alguma outra pessoa possa ter mais informações. Provavelmente ela é posterior a 1954, se não me engano é nesse ano que se faz a primeira 'tradução' (não sei se eles chegaram a editar o texto ou se simplesmente publicaram ele aqui, mais provável que tenham publicado) de O Senhor dos Anéis na América, mais especificamente nos E.U.A..

    Deriel você sabe o ano dessa edição?

    - Pós Edição -

    A agora eu percebi que tinha um link para um artigo sobre aquela tradução.

    Ummm.. publicado entre 1974 e 1979.

    "A Valinor está preparando para publicação uma série de artigos sobre a Edição Artenova, a qual atualmente é virtualmente desconhecida apesar de ser a primeira, além de ser caçoada pelos que a conhecem, devido às opções de tradução, que nos soam estranhas, porém há método nas mesmas... mas isso é história pra outro artigo."
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    Bom, com certeza serão interessantes esses artigos.
     
    Última edição: 14 Dez 2008
  10. Deriel

    Deriel Administrador

    Clica ali no link que eu coloquei =] É do início da década de 1970

    Repare que é a única que tenta seguir alguma métrica de rima. O original é ABABACCA
     
  11. Cappadocius

    Cappadocius Usuário

    Verdade, eu não tinha reparado nisso, só tinha dado uma olhada rápida mesmo. Essa ficou AABBCCCC eu acho, mas realmente agora eu acho que ela tem um grande mérito :D. Eu sou fã de poemas, e eles terem conseguido manter o sentido e ainda fazer uma rima, não igual,isso seria realmente difícil, se é que seria possível, é um grande ponto pra eles.

    Mas o melhor é tentar ler o original mesmo :mrgreen:
     
  12. Grahan

    Grahan Sim, eu me divérto

    Achei muito interessante a discussão, não entendo nada de inglês, mas as explicações e posições expostas pelo Cappadocius foram feitas com maestria, realmente muito interessante.
    Eu, analisando tuas colocações, concordo com elas, porém, não acho que elas interfiram no contexto do poema original. Não por eu entender o que está em inglês (realmente entendo muito pouco), mas é que nas três versões (as duas que apresentaste no tópico-abre e a que o Deriel lembrou) falam a mesma coisa, em outras palavras, unicamente. Embora, é claro, algumas palavras se encaixem melhor com o texto original que outras.
    Concordo com a afirmação que aversão da MF parece mais épica, mas como também já disseram, talvez isso porque estamos mais acostumados com essa versão. E por fim, queria registrar que o primeiro verso da MF ("Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu") não me dá a entender que é um céu localizado. "Sob este céu", ao meu ver, é sob o céu do mundo, sob o céu que vivemos, só que numa versão mais "poetizada", como assim se mostrou toda a tradução nessa versão.
     
  13. Cappadocius

    Cappadocius Usuário

    Eu concordo com você nesse aspecto, eu também quando li não achei que fosse um céu específico, eu só estou mostrando a diferença dessa tradução pro original: ela possibilita uma outra interpretação enquanto o original diz claramente 'O' céu (é uma questão bastante sutil). Mas como eu disse todos as versões passam a mesma idéia e consequentemente não atrapalham o entendimento da história.

    PS.: Sobre "este céu" deixar mais poético do que "o céu": eu não acho que faça muita diferença, essa questão está mais presente na tradução da Martins Fontes para "doomed to die" (verso 3).
     
    Última edição: 14 Dez 2008
  14. A da Europa-América é uma tradução mais fiel.( gramaticalmente falando)
    A da Martins Fontes é mais bonita, deixou o poema mais "sofisticado", não seria essa a palavra certa.Eu acho que combinou mais com o SDA, e toda sua história...grandeza, nobreza etc.
     
  15. Ulca

    Ulca Usuário

    São frases como "fadados ao eterno sono" que me fazem preferir a tradução da MF. O "condenados a morrer" é mais simples e direto, sem aquela embromação que deixa o poema mais bonito, embora faça sentido.

    Como não entendo nada de poemas e traduções, eu diria que a versão européia combinaria mais num texto em prosa do que em versos.
     
  16. Cappadocius

    Cappadocius Usuário

    Eita, mas por que? Nem todo poema precisa ser super poético, e eu creio que o poema seja bastante bonito. Ainda mais se vc considerar a rima dele.
     
  17. Tywin Lannister

    Tywin Lannister Já fui Nómin e Baldwin

    Ai é que se nota as diferenças entres o nosso portugues e o vosso... para mim, a versão da Europa-América é muito mais épica e sombria

    E desculpem, mas vão ter de concordar; a da Publicações Europa-América é infinitamente mais fiel ao original que a da Martins-fontes
     
    Última edição: 14 Dez 2008
  18. Ulca

    Ulca Usuário

    Achei legal a rima na parte do Um. Mas o resto eu não acho tão bom quanto o da MF. Mas é opinião de um leigo.

    Nesse poema, o uso de palavras menos comuns e o uso de um certo eufemismo (morrer / eterno sono) o deixa, na minha opinião, mais poético. Concorda mais com o contexto da obra.

    Há também a parte "Senhor do Escuro em seu escuro trono", em que a repetição da palavra escuro dá um certo ritmo ao poema. Que " Senhor das Trevas no seu negro trono" não tem.

    São preferências minhas, que podem parecer equivocadas por eu não entender do assunto. :obiggraz:
     
  19. Cappadocius

    Cappadocius Usuário

    Ulca eu tinha entendido errado o que você quis dizer. Eu pensei que ao falar européia você se referia ao original (Inglaterra). Meu erro, e eu não tenho preferência quanto a uma ou outra tradução. Eu gosto bastante dessa mudança de "doomed to die" para "fadados ao eterno sono", mas a parte "rochosos corredores" é broxante.

    Eu não acho, eu acho que ambas tem mais ou menos um mesmo grau de fidelidade ao original. Eu concordaria com a Portuguesa ser mais fiel se les tivessem posto as devidas maiúsculas, pois eu considero isso bastante importante.

    PS.: Nenhuma dessas duas versões (Martins Fontes, Publicações Europa-América) tem rima. Ao não ser na mesma linhas, que foi à que você (Ulca) se referiu em relação a tradução Portuguesa eu acho.
     
    Última edição: 14 Dez 2008
  20. Gerbur Forja-Quente

    Gerbur Forja-Quente Defensor do Povo de Durin

    Interessante a discussão, e toda essa "fidelidade" com o texto original.

    AInda assim, dependendo da mudança que traz a tradução o texto pode ganhar maior profundidade.

    Por exemplo no verso dos homens... apesar de "condenados a morrer" ser mais próximo literalmente de "doomed to die", penso que "fadados ao eterno sono", ficou muito mais poético, pois não entrega logo de cara à condição dos homens, é preciso pensar um pouco para perceber que os homens estão fadados ao eterno sono porque eles estão condenados à morte (eterno sono). Além disso, fica mais sonoro, pois rima no verso seguinte "Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono" com "escuro trono".

    Fazendo um paralelo das traduções literárias com a versão cinematográfica (que não deixa de ser uma outra tradução, uma vez que um texto de uma linguagem da literatura será adaptado há um texto de uma linguagem cinematográfica), lembro da cena do filme em que Frodo derruba o Anel (com "A" maiúsculo, rs) na montanha de gelo. Quem recupera o Um é justamente Boromir e essa cena deixa bem claro a reação de cada um dos personagens ao Um e ao fato de Boromir tê-lo pego. Mostra Boromir enfeitiçado, quase num transe só ao olhar para o Anel, mostra Aragorn segurando o cabo de sua espada caso Boromir se recusasse a devolvê-lo e Frodo ansioso para recuperar seu "precioso".

    Na versão literária essa cena nunca ocorreu. O professor sempre deixou implícito essa impressão, mas nunca chegou a explicitá-la de fato. A versão cinematográfica fez isso de uma maneira magistral. Penso que não é porque não estava escrito que não devemos considerá-la ou considerá-la inferior apenas por isso, embora possa ser considerada inferior por outros motivos, não por este.

    Mesmo na mitologia existem várias versões para a mesma história. No caso de Helena de Tróia, por exemplo, existe uma versão dessa história em que ela se mata! Acreditam? Não poderia haver nada mais romântico, entretanto, não é a versão mais conhecida.

    Eu trabalhei esse ano com crianças em idade pré-escolar, e contava histórias para elas. Um dia resolvi inverter a forma como eu contava, e então entreguei o livro primeiro para elas e elas deveriam me contar a história do livro (mesmo sem saber ler as letras), através da leitura que elas faziam das ilustrações e depois eu contaria a versão do autor. Achei muito interessante essa experiência, por vários motivos, um deles foi o fato das crianças não aceitarem a versão do autor, porque a primeira versão que elas conheciam da história era aquela que elas tinham inventado, e a versão do autor a segunda versão que elas tinham ouvido e, portanto, era falsa, ou como eles disseram "não valia". Lembrei dessa experiência ao ler esse tópico.
     
    Última edição: 15 Dez 2008

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