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Terra Media Critica a Industria?

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Trodun Barâk, 13 Jan 2013.

  1. Trodun Barâk

    Trodun Barâk Usuário

    Olá pessoal.

    Neste topico quero debater,sobre a Terra Media.

    Não sei sa algumas pessoas sabem mais.No Senhor dos Aneis da para perceber uma critica a industria.
    Porfavor alguem que entenda mais do assunto comente ai. :yep:
     
  2. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Questão complicada essa. É provável que Tolkien tenha inserido algumas críticas em relação ao consumo desenfreado e ao aumento da carga de trabalho dos operários em passagens como a destruição das florestas de Eriador pelos númenoreanos na Segunda Era para a construção de navios cada vez maiores e das árvores de Fangorn na divisa de Isengard durante a Guerra do Anel.

    Mas como o Professor deixava claro, não eram analogias ou alegorias tal como eram os textos de Leaf by Niggle; que lamentava o fim da fantasia no início da Revolução Industrial e cujos contos já não atraíam mais a atenção das pessoas.
     
  3. Lindoriel

    Lindoriel Saurita Catita

    Pra mim havia uma certa crítica sim. O "Expurgo do Condado" se parece todo com uma crítica a isso.

    Pessoas como Tolkien, que nasceram num século que nem automóvel tinha, e que viveram todo esse "boom" do século XX, devem ter estranhado mesmo. O mundo delas literalmente virou de cabeça para baixo.
     
  4. Tar-Mairon

    Tar-Mairon DARK LORD AND LOVING DAD

    .

    O Professor era um tanto tecnofóbico (apesar de gostar de máquinas de escrever), sim.

    Isto fica bem claro em "O Hobbit".

    .
     
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  5. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    É possível que exista um alerta na história. A revolução industrial foi muito marcante na Europa (especificamente Inglaterra) e dizem que Londres já fora uma das cidades mais sujas do mundo.

    Cenários que misturem guerra e concentrações enormes de pessoas sob condições insalubres nas áreas industriais das cidades foram comuns na primeira metade do século 20. (um grande problema urbano europeu)
     
    Última edição: 14 Jan 2013
  6. Gerbur Forja-Quente

    Gerbur Forja-Quente Defensor do Povo de Durin

    Cara, para mim a crítica de Tolkien em relação à indústria é evidente.

    Em vários momentos ele critica a indústria, como os que os colegas citaram acima.

    Para mim o ápice dessa crítica é Saruman. Quando o mago derruba metade da floresta para servir de combustível para suas forjas, Barbárvore fica puto. Ele fica muito chatedo a ponto de convocar os entes para uma batalha, coisa que não acontecia desde a Primeira Era. Nessa passagem Barbárvore diz frases fortes como: "Um mago deveria saber das coisas" e também: "Não existe maldição em élfico ou entês, ou nas muitas línguas dos homens para uma traição dessas". No Expurgo do Condado, Saruman industrializa a região e a enche de moinhos, rodas e engenhocas, e o Condado fica feio, cinza e triste. Outra metáfora que coloca a industrialização como vilã é o fato de Saruman quebrar a cor branca e começar a se vestir com sua túnica colorida e passar a se chamar de Saruman, de Muitas Cores. Sobre isso Gandalf diz: "Aquele que quebra alguma coisa para descobrir seu funcionamento deixou o caminho da sabedoria".

    E além de Saruman, podemos identficar a crítica à indústria no próprio conceito dos personagens e lugares da Terra-Média. Por exemplo, qual a raça mais inventiva? Os orcs. Por mais inventivos que possam ser os homens, elfos e anões, para mim ninguém supera os orcs. Olha quantas máquinas eles constroem para tentar quebrar as defesas dos Povos Livres! Você nunca vê os orcs na natureza, eles sempre aparecem com fogo, fumaça e rodas. Eles constroem torres de cerco, escadas com correntes, aríetes elaborados, etc. São verdadeiros arquitetos, engenheiros da destruição. Em oposição a eles estão os elfos: Totalmente ligados à natureza, vivem sempre em florestas ou em vales. Enquanto as armas dos orcs são suas máquinas, as armas dos elfos são a sabedoria e a própria natureza. Os Povos Livres se protegem buscando a sabedoria e conselhos de Elrond. Quando acontece o acidente de Pippin com o palantir, Gandalf começa a cantar as músicas de tradição para tentar descobrir mais sobre o palantír. E quando os nazgûl chegam próximos aos limites de Valfenda a própria natureza protege a região, com a inundação do rio que destrói temporariamente os cavaleiros negros. Além disso temos os ents que são a manifestação física da natureza. Quando Théoden chega com os rohirrim para salvar Minas Tirith sitiada no dia sem aurora, um fio do sol consegue rasgar as nuvens de feitiçaria de Sauron e iluminam Théoden e seu escudo que desce correndo à frente de seus exércitos chegando a ser comparado com Oromë. Então as armas do bem é a natureza e o conhecimento, enquanto o que arma o mal é a indústria.

    Outro exemplo disso é o conceito de lugar ideal ou vida ideal. Para mim, Tolkien deixa claro que o jeito certo de se viver é como os hobbits: pés descalços, vida pacífica fumando seu cachimbo, cultivando a terra e as coisas que crescem. O melhor lugar é o Condado, sempre cheio do riso das crianças, da terra verde, as pequenas colinas, etc. Bucólico como só o Condado sabe ser. Em oposição ao Condado está Mordor, sempre cinza, cheio de fumaça, lá os orcs são escravos e trabalham sem parar em suas máquinas. Barad-dûr, a torre de Sauron é imensa, uma obra-prima da engenharia. Na Montanha da Perdição está a forja de Sauron, onde ele criou o Um Anel, o poder representado fisicamente e como uma arma do mal.

    Então para mim Tolkien é bem natureza. Não é a toa que o principal herói de O Senhor dos Anéis é um representante dos camponeses: Frodo Bolseiro. Toda vez que aparece um personagem ligado a natureza, ele é bom. Quando o personagem, como Saruman, começa a construir e industrializar, ele se corrompe e fica mau. Isso porque na Terra-Média, a indústria é má. Ela destrói e transforma a terra de uma maneira ruim. Os bons são os camponeses, como Tolkien diz logo no começo de O Senhor dos Anéis, quando ele fala dos hobbits:

    "E naquele tempo eles se tornaram tão importantes quanto renomados e atrapalharam as deliberações dos Sábios e dos Grandes" e também: "Quando os sábios tropeçam a ajuda costuma vir das mãos dos fracos e dos pequenos".

    Não é a toa que outro grande herói do livro é o "escudeiro" de Frodo: Samwise Gamgi. Espere, mas ele não é escudeiro. Qual é a profissão dele mesmo? Jardineiro. Ele é o jardineiro do Frodo e sem ele o próprio Frodo diz que jamais teria conseguido chegar muito longe do Condado. Podemos filosofar um pouquinho até em cima do nome desse jardineiro: Samwise. Se "wise" é sabedoria, então Samwise seria: "Semi-sábio", certo? Ora, se ele é semi-sábio então ele é chucro. E é assim que as pessoas ligadas a natureza se parecem para nós das grandes cidades: chucros. Não é mesmo? Mas no fundo nós sabemos que eles não são chucros. Eles têm uma sabedoria que é só deles, uma sabedoria do campo. Alguns conseguem dizer se vai chover só de ouvir o cantar dos pássaros. Já viram isso? É mágico. Só quando nós deixamos as cidades e vamos para uma fazenda é que percebemos o quanto nós esquecemos das coisas da natureza, como a indústria nos mudou e nos deixou vulneráveis. A natureza pica, suga, coça, molha, incomoda. Na natureza nós é que somos os jacus. E Tolkien sabia muito bem disso e é por isso que em sua mitologia a força e o bem estão na natureza e nos ligados a ela. Indústria é coisa dos orcs.
     
    Última edição: 14 Jan 2013
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  7. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Fala-se bastante em aspectos da personalidade de Tolkien que ficaram cristalizados na confecção dos livros.

    Tolkien na qualidade de pai, na qualidade de marido e na qualidade de homem.

    Ele havia experimentado tempos perigosos e quando repassou as histórias para os filhos as orientações refletiram o aspecto de pai e do povo a que pertencia. De modo que apreciar jardins e proteger a (boa) natureza (porque existe também a má natureza) deve lhe ter parecido um valor a ser preservado.
     
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  8. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Apesar dos estragos provocados por Sauron e Saruman em SdA, nada se compara as transformações que Melkor promoveu em Arda durante sua contenda contra os Valar, vide a destruição da ilha Almaren com a queda das Duas Lamparinas; a captura do ex-Vala em Utumno que causaram uma devastação sem precedentes; a explosão das Thangorodrim que calcinaram Ard-Galen e seus habitantes na Dagor Bragolhac. E não nos esqueçamos do fim de Beleriand que levou parte das Montanhas de Lindon para o fundo do mar.

    E mesmo os homens de Númenor tem seu quinhão de culpa em Eriador e em sua própria ilha ao voltarem-se contra os Ainur e, de quebra, provocarem outro cataclismo que mudou a forma da T-m.
     
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