Hugo
Hail to the Thief
Equipe Técnica
Direção e roteiro: Glauber Rocha
Direção de fotografia: Luiz Carlos Barreto
Câmera: Dib Lutfi
Engenheiro de som: Aluizio Viana
Montagem: Eduardo Escorel
Comentários: Para quem pensa (como eu pensava) que o (bom) cinema nacional, só começou a existir depois de "Carlota Joaquina" está redondamente enganado. Este filme é um dos mais famosos do período conhecido como "Cinema Novo", sendo que o diretor foi o principal cineasta desta fase do nosso cinema. Agora vou colocar algumas palavras do próprio Glauber que definem este período: "(...) Onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura intelectual, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e as sua profissão a serviço das causas importantes do seu tempo, aí o haverá um germe do Cinema Novo. A definição é esta e por esta definição o Cinema Novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do Cinema Industrial é com a mentira e com a exploração. A integração econômica e industrial do Cinema Novo depende da liberdade da América Latina. Para esta liberdade o Cinema Novo empenha-se, em nome de si próprio, de seus mais próximos e dispersos integrantes, dos mais burros aos mais talentosos, dos mais fracos aos mais fortes. É uma questão moral que se refletirá nos filmes, no tempo de filmar um homem ou uma casa, no detalhe que observar, na moral que pregar: não é um filme mas um conjunto de filmes em evolução que dará, por fim, ao público a consciência de sua própria miséria."
Voltando ao filme: Ele foi feito durante o período da ditadura no país que durou cerca de 20 anos. O filme se passa em Eldorado, um país conturbado e cheio de problemas. Bem parecido com o Brasil da época (e pq não de hoje) e também com vários outros países da America Latina. O filme é bem caótico como o título sugere e fala principalmente de política, mas também sobram farpas para as elites, para a igreja e para o povo. O personagem central é Paulo Martins, um jornalista que faz várias críticas durante todo o filme contra o governador. Desta forma a denúncia está sempre presente, e também a sátira aos políticos em geral que inclusive permanece atual até os dias de hoje. É interessante ver a forma com que Glauber faz tudo isso. Pra começar o filme tem um linha descontínua, e em certos momentos chega a ficar confuso. A estética também é diferente e ficou conhecida como a "Estética da Violência", em que as imagens propunham mais do que mostravam e se tornavam insuportáveis a medida que o espectador ia recebendo tudo aquilo.
Por fim este depoimento, de 1967 ainda muito atual:
"Por ser um filme sem concessões, caotico, polêmico, feito sem a intenção de agradar a quem quer que seja, a ele e ao autor são lançadas as maiores acusações, reacionárias no mais amplo sentido da palavra. A visão do grande público brasileiro está condicionada, parada no tempo, acostumada a linguagem simplista, estacionada no "E o Vento Levou". Enquanto isso, "Terra em Transe" marca a divisão de duas épocas, e sua tentativa de criar uma linguagem nova chega a chocar, não é aceita de imediato.
(Luiz Carlos Barreto, co-produtor e diretor de fotografia à Folha de SP em maio de 67.)
Perto deste TERRA EM TRANSE, filmes como Cidade de Deus e Carandiru soam como "filmes pipoca".
Cotação:
Referência Virtual: FULERUS FILMES
Direção e roteiro: Glauber Rocha
Direção de fotografia: Luiz Carlos Barreto
Câmera: Dib Lutfi
Engenheiro de som: Aluizio Viana
Montagem: Eduardo Escorel
Comentários: Para quem pensa (como eu pensava) que o (bom) cinema nacional, só começou a existir depois de "Carlota Joaquina" está redondamente enganado. Este filme é um dos mais famosos do período conhecido como "Cinema Novo", sendo que o diretor foi o principal cineasta desta fase do nosso cinema. Agora vou colocar algumas palavras do próprio Glauber que definem este período: "(...) Onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura intelectual, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e as sua profissão a serviço das causas importantes do seu tempo, aí o haverá um germe do Cinema Novo. A definição é esta e por esta definição o Cinema Novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do Cinema Industrial é com a mentira e com a exploração. A integração econômica e industrial do Cinema Novo depende da liberdade da América Latina. Para esta liberdade o Cinema Novo empenha-se, em nome de si próprio, de seus mais próximos e dispersos integrantes, dos mais burros aos mais talentosos, dos mais fracos aos mais fortes. É uma questão moral que se refletirá nos filmes, no tempo de filmar um homem ou uma casa, no detalhe que observar, na moral que pregar: não é um filme mas um conjunto de filmes em evolução que dará, por fim, ao público a consciência de sua própria miséria."
Voltando ao filme: Ele foi feito durante o período da ditadura no país que durou cerca de 20 anos. O filme se passa em Eldorado, um país conturbado e cheio de problemas. Bem parecido com o Brasil da época (e pq não de hoje) e também com vários outros países da America Latina. O filme é bem caótico como o título sugere e fala principalmente de política, mas também sobram farpas para as elites, para a igreja e para o povo. O personagem central é Paulo Martins, um jornalista que faz várias críticas durante todo o filme contra o governador. Desta forma a denúncia está sempre presente, e também a sátira aos políticos em geral que inclusive permanece atual até os dias de hoje. É interessante ver a forma com que Glauber faz tudo isso. Pra começar o filme tem um linha descontínua, e em certos momentos chega a ficar confuso. A estética também é diferente e ficou conhecida como a "Estética da Violência", em que as imagens propunham mais do que mostravam e se tornavam insuportáveis a medida que o espectador ia recebendo tudo aquilo.
Por fim este depoimento, de 1967 ainda muito atual:
"Por ser um filme sem concessões, caotico, polêmico, feito sem a intenção de agradar a quem quer que seja, a ele e ao autor são lançadas as maiores acusações, reacionárias no mais amplo sentido da palavra. A visão do grande público brasileiro está condicionada, parada no tempo, acostumada a linguagem simplista, estacionada no "E o Vento Levou". Enquanto isso, "Terra em Transe" marca a divisão de duas épocas, e sua tentativa de criar uma linguagem nova chega a chocar, não é aceita de imediato.
(Luiz Carlos Barreto, co-produtor e diretor de fotografia à Folha de SP em maio de 67.)
Perto deste TERRA EM TRANSE, filmes como Cidade de Deus e Carandiru soam como "filmes pipoca".
Cotação:

Referência Virtual: FULERUS FILMES