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Terminei meu livro, mas preciso de opiniões antes de mandá-lo para publicação.

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Liev Pyta, 11 Jul 2012.

  1. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Após vários meses de edição terminei "Infausto" - o livro que vinha dedicando tempo, paralelamente aos estudos, nos últimos dois/três anos. Excluí muita coisa porque apesar desse material ausente ajudar a explicar muitos elementos, achei que lacunas inspiradas nas elipses usadas em filmes de diretores como Terrence Malick, combinariam mais com o estilo que pretendia. No entanto, temo que isso possa ter deixado a obra mais confusa e por isso preciso da opinião sincera de quem estiver disposto a lê-la, dar sua opinião sincera, sem brincadeiras ou trollagens.

    Quem tiver interesse pela obra e puder me ajudar, mande MP.


    =====================

    Descrição/Sinopse da obra:


    Infausto trata-se de uma espécie de Memória fictícia. Nela, a personagem principal recebe a mesma proposta do diabo da lenda de Fausto, mas diferentemente da versão de Goethe ela se recusa a cada investida do diabo, não por princípios religiosos ou morais, mas sim porque sua própria filosofia de vida determina que ele não tenha maiores aspirações ou vaidades.

    Durante esse processo ele passa a gostar da visita do diabo e acaba criando uma relação amistosa baseada num jogo retórico em que o diabo tenta convencê-lo que sua servidão traria benefícios para seu estilo de vida - estilo esse que a sociedade considera como ruim. Todavia, ele sempre acaba de alguma maneira encontrando algum elemento em seu estilo de vida para não aceitar aquela proposta de pacto com o diabo.

    Cada capítulo funciona de uma maneira multifacetada porque eles são construídos de maneira que se pode chegar a múltiplas interpretações. O exemplo máximo disso está no título do livro, Infausto, que significa infeliz em nosso idioma, ao mesmo tempo em que o in no latim transmite tanto uma idéia da negação de algo como também de um movimento para dentro. Quer dizer, Infausto, pode ser interpretado como um sujeito infeliz - a visão social - como também, alguém que simplesmente não quis ser Fausto por toda uma conduta baseada em seu estilo de vida. Mais ainda, alguém que apesar de negar essas características acaba tendo um Fausto dentro de si.
     
  2. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Fazendo uma leitura séria, que grau de qualidade tu atribui ao livro?

    Poste um trechinho pra galera saber mais ou menos como é a tua escrita e do que trata o livro.
     
  3. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Não saberia dizer o grau de qualidade, afinal como fui eu que desenvolvi a narrativa, pra mim tudo parece se encaixar e fazer sentido. Pra saber da qualidade que justamente preciso da opinião alheia, mas, imagino, que apesar dos erros de português, de lacunas que possam parecer confusas (porque cortei muito do material original), ele (livro) mantenha um bom nível para aquilo que pretendia.

    Sobre um trechinho, postarei o "prólogo".
     
  4. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Prólogo

    Talvez voar realmente não fizesse parte da natureza dos homens. Antes de imitar os pássaros era preciso entender toda a dinâmica por trás da ação do vôo e não simplesmente repetir seus movimentos. Mas como seria um homem capaz de aprender a voar contrariando sua natureza? Um estudo detalhado naquele exemplo mais próximo de seu contacto nos ajudaria a entender melhor as nuances do vôo, mas estudar os pássaros contraria a natureza do vôo, como um movimento espontâneo e natural.

    Esse equívoco provocou uma inversão de valores. Desde que os pássaros passaram a ser objetos de interesse da pesquisa de vôo, o homem - a partir do momento que aprendeu a contrariar as leis de Deus, ou, se preferir, a controlar as leis da física – começou a adotar sua filosofia de vôo, afastando-se cada vez mais daquele que por semelhança deveria ser lembrado.

    Minhas memórias são escritas nesse sentido. Num caminho que o homem deveria ter seguido, mas que por sua capacidade ignóbil de interpretar incorretamente os sinais, se afasta cada vez mais. Um morcego não sente culpa ao seguir seus instintos mais particulares, transmitindo raiva às suas vítimas. Ele não tem consciência desse estado de contaminação, age sem se questionar. Seu grupo não cria regras para impedir ou direcionar sua atuação. Não se importa com questões estéticas como dormir de cabeça pra baixo, ou, com o movimento desordenado das batidas de suas asas.

    Não se reprime em exalar o intragável cheiro de amônia em suas necessidades, expulsando os visitantes indesejados de sua moradia. Uma pomba, por sua vez, com sua aparência tão mais aceita; sua simbologia tão mais celestial; não só tornara-se símbolo da paz, como também um vetor de doenças, demonstrando a ignorância por trás de sua valorização.
    Agindo da mesma maneira que esses companheiros das trevas, eu não estou escrevendo esses acontecimentos por querer compartilhar com um grupo as minhas experiências, mas sim, por, através dessa prática reencontrar de maneira efetiva o amigo que tanto estimo. Reencontrá-lo em momentos marcantes, que, se a memória não ajudar a pincelar todos os detalhes, a imaginação se encarregará de cobrir as lacunas, reescrevendo acontecimentos, modificando-os ao meu gosto. O poder criador das palavras será expresso em minhas linhas!

    Eis as razões que tornam a tarefa daqueles que lerem meus relatos, inútil. Se bem que, se, tudo der certo, meus relatos não chegarão às mãos de ninguém, suas cinzas serão jogadas ao vento, quando estiver cansado dessas anotações.

    Isto servirá apenas como um guia para se ocorrer, em algum momento, um lapso de memória, ou, um desvio de conduta, que eu siga em minha tarefa de presenciar àquelas visitas que tanto me proporcionaram prazeres. Compartilhar essas situações com outros homens, contrariaria suas filosofias de vôos, seus ídolos, seus exemplos.

    Meu amigo tinha asas inervadas e felpudas. Particularmente gosto delas, e, pouco me importa se o senso-comum preferiria um ser com asas emplumadas, com uma aura-celeste, um brilho radiante. A luz incomoda seres com sensibilidade à claridade, atrapalha os seres noturnos de agirem com naturalidade, tira desses, a estratégia de surpreender suas presas, tira muitos clientes dos taberneiros e prostitutas.

    Que essas anotações não sirvam para nada, pois, se servirem, significa que algo de errado ocorreu durante meu processo produtivo.
     
  5. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Interesso-me muito na lenda do dr. Fausto e em suas variantes; mas não vou poder avaliar seu texto pois ando meio ocupado com os estudos... Vou, no entanto, tentar fazer uma recapitulação e interpretação das informações que você forneceu, oferecendo questões que talvez te ajudem na própria auto-revisão do texto, determinando se tais respostas foram abordadas (você pode respondê-las de forma dissimulada, pra não revelar muitas informações sobre seu livro, ok?).

    Então vamos ver se eu entendi: é o Fausto que manipula o Mefistófeles? Isso pressuporia, à priori, uma inversão na lógica básica da lenda, de que o Fausto necessita e o Mefistófeles fornece, de modo que o fornecedor, ainda que em potência e nunca de fato, fosse o Fausto. Assim, o Mefistófeles precisaria de algo que o Fausto tem a oferecer e que ele simplesmente não quer oferecer. A pergunta é: o que o Fausto possui que o Mefistófeles tanto deseja? O que impele o Mefistófeles a continuar persistindo? Considerando que o amigo que tanto estimo referido no prólogo seja o Mefistófeles, porque Fausto o afasta constantemente?

    E a pergunta mais importante: se o Fausto não aceita o Mefistófeles, é de se pressupor que ele não aceite o pacto. E, se ele não aceita o pacto, como podemos classificar sua história como uma variante da lenda do Fausto, se o pacto é a condição de existência dela?
     
  6. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Tentarei responder suas perguntas:

    1) O diabo da história não é necessariamente Mefistófeles. Cumpre o mesmo papel, mas não tem sua identidade especificada.

    2) Aparentemente a relação é oposta a do Fausto da lenda, mas na verdade há uma dependência mútua. O diabo precisa da "alma" da personagem, ao passo que protagonista/ narrador precisa de um amigo. Desse modo, diferentemente da relação de vassalagem presente na lenda de Fausto as personagens agem de modo que sabem que para conseguirem o que querem é preciso oferecer vantagens para sua contraparte, algo mais compatível com padrões modernos de relações cambiais.

    3) Como num jogo de interesses, o diabo percebe que para realizar o "negócio" é preciso se fazer amigo da protagonista (uma leitura da situação local baseada no "homem-cordial" de Sérgio Buarque de Holanda) enquanto que ele sabe que para o diabo continuar sendo seu amigo, esse pacto jamais pode ser estabelecido (como a questão do "favor" em "As idéias fora do lugar" do Roberto Schwarz). Então durante toda a narrativa cada qual tenta convencer o outro de que tem razão, quando na verdade, nessa dialética, a indefinição é o que acaba sendo vantajoso para ambas as partes.

    4) Ele não aceita o pacto, mas durante toda a narrativa o diabo acredita que conseguirá convencê-lo em algum momento. Ambas as personagens são arrogantes e pretensiosas, de modo, que nenhuma se dá por vencida durante toda a narrativa.A história, portanto, basicamente mostra essa relação de barganha.

    5) Infausto não é bem uma variante, nem uma releitura, de Fausto. É uma obra com características bem particulares, mas que se utiliza da mesma "proposta de pacto", apesar de ter referências a Fausto, como também de outras obras da literatura clássica. Acho que e enquadra num exemplo mais ou menos parecido com o de Dr. Fausto do Thomas Mann, que apesar de se basear nessa relação é uma obra MUITO DIFERENTE da lenda do Fausto.

    Espero ter conseguido responder suas dúvidas. Caso surjam outras, responderei com prazer.
     
  7. Luciano Santarem

    Luciano Santarem Usuário

    Seguinte, estou na msma situação que tu. Terminei de escrever um livro mas não tenho ninguém para ler. Minha proposta é: tu me manda o teu por e-mail e eu mando o meu para o teu e-mail. E cada um passa as impressões que achar, de uma maneira livre. Se te interessar, escreve aí. Falou!!! Obs.: é uma proposta melhor que a do Fausto ou do mefistófeles ou do diabo que te carregue...brincadeira, né!!!
     
  8. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Gostei da proposta e tenho interesse em aceitá-la. No entanto, não poderia ler sua obra num ritmo rápido, porque além dos meus afazeres, estou lendo um livro de literatura, fazendo algumas pesquisas para meu próximo livro e analisando a obra que um amigo vem escrevendo. Poderia ler seu livro sim, mas seriam poucas páginas por dia. Como não sei se está ansioso pelo feedback não sei se você concordaria com essa leitura mais lenta.

    Sobre o que se trata sua obra? Fale-nos mais sobre.
     
  9. Luciano Santarem

    Luciano Santarem Usuário

    road book

    Tranquilo, Liev!
    Meu livro é curto, no máximo umas 3 horinhas de leitura corrida. Trata-se de um road book (ou ao menos tem a pretensão de ser) ao estilo livre de livros como Into the wild e o próprio On The Road (Jack Kerouak). A história tem como pano de fundo o fim do mundo. Um jovem, prestes a se formar na universidade, recebe um e-mail (tipo spam) dizendo que o mundo vai acabar na virada do ano 2000. A partir daí este jovem vai partir em uma viagem em busca de isolamento e reflexão da vida. Tive esta idéia ao ler uma pesquisa recente de uma revista que perguntava o que as pessoas fariam se o mundo fosse acabar em 2012. E para minha surpresa mais da metade das pessoas responderam: "Eu colocaria meu pé na estrada!". E aí, pergunto eu, é preciso o mundo acabar para se fazer isso?
    Me manda teu livro que eu lerei o mais breve possível e te mandarei uma opinião!
    Falou

    Luciano
     
  10. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Luciano curti tanto o tema, quanto o estilo. Mandei MP.
     
  11. gmourao

    gmourao Usuário

    Não li nem o tópico todo, até porque... olha a hora!

    Mas queria constar que você foi muito feliz no título. Pun intended.
     

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