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Stoner (John Williams)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Calib, 14 Dez 2015.

  1. Calib

    Calib Visitante

    Com estilo límpido, romance “Stoner” emula a vida como ela é
    JOCA REINERS TERRON
    25/04/2015
    Fonte:
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    "Stoner", romance de 1965 tão esquecido quanto seu autor, John Williams (1922-1994), é uma perfeição. Não é possível afirmar o mesmo da primeira edição brasileira, com número de erros acima do aceitável. Deixemos a tragédia ortográfica para o final, já que a obra-prima de Williams é suficientemente triste no impacto que causa, em decorrência de sua tessitura.

    Biografia imaginária altamente condensada, "Stoner" é previsível, tanto quanto pode ser a cronologia de um homem.

    Nascido no meio rural do Missouri em 1891, filho único destinado a suceder o pai na lida do sítio familiar, William Stoner vai à universidade para estudar ciências agrárias e se apaixona pela literatura, mas não somente: é seduzido pela docência, aderindo aos ritos acadêmicos como a uma religião inventada para abrigar suas inconsistências pessoais.

    O responsável, o velho professor Sloane, logo vislumbra no tímido estudante a abnegação necessária para o ofício, forjada pelo caráter estoico da vida no campo. Não se equivoca, e no campus da Universidade de Colúmbia tem início a ascensão pequeno-burguesa de seu pupilo, primeiro como assistente, depois como professor de literatura medieval inglesa.

    Stoner, sujeito gris exceto nas paixões, não exige segredos nem invenção estilística por parte de Williams.

    A simplicidade estrutural do romance é a mesma da vida, embora se inicie pela morte do protagonista, em 1956 (aos 65, diferentemente do que informa a orelha do livro, que menciona os "50 anos de William Stoner" -- e aí começam os problemas da edição). O estilo é límpido como seu personagem, homem de grande retidão ética e laconismo inquietante.


    PODEROSA IMAGÉTICA
    O poder alusivo da existência miniaturizada de qualquer um por meio de Stoner não deve ser subestimado, pois a linguagem do autor, acrescida da poderosa imagética resultante de detalhes pinçados da realidade com argúcia, arrasta o leitor sem dó a um jogo comovente que reflete nossas experiências reais por meio da literatura.

    A primeira edição do livro no Brasil, lançada no início do ano pela editora Rádio Londres, tem cochilos de revisão e erros em tal número que não cabe mencioná-los neste espaço, assim como não se encaixa a expressão "transar" no Meio-Oeste ("MidWest", no livro) dos EUA dos anos 30 com sua prosa tão austera.


    STONER
    AUTOR: John Williams
    TRADUÇÃO: Marcos Maffei
    EDITORA: Rádio Londres
    QUANTO: R$ 33,90 (316 págs.)
    AVALIAÇÃO: ótimo

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    §§§

    Sobre defeitos grotescos de revisão na primeira edição:
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    :o:o
    :redcard:

    --- Mensagem Dupla Unificada, 14 Dez 2015, Data da Mensagem Original: 14 Dez 2015 ---


    Tem uma ótima resenha que saiu há pouco e que recomendo: :joinha:
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    Infelizmente, o blog é desses xaropes que não deixam copiar o texto :lol:
    Felizmente, posso pegar uns pedacinhos via código-fonte. Só não pego todo por preguiça:

     
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  2. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    parece que a edição nova vai sair em capa dura, o posfácio é de
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    . digo "parece" porque eles estão anunciando uma edição em capa dura agora para dezembro com o posfácio inédito, mas não sei se é a revisada.
     
  3. Calib

    Calib Visitante

    Pois então. A minha é a primeirona e vou ter que encarar o mar de erros quando for ler. Paciência. É uma pena um desleixo tão grande de uma editora que estava recém se lançando no mercado.
    Espero que o livro seja realmente tudo que prometem, para compensar isso. :)
     
  4. DiegoMP

    DiegoMP Usuário

    Não li ainda, mas só pra registro, um post que saiu lá no Amalgama que eu achei interessante, apesar de não ter certeza se entendi bem a ideia.

    O título do post é
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    . Achei pertinente.
     
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  5. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    O Martim Vasques expõe os conceitos que norteiam sua crítica melhor no "A poeira da glória". A ideia, em linhas gerais, é que a vida literária brasileira se embasa num esteticismo que busca apenas o Belo e não o Bem e a Verdade. Existem vários corolários disso, mas um deles, segundo a argumentação do autor, é que o escritor brasileiro tende a não contemplar o abismo da alma humana, preferindo, pelo contrário, soluções de um valor puramente estético que humanamente, numa perspectiva moral (mas não moralista -- é importante ressaltar), não são lá grandes coisas. É o que faz com que o autor, por exemplo, critique Machado de Assis como um escritor de moralidade tacanha, que refratava uma concepção do ser humano sem qualquer perspectiva de redenção que fosse, como se estivéssemos inexoravelmente num poço de imundícia etc etc. (Na verdade eu posso estar mudando um pouco alguns termos que o autor usou de maneira mais cuidadosa do que eu; mas é pra não alongar demais esse post hehe)

    Embora o último parágrafo esteja confuso (em especial a penúltima frase, que não entendi bulhufas), creio que com o que expliquei a última fique um pouco mais clara.

    Mas não li o livro, então não tenho como comentar sobre a resenha do Martim =(
     
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  6. DiegoMP

    DiegoMP Usuário

    Reli o texto todo sob a luz da explicação do Mavs. Acho que entendi bem melhor agora na segunda leitura.

    Confesso que me doí um pouco pela maneira como ele demonstra como foi equivocada a leitura das outras pessoas, mas também não li Stoner e tampouco penso que tenha embasamento teórico pra questionar o que ele levanta no texto. Mas achei a questão realmente interessante e pra ser sincero nem imaginava que ela existia, essa espécie de consciência coletiva brasileira que opta pelo Belo acima de outros valores. E também, pela maneira que ele descreve o livro, imagino que fosse bastante provável que eu seguisse a linha de interpretação da maioria, que aparentemente é facilmente colocada em cheque pelas palavras do próprio autor.
     
    Última edição: 17 Mar 2016
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  7. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    É, as leituras do Martim Vasques não são das que me agradam particularmentr. Vc tem q ter em mente q ele é mto mais um crítico cultural do q um crítico literário. Acho q no geral elas dão um enfoque excessivo na figura do artista e mtas vezes dependem de análises contextuais em níveis eu tbm considero excessivos (p.ex. o argumento sobre Machado de Assis: a moralidade tacanha de Machado é irrelevante do ponto de vista da qualidade literária...). Acho tbm q a constatação, por assim dizer, da consciência brasileiro e o Belo ñ é provada a contento, de modo q eu trato mais como uma hipótese do q sobre qqr outra coisa (a ñ ser q o Martim esteja falando mais da intelligentsia brbr do q do brasileiro de forma mais abstrata, oq seria um equivoco, pelo menis). Mas enfim. Fiz uma resenha sobre o livro dele e lá comento td isso. Mas recomendo. Embora eu tenha mtas discordâncias, reconheço q e um livro instigante, bem escrito e bem amarrado.
     
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  8. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    né. até porque se fosse crítico literário não diria uma bobagem como "leitura equivocada" de leituras diferentes da dele.
     
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  9. RafaelPrado

    RafaelPrado Usuário

    Que livro! Não sei porque demorei tanto tempo para lê-lo.

    Gostei muito da crítica que o @DiegoMP postou. Também fiquei surpreso com o tom que o livro foi tratado pela maioria dos bloggeiros. Em mais de um momento eu pausei a leitura, coloquei o livro de lado e pensei: "Eu queria ser esse cara!". Pra mim, ele é o exemplo de um ser humano integral, já que os seus pensamentos e ações formam uma unidade. Às vezes eu me pego agindo de maneira diferente do meu pensamento, o que me leva sempre a me perguntar quem sou eu de verdade. Stoner descobriu seu eu durante uma aula de literatura e trabalhou sua vida toda para dar voz a esse chamado que ele nunca soube explicar. Várias circunstâncias tentaram afastá-lo do que ele julgava ser o "Bom, Belo e Verdadeiro", como disse um amigo seu numa passagem emblemática do livro, mas ele se manteve firme. Errando e aprendendo ao longo do caminho, mas firme. Eu não chamaria isso de estoicismo. Acho que não dá pra negar que Stoner teve uma vida cheia de significado, como aponta um trecho do último capítulo do livro.

     

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