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Sonho

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Luciano Altoé, 6 Dez 2010.

  1. Luciano Altoé

    Luciano Altoé Usuário

    [align=center][size=large]S O N H O[/size][/align]


    [align=justify]Sou seus desejos mais sinceros. Sou aquela em que você se apóia para engajar-se em um objetivo distante. Moro em seus pensamentos. Não pedi sua permissão para vagar em sua mente... não preciso dela. Contudo, apesar de estar autorizada a infiltrar-me no mais profundo existir da sua alma, não posso manifestar-me sem o seu consentimento. É o meu fardo, minha limitação, meu obstáculo... minha alegria.

    Não sei o momento em que nasci. Não acredito sequer que tenha “nascido” no sentido orgânico da palavra. Pela falta de registro temporal da minha “existência”, considero-me presente neste plano desde o início dos tempos.

    Desde que rompi o véu para este plano material, iniciei uma jornada sem rumo até encontrar abrigo na mente humana. Entretanto, faltava-me um objetivo. Nada que me movesse para lugar algum. Contentava-me em “perambular” pelos sonhos dos humanos. Divertia-me com isso. Cada criatura que visitava, apresentava todo um universo de ambições, paixões, ódios e amores. Era tanto incompreensível quanto fascinante observar tantas particularidades em uma mesma forma carnal.

    Não sei precisar por quanto tempo apenas assisti a evolução da mente dos humanos. Como disse, não posso lhes dizer sequer quando “nasci”. Entretanto, em um certo momento, tudo aquilo começou a entediar-me, mesmo sem nunca ter repetido uma experiência sequer na psique humana. Resolvi, então, encontrar uma razão para minha “vida”.

    Mas qual? Como não sabia por onde começar, iniciei uma análise da minha própria existência. Sabia que minha presença causava uma alteração física e mental nas criaturas onde residia. Caso permitissem minha intromissão, poderia modificar tanto a atividade cerebral quanto a taxa hormonal dos humanos. Notei que, em todos os casos, a alteração advinda de minha presença era sempre positiva.

    Contudo, o dado decisivo para encontrar o objetivo da minha existência não residia no meu interior, mas no daqueles onde habitava. A humanidade, desde a criação, sempre foi propensa à autodestruição. Sua caminhada era firme rumo à danação e o extermínio. De uns tempos para cá, entretanto, a caminhada tornou-se uma estafante corrida.

    Pronto! Encontrara minha razão de existir. Deveria encontrar uma forma de evitar que os homens desaparecessem, devido a suas próprias fraquezas.

    Depois de tanto conviver com eles, adquiri determinados vícios particulares. Um deles (do qual não me orgulho, porém, o aceito de bom grado) é a necessidade de reconhecimento. Se iria contribuir para a salvação da humanidade, gostaria de ser reconhecida. Foi neste momento que percebi... não possuía um nome... nunca havia me preocupado com isso. Agora era diferente. Debrucei-me sobre vários, apenas um agradou-me. Esperança.

    Em minha petulância (outra manifestação humana da qual não me orgulho, mas a acolhi como aprendizado), acreditei ser fácil corrigir os desvios da humanidade. Erro crasso. Os indivíduos mostraram-se particularmente insistentes em não obedecer meus comandos. A rota rumo à destruição persistia inalterada.

    Depois de séculos, conformei-me. Não conseguiria modificar a mente dos humanos ao ponto de impedir sua destruição. Agia de forma errada. Mais algum tempo e percebi meu equívoco. Estranhamente, foram os próprios humanos que me ensinaram o caminho para o sucesso. Um deles disse que o sonho de um só homem é ilusão, o de alguns utopia, o de todos... realidade.

    Era isso! Errava por tentar corrigir os humanos um a um. Deveria modifica-los de uma só vez. Mas, de que forma? Diversas tentativas foram realizadas, todas idênticas no fracasso.

    Novas tentativas. Velhos equívocos. Os anos passam. Permaneço tão jovem quanto minha natureza imaterial permite estar. Os homens, porém, envelhecem. Sua degradação deixa marcas profundas, talvez incuráveis.

    Persisto em minhas tentativas. Encontro uma luz. Um momento em que os indivíduos, quase em sua totalidade, vêem a vida ao seu redor com outros olhos. Natal. Instantes preciosos onde a maior parte dos humanos parecem suscetíveis aos meus ideais.

    Agarro-me a esta chance. O tempo não cessa seu caminhar. Os fracassos persistem. Porém, agora vislumbro uma luz de real oportunidade para alcançar meu objetivo. Obtenho êxito em alguns. Falho na maioria.

    Infelizmente, na esmagadora maioria da população, minha mensagem de quebra do paradigma destrutivo caminha trôpega pela mente vazia dos indivíduos e morre triste pouco após cessar o som das promessas de final de ano. Contudo, é na vitória conquistada na mente de alguns que mantenho palpável meu sonho de mudança.

    Não me recordo por quantos natais passei. Não me importo por quantos ainda terei de passar. Continuo invadindo intrometida os sonhos dos homens, espalhando na mente de cada um os meus próprios anseios. Não tenho pressa. Estou aqui desde o início dos tempos e provavelmente continuarei a vagar até que todo o tempo deixe de existir. Mas e vocês? Quanto tempo têm?

    Ainda não atingi meu objetivo, mas não desisto de tentar. Vislumbro alguns compartilhando dos mesmos ideais. Continuo sonhando, na esperança de que a humanidade sonhe comigo. Desejando que o sonho de todos seja transformado em realidade. Confiando que ainda não é tarde para impedir o caminhar.

    Até o próximo natal.[/align]
     
  2. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Os homens morrem de velhos. A esperança os mata. A esperança lhes dão filhos e levam seus pais para seus funerais. A esperança planta uma semente de esperança. A esperança tem esperança, e espera o tempo que tiver que esperar. Afinal, a esperança tem todo o tempo do mundo.

    E o imortal assiste as gerações, os cromossomos X e Y, suas misturas, seus resultados e mutações. O imortal assiste o esquecimento, a memória que não fica gravada no DNA. Porque no DNA ficou a fome dos primórdios do mundo onde não havia velhos nem menstruadas. Mas no DNA não ficou o bom senso de evitar as novas guerras. O DNA não aprende. O DNA não aprende rápido.

    Mas então a Coca Cola inventou um novo Natal. Brutus nomeou os brutos. Filmes não são películas, são bits e bytes mas ainda filmes que não se enrolam, que não filtram a luz projetada na tela. Criamos novos deuses americanos na terra do sol nascente. Inventamos a bomba atômica e ameaçamos nós mesmos de suicídio.

    Mãe natureza! Imortal vigia de nossa história cíclica! Esperança que se renova em cada parto. Quero partir sua cara! Quero te encher de beijos.
     

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