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Solovyov sobre o Conhecimento de Deus

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Paganus, 8 Jul 2014.

  1. Paganus

    Paganus Visitante

    A unidade transcendental das religiões é verdadeira na medida em que se refere a metafísica. Na Aula 6 das Palestras sobre a Humanidade Divina, Vladimir Solovyov apresenta sua concordância com esse ponto, mesmo para o Cristianismo. Em particular, ele escreve o seguinte sobre o neoplatonismo:

    É impossível negar a conexão entre a doutrina de Philo e o Neoplatonismo, por um lado, e do cristianismo, isto é, precisamente a doutrina cristã da Santíssima Trindade, do Deus trino. As primeiras especulações sobre Deus e Sua vida interior por mestres Cristãos como Justino, o filósofo, Hipólito, Clemente de Alexandria, e especialmente Orígenes reproduziram a verdade essencial da doutrina de Filo e do Neoplatonismo.

    Além disso, neste contexto, Solovyov traça todo o caminho de volta até a teosofia egípcia de Hermes Trismegisto. Isso ocorre porque a metafísica trata de essências, mas é justo perguntar se ela é exaustiva, quando se trata de coisas existentes. René Guénon trata disso em sua noção de possibilidades de manifestação. Nesse sentido, uma coisa existente, ou uma possibilidade manifestada, metafisicamente não é diferente de uma possibilidade de não-manifestação. Isso parece ser o que Aristóteles diz quando afirma que Deus não conhece coisas particulares.

    Julius Evola contesta Guénon sobre este ponto. Como vimos nas discussões sobre o Indivíduo e o Devir do Mundo, para se tornar manifesto, uma idéia requer um ato de vontade. Como tal, o indivíduo não é um objeto de contemplação. Evola achava que estava opondo à contemplação de Guénon. No entanto, eles não estão em oposição, uma vez que estão unidos sob a "Pessoa", que é ao mesmo tempo o centro de contemplação e de vontade. Como veremos, Evola não estava se recuperando idéias pagãs como ele acreditava, mas estava, em verdade, recuperando as idéias cristãs.

    Paganismo e a Contemplação

    As revelações fundamentais feitas pelos rishis nos Vedas era a existência de um ser superior e que o mundo manifesto era o resultado de ignorância, ou avidya. A solução, então, foi dissolver o eu inferior; assim o conhecimento do eu superior era por si só a libertação. Esse conhecimento é o fim da ignorância. Este eu superior, em seguida, observa passivamente os fenômenos de passagem do mundo. No entanto, isto envolve a dissolução da pessoa, porque já não existe uma vontade. Esse eu não cria os fenômenos, mas apenas observa.

    Esta solução é transportada para o budismo. Ali é aprofundada a revelação védica quando se vê o sofrimento como inerente ao mundo fenomenal e amarra este sofrimento ao desejo. A solução budista é, portanto, a eliminação do desejo, ou da vontade. Mais uma vez, a pessoa é negada, seguindo este caminho, uma vez que a pessoa tem vontade por definição.

    Também para os gregos, a vida mais superior era a de contemplação. Como os rishis, a ignorância era a causa do sofrimento e a ignorância era removida pelo conhecimento de si. Este conhecimento levaria a "justiça", ou ao arranjo e o relacionamento das várias partes da alma de forma adequada. O mundo, então, era contemplado como um objeto.

    A Revelação Cristã

    Entre as tradições do mundo, Solovyov explica o carácter distintivo da Tradição Cristã:

    A originalidade do cristianismo não está em seus pontos de vistas [metafísicos] gerais, mas em fatos positivos, não no conteúdo especulativo de sua ideia, mas em sua encarnação pessoal. Esta originalidade não pode ser retirada do cristianismo, e ao afirmá-la, não é preciso tentar provar, contra a história e o senso comum, de que todas as idéias dogmáticas Cristãs apareceram como algo absolutamente novo, que caiu, por assim dizer, prontas do céu.

    Solovyov explica a relação entre uma pessoa e uma ideia. Sem um sujeito a realizá-la, uma ideia seria passiva e impotente. Não poderia realmente existir. Para alcançar o real, ser completa, uma unidade interior da pessoa e da ideia é necessária.

    Por analogia, a ideia absoluta é igualmente determinada em sua existência subjetiva interior como uma pessoa especial e única. Essa percepção requer um Deus, Deus vivo como um fato, e não um Brahman passivo. O Deus vivo que se revela como "Eu Sou", não com relação a coisas particulares, mas em relação ao Todo, ou o Infinito.

    Ainda assim, a revelação inicial aos Hebreus estava incompleta e parcial. Eles viram a vontade de Deus como arbitrário em Si mesmo, mas obrigatório para a humanidade. Mas a compreensão se aprofundou, e a vontade de Deus não pode ser entendida como despotismo, mas sim como o bem conscientemente escolhido. Para a pessoa, a compulsão é experimentada como necessidade interna, ou seja, uma verdadeira liberdade. Assim, o caminho da salvação, ou da libertação, não é a aniquilação da vontade como nas várias formas de paganismo, mas sim no alinhamento, ou melhor na submissão, da vontade pessoal à Vontade divina. Uma vez que Deus é absoluto e infinito, só pode existir Uma dessas vontades.


    Dessa forma, de um lado, há a revelação da personalidade absoluta de Deus feito aos Hebreus. Por outro lado, a ideia absoluta da Divindade foi compreendida na Grécia. O conhecimento completo de Deus requer a síntese de ambos os elementos. E essa foi a tarefa do Cristianismo.
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    Vladimir Solovyov



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    em Solovyov on the Knowledge of God

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  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Por sinal uma parte do budismo organiza o desejo em um reino próprio, dotado de poder de influência nos domínios inferiores (apesar de este poder não ser total por permitir ascensão ao domínio mais alto):

    Segundo se conta, após um ser inconsciente ascender para o domínio dos devas, quando o Karma positivo se consume o ser afunda de volta para o domínio do "deus ciumento" (jealous god domain) e daí desce ainda mais para o "reino humano" de onde deverá subir novamente.

    A transcendência do reino do desejo (e da roda do karma) só ocorre quando o ser passa a perceber o reino do desejo como sendo também uma característica natural da existência e não como uma obrigação mestre ("o sofrimento e a dor existem"). Mas então o ser não seria mais forçado a viver no desejo ou viver no sofrimento e pode partir para uma existência superior, para além da escravidão do desejo e mesmo assim, de lá de fora, fazer com que o desejo seja uma ferramenta obediente que pode ou não optar por usar.

    Quem assim segue deve visar a perspectiva de vida atemporal, além da carne, para um corpo ressuscitado e mais glorioso que este. (que é o tipo de administração de Deus que eu acredito).

    A roda do destino de cada um é na verdade o mar específico que o marinheiro escolheu se perder. Dentro dele as mensagens lhe chegam sem vida e sem emoção porque estão dentro de uma garrafa e porque o próprio marinheiro tornou os sentidos em uma garrafa.

    Para além deste mar se encontra a concepção alinhada com a divindade. A saber que Deus não precisa ser apenas resposta, Ele pode ser também ao mesmo tempo uma pergunta. E pode viver no passado, presente e futuro.

    O próprio verbo "conhecer" da palavra conhecimento, aparece mais atrelado ao significado de "experimentar" que ao de "provar algo" propriamente dito.
     
    Última edição: 9 Jul 2014
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