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Sobre o menino que caiu(?) do quinto andar do Colégio São Bento (RJ)

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Bel, 8 Out 2012.

  1. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

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    O delegado Aldrin Rocha, da 1ª DP (Gamboa), onde está sendo investigada a morte do menino de 12 anos que caiu do 5º andar do Colégio São Bento, afirmou neste domingo que, se ficar provado que a escola poderia ter feito alguma coisa para impedir a tragédia, o caso poderia ser classificado como omissão:

    — A morte foi o resultado da queda, mas as investigações continuam no sentido de entender os elementos constitutivos do caso. Nosso trabalho é saber se há algo concreto que poderia ser feito pela escola para evitar o resultado. A investigação continua na busca por elementos que seriam exigíveis para evitar o resultado. Quem irá decidir com a relação a pena é o Poder Judiciário.

    O São Bento divulgou nota em seu site avisando que as aulas de segunda-feira estão suspensas, em solidariedade à família do estudante. Depois de dez dias internado, o aluno morreu no início da manhã deste domingo. A informação foi confirmada pela Secretaria municipal de Saúde, que ainda não deu detalhes sobre a morte. Ele estava internado deste o dia 28 de setembro, em estado muito grave, no CTI do Hospital Souza Aguiar, onde onde havia sido submetido a uma cirurgia no baço. Na queda, o menino sofreu traumatismo craniano. O corpo do estudante chegou ao Instituto Médico Legal (IML) por volta das 10h50m e foi liberado cerca de quatro horas depois. Ninguém da família deu declarações à imprensa. A polícia acredita que ele tenha se jogado, sem a ajuda de terceiros.

    "O Colégio de São Bento lamenta comunicar o falecimento do nosso querido aluno J.P. nesta manhã de domingo. Por esse motivo, as aulas desta segunda-feira, dia 8 de outubro, estarão suspensas em todas as turmas. Retornaremos às aulas na terça-feira, dia 9 de outubro. A Reitoria, professores e funcionários do CSB, consternados pela perda tão prematura, se solidarizam com os pais e familiares, neste momento de dor. Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele a vossa luz", diz a nota divulgada pelo São Bento.

    Na sexta-feira passada, o delegado José Afonso Mota, titular da 1ª DP, informara que vai ouvir os três alunos que teriam ficado sozinhos na sala de aula junto com o menino. Ele tomou a decisão depois de ouvir o depoimento de um professor de ciências da escola, que foi o último adulto a falar com a criança antes de ocorrer o acidente.

    — Nós pensávamos que ele (professor) tinha saído com os alunos, mas ele disse que não, que os deixou na sala (no sexto andar). Então, agora nós temos a necessidade de ouvir os alunos que ficaram na sala com o menino que caiu da janela. A princípio, está parecendo que ele teria se escondido em alguma parte da escola, como o banheiro e a enfermaria — afirmou o delegado.

    Além do professor, foi ouvida a orientadora psicológica do Colégio de São Bento. Os depoimentos dos dois aconteceram simultaneamente e duraram cerca de seis horas. Segundo o delegado José Afonso, depois de passar numa sala para pegar seus pertences, o professor de ciências deixou o andar imediatamente, sem ver, nem no corredor nem nas escadas, nenhum dos alunos que tinham ficado na sala de aula.

    — Ele (o professor) acha que eles poderiam estar dentro da sala ainda — disse o policial.

    Com as declarações do professor, ficou claro para os investigadores que, em pelo menos algum momento, os alunos ficaram sozinhos no corredor do sexto andar. Em depoimentos prestados na véspera, os dois monitores responsáveis pelo setor informaram que, antes de deixar o andar, viram a vítima e outros três alunos com o professor de ciências na sala de aula.

    Perguntado por que o professor deixou os estudantes sozinhos, o delegado contou que, segundo informaram monitores, no caso de alunos mais velhos, o controle de saída dos corredores é menor.

    — Segundo explicaram, a vigilância para eles é um pouco menor porque já têm 12 anos, são pré-adolescentes e podem se dirigir sozinhos para a escada e para o elevador — acrescentou o policial.

    Ainda segundo o delegado, o professor confirmou que a criança é introvertida e teria mais dificuldades de acompanhar os exercícios da turma.

    — O professor contou que o aluno é mais lento para anotar os exercícios e por isso ainda estava na sala de aula. Já os outros três ou quatro alunos estariam guardando seus materiais. Já identificamos três e vamos ouvi-los — disse.

    O professor de ciências, de acordo com o delegado, contou não ter notado qualquer diferença no comportamento do estudante, que é considerado um aluno de aproveitamento médio:

    — A gente agora precisa ouvir os alunos para saber o destino que cada um tomou. Eles desceram de elevador? De escada? Viram o aluno? Sabem se ele se escondeu?

    Menino era acompanhado de perto, diz psicóloga

    A orientadora pedagógica do Colégio de São Bento afirmou que a criança recebia um tratamento diferenciado. Segundo o delegado Aldrin Rocha, que tomou o depoimento da psicóloga, ela teria confirmado que o menino era muito introvertido e que, por conta disso, os professores da escola teriam uma atenção maior com o seu desenvolvimento:

    — Ela corroborou a ideia trazida por todos até agora de que o aluno é realmente bastante introvertido, bastante calado. Ele tem esse perfil, já observado pelos professores. Precisávamos do parecer de uma profissional que estuda o assunto.

    Segundo o delegado, a psicóloga disse ainda que, por tratar-se de uma criança introvertida, era natural que o menino fosse observado mais atentamente pelos professores do colégio:

    — Ela explicou que era natural que os professores agissem assim porque é dever do colégio. E contou que houve inclusive reuniões entre o colégio e familiares do menino para falar sobre o comportamento da criança.

    O delegado contou que o menino entrou para a escola em 2008 e que sua adaptação não foi fácil:

    — Segundo a psicóloga, ele não teve uma boa adaptação porque gostava muito da escola anterior. E é natural, em casos de mudança de colégio, que se tenha dificuldade de adaptação no início. Ao longo do tempo, o menino foi criando um ambiente melhor no colégio. As características de relacionamento melhoraram. Apesar de ele ser uma pessoa introspectiva, tinha seu ciclo de amizades ali dentro — afirmou o delegado da 1ª DP.

    Melhor amigo da classe

    Segundo ele, em determinado momento, o estudante teria sido eleito como o “melhor amigo” da classe.

    — É interessante. Ele tinha uma aceitação boa dos colegas.

    Segundo o delegado, os professores, monitores e a psicóloga negaram que houvesse qualquer tipo de bullying contra a criança.

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    Um menino tímido, afetuoso e que já tinha sido eleito “melhor amigo da classe”. Dez dias depois de ter dado entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, vítima de uma queda ainda não esclarecida do quinto andar do tradicional Colégio de São Bento, J.P., de 12 anos, perdeu a luta pela vida, na manhã de domingo. A morte do menino causou grande comoção nas redes sociais. Ele estava internado desde o dia 28 de setembro no CTI, com traumatismo craniano e uma lesão no baço, e seu estado de saúde era considerado gravíssimo desde o primeiro dia. De luto, o Colégio de São Bento anunciou que suspendeu as aulas desta segunda-feira, em solidariedade à família do aluno.

    O corpo do menino chegou ao Instituto Médico-Legal (IML) por volta das 10h50m e foi liberado quatro horas depois. Os pais mantiveram o silêncio, e o velório, no Memorial do Carmo, no Caju, começou às 17h, a portas fechadas. Cerca de 40 pessoas estiveram presentes, entre parentes, amigos, professores e funcionários do Colégio de São Bento. Emocionados, eles rezaram juntos. O enterro será às 11h desta segunda-feira.

    O mistério em torno da morte do menino continuará a ser investigado. A hipótese inicial de bullying foi recentemente descartada pela polícia, após ouvir educadores do São Bento, entre eles, a coordenadora pedagógica. No domingo, o delegado-adjunto da 1ª DP (Centro), Aldrin Rocha, disse que chamará para prestar depoimento um outro inspetor da escola e também um professor que deu a penúltima aula do dia, da qual o menino teria se ausentado para ir ao banheiro e demorado a voltar. Aldrin adiantou também que pedirá à Justiça autorização para ouvir três alunos que permaneceram na sala de aula com J.P, depois da hora, que foram os últimos a verem o menino ainda com vida antes da queda. O delegado afirmou que tentará ouvi-los no colégio ou na companhia dos pais.

    — Nosso trabalho é saber se há algo concreto que poderia ter sido feito pela escola para evitar esse resultado. A investigação continua na busca por elementos que seriam exigíveis para evitar o ocorrido — afirmou o delegado.

    Colégio lamenta morte

    No domingo, o Colégio de São Bento divulgou uma mensagem, lamentando a morte do aluno. “Reitoria, professores e funcionários, consternados pela perda tão prematura, se solidarizam com os pais e familiares, neste momento de dor. Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele a vossa luz”, dizia a nota da direção da escola.

    Segundo a supervisora pedagógica do Colégio de São Bento, Maria Elisa Penna Firme Pedrosa, os parentes estão muito abalados e preferem não se pronunciar sobre o caso.

    — A família precisa passar por esse momento em paz. O caso teve muita repercussão e eles estão se sentindo sem privacidade. Está tudo muito desgastado. No momento apropriado, tanto a família quanto o colégio vão se pronunciar — afirmou Maria Elisa.

    Na última semana, a página numa rede social da mãe do menino, que é professora do São Bento, ficou repleta de mensagens de solidariedade de amigos da família. Ela pediu para que os amigos fizessem a Oração de Cura de Dom Cipriano Chagas pelo restabelecimento de seu filho. Um amigo do aluno publicou uma foto antiga de J.P., com um apelo: “Nunca me esquecerei de você, melhora por favor, cara, vou estar sempre contigo”. No domingo, depois da confirmação da morte do menino, amigos passaram a postar fotos com homenagens e símbolos de luto.

    No endereço da família, na Zona Norte, até os porteiros evitavam falar sobre o caso. Filho de uma professora e um advogado, o menino era muito introvertido e requeria atenção especial dos professores porque tinha dificuldades para acompanhar os exercícios da turma. Entre outras coisas, a polícia ainda vai procurar saber se ele contava com algum acompanhamento psicológico particular. J.P. entrou para o São Bento em 2008, e sua adaptação não teria sido fácil, já que ele gostava muito da escola antiga. O delegado Aldrin Rocha disse, porém, que houve uma evolução positiva, a ponto de o menino ter sido eleito “melhor amigo da classe”.

    Os depoimentos obtidos até agora dão conta de que J.P., antes de se atirar pela janela, tirou a mochila, o relógio, os óculos e deixou, junto com os pertences, uma nota de R$ 5.

    Envolta por circunstâncias nebulosas, a morte da criança chama a atenção de educadores e psicólogos. Para Mirian Paúra, coordenadora do Núcleo de Pesquisa de Juventude, Valores e Educação da Uerj, pré-adolescentes necessitam de supervisão intensa. Principalmente aqueles que apresentam algum tipo de desvio de comportamento já diagnosticado. Ela afirma que tanto a escola quanto os pais precisam estar atentos ao comportamento desses alunos.

    — Acho que até 12, 13 anos, todas as crianças precisam de um atendimento especial. A partir dos 15, já podem ser deixadas mais sozinhas. Não é fácil, mas podemos fazer. As escolas precisam ficar muito atentas — alerta ela, professora do programa de pós-graduação em educação da universidade.

    Membro do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe), o professor de sociologia Danilo Serafim alerta para a falta de estrutura de escolas públicas, que podem ser ainda mais vulneráveis a tragédias dessa natureza.

    — Hoje, as escolas usam o termo unidade de inclusão, o que significa que alunos com necessidades especiais podem frequentar qualquer sala de aula. Porém, falta gente especializada para acompanhar quem precisa de atenção redobrada. Se a legislação admite que tem que haver inclusão, precisamos de profissionais capacitados — analisa Serafim, acrescentando que adolescentes devem ser observados de perto.

    Tristeza, um sinal de alerta

    Psicóloga, psicopedagoga e psicoterapeuta, Andreia Calçada observa que tanto a família quanto os funcionários do colégio precisam estar atentos ao comportamento da criança, na sala de aula e em casa.

    — O professor mais atento percebe se a criança está acuada, humilhada ou triste. Em casa, a família pode reparar no comportamento dela. Muitas vezes, a criança está frágil na escola por questões familiares — diz a psicóloga. — Para evitar situações que possam depreciar um aluno, a escola pode lançar mão de palestras educativas, falar sobre o risco desse comportamento e mostrar que ele existe.

    Muito triste e estranho este caso. A polícia não está tomando decisões precipitadas e está ouvindo o máximo de pessoas possível. E até a imprensa parece estar tomando cuidado com o que diz. Pelo o que eu li, não dá pra saber, com certeza, o que aconteceu. Espero que consigam os depoimentos dos colegas que foram os últimos a ver o garoto, quem sabe assim temos alguma explicação...
     
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