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Sobre a política dos povos de Arda

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Eru- o Ilúvatar, 22 Set 2003.

  1. Eru- o Ilúvatar

    Eru- o Ilúvatar Usuário

    Tomo aqui a liberdade de dar prolongamento a um assunto que surgiu por acaso em uma conversa entre alguns membros da Ordem de Eä no msn. Estou curioso pra ver a repercussão desse material que eu preparei pra debate aqui na Valinor. :wink:

    A política tal como ela é praticada pelos diferentes povos de Arda.

    Me permitam as analogias: Há referências históricas talvez não óbvias mas que podem ser peneiradas afim de se obter com maior clareza uma definição de ordem política.

    Evidentemente, atemo-nos num primeiro momento às monarquias:


    Sim, quase todos entre os grandes reinos de Beleriand a Terra Média tem um rei, um senhor, cujo poder é assegurado por via hereditária, tal como nas monarquias.

    Mas vamos a questão: Governam eles todos de maneira igual? Creio que não. Numenor, e isso Gondor carregou como herança, era um reino não somente monárquico como expansionista (não no sentido de expandir as próprias fronteiras, mas expandir o império com colônias). Numenor, e isso Gondor carregou como legado, era IMPERIALISTA.


    Estabeleciam fortificações, colônias, e quando a sombra se abateu, passaram a demandar tributos para o seu rei. Soa familiar ao que encontramos em livros de história sobre a colonizãção da América e as relações dos europeus, tecnologicamente avançados, com os autóctones no Novo Mundo. E Gondor prosseguiu com essa política. Mas o fez de forma diferente. Foi obrigada a assumir fronteiras como parte do Reino, e teve um apêndice em Arnor. Aí nota-se um estilo de ocupação territorial mais próximo do romano, onde as fronteiras físicas reais do Império se extendiam de fato para toda a área sob ocupação do rei. Poderia ser Arnor a Roma de Gondor (uma Constantinopla, capital do império de igual importância), a Gondor do Norte tal como foi Bizâncio a Roma do Oriente? Sob ocupação dos reinos erguidos pelos edain fugidos de Numenor, estavam sobre proteção povos que viviam sob a tutela e com a negligência do poder do rei, no sentido de haver liberdade para organizarem-se politicamente ao próprio gosto. Nisso remete ao modelo de ocupação britânica na América do Norte durante o século XVI, o período de negligência salutar, onde a marinha britânica protegia a costa americana e ao mesmo tempo permitia que uma organização política e econômica fosse criada e desenvolvida na colônia sem grandes ingerências. Casos típicos disso? O Condado.

    O Condado, ou Shire, a terra dos pequeninos, vivia em um regime mais próximo da república que conhecemos, apesar de uma leve, mas bem leve, veia aristocrática.






    Alguns membros da pequena comunidade eram mais abastados, e inclusive há referência a Terra dos Buques. O Bolsão é uma herança de Bilbo que alimenta invejas nos seus familiares e outrem. Há um senso claro de propriedade privada, e alguns indivíduos gozam de mais respeito e consideração dentro do grupo. Há as famílias, e pelo nome da família há um maior ou menor reconhecimento da pessoa. A ambientação de cidade rural inglesa colabora pra acentuar esse híbrido de sociedade republicana com requintes aristocráticos. O Thaim, o governante do Shire, era nomeado tal como num regime republicano, pelos votos dos membros mais abastados da comunidade (não posso afirmar mas não duvido que fosse algo nos moldes de uma República velha, onde certo número de posses e nome fossem pré-requisitos para votar).

    E esse mesmo condado, quando Saruman, ou Charcote, resolve dar o ar de sua graça por lá? Bom, os Condestáveis, antes uma guarda formal, torna-se um instrumento de repressão. O governo torna-se centralizado na mão de um ditador que poucos conhecem pessoalmente. O seu porta-voz, um hobbit renegado, que assume a responsabilidade pelo "mal" feito, age com mão de ferro, confisca bens, expropria, extorque. Temos aí um regime totalitário formado, com inclinação fascista.




    Agora, analisando o caso dos Eldar: Monarquias clássicas. O zênite da presença dos eldar na primeira era é marcado por muitos reinos fronteiriços (o tempo do Cerco a Angband), organizados muito a maneira das monarquias européias na Idade Média. Não se expandiam para além das suas fronteiras, tinham algumas rivalidades fronteirissas mas desenvolveram, dentro de uma frágil política de relações, uma aliança contra o inimigo comum (uma "Cruzada contra Melkor? :roll: ). Curiosamente, esse mesmo procedimento continuou válido até a partida dos noldor de Arda. Não expandiam seus reinos, os aprimoravam apenas. Seja na afamada Gondolin, seja em Lórien ou Rivendell, o senhor da Casa tão somente cuidava pelo zelo dos seus e pelos saberes da sua hoste.

    Eu me atreveria a enquadrar os reinos élficos na categoria de regimes despóticos esclarecidos, no melhor sentido hobbesiano da palavra, uma evocação direta a referência do Ánax. O poder justificado como instrumento mantenedor da ordem e capaz de assegurar a proteção de um povo ante o medo da morte, princípios de Thomas Hobbes, são presentes o tempo todo. O rei tinha obrigações perante o povo, que devia a ele, em troca, total e incondicional lealdade e obediência. Depois posso me aprofundar mais no assunto.

    Quanto aos Naugrin, tinham uma hierarquia toda calcada na dinastia de Durin, o primogênito dos anões, e todos os seus descendentes, a maioria também chamada Durin. Eram um poder e uma influência que não estavam calcados na força, mas no orgulho que os anões tinham por sua história e por suas tradições. Durin poderia ser comparável a aqueles reis europeus que colocavam nos filhos o nome dele, e que sucediam aos pais no poder... Vide os reis franceses Luís I, Luís II... Luís XVI... Só pra citar um exemplo.

    Mas sem dúvida o componente "devoção incondicional as Casas dos Reis dos anões era inegável. Eram fervorosos e fiéis aos seus reis, sabendo, entretanto, que neles não havia a vontade dos valar (tal como se fazia pensar no Irã no que tange a palavra do Aiatolá, por exemplo).


    Quanto aos povos abatidos pelas sombras, creio que alguns como os haradrim e dunderlings vivam sobre a édige de monarquias mais primitivas e não tão bem estabelecidas como as de Gondor, e no caso dos orcs, isso tornava-se mais gritante ainda. Os Orcs na verdade eram comandados por regimes de força. Há quem expecule que os capitães dos orcs eram maiar caídos, e mesmo o rei dos Orcs das Montanhas Azuis, em O Hobbit, só o era muito provavelmente por ter dado alguma demonstração de força. Os orcs não eram diciplinados o suficiente para construir uma organização política coesa.

    E por fim, mais um adendo: E o Conselho Branco? Seria, pois, uma Liga das Nações, uma ONU, onde os representantes dos povos livres compartilhavam preocupações comuns, debatiam políticas comuns e definiam como combater aquilo que entendiam como mau?

    Não vou me extender aqui. O assunto é rico, há muito o que se dizer e mesmo contestar aqui nesse meu "post-olifante", mas acho que valia por na mesa pra discussão.
     
  2. Fingolfin

    Fingolfin Feitiço de Áquila

    E em Valinor? As regras eram decididas pelo Círculo da Lei? Pelos Aratares ou cada um mandava naquilo que lhe era a característica dominante?
     
  3. Deriel

    Deriel Administrador

    Basicamente todos os governos de Arda são Monarquias, mesmo o COndado não é uma região à parte, e sim membro do todo maior dos reinos (mesmo que ausentes).

    Em Aman, a última palavra era de Manwë, o Rei. Na Terra-média temos os Reis de Anor e Gondor, Rohan, Lothlórien, Mirkwood. Todas monarquias.
     
  4. Gil-galad Æ

    Gil-galad Æ Usuário

    Aiya, Arquen Eru!!

    O problema desse trabalho que você elaborou é o de ele ser completo demais!! Na verdade um ensaio!! Eu estava procurando trechos ali para comentar ou acrescentar, porém você não deixou muitas lacunas! De certo que a discussão em MSN rendeu tanto que criou condições para que um texto assim ficasse completo!

    Então,podemos mudar o foco da discussão e tentar entender o porque esses regimes surgiram!

    Como vc disse num trecho sobre o Condado, quando Saruman apareceu, uma ditadura foi imposta pela força e pelo medo!! E durou até o Expurgo onde a queda do regime também foi conseguida através da força e combatendo o medo!

    Sobre os Elfos, conta que como foram nascendo no Cuiviénem, os 3 primeiros Elfos foram escolhendo quais seriam seus companheiros e por consequencia se tornando seu lider e senhor! O que poderia surgir daí?? De certo que uma democracia não era algo difundido entre eles!

    E assim podemos tentar saber como um regime surge!! e porque ele surge!! E se ele convém e se é benéfico e se poderia existir uma outra alternativa! Lógico que, tudo dentro da Obra do Mestre!




    Namarië
     
  5. Faram¡r

    Faram¡r Dr. Benway

    É interessante observar o estatuto de Rohan. Claro que Rohan é também é uma monarquia, mas suas terras foram cedidas pelo Regente Cirion para Eorl em 2510 na terceira era.

    Essas terras foram cedidas e um pacto foi feito: Em momentos de necessidade Rohan devia enviar guerreiros para ajudar Gondor. Esse dever é uma das caracteristicas mais importantes do laço vassálico. Claro que o Rei de Rohan não era exatamente um vassalo do Regente de Gondor, assim como as Monarquias em Arda não seguiam as caracteristicas exatas observadas em nosso mundo. O ponto é que depois de Aragorn ter assumido Gondor, Rohan não devia mais nada a Gondor, porque qualquer trato entre os dois Reinos havia sido feito a linhagem do Regente, não a linhagem real. E sabemos que na Terra-Média os individuos e suas linhagens eram muito valorizadas (assim como em nossa Idade Média), e Rohan não ia querer fazer tratos em posição inferior a Gondor, a menos que fosse forçado.

    Eu acho muito divertido ficar imaginando como seria a política da Terra-Média na Quarta Era, após a morte de Aragorn.
     
  6. Riff

    Riff Usuário

    Antes de mais nada eu diria q os elfos viviam num regime absolutista

    Ninguem contestava o poder de Thingol, nem o de Finwe, os seus descendentes encontravam problemas mas tinham poder absoluto sobre suas terras, por exemplo, em Doriath quem julga Túrin é Thingol, ele é a lei, não havia diverença entre legislativo, executivo etc, tal sistema pode ter passado a Gondor mas o rei com certeza apenas julgava os casos mas graves (como o de Beregond).

    E Bri, aquilo era anarquia absoluta, não havia nenhuma forma de governo naquelas terras

    E os anões, eles parecem ter ( ) uma teocracia, sim, pois apesar de eles estarem divididos em clãs q lutavam entre si o herdeiro de Durin tinha bastante poder sobre os Barbalongas e era respeitado até pelos outros anões, seu poder era justificado pelo fato de ser descendente de Durin, e msmo sem ter poder absoluto sobre os anões ele garantia a unidade do império.

    Cara de pau eu né :mrgreen:
     
  7. Shagrat001

    Shagrat001 Usuário

    uma simples razao para surgimento destes regimes e o seguinte
    primeiro os eldar aparecem e necessario depois de um tempo escolher alguem para decidir pelo grupo c nao ia c mo bagunca
     
  8. Eru- o Ilúvatar

    Eru- o Ilúvatar Usuário

    O Thainato no Condado não era em definitivo uma monarquia. Viviam dentro dos domínios de Eriador, Arnor, mas em uma relação de negligência salutar com o reino, e liberdade incondicional após sua queda.

    Há, mesmo nas monarquias, diferenças que variam do sutil ao explícito, vide a forma como os noldor conduziam suas hostes e como isso se dava, por exemplo, entre os gondorianos ou mesmo os elfos de Lórien.
     

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