1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Sobre a Poesia Contemporânea

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Mavericco, 14 Mar 2013.

  1. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Bem, vou ser bem sucinto: descobri hoje uma entrevista feita em 2010 com o poeta Carlito Azevedo, na ocasião em que ele abria algumas páginas dedicadas à publicação de poesia contemporânea. Já tinha conhecimento das páginas e do autor (o qual considero um dos poetas mais consolidados do Brasil [vide o Monodrama]), mas nunca li essa entrevista...

    E como hoje é dia do poeta e toda aquela patacoada patati patacolá, acho que é de extrema pertinência a postagem dessa entrevista que esclarece questões fulcrais para a discussão da poética contemporânea: ela vale a pena? como funciona o processo de leitura do poema? é pra especialistas? quê que tá rolando que eu não entendo essaporra?

    Considerando que há pouco a crítica deu mais um de seus chiliques no sentido de que "NOES! O Brasil não produz nada de bom!!!1", mais uma vez reitero a pertinência dessa entrevista.

    Enfim.

    :joy:

     
    Última edição: 14 Mar 2013
    • Gostei! Gostei! x 4
    • Ótimo Ótimo x 1
  2. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Re: Sobre a poesia contemporânea.

    Sobre a poesia brasileira contemporânea, não estou tão por dentro assim, mas duas coisas me incomodaram lendo o Boa Companhia: Poesia, coletânea de poetas contemporâneos do Brasil feita pela Companhia das Letras.

    A primeira é a idade dos poetas. Não sei se o quadro em geral é assim, mas pela coletânea, dá a impressão que o pessoal está velho. A maioria é do começo do século XX. O Gullar, por exemplo, nasceu em 1930. Claro que idade não quer dizer nada quanto à qualidade do escrito (em geral, a escrita melhora com a idade, mas...).

    A segunda é que os poetas são na maioria funcionários públicos (alguns até chefes de Institutos, Casas Culturais e que tais), tradutores, jornalistas, ganhadores do Jabuti (o que na verdade deve formar a origem dos escritores brasileiros). O José Almino, trabalhou na ONU, formou-se na França, nos Estados Unidos. O Eucanãa Ferraz é (ou era) professor de literatura na UFRJ. Então, claramente, poesia é coisa de elite no Brasil (a elite da elite?) ou de funcionários públicos.

    Então não dá para esperar dessa poesia muita crítica ao "sistema" estando todos tão entranhados nele. Supondo que a função do escritor seria essa (o que no Brasil nunca foi, acho). Além disso, a experiência de vida dos autores que a gente pode esperar encontrar nessa poesia não vai ser muito variada, vai? Tanto é que muito dela é poesia auto-referencial, sobre a dificuldade de se fazer poesia, etc, o que pode não interessar aos leitores.

    Talvez seja injusto julgar os poetas assim, a qualidade de alguns continua muito boa, claro, e no final é também só um livro (que reflete bastante os interesses da editora), não o todo do que poderia se chamar poesia brasileira contemporânea. Não sei se sua experiência é parecida, Mavericco (e quem mais lê poesia).
     
    Última edição: 18 Mar 2013
  3. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Re: Sobre a poesia contemporânea.

    Bem, confesso que não li esse Boa Companhia, mas não sei te dizer até que ponto ele dá uma visão efetiva da literatura produzida hoje no Brasil...

    Talvez o fato da seleção ter se pautado em autores mais consolidados seja uma opção mesma da publicação. Mas sei o que você quis dizer: querendo ou não, poetas como Gullar não são tão contemporâneos assim. Naturalmente, estão vivos e publicam; mas a espinha dorsal de sua obra já passou, parecem agora estar voltados para a "Consoada" de que diz Manuel Bandeira. No caso do Gullar, nós vemos esse movimento a partir do livro Na vertigem do dia, concretizando-se no Barulhos, acentuando-se no Muitas vozes e desembocando no Em alguma parte alguma.

    Mas isso não quer dizer que a poesia do Gullar seja desprezível. Acho que é uma situação parecida com o Drummond de As Impurezas do Branco, em especial no poema "Declaração em juízo", frente à geração mimeógrafo. Por exemplo, o Muitas vozes do Gullar, de 99, é mais crepuscular que o Em alguma parte alguma. Explico: o livro todo é povoado do tema da morte, de despedidas, de rememorações belíssimas de pessoas que já se foram (visto que, de resto, o Gullar escreveu o livro numa época em que sua esposa, seu pai e seu filho morreram). Mas já no próximo livro, o Em alguma parte alguma, de 2010, posso ver um retorno a temas de livros anteriores, como no caso do penúltimo poema do livro ("Volta a Santiago do Chile"), onde ele volta aos locais de onde escreveu grande parte do Dentro da noite veloz ou o Poema sujo, ou no simples fato dele continuar a sequência do "Bananas Podres" iniciada no Barulhos. Ou então ele criando uma poesia que aponta novos caminhos, como o de uma poesia mesclada de informações científicas (vide o "A Estrela").

    Enfim. Acho que abri um hiato meio grande. Não sei se deu pra chegar onde eu queria, mas a ideia continua sendo a mesma: esses poetas mais de idade são, querendo ou não, sobreviventes. Eles falam e não falam da situação contemporânea...

    Agora quanto à crítica de instituições, não acho que tenha algo haver. Isso pode ser de fato um entrave para uma poesia mais revolucionária, ou mesmo uma panfletária, e o Drummond trabalhou essa ambiguidade com grande força em livros como Sentimento do mundo ou A Rosa do Povo. Veja-se, por exemplos, aqueles versos famosos de "Confidência de Itabirano":

    Creio que é perfeitamente possível que o poeta viva dentro do sistema e consiga criticar o sistema. Mesmo porque, de certo modo, até onde eu saiba, nenhum desses poetas contemporâneos tanto da coletânea quanto dos que porventura entrem na análise e que eu conheço fazem parte da elite. Possuem renome, é certo, mas agora fazer parte da elite são outros quinhentos. Se pudesse citar Drummond de novo, citaria o "Elegia 1938", onde ele trata mais calmamente desse tema de estar dentro do sistema e subvertê-lo. Mesmo porque, de resto, é preciso que se esteja incluso no sistema para que se possa subvertê-lo.

    Quanto à poesia metalinguística, isso que você falou de "poesia auto-referencial, sobre a dificuldade de se fazer poesia, etc", esse foi um mal, de fato. Com o embate já arrefecido das tendências que desembocaram no século XXI, a saber, o Concretismo e a Poesia Marginal, e o subsequente esvaziamento ideológico da sociedade, a poesia ficou um pouco sem chão. O concretismo estava datado; a poesia marginal não tinha sentido... daí muitos poetas dessa época travarem um discurso metalinguístico, de se voltarem ao fazer da poesia e indagar sua valia num fim da história.

    Mas tenha atenção: esse foi um mal que, quando muito, fez parte até no máximo da primeira década do século XXI. Nota-se claramente que nesta segunda década a poesia apresenta veios de escape para tal tendência assim como a sociedade já vem apresentando alguns movimentos contrários ao esvaziamento ideológico (a Primavera Árabe está aí, certo?). E mesmo no caso daqueles poetas que se questionam sobre o fazer poético, como o Gullar em grande parte do Em alguma parte alguma, esse questionamento não tem mais como fundo um cenário apocalíptico, mas um cenário comum, um cenário em construção. A metalinguística é agora apenas UMA das tendências. Apenas isso. Em determinada parte do Em alguma parte alguma, Gullar fala que a construção do poema é fazer do não dito dito (o contrário de fazer o dito não dito). Por si só, essa expressão é algo.

    Por exemplo, o Fabrício Corsaletti tem um poema já antológico, o Seu Nome, onde ele parece fazer um caminho inverso: isto é, ao invés de questionar, como o faria um poeta da década passada, a funcionalidade da poesia em dizer o nome da amada, ele cerca o nome dessa mesma amada de uma série de contradições, de negações (ou de definições a atestar sua incompetência pessoal) que acabam dizendo muito do nome dessa mesma mulher. Ou, antes, não dizem nada, porque já disseram tudo, à guisa de como ele termina: "talvez eu não seja um poeta a altura do seu nome / por via das dúvidas vou acabar o poema sem dizer explicitamente o seu nome".

    Por fim, esse livro é de 2003. Poetas como a Angélica de Freitas ainda não haviam entrado na parada. Ou mesmo um Fabrício Carpinejar, um Fabrício Corsaletti, um Ricardo Domeneck ou uma coleção como a falecida (?) Ás de Colete. Isso pra não falar que o Eucanaã Ferraz dessa época não é mais o de hoje em dia, por exemplo (cito ele pois ele é uma das vozes mais ativas hoje em dia).
     
    Última edição: 17 Mar 2013
    • Ótimo Ótimo x 1
  4. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Re: Sobre a poesia contemporânea.

    Pois é, foi exatamente isso que quis dizer. Não é que a poesia seja ruim, longe disso, mas a percepção de alguém com 80 anos acerca do "contemporâneo", do que se passa no mundo hoje, será necessariamente diferente da de alguém com 20, 30. Pela própria formação da pessoa, pelo que ela viveu, enfim.

    Quando falei, elite, quis dizer no sentido de intelectual (mas não queria usar a palavra) não necessariamente financeira. No sentido de ter acesso a conhecimento, de ter tido educação formal privilegiada, coisas assim. Também estava pensando em Drummond na hora que escrevi. Essa relação do escritor (e da arte em geral) com a realidade sócio-econômica é meio complicada no Capitalismo e talvez insolúvel, né? Mas é que acho complicado também o ignorar completo da realidade em um país como o Brasil pelos poetas da coletânea, por exemplo.

    Dá para fazer poesia impunemente em um país com 14 milhões de analfabetos? Como vai ser essa poesia? A quem fala um poeta que se formou na França, nos Estados Unidos e que é embaixador, nesse país, com essa realidade? Até, em um nível mais básico, a quem fala a poesia lançada em edições de luxo? (Poesia no Brasil é cara) O que leva um poeta a fazer a escolha por esse tipo de publicação?

    E só caí nessas perguntas pelo que é citado na entrevista de que "a poesia atual virou assunto para especialistas/iniciados" o que também nos remete ao assunto da metalinguagem, que para mim é a resposta: a poesia que ignora a realidade é em grande parte (e necessariamente?) metalinguística, senão hermética também (como muitos poemas da coletânea, de novo), o que não quer dizer ruim (mas...). Faz algum sentido perguntar essas coisas?

    Não sei se começamos a escapar do esvaziamento ideológico (nem sou otimista quanto à Primavera Árabe). Infelizmente, eu sou cético quanto a mudanças sociais positivas, mas talvez você tenha razão, claro (também sou cético quanto ao meu ceticismo). Só que (ou por isso mesmo) a metalinguagem me parece uma tendência ainda forte. O Paulo Henriques Britto, lançou o Formas do Nada, ano passado, e o Francisco Alvim, o O metro nenhum em 2011, né? (só li alguns poemas do primeiro (muito bons aliás), mas ele me pareceu bem metalinguístico a começar pelo título). E você já deu uma olhada no Sentimental do Eucanaã Ferraz? Embora possa ser sim, uma das tendências, aliás como parece ser na arte contemporânea toda.
     
    Última edição: 19 Mar 2013
    • Ótimo Ótimo x 1
  5. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Re: Sobre a poesia contemporânea.

    Bem, não sei dizer se consigo responder a essas perguntas... Elas não deixam de serem pertinentes (e amplas!). As duas primeiras acabam acometendo diretamente no analfabetismo de fato ou no funcional do brasileiro, o que redunda num problema de educação mais amplo e que não envolve apenas a poesia (a poesia é o ápice dessa situação). Não sei nem mesmo dizer se a poesia consegue resolver ou dar um jeito nisso (ou se ela deve dar um jeito), não sei dizer até quanto ela pode se debruçar sobre isso. Afinal, fazer poesia como fazer literatura é uma atitude que nunca alcançará essa impunidade, bastando lembrar o Oswald de Andrade que dizia: "No meu tempo, eu escrevia para um país de analfabetos". É algo que incomoda, é verdade, mas essa é uma questão que está além do alcance literário (ou está num campo indireto dele: a literatura não muda o mundo, mas muda o homem).

    A questão do poeta que se formou na França etc: no final, ele acaba falando com seus leitores. É uma resposta simplista, não nego, mas no mundo conectado em que vivemos (bem clichê isso) é perfeitamente plausível que um Ricardo Domeneck, que morou durante muito tempo na Alemanha, faça poesia e batalhe pela poesia nacional. A noção de espaço nunca dependeu exatamente do espaço, bastando notar os inúmeros casos de exílio ao longo da literatura (como o Joyce que se auto-exilou de Dublin em 1904 e ainda assim escreveu o Ulysses, ou o bom e velho Gonçalves Dias). O que os avanços contemporâneos trouxeram para a literatura foi a possibilidade desse autor, fora de um contexto físico nacional, tanto escrever para os leitores daquele país como até mesmo se inteirar com a realidade desse país.

    Agora, sobre as edições de luxo, aí eu vou pedir exemplos aos universitários :P

    Pra ser sincero, não acho poesia algo tão caro assim no Brasil... Veja o "Toda Poesia" do Leminski: 46 dilmas. Pela obra poética completa de um poeta... é algo bem barato. Claro que existem os exageros, como a Cosac cobrar 45 dilmas por um livrinho de 64 páginas com 15, sei lá, poemas do Kaváfis. Mas a Cosac é careira etc (se bem que o "Um útero" da Angélica de Freitas, p.ex., custa 28 dilmas, o que é barato).

    Mas será que ela nega essa realidade? A poesia metalinguística nada mais é que uma poesia que analisa sua própria linguagem, seus instrumentos. Mas essa discussão da metalinguagem na poesia contemporânea acaba sempre vindo de uma reflexão das razões e do panorama passado que levou esse poeta a essa análise. Antecipando um pouco, veja o "Sonetilho de verão" do Paulo Henriques Britto:

    E, já respondendo em parte sua pergunta, o Paulo Henriques Britto tem de fato uma poesia pautada na metalinguagem. Talvez isso decorra da sua formação como tradutor... Mas a metalinguagem do Britto, no decorrer da sua obra, foi ganhando esse fundo, foi mudando o papel de parede de modo que nós não podemos dizer que é poesia puramente metalinguística. A língua é uma coisa que, a rigor, não existe, mas algo que se manifesta (aquilo que o Sassure falou de parole e langue). O poeta questiona essa manifestação, essa língua na boca do povo e na mão do poeta, em especial esta última, de modo que ele acaba questionando também toda uma realidade. Questiona a composição do poema, mas não apenas ela voltada a si, mas, por exemplo, a conotações que você se referiu mais cedo: a quem? por quê?

    Tem um artigo bem interessante sobre isso:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , da Fabiane Renata Borsato, onde destaco o finalzinho:

    Agora sobre o Eucanaã Ferraz, eu cheguei a ler grande parte do Sentimental... Mas confesso que ainda não tenho uma opinião formada. Achei o livro um pouco fraco, mas se você me perguntar por quê, não vou saber responder.
     
    Última edição: 19 Mar 2013
    • Ótimo Ótimo x 1
  6. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Re: Sobre a poesia contemporânea.

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    Meio que pra bater na mesma tecla, mas achei um texto muito legal lá no Rascunho sobre o novo livro de poemas do Britto, Formas do Nada, com um comentário sobre a poesia metalinguística bem bacana. O texto é o
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , do Luiz Guilherme Barbosa, e eu destaco esta passagem:

    Mais no finzinho o autor diz:

    O que acaba sendo um complemento à investigação metalinguística que o Britto empreendeu ao longo de sua trajetória.

    Outro texto em que pude encontrar uma passagem interessante sobre a metalinguagem é este,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , do Vinicius Dantas e da Iumna Maria Simon, em que, analisando um poema do Carlito Azevedo, os autores acabam por fazer uma crítica a uma tendência já clássica da poesia metalinguística:

     
  7. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Re: Sobre a poesia contemporânea.

    Mavericco, não sei se você já viu um texto de Paulo Scott (não conhecia o autor) sobre poesia contemporânea que saiu no blog da Companhia agora no final de abril. Chama-se
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    .

    Tem essa parte de um comentário aqui do Paulo Henriques Britto que acho bom destacar:
    Ele dá ainda umas outras características da poesia contemporânea no Brasil: hiper-realidade, inexistência de um movimento etc. E ele acha que estão acontecendo "transformações relevantes de maneira sutil" na poesia (quanto a isso não sei muito). O post serve também para quem quer conhecer mais por trazer vários nomes.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  8. Pim

    Pim God, I love how sexy I am!

    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
    • Gostei! Gostei! x 1
  9. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    O Paulo Franchetti publicou um texto legal na Sibila sobre poesia e crítica contemporânea:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)

    Acho que ele é um dos poucos comentaristas da Sibila que eu realmente me animo em ler...

    O Franchetti bate muito na tecla de que talvez a questão da emoção está mesmo ausente ou muito apagada no discurso crítico atual sobre poesia, apesar de que nesse texto ele não fala muito disso. Tem muitas passagens interessantes, mas, pra ficar com uma:

    Ele tem outros textos sobre essa questão:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    ,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    ,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    ,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    ,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    ,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    .

    Desse último, destaco:

    E que não deixa de ser uma discussão válida: sempre se pergunta se o livro digital isso, aquilo, aquiloutro, mas é interessante notar como na poesia (não sei direito na prosa), em especial uma poesia contemporânea que teoricamente estaria permeada dos veios da poesia concreta, parece simplesmente "esnobar" uma possibilidade de se imiscuir de recursos áudiovisuais (mas de se notar que quando falo em "poesia", falo na poesia mainstream, pois a poesia que o homem comum produz na internet constantemente usa-se de imagens, vídeos, animações etc, bastando citar como exemplo as publicações no site Recanto das Letras).

    E, em relação à poesia digital, continuo com mais duas indicações de ensaios do Franchetti:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    e
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    .
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  10. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    É bem por aí... E em outros meios isso tem sido visto também. Eu lembro que esse ano eu comprei o dvd da versão nova do animê Evangelion 2.0 e o que se vê é que os personagens foram separados do seu significado, tornando-se caixas de papel vazias (piores que animais) em relação a obra original. A superfície do produto está mais polida do que nunca mas o material humano e poético que havia no trabalho dos anos 90 ficou horrível (e pelo que contam piorou no filme 3.0). Foram retiradas as cenas de tensão real e de percepção psicológica de detalhes eliminando o que havia de identificação emocional restando apenas a estética extrema desprovida do prazer ou desprazer que o leitor tinha na obra.

    Os produtos estão saindo para quem não consegue digerir (tipo nivelamento por baixo).

    É como se a poesia enfrentasse a sedução de uma era dissociada e sub-cognitiva. Na música aparecem diarréias sonoras que vampirizam inspiração em desarmonias atuais como os estouros súbitos do rush dos engarrafamentos de trânsito e da degradação do potencial humano.
     
    Última edição: 28 Mai 2013
  11. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Muitas coisas para comentar, Mavericco. Por exemplo, não sei do que ele está falando quando fala das disputas entre poetas. Isso existe ainda hoje? Eu não soube de nada recente. Também não vejo toda essa influência dos Concretistas e do João Cabral de Melo Neto na poesia contemporânea brasileira. Você vê?

    Uma coisa importante que ele pergunta é quem são os leitores de poesia hoje. E esse trecho de
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , achei importante:

    Essa visão da poesia "contra" eu também demonstrei ali em cima e me parece que a origem dela está no Baudelaire pelas minhas últimas leituras, representante da posição romântica do poeta contra a sociedade (e vice-versa). Parece que toda a poesia desde Baudelaire compartilhava desse preconceito dele.

    Ainda dá para comentar mais. Depois volto.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  12. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Acho que como a poesia não vende muito, essa banalização que você disse afeta e não afeta a poesia. Afeta a poesia, por exemplo, nas músicas que comumente vemos sendo tocadas por aí (elas não deixam de ser poesia), mas a poesia que é publicada em livro, sacramentada, dificilmente tem essas conotações, esse escopo.

    Mas aí nós já vamos estar entrando num campo mais efetivamente musical... E, por mais que um Camaro Amarelo nivele a coisa por baixo, não acho que esse tipo de letra diga respeito à poesia que é produzida e nem mesmo à qualidade musical da obra em-si (pois me parece um contrassenso que julguemos a qualidade de uma música por sua letra).

    É como se a letra musical estivesse num plano paralelo... Não sei. Confesso que, por mais que já tenha parado pra pensar nisso, sempre emperro (e acho que você nem estava se referindo a isso, né?).

    Então, também não estou sabendo de nenhuma treta editorial. Mas como o Franchetti conhece bem a coisa, visto que ele está inserido nesse mundo editorial...

    A influência cabralina e concretista na literatura contemporânea é melhor vista na relação objetiva para com a escrita do poema que esses autores empreendiam. O que, não raro, caía na poesia metalinguística. E aí nós voltaríamos pro começo do tópico, em que expus minha perspectiva de que a poesia da primeira década deste século era de fato uma poesia com forte influência objetivista, era uma poesia fortemente metalinguística.

    Mas a poesia dessa segunda década já mostra rupturas. Por exemplo, o Franchetti fala muito que a poesia passou a ser objetivada demais, a sentimentalidade, a emoção passou a ser posta em segundo plano. O Alberto Martins tem uma peça, Uma Noite em Cinco Atos, que retrata artisticamente essa mesma falta na poesia contemporânea. Mas seria uma falta entre aspas, pois, ao mesmo tempo que temos poetas claramente de influência cabralina ou mesmo concretista, como o recém-lançado pela Cosac, o Mário Alex Rosa, ou mesmo o Carlito Azevedo mais fortemente no começo de sua produção; enfim, por mais que esse tipo de coisa tenha existido, é interessante ver uma tremenda mudança quando já olhamos pra poetisas como Bruna Beber ou Alice Sant'anna, isso cai por terra, pois elas são bem subjetivas. Agora, o resgate deixa de ser tão cabralino e subjetivista para ser, por exemplo, o resgate duma Ana Cristina César.

    E é aí que eu acho que o trabalho de Angélica de Freitas é importante nesse sentido, pois ela pegou a poesia objetiva e aloprou com a coisa, incutiu uma forma subjetiva e humorística de tratá-la que está ampliando muito o espaço da poesia contemporânea (seja de fato, seja tematicamente [por exemplo, note que muitas editoras começaram 2013 abrindo sessões e coleções especiais pra publicar poesia contemporânea]).

    E quanto à passagem citada, é, concordo muito com o Franchetti e contigo. Essa coisa do Baudelaire de chamar o leitor de hipócrita já não rola mais...

    Nothing will come of nothing, diria Lear. Se a poesia não se articular em formar leitores, não adianta patavinas procurar pela grande obra que salvará a poesia da crise... E eu gosto sempre de bater nessa tecla: a crise da poesia contemporânea é uma crise de leitores. Por mais que a qualidade da literatura seja ruim (como existem ene objeções a serem feitas disso daí), uma coisa é certa: quem diz que essa poesia é ruim são pouquíssimos leitores, não raro tendenciosos, não raro sectários.
     
  13. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Encontrei um artigo do Antonio Miranda,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , que ajuda a ampliar a discussão sobre tema que anteriormente tratei ao quotar o Neoghoster Aika. Na verdade, nunca desconfiei que letra de música não fosse poesia; mas continuo mantendo uma posição em cima do muro ao dizer que a letra de música diz e não diz muito da realidade da poesia contemporânea. Queria encontrar um artigo que o Paulo Henriques Britto
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , onde o autor diz que muitos poetas hoje em dia não estão produzindo pra literatura contemporânea, mas pra música mesmo (o artigo é um que ele cita contra-argumentando essa coisa de que tem muito poeta ruim hoje em dia, quando na verdade sempre houve).

    Preguiça de assistir de novo :$

    Seja como for, outro artigo bem legal é esse do Renato Rezende,
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    . Destaco:

    O ensaio do Siscar
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    .

    P.S.: Achei o artigo. É ess'aqui:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , por Paulo Henriques Britto.

    Destaco (é, praticamente destaquei o texto todo :dente: ):

    Eu só faria algumas considerações sobre quando ele diz que o quadro é muito variado... Na verdade, se olharmos mais detidamente, vamos ver que o quadro poético contemporâneo não é tããããããão variado assim... Eu tinha aqui comigo um artigo que falava sobre isso, mas encontrá-lo é-me praticamente impossível. Postei-o no facebook mas não sei como ver todas as minhas publicações D:

    A parte da música que falei é essa:

     
    Última edição: 7 Jun 2013
    • Gostei! Gostei! x 1
  14. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Exatamente, essa impressão que você captou foi a minha intenção, eu estava contando com o lado universal da poesia.

    Só para eu não perder a baliza:

    Comentando sobre o catastrófico do texto vale acrescentar que uma vez que a história é flutuante (por vezes as sociedades avançam e por vezes elas regridem) não é difícil enxergar uma queda qualitativa na percepção do público médio que até continuaria com os canais de poesia abertos mas não teria como reconhecê-la porque se trata de um luxo ou um extra em um ambiente caótico.

    Num cenário desse tipo o autor se sente semelhante ao cidadão que fica inibido de usar um tênis de marca famosa numa aldeia aonde as pessoas mal possuem recursos para sandálias (lembrei do orgulho do servilismo que aparece na literatura brasileira). Pelo que se conta, quando resta a falência do reconhecimento público de elementos universais em qualquer coisa então os elementos de poesia universal viram estranhos e o conhecimento pode afundar numa "Dark Age" (igual ocorreu na história). Por vezes a era de escuridão ocorre apenas para uma área do conhecimento enquanto algumas vezes se torna geral. Semelhante a banalização ou culto a auto-depreciação e ao temporário de algumas épocas. A toda década de 20 segue uma crise de 29.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  15. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Texto bem interessante que encontrei sobre a relação entre poesia, mídias, espaço etc e tal:

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , de Pedro Lyra. Não vou citá-lo aqui pois ele tem tabelas e talz. Só vou citar o primeiro parágrafo:

    Muito haver com nossa discussão, não?

    A metalinguagem também aparece em suas reflexões:

    Não concordo com algumas coisas que ele diz... Por exemplo, isso aqui:

    Aí aparece um Leminski e alopra com a coisa toda.

    Mas, todo modo, gostei muito mesmo disso que ele disse:

    Outro link interessante, também do Rascunho, é a sequência Pesquisa sobre a evolução literária no Brasil, pelo Luiz Bras, que angaria opiniões sobre o título aludido:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    Os textos dizem respeito à prosa também :)
     
  16. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Ótimo ensaio sobre poesia feito pelo Reuben da Cunha Rocha:

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    Afinal de contas, qual é a função da poesia na sociedade?, é o que o autor busca refletir. Ele toma como base aquela definição do Leminski de que a poesia é uma inutilidade (in-utilidade), isto é, sua utilidade é ela mesma, é uma espécie de arte pela arte que não precisa ter um respaldo prático -- exatamente como um sábado de sol ou abraçar um amigo.

    A linguagem que ele usa é um pouquinho difícil... Mas compensa dar uma relida, se for o caso.

    Mesmo porque ele dá umas abordagens sobre o que é poesia que são espetaculares. Vou tentar destacar aquilo que julgo ser o olho do furacão:

     
    Última edição: 2 Jul 2013
  17. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Tem muita coisa desigual aí, claro. Literatura nenhuma consegue produzir 50 bons poetas de uma leva só. Em antologias isso faz sentido, do mesmo modo que, se lermos a Antologia de Poesia Parnasiana do Péricles Eugênio, vamos achar que o parnasianismo foi o fim da história.

    Mas, do quê foi posto aí, destaco o Carlito Azevedo, Monica de Aquino, Rodrigo Garcia Lopes, Ana Martins Marques e Dirceu Villa (o poema dele é talvez o melhor da coletânea). Acho que dá pra ter uma ideia legal do que está sendo produzido hoje em dia.
     
    Última edição: 8 Jul 2013
  18. Calib

    Calib Visitante

    essa capa me deu medo.
    parece um monstro-gelatina-antimatéria-do-mal

    - - - Updated - - -

    - Buzzo, p. 10.
     
  19. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Poesia é maléfica >: )
    Ainda mais poesia contemporânea mwahahahaha

    E é, né... Nessas horas fica até um pouco engraçado ver o esforço do pessoal em comentar seriamente a experiência com um poema desses :lol:
    Mas como não conheço o resto da produção da autora, então ficam elas por elas. Por exemplo, lendo o poema da Angélica Freitas não dá pra ter uma ideia muito boa de quem é Angélica Freitas. Você vai achar que a poesia dela é uma porcaria, visto que o poema em-si é bem bocó: o lance é que na conjuntura da obra Um útero é do tamanho de um punho ele ganha um relevo diferenciado.
     
    • LOL LOL x 1
  20. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Pelo visto cada leitor parece ter uma lista com os ativos mais valiosos...

    Por exemplo... Da diferença entre "Ler" e "Ler com objetivo de" é possível retirar inúmeras camadas de interesse.

    Para aquele que lê sem compromisso obrigatório a atração e o charme fisgam o cidadão começando pelas simpatias e antipatias em relação a elementos do texto. E num dia de sol a pessoa pode se sentir atraída por focar a interpretação nas personagens favoritas da história enquanto em um dia de chuva o humor esteja mais para verificar e contabilizar quantos adjetivos negativos ou positivos aparecem durante a leitura.

    Nesse caso há maior evidência da poesia de grande praticidade, de consumo fácil e rápido (que não significa sempre poesia de qualidade).

    Em outras palavras, ao comprar o livro o leitor entra no jogo de decifrar o enigma ao mesmo tempo em que obtém prazer, praticidade ou o que mais desejar da poesia.

    Em grande parte é uma crítica contra o tempo acelerado que oferece tempo apenas para uma única interpretação de texto em prol da simpatia ou da antipatia esquecendo o "ler com objetivo de". Tipo ler um livro inteiro e estar sempre com a interpretação incompleta sem tirar proveito da poesia.

    Que o leitor tem mudado loucamente a preferência na hora de jogar com significados e decifrar enigmas é certo mas ele nunca avisa ninguém. Até porque dificilmente ele parou para se preocupar na razão de ter sido passional.

    Isso me lembra da escola... Na biblioteca havia livros com poemas que eu escolhia na hora do recreio a partir do "ler com objetivo de" que focava os conteúdos de beleza universal e que fossem poemas elegantes o suficiente para que não envergonhassem a pessoa que o recebesse (recebimento secreto, é claro). Esse é um território favorito, que une o útil ao agradável.
     
    Última edição: 15 Jul 2013
    • Gostei! Gostei! x 1

Compartilhar