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Sobre a Crítica

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Zzeugma, 16 Jul 2010.

  1. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Abri este tópico para quem quiser discutir a "Crítica" em si.

    Segue um artigo do Braulio Tavares (de novo):

    1475) Ser crítico (5.12.2007) http://mundofantasmo.blogspot.com/2010/01/1475-ser-critico-5122007.html

    As palavras tendem a se nivelar por baixo, como a farinha de um farinheiro quando a gente lhe dá umas batidinhas laterais com a mão. (Esta metáfora é visualmente eficaz. É falsa, porque a mecânica das palavras é muito mais complexa do que isso; mas me serve no presente caso.) Uma palavra como “criticar”, por exemplo, deveria significar algo como “exercer a capacidade de discernir entre o bom e o ruim”, mas acabou se acomodando num nível inferior, e significando, na linguagem cotidiana, “falar mal de”. Cada crítico literário exerce este nobre ofício de acordo com (perdão, leitor) suas idiossincrasias. Ou seja: seus cacoetes, suas venetas, suas nove-horas. Todos aspiram à objetividade total, mas aspirar a isto é um pouco como aspirar ao Reino dos Céus. Pode-se até chegar lá um dia – mas ninguém fica sabendo.

    Quando Orson Scott Card mantinha na revista Fantasy and Science Fiction uma coluna intitulada “Books to Look For” (algo como “Livros para ficar de olho”), alguns leitores reclamaram do tom elogioso com que ele comentava todos os livros, e perguntaram se todos eram mesmo bons. Card respondeu que a coluna tinha como assunto os livros que valia a pena procurar e ler, e os livros ruins que ele lia eram automaticamente descartados. Muitos críticos usam esse tipo de abordagem: “eu falo do que gosto, o que não gosto não vale a pena”.

    Todo autor gosta de ser elogiado, mas melhor do que ser elogiado é ter uma obra revelada, descoberta, trazida à luz. Melhor do que ler uma resenha cheia de adjetivos elogiosos é ver alguém pegar um texto que a gente escreveu e examiná-lo por todos os lados, revelando detalhes que a gente não tinha percebido, criticando falhas que nos deixam constrangidos, estabelecendo ligações com outras obras de que não tínhamos o menor conhecimento, mostrando em nosso próprio trabalho uma riqueza de aspectos – ainda que uma riqueza problemática, uma riqueza com equívocos – que tinham nos escapado até então.

    Um artista comentou certa vez, referindo-se à imprensa: “Eu não quero elogios, quero ser levado a sério”. Criticar é levar a sério. Implica em reconhecer num trabalho, apesar dos eventuais defeitos, valor suficiente para ser trazido a público e discutido. Uma crítica negativa pode muitas vezes ser a melhor coisa que aconteça a um autor, se esse autor tiver discernimento bastante para perceber que o que está em questão ali é um diálogo de duas mentes em torno de um objeto ou de um tema. Crítico e artista estão em posições muito próximas. O artista não é um sujeito que está com sua obra embaixo do braço, protegendo-a, e o crítico não é um cara que está à distância, falando bem ou mal dela. A obra, depois que se desprende do seu autor, ganha vida própria, é como um balão de gás solto no céu. Crítico e autor estão aqui embaixo, no chão, olhando o rumo que o balão toma e trocando idéias sobre sua aparência, a altitude a que pode subir, a direção que está tomando.

    ***
     
  2. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    O Desconforto da Crítica, por Daniel Piza
    (http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/o-desconforto-da-critica/)


    A crítica sempre foi mal vista na cultura brasileira. Nos momentos em que as coisas aparentemente correm melhor, é ainda mais. Qualquer pessoa que destoe do coro otimista é vista como um chato, um estraga-prazer, um antipatriota. Disso deriva a noção amplamente estabelecida de que a imprensa só deveria servir para divulgar informações, para prestar uma espécie de serviço público, não para externar opiniões e instigar debates. É fato que em muitas culturas há esse desconforto com o senso crítico, mas num país que se acha predestinado à alegria tudo se complica. E isso se reflete na expectativa de um jornalismo que, afora tragédias naturais e crimes bárbaros, apenas ecoe os dados positivos.

    Os exemplos se multiplicam em todas as áreas. Na Justiça, há muitas decisões que dão mais importância a formalidades políticas do que à premissa de que a sociedade deve saber o que é feito com seu dinheiro. Veículos como TVs e rádios são proibidos de emitir juízo sobre candidatos durante as eleições. Colunistas são proibidos de usar este ou aquele termo para se referir a uma personalidade pública. Nesta semana, uma lei foi aprovada para que a vetusta Voz do Brasil, um resquício da ditadura getulista, não tenha horário fixo; a obrigatoriedade é que seja transmitida até 23h. Mas ela não deveria nem ser obrigatória, assim como o horário político gratuito fora de período eleitoral.

    Se Fernando Henrique Cardoso se queixava dos “fracassomaníacos”, Luis Inácio Lula da Silva vive disparando contra os que “torcem contra”, sugerindo que a imprensa é um obstáculo entre a classe política e o povo, de acordo com o mais antigo ideário populista. Ele acha que a imprensa não dá as boas notícias, mas isso é porque, como confessou, não lê os jornais; todo dia há fotos suas, nas mais diversas situações e lugares, e ao menos um índice positivo nas primeiras páginas, em geral vindos de institutos públicos claramente a serviço da propaganda oficial. Se sua popularidade é superior a 73%, em boa parte é por causa da mídia, e não apesar dela. Afinal, se a imprensa é porta-voz da “zelite”, é porta-voz da indisfarçável felicidade de banqueiros e empresários com seu governo.

    Na cultura, que não é saudável quando não há confronto, mesmo assim não se muda muito. Já ouvi de diversos artistas e diretores que “no máximo algumas ressalvas” são tudo que cabe ao jornalista fazer sobre uma peça ou um filme; caso contrário, ele é alguém que não quer que Shakespeare seja levado às massas… Revistas mensais culturais ou que se dizem literárias, mesmo que copiadas de modelos estrangeiros em que a crítica é fundamental, suprimem o gênero ou lhe dão poucas e escondidas páginas. As artes no Brasil, feitas à base de patrocínios públicos e por famílias muito ricas, querem tudo menos se comprometer. Quando há discordâncias, é de uma patota em relação à outra. Escritores de renome consideram que resenhar livros é uma atividade menor, é comprar brigas por nada.

    É claro que no futebol isso fica ainda mais claro, dado o passionalismo inerente a ele. O ex-técnico Dunga, por exemplo, tentou ser a tradução desse momento anticrítico que o Brasil vive. A seleção era dele, era guerreira e era a representação da pátria; falar mal de seu trabalho ou de qualquer aspecto de seu trabalho, portanto, era ser contra a patriamada. Muita gente acreditou que seus treinos fechados e sua proibição de entrevistas fosse um combate a privilégios como os da Globo. Mas, primeiro, a Globo e a CBF têm tudo a ver; o que elas mais querem é induzir o clima ufanista em torno da seleção, e não por acaso todas as versões oficiais sobre fracassos em Copas como as de 1998 e 2006 foram dadas pela TV (e uma dessas versões, sobre a falta de “comprometimento” de Roberto Carlos e companhia, motivou a escolha de Dunga). Segundo, romper com privilégios é abrir mais, não fechar; é fazer como a maioria das outras seleções e permitir acesso organizado a treinos e jogadores. Nunca soubemos o real estado físico de Kaká e Júlio César, por exemplo.

    Quando o Brasil venceu o Chile por 3 a 0, bastando três lances para tanto, a aprovação de Dunga foi a quase 70%. Os que escreveram que a seleção nem precisou jogar bem foram xingados do mesmo modo como Dunga xingou o jornalista Alex Escobar, sem ter sido xingado antes. Depois da derrota, porém, os erros que há muito tempo os críticos apontavam – o temperamento de Felipe Melo, a marcação ruim de Michel Bastos, a falta de jogadores jovens – foram reconhecidos. É curioso como Ricardo Teixeira sempre aparece em seguida a um fracasso em Copa e tem o diagnóstico de todos os problemas. Se o Brasil tivesse vencido, o consenso fingiria que os problemas não existiram. Como nas outras áreas, a maioria só adere à crítica quando as coisas vão muito mal. Mesmo assim, vem entremeada de desculpas. A Holanda, afinal, é um timinho…

    Blogs e comunidades virtuais em geral são outro sintoma desse mal-estar da crítica. Quando alguém argumenta contra determinadas decisões políticas ou esportivas, ou aponta o que julga serem defeitos num filme ou livro, as reações raramente vêm na forma de argumentos. São insultos e falácias, ou então a crença de que basta apontar um suposto lapso para demolir o raciocínio inteiro. O que está por trás não é o incômodo com aquela opinião (e toda análise contém opinião), mas com a própria existência de uma opinião que não seja a sua. É por isso que tantas das réplicas querem mesmo é que o autor perca seu emprego, de preferência dando lugar ao próprio replicante… O mau leitor é justamente o que acha que o autor serve para dizer apenas o que ele queria dizer.

    Sim, os maus críticos fazem mal à crítica também. Muitos autores não conseguem fazer crítica sem cair no ataque pessoal, sem destilar preconceitos, sem desmerecer totalmente o trabalho alheio, sem apontar o dedo para erros banais. Muitas das críticas ao governo Lula caíram no vazio porque sua ênfase era nos adjetivos ao presidente, assim como muitas críticas a jogadores famosos queimaram a língua porque criticavam suas baladas em vez de suas boladas. E pense em quantos artigos com boas causas, como a crítica à arte contemporânea, por exemplo, não estragaram essas causas ao dizer que Picasso não foi um grande pintor (sic!) ou que as instalações nem sequer são “uma linguagem” (mas não são um arranjo de signos?), desprezando qualquer hipótese de seriedade na arte atual.

    Como dizia Machado de Assis, opinião assim é fruto do temperamento, não do pensamento. Mas o fato de uma crítica não ser boa não significa que não deva existir – ou que deva ser substituída pela ridicularização do outro. Vide Teoria do Medalhão. Preconceito e desprezo são más críticas; nenhuma crítica é o pior. Onde ela não é valorizada, os poderosos é que determinam o que a história dirá. E serão apenas boas notícias.

    (”Sinopse”)
     
  3. Pescaldo

    Pescaldo Penso, logo hesito.

    Eu não tenho nada a acrescentar. O que eu sempre disse aqui pelo fórum em diversos outros tópicos em que se discutia a validade ou não de livros e obras de arte estão fundamentadas e arraigadas nesses dois textos acima.

    Acrescento, talvez, uma ressalva que jornalista não tem muito o que falar sobre diversas coisas mesmo, a maioria não sabe nem do que se trata, quanto mais emitir opinião sobre algum assunto (vide Fórmula 1, por exemplo). Entretanto, se for um crítico de arte com especialização em jornalismo (daí mais um motivo que, pra mim, deveria ser um Curso Técnico, não um Curso Universitário) a coisa muda de figura. Mas o foco do tópico não é esse.

    Aliás, fugindo do que disse no primeiro parágrafo, devo salientar uma coisa: a maioria das pessoas não dá a mínima pra crítica, justamente pela incapacidade de pensar sobre alguma coisa fora de seu mundinho confortável. Sempre repudiando o que não lhe favorece, seja opinião contrária ou gosto contrário.
     
  4. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Encontrei este texto num blog lusitano "parado" de crítica e resenhas cinematográficas. Não avaliei a qualidade do blog, mas achei este post bastante interessante.

    http://jeudemassacre.blogspot.com/
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    1. A avaliação de uma obra de arte é tarefa impossível. Aquilo que, tradicionalmente, é apelidado de avaliação deveria ser apelidado de opinião.
    Se assim é, tal deve-se ao carácter não-objectivo da mesma. Ao contrário de uma televisão, de um frigorífico ou de um automóvel, os critérios de qualidade de um filme, um livro ou um quadro não são uniformes, nem podem ser cientificamente testados de acordo com uma grelha padronizada. A classificação torna-se, então, simultaneamente o ponto de encontro e o símbolo da distância entre crítico e leitor.

    2. Uma crítica não deve nunca ser, do ponto de vista editorial, um instrumento publicitário.
    Um texto crítico não pode deixar de corresponder, na medida do possível, a uma enumeração e a um levantamento dos elementos constituintes de uma obra. Contudo, semelhante acto académico não pode bastar. Tal tornaria a função crítica mais democrática (porque mais simples), mas também mais pobre (pelo mesmo motivo). Sobretudo, perder-se-ia toda a ascese da exegese.

    3. Uma crítica feita sem qualquer noção de cinema, de escrita ou de estrutura narrativa, é um acto de liberdade fútil.
    Ao escrever mediante um simples impulso pessoal, desbaratando tudo o que deve enquadrar o texto, perder-se-á a essencial inserção do objecto de crítica no meio que, em parte importante, lhe dá forma, bem como a sua inserção na tradição de pensamento da actividade crítica. Nada disto é especialmente grave se alguém o fizer por catarse ou por divertimento; pode ser incapacitante se o “código crítico” – a partilha de um mesmo código é sempre o cerne de qualquer comunicação – não for respeitado em certos momentos, embora deixando sempre espaço para intervenção pessoal.

    4. A função crítica pode, então, ser entendida como a ponte entre o espaço público e o espaço privado.
    A crítica publicada tem de se imiscuir na visão pessoal do espectador, forçando-o a testá-la, a confirmá-la ou a refutá-la. Deste modo, o elaborar de uma visão pessoal por parte do crítico tem uma utilidade inequivocamente direccionada ao leitor. Será, então, um auxiliar de discussão, discussão interior porque impossível, pela quantidade de leitores, de ser pública na sua totalidade.
     
  5. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]
    Concordo contigo Pescaldo e tenho que admitir que esse é o tipo coisa que irrita muito, pois as pessoas deveriam aceitar críticas como forma de melhorarem, ou o que alguns chamam de crítica construtiva. Muita gente toma críticas como ofensas pessoais, coisa que também não é de muito proveito (dependendo da crítica, obivamente).
    Sou um leigo por isso peço que me corrijam se estiver errado, mas, como o Zzeugma disse: "A avaliação de uma obra de arte é tarefa impossível. Aquilo que, tradicionalmente, é apelidado de avaliação deveria ser apelidado de opinião." concordo em partes, pois creio que há sempre uma marca pessoal no que se escreve, seja crítica ou não, logo, toda crítica possui opinião. Contudo, para não cair-se no relativismo, creio (embora eu não saiba precisar quais são) que existem parâmetros e critérios histórica e socialmente instituídos sobre o que é belo e bom ou feio e ruim. Julgando assim o crítica estaria avaliando a obra de arte (seja ela qual for) baseando-se nesses critérios.
    O que acham? Viajei? Estou certo?[/align]
     
  6. Pescaldo

    Pescaldo Penso, logo hesito.

    É óbvio, Lucas, que todo texto tem opinião intrincada. O fato de você escolher texto x em relação a texto y já mostra a sua preferência (ou não-preferência) sobre o assunto, mas isso não é exatamente o que importa no final das contas.

    A crítica é uma opinião sobre uma obra, é uma leitra que se faz baseada em anos de estudo e o escambau. Ninguém se torna um bom crítico de arte duma hora pra outra e é uma área que sempre precisa se renovar e estudar (por mais que afirmem o contrário).

    A crítica ou o próprio verbo que a deriva, tem mais significado que apenas falar mal, é, antes de tudo, emitir juízo sobre determinada coisa. Julgar uma obra não necessariamente como boa ou ruim, mas fazer o exame detalhado e minucioso para, aí sim, a obra se revelar como boa ou ruim.

    Por incrível que pareça, no final dum estudo detalhado (e prum crítico já treinado), a própria obra se revela como forte ou fraca, boa ou ruim, bela ou feia. Existem diversos critérios e diversas escolas de estudos narrativos, simbólicos, lexicais e o caralho a quatro para os críticos se basearem.

    Nego que torce nariz pras críticas e não dá a mínima bola pro que dizem (como disseram por aqui já: não ligar para o que aqueles velhos babões falam) é desconsiderar anos e anos de estudo, aplicação, suor e sangue dedicandos à arte. É infantil.

    O que acontece, também, é uma inversão de valores em que o crítico, hoje em dia, é maior que o artista. E isso é errado. O crítico funciona(va) como uma espécie de ponte entre aquele que produz e aquele que lê, sendo o meio-de-campo necessário pra que as obras sejam alcançadas até pelo mais simples dos cidadãos.

    Porém, vestidos duma arrogância imensa, a maioria dos críticos, apesar de não admitirem, se colocam numa posição superior às dos artistas, meio que exigindo que se produzam livros para eles, enquanto que o artista não deve produzir livro pra ninguém além dele mesmo.

    Percebem o erro? Antes: Artista -> Crítico -> Leitor. Agora: Crítico -> Artista -> Leitor.

    Essa posição causa a antipatia pelo crítico (seja de artistas ou de leitores) e o isola. Ao mesmo tempo que a Arte tende a dar uma decaída, visto que aqueles que a estudam (ou julgam) não tem estudo para tal.

    É por aí.
     
  7. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Certo. Minha visão sobre a crítica sempre foi essa que apontaste, a de "meio-campo". Os críticos, por terem uma caminhada de estudos e leituras muito maior do que a de um leitor que não estudou nesse sentido ou para um leitor comum; descobririam certos símbolos, certas semelhanças e ajudariam na compreensão da obra, o que, a meu ver, complementa a obra. O julgamento de qualidade ou não-qualidade se dá por conta da carga de conhecimento de que ele dispõe e, baseando-se nesse conhecimento ele pode dizer onde a obra errou e porque.
    Particularmente eu sempre gostei de ler as críticas do que lia/assistia/ouvia.[/align]
     
  8. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Já fui muito pró-crítica. Hoje acho uma atividade quase totalmente estéril.
     
  9. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Só um detalhe, não fui quem disse isto, foi o blogueiro português do "Jeu du Massacre" (Aliás acho que ele está com um outro blogue).

    * * *
    * * *

    Eu já fui mais "anti-crítico", Rodrigo. Hoje eu respeito mais... Porque se existem ainda críticos é sinal que alguém ainda se interessa por literatura, cinema, arte, etc. Alguém procura interpretar a obra, tenta traduzir em outros termos aquela obra, posicioná-la em relação às demais. Crítica não é (ou não deveria ser) só "meter o pau"; não é "palmas para os meus amigos".

    No mínimo dos mínimos, receber uma crítica significa que alguém deu importância aquele troço abordado. Para quem escreve, mesmo que doa ouvir que seu relato está uma merda por isto, por aquilo ou aquilo outro, é importante ter uma opinião consistente, algo que vá além do gostei e não gostei. Algo que o ajude a se desenvolver, a evoluir, a tentar entender qual foi o problema.

    Elogios tanto incentivam quanto acomodam.

    Veja como as pessoas discutem futebol. Um ou outro (os mais chatos) fazem para gozar os amigos. Outros defendem seu time contra tudo e todos. Alguns reclamam de seu time mesmo que ele seja campeão do mundo. Outros procuram avaliar friamente, ponderar, etc, aplaudem o time adversário mesmo que ele ganhe.

    Qualquer que seja a forma de análise que se faça, as pessoas dão importância ao futebol. Mas, observe, da lista enumerada acima, só uma delas é uma "crítica verdadeira", a meu ver.

    Um outro papel importante do crítico é tentar contextualizar o texto literário. Aquilo que aprendíamos na escola... O romantismo reflete a ascenção da burguesia... O barroco, os conflitos da Era Moderna... etc etc

    Sinto falta de alguém que reflita os tempos de hoje. Por exemplo, por que tantos vampiros hoje em dia? Ou por que - praticamente - inexiste uma literatura de entretenimento brasileira? Que levantem questões novas e não fiquem só na análise deste ou daquele.

    (Escrevi meio com pressa, desculpem se estiver confuso)
     
  10. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    A Farra dos Eunucos
    (Sergio Augusto, em artigo do Estadão de sábado, dia 31/07; um "almanaque" de críticas demolidoras)


    Na condição de jurado no recente Festival de Paulínia não podia falar dos filmes em competição, mas de cinema em geral, tudo bem; e foi por essa brecha que dois jornalistas de Campinas me pegaram para um tête-à-tête. Às horas tantas, a indefectível pergunta sobre o papel da crítica. Já era tempo de eu ter uma resposta engatilhada, tantas vezes me perguntaram sobre isso; mas, como nas outras vezes, só tirei banalidades do colete.

    O assunto é espinhoso e de difícil cultivo no baldio de uma entrevista, vocacionalmente superficial. Fixei-me em duas certezas: 1) a crítica é um mal necessário; 2) ajudou à beça o cinema brasileiro. Toda vez que alguém reclama de uma suposta má vontade da crítica com o cinema brasileiro, tenho ganas de enfiá-lo numa máquina do tempo e despachá-lo para as décadas de 1940 e 1950. Naquele tempo, sim, nossos filmes e seus realizadores sofriam o diabo na mão dos críticos e jornalistas em geral.

    Moniz Vianna, mestre da minha geração, tratava as chanchadas a chibatadas e chegou a recomendar a dois de seus mais prolíficos expoentes, Lulu de Barros e José Carlos Burle, que mudassem de profissão: para, respectivamente, pintor de parede (ou taqueiro) e acrobata. Anos depois, apelidou os gêmeos Renato e Geraldo Santos Pereira, ambos diretores, de irmãos Santos Besteira e irmãos Brothers.

    Quem se habilita a compilar essas e outras espirituosas espinafrações? Afinal, elas também fazem parte do folclore do cinema brasileiro e tornaram-se inofensivas com o passar do tempo. Talvez apenas Paulo César Saraceni não tenha esquecido do apelido que o crítico Ely Azeredo deu a seu filme Porto das Caixas: “Aborto das Caixas”. Outro clássico: o fulminante comentário de quatro palavras que Jaguar fez, no Pasquim, ao filme A Batalha dos Guararapes, de Paulo Thiago: “Desta vez o Brasil perdeu.”

    O crítico pode ser comparado a um eunuco no harém, mas quando o sultão broxa, ele vai à forra e se diverte.

    Se uma crítica sóbria mas implacável é capaz de azedar uma amizade, outra, temperada de ironia ou galhofa, pode causar estragos maiores. As pedras reconhecem o valor de uma boutade; as vidraças, não.

    Segundo Millôr, os humoristas não atiram para matar. Os críticos tampouco, a despeito do que falam da morte do poeta irlandês Yeats, suposta vítima de uma crítica arrasadora (e, se comprovada a suspeita, letal) publicada na Quarterly Review. Não saberia citar o nome de um crítico que tenha atacado um criador com outra arma que não aquelas sacadas do dicionário. A recíproca não é verdadeira. Vá a um centro espírita e pergunte ao Paulo Francis.

    Não era por ser truculento ou maluco, mas apenas dadaísta, que o francês Jacques Vaché tinha o hábito de subir ao palco com um revólver na mão, para ameaçar com um tiro quem aplaudisse a peça que ele estava achando uma porcaria. Ficou sempre na ameaça. Já Saint-Beuve, o grande crítico francês do século 19, chegou a ser desafiado para um duelo; mas quando a furibunda vítima de seus comentários permitiu que ele escolhesse a arma de combate, Saint-Beuve sacou rápido: “Ortografia!”, e proclamou-se vencedor. Dispunha da melhor das munições, o humor.

    Nenhum artista é imune à crítica e só espíritos superiores a tiram de letra por sabê-la circunstancial, passageira, e muitas vezes inócua. Consolem-se: até Shakespeare enfrentou resistências às suas peças, desapreciadas por Samuel Pepys, Alexander Pope, Lorde Byron e Voltaire. Machado de Assis foi pichado por Silvio Romero. Walt Whitman levou cascudos de Algernon Swinburne, o Saint-Beuve inglês. Mark Twain achava Poe e Jane Austen ilegíveis. Virginia Woolf disse as piores de Joyce. Henry James cansou de ser espinafrado por H.G. Wells e Oscar Wilde. “A primeira regra para um jovem autor”, aconselhou Wilde, “é não escrever como Henry James. A segunda e a terceira, também”.

    Ao contrário do que muitos pensam, a posteridade não é bônus exclusivo das obras criticadas. Ninguém mais se recorda de um espetáculo teatral intitulado Wham! Nem os ratos da Broadway se lembram dele. Mas um bocado de gente sabe de cor a crítica que Wolcott Gibbs escreveu sobre Wham!, na revista The New Yorker: “Ouch!” Só isso. Interjeição com interjeição se paga.

    Se Gibbs produziu a diatribe mais concisa de todos os tempos, a mais mordaz talvez tenha sido um privilégio de seu colega de ofício, George Jean Nathan. Famoso, acima de tudo, por uma tirada que Paulo Francis adotou como mantra (”Bebo para tornar as outras pessoas interessantes”), Nathan fazia picadinho dos fiascos teatrais nos anos 1930 e 1940 sem jamais perder a graça. Sua crítica a uma comédia idiota, intitulada Smile! Smile! Smile!, instantaneamente condenada ao ostracismo, não continha mais do que três palavras: “I didn”t! I didn”t! I didn”t!” Nathan não riu, mas seus leitores se esbaldaram.

    Ao vivo, Nathan, o modelo de Addison De Witt, o personagem de George Sanders em A Malvada, também era um azougue. Na estreia no palco de White Cargo, aborreceu-se de tal modo com a vulgaridade e o inglês estropiado da protagonista, uma nativa chamada Tondelayo, que na cena em que ela se recusava a fugir de sua aldeia no Congo, aos gritos de “Me Tondelayo, me stay!”, levantou-se na plateia, berrou “Me George Jean Nathan, me go!”, e foi-se embora. Um espetáculo à parte.

    Ok, Gibbs e Nathan não sabiam dirigir o carro, mas conheciam o caminho. E sabiam sacar quem era ruim de volante.
     
  11. Pips

    Pips Old School.

    Depende do que você diz estéril. Com o advento da internet e com a aglutinação de diversos meios, onde pessoas com pouca experiência tornam-se pessoas "formadoras" de opiniões, perdemos realmente a credibilidade em certos veículos. Entretanto, devemos nos ater aqueles críticos que realmente tem uma gama quase infinita de conhecimento para nos guiar pelos melhores caminhos.

    Vejo muito disso em blogs que viram sites e acabam virando referência para os jovens e público que apenas quer saber se vale ou não a pena ver/ler alguma coisa. O lado positivo é que isso deveria ajudar o leitor a desenvolver um lado crítico, não apenas pelo objeto criticado, mas pelas opiniões que vieram dos críticos e especialistas.

    Infelizmente, aqui dentro, isso não ocorre. A corrida atrás de pessoas que saibam julgar usando a ironia e o humor chama mais a atenção do que a própria construção de texto. Eu sempre digo que a ironia é o novo preto, vai bem com tudo, mas tem de usar com classe. Não adianta em nada ler críticas que tem como embasamento principal elevar o humor e não a estrutura, isso é involução. Outra coisa que me deixa chateado nos dias de hoje é usar como base a comparação imediata, por mais que uma obra lembre a outra, estamos analisando algo específico e não comparando. Se a comparação serve como apoio para a opinião/crítica, tudo bem, mas se serve apenas para suprir a falta de olhar crítico, é besteira da grande.

    Eu mesmo, como blogueiro inverterado, já notei que em muitos posts meus eu uso do humor para conseguir explicar algo que realmente não me agradou, mas não para ser simpático e sim para ser ácido de uma maneira que não consigo.
     
  12. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    O negrito é o que eu mais discordo. Em relação à crítica "profissional" eu me refiro. Eu frequento um fórum de cinema, cujos críticos têm contato bem direto com os leitores, e o que eu vejo é um reproducionismo de conceitos e uma interiorização absolutamente burra de ideias alheias. Isso quando não são os próprios críticos que tentam impor as suas formas de enxergar as coisas, recorrendo a sofismos dos mais diversos, desde citações validando as suas ideias até a poetização dos seus argumentos.

    Em relação à crítica profissional, sou a favor da crítica recreativa, despretensiosa, que sistematize uma ou outra ideia que o crítico julgue necessária para expor a sua visão pessoal, e que passe essa impressão do crítico e pronto. Detesto explicacionismos do tipo "isso significa isso, aquilo significa aquilo" e toda essa padronização dos significados. Enfim, ainda acho que a exposição sincera de ideias é saudável, mas um crítico, no papel de crítico, pra mim não vale quase nada.
     
  13. Zzeugma

    Zzeugma Usuário

    Não é sobre literatura, especificamente. Entretanto... Deixo aqui para discussão:

    ****************************
    Artistas brasileiros não sabem receber críticas

    Por Régis Tadeu (Colunista musical no yahoo: http://colunistas.yahoo.net/posts/3899.html_

    Ao saber que os fãs do grupo Avenged Sevenfold ficaram revoltadíssimos com uma crítica escrita pelo jornalista Jeff Weiss no jornal Los Angeles Times (leia aqui – em inglês), fiquei pensando que tal “papagaiada” de adolescentes histéricos e medíocres certamente recebeu a aprovação da banda. E isso acontece aqui no Brasil também. Por isso, é oportuno abordar neste espaço uma verdade quase inquestionável: não apenas os fãs, mas também os artistas brasileiros não estão preparados para ouvir críticas, sejam elas construtivas ou não.

    Eu poderia citar inúmeros exemplos disso, até mesmo de artistas cujo trabalho eu aprecio, como é o caso de Ed Motta (veja o cara pagando mico desnecessariamente aqui), mas lembro de um caso em particular, ocorrido anos atrás.

    O sr. Otto – sim, aquele mesmo do “tempo do Bob/lá do pina de Copacabana”, e que, meses atrás, finalmente conseguiu lançar um bom disco, Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos – usou sua coluna no espaço virtual de sua então gravadora para mostrar sua raiva e rancor por causa de uma crítica negativa, publicada no jornal Folha de São Paulo, em relação ao seu então recém-lançado DVD, mais um produto da série ‘MTV Apresenta’. Até aí, nada de mais. Afinal de contas, defendo a tese de que todo mundo deve se manifestar da maneira que bem entender, desde que dentro dos limites da civilidade.

    O problema estava nos argumentos que o referido artista usou para fazer isso: citou que era um cara suburbano, “durango”, que morava no interior do Brasil, mas que conquistou as coisas na raça, que viajava o mundo todo carregando sua arte, que jamais havia desrespeitado ninguém, que sua poesia trazia “contemporaneidade diluída em suas influências rítmicas e musicais” e outras baboseiras pseudo-intelectuais. Sem contar que, no texto, ele não fazia a menor cerimônia em elogiar seu próprio DVD, dizendo que era caprichado, que fazia as pessoas felizes em ter seu show ao vivo em suas casas…

    Passado o estágio de “auto-lambeção”, Otto disse que existiam críticos maléficos e venenosos, que têm prazer em humilhar artistas bem intencionados como ele. Citou nominalmente o autor da referida resenha – Ronaldo Evangelista -, citando que o jornalista ganhava muito pouco para realizar seu trabalho de “esculhambar os outros” – desde quando salário baixo invalida uma opinião? Para piorar, Otto disse que jamais destratava qualquer ser humano, muito menos jornalistas, de quem é “amigo dos bons”. Para finalizar com chave de chumbo, ele dizia que tinha dois prêmios APCAs (Associação Paulista dos Críticos de Arte) na sua frente enquanto escrevia a coluna.

    Infelizmente, os inacreditáveis argumentos que Otto usou em um passado razoavelmente distante ainda são utilizados por muita gente, principalmente por quem está começando a trilhar profissionalmente os rochosos caminhos da carreira artística. Porque os artistas mais experientes e calejados usam outro artifício para rebater a crítica, que é o de se colocar em uma posição em que todo mundo deve taxar de genial cada CD, DVD, livro ou o cacete a quatro que porventura venha a lançar.

    A grande maioria dos artistas brasileiros tem uma necessidade quase fisiológica de ser alvo de um “baba-ovismo” que beira o coronelismo. Talvez o convívio com um séquito de adoradores comedores de meleca derreta a capacidade de discernimento, lucidez e bom senso de certos cantores, cantoras e músicos. Para muitos deles, “liberdade de expressão” é apenas uma frase de para-choque de caminhão.

    Nem vou entrar no mérito de que assistir a certos shows é um suplício similar a ter o dente extraído com uma faca de plástico. Muito menos perder tempo explicando que autocomiseração por conta de um passado humilde não justifica atitudes do presente, que ninguém é bacana só porque já foi um coitado anos atrás, que ninguém deve usar algo que deveria servir de estímulo como se fosse um álibi.

    O fato é que muitos artistas estão mal-acostumados com o tratamento benevolente por parte da imprensa. Conheço muitos colegas que são incapazes de tecer críticas negativas a respeito de um disco, pois isso faria com que eles “ficassem mal” perante os artistas, como se tal situação fosse lá grande coisa a se preservar. Ou seja, o cara sacrifica sua opinião sincera em troca de algo subjetivo.

    Sei que minha sinceridade como crítico choca muita gente, sejam fãs ou artistas. E eu me orgulho disso! Orgulho-me mais ainda quando certos astros da música nacional me confidenciam que, depois de sentir ódio extremo de minhas opiniões, passaram a compreender tudo após interpretarem com calma os meus argumentos – um famoso cantor romântico me disse que, se pudesse, voltaria a um conhecido programa de TV para quebrar seu próprio CD junto comigo. Não vou citar nomes porque sou um cara discreto e modesto… Mas tenho orgulho máximo quando dezenas e dezenas de demos de grupos novos chegam às minhas mãos com pedidos de “crítica sincera”. Tal reconhecimento não tem preço.

    Toda pessoa pública tem que estar preparado para receber críticas, sejam elas construtivas ou não. Eu mesmo recebo “gentis e calorosas mensagens” com um espírito de galhofa e bom humor, justamente porque sei que troca de opiniões é algo bastante salutar e, na maioria das vezes, bastante divertida.

    Agora, o artista inteligente tem que ter a capacidade de tirar lições das críticas que ouve/lê e sabe ignorar aquilo que lhe parece sem conteúdo. Alguém aí já ouviu falar que o Bono e o David Bowie resolveram espinafrar algum crítico que não tenha gostado de alguns de seus respectivos trabalhos? Não, né? Quem se aventura pela carreira artística tem que entender que estar sujeito às críticas é algo inerente à profissão.

    Quem não concorda com isso deve mudar de profissão urgentemente.
     
  14. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    é sempre assim:

    vc critica um livro de um escritor apontando & detalhando características técnicas & literárias q comprovam q o livro ñ é bom.

    depois o escritor &/ou amigos dele criticam o crítico, apontando & detalhando as suas características físicas, sociais, psicológicas, familiares, hereditárias, sexuais, gastronômicas &tc q comprovam q ele é feio e bobo.
     
  15. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    ah, acabaram de perguntar agora à tarde para isabel allende na flip se alguma vez uma crítica a ajudou, e ela respondeu q sim, várias vezes, tto críticas positivas qto negativas, a ajudaram a observar melhor a sua obra.
     
  16. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    A crítica é proveitosa porque ela consegue ter uma visão de todo, assim, do conjunto da obra que muitas vezes fica difícil para quem está ali, escrevendo e produzindo. Esse "olhar a distância" muitas vezes consegue apontar pontas soltas e coisas do tipo.
     
  17. Gustavo Campello

    Gustavo Campello Usuário

    A Critica é importante.... porém nem toda critica presta...


    Muitas vezes eu vejo determinado critico falando mal de um filme e logo penso "OBA! VOU VER ESSE FILME!" pq eu sei q o gosto desse critico não bate com o meu...
     
  18. ExilioCapital

    ExilioCapital Usuário

    Sendo breve, vou ignorar as questões de metafisica do que a critica deveria ser e me concentrar na minha perspectiva do panorama da critica Brasileira (Poesia) ao longo dos últimos 90 anos, sucintamente.
    No Brasil ao longo do seculo 20 ser critico já representou muitas coisas diversas, antes do modernismo, o critico no Brasil, era um estudioso da língua portuguesa que se concentrava em fazer trabalhos minuciosos de referencias bibliográficas e notas rodapé sobre os poemas, esmiuçando com muita pompa as zeugmas e elipses. Via de regra um acadêmico de formação francesa. Que traduzia latim e escrevia poesia ruim.
    Depois do modernismo, surgirão as posições de vanguarda vide Oswald (Não Mario), que desejavam confrontar os críticos para serem em troca confrontados. Ai pela primeira vez na literatura o critico teve de assumir uma posição, como não poderia deixar de ser algumas espécimes não se adaptarão bem. Então os próprios poetas começaram a teorizar sobre suas próprias obras, assumir o papel de seus próprios críticos, o que significava publicar manifestos, e revistas que elogiosas à quem assinava o Seu manifesto e contra quem assinava o manifesto do outro fulaninho. Vem Carnaval do Bandeira, Aquela semana, Os Sapos, então começa uma pretensa guerra civil, dos modernistas contra os parnasianos, a critica começa a circular através dos próprios poemas, sabe a Pedra do Drummond, então é por ai. Os próprios poemas ficam sendo praticamente a unica critica escrita no Brasil com uma homérica exceção de um grupo em SP, Otto Maria,Tristão Ataíde, Sergio Buarque, (Sabe o pai da ministra da cultura, do queridinho do Brasil e outras celebridades), fora os estudos de uns poetas modernistas sobre uns e os outros e é claro como não poderia deixar de ser: Os elogios. Esses que vemos sempre do Guimarães rosa na orelha das edições abril.
    Finalmente surgem os críticos de Barba Ruiva, no pós-guerra, uma legião de StrotskyStalinMaoVargasCoca-Cola-Lenistas, o melhor deles foi o Mario Faustino da década de 60, que morreu em acidente aéreo. Por ai surgem os concretos, homens de concretas convicções sobre a poesia deles e de todo o mundo, que com publicam livros e livros de teoria e nenhum poema que preste (Salvo Galaxias). Fenômeno interessante surge o critico de poesia visual, discutem com Affonso Romano, Bruno Tolentino, Massaud Moisés e todo homem de pé em território brasileiro. Os neoconcretos assinam o manifesto deles 7 nomes, os melhores críticos neoconcretos são Ferreira Gullar e Reynaldo Jardim.
    Vem uma baita crise em 75, surgem os poetas marginais (maldito seja Waly Salomão), que se dedicam negar e reclamar de toda e qualquer espécie de critica coerente literária, com um discurso abstrato contra uma abstração chamada sistema. Os escritores da geração de 45 e 60 continuam escrevendo boa poesia, mas não sobra nenhum crítico, salvo e unicamente por Wilson Martins, ultimo bastião da liberdade de expressão e de falar mal dos poemas dos outros na crítica literária Brasileira. Os anos noventa vem pobres e não venha me falar de Antonio Cicero.
    Finalmente chegam os anos estranhos, o pessoal da década de 40 e 60 vão se aposentando, esmerando suas lápides para o enterro com a edição de suas obras completas, Toda Poesia Gullar, Poesia Completa de Manoel de Barros, De Uma Vez por Todas Thiago de Mello, Latinoámerica Accioly, O mundo como Ideia Tolentino, Os Viventes Carlos Nejar, etc... Talvez nunca antes na poesia brasileira uma década teve tantas obras brilhantes publicadas.
    E ainda assim onde estavam os críticos, ou ao menos os jovens poetas, Lucchessi tentou empreender uma lista, Heloísa Buarque outra, nem um nem outra conseguiu tirar leite de pedra, de tudo que tem sido lançado por ai, autores jovens afoitos que ignoram completamente a critica, se salvam apenas Cleberton Santos pelo estilo único e o paulista Rodrigo Petrônio, por ser realmente excelente.
    E então quando o panorama parecia se apresentar realmente deserto, ocorre algo inusitado, uma estranha espécie de renascença da critica Brasileira. Através de revistas especializadas, uma horda de jovens críticos que nasceram dos vermes que estavam devorando o cadáver do Wilson Martins.
    Para citar só alguns Luis Dolhnikoff, Fabio Riggi.... São jovens acadêmicos de classe média concluindo seus mestrados ou doutorados, por universidades federais. Começaram todos escrevendo sobre a falência e nulidade da crítica brasileira, e agora começam a reclamar de outras coisas, detestam a geração marginal, reclamam da critica pobre dos resenhistas, reclamam dos proselitistas, dos exibicionistas culturais vulgares, citam João Cabral de Mello, gostam dos simbolistas, e exigem uma posição do escritor, tem um discurso comum de que a poesia deveria ser um pouco mais participativa, ao menos situada.
    No momento parece que temos mais bons críticos estreantes do que poetas, o que talvez influa no surgimento de melhores escritores.
    Essa é minha perspectiva, daqui. Sobre quem é a crítica brasileira.
     
  19. Gilda

    Gilda Usuário

    Gente, não sei se fui eu que li mal, mas acho que tanto o texto do tópico quanto esta discussão carecem de foco. Do que estamos falando aqui: teoria da literatura, resenhas de jornal, blogs amadores ou conversas de bar? Sobre literatura, arte, política ou futebol?
    Pra mim, em todos os casos, a tal crítica é fundamental. Agora, o problema não é a crítica, mas o teu olhar crítico sobre a crítica. Acho ainda que não existe crítica ruim, já que criticar é jogar o seu olhar sobre determinada coisa. Outros podem concordar ou não. Mas certamente irão refletir e formar uma opinião a respeito.
     

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