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Só mais um dia em Snowtown

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Breno C., 29 Jan 2009.

  1. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Em Snowtown alguns moradores têm o que podemos chamar de rabo preso com o passado, são assuntos inacabados que fazem dos pesadelos horas difíceis. O passado pode ser cruel e muitas vezes as vitimas dão lugar a culpados, mas em Snowtown é sempre um trabalho ardo descobrir quem é o que. Caminhando pelas ruas e becos apertados entre os prédios de conjuntos habitacionais povoados pelos descentes do pequeno Vietnã, pude notar que algo estava mais que errado. Sempre existe alguma coisa fora do lugar nessa cidade esquecida por Deus, porém naquela noite senti que o assunto poderia ser mais sério que uma briguinha de família ou um assalto.

    Um barulho esquisito vinha do prédio seis. Eram meia noite e quinze e já passava da minha hora de serviço, mas mesmo assim eu quis averiguar os sons e sua procedência. Caminhei até a fachada do prédio, se é que podemos considerar aquilo como uma fachada, procurando por algo mais incomum. Nada, não havia nada de suspeito, nenhum rastro de sangue levando até a porta de acesso principal ou um mendigo bêbado jogado. Foi esse segundo item me deixou assustado, porque mendigos de frente para prédios são a marca registrada do bairro. Não seria muito complicado entrar no prédio, com tanto que eu não entrasse em casa nenhuma, seria apenas uma visita d cortesia de um representante da polícia local. Mas, é claro que entrei com a arma na mão direita com a trava devidamente puxada.

    Descrever um dos tantos prédios residências de Snowtown não é lá um grande trabalho. Todos eles foram feitos depois da guerra para abrigar os refugiados que viam para os Estados Unidos na intenção de construir uma vida melhor. Devem ter sido estruturas muito bonitas quando ainda estavam em um estado plausível de habitação, mas agora, passados tantos anos, eram apenas esqueletos velhos que mostravam o quanto a administração da cidade era incompetente. As paredes com infiltrações e o cheiro de mofo denunciavam a importância de uma manutenção nos encanamentos.

    Dei uma “geral” pelos primeiro andares em busca do barulho e como sempre nada se manifestou na minha presença. Achei que não seria interessante subir até o décimo andar, até porque o prédio era desprovido de elevador, minhas pernas cansadas mereciam um descanso. Mas no momento em que passava de frente a porta do apartamento cento e seis no sexto andar, o barulho veio como um martelo na minha cabeça. Fiquei parado por dois minutos esperando que ele se repetisse, hoje vejo como aquele tempo de espera foi uma burrice. O barulho não se repetiu, mas eu também não precisava dessa segunda chance para saber que aquele era o som de uma criança recém nascida, um choro sufocado para ser mais exato.

    Levantei a arma, me posicione ao lado direito da porta e grite com o resto de poder que meus pulmões tinham “Aqui é a polícia de Snowtown! Abra a porta!” Juro que nem mesmo eu entendo essas minhas tentativas de ser um policial de verdade. É óbvio que a porta não se abriu e o silencia tomou conta do lugar. Mil coisas se passaram pela minha cabeça, sabia que seria loucura invadir o apartamento sozinho, nem mesmo sabia o que estava acontecendo. Foi nesse momento de hesitação que me lembrei de um dos casos mais estranho que Snowtown já me deu: o assassino de fetos, mas agora não é hora de contar essa história. Parei de ser covarde e dessa vez não falei nada, só meti o pé na porta. Me esquivei para a esquerda assim que a porta ficou aberta, havia sido mais fácil do que eu pensei arrombá-la. Chamei mais uma vez e mais uma vez não fui respondido. Não havia luz saindo do apartamento e por isso achei que seria melhor usar o presente que Mayko havia me dado. Apertando uns botões programei a máquina fotográfica para bater dez fotos consecutivas, o que me daria alguns poucos segundo para ficar de frente a porta e tentar descobrir o que havia lá dentro. Um pequeno preparo antes de tudo e pronto, parei agachado de frente a porta e apertei o botão.

    Sei que sou diferente das pessoas que nasceram aqui em Snowtown, mas ainda não sei o quanto sou diferente. A imagem que vi, ao contrario do que esperava, não era sinistra. Me levantei, ajustei o terno, guardei a arma e fui em direção a escada. Percebi que uma daquelas pessoas que estavam lá dentro saiu para ver quem era aquele estranho que havia feito tanto estrago numa porta que provavelmente não pagaria o conserto, mas não me virei.

    As noites em Snowtown podem ser esquisitas e dão fotos mais esquisitas ainda. E é por isso que eu guardo comigo aquelas dez fotografias de um parto normal sendo efetuado por um negro de cabelos brancos, que até hoje toma conta dos meus pesadelos. Mas isso é outra história.


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    Uma pequena Fanfic sobre uma HQ chamada Fell
     
  2. Vail Martins

    Vail Martins Usuário

    Parabéns, Breno. Você muito escreve bem, gostei.
    Fico imaginando a cara do policial quando abriu a porta.XD
    A criança deve ter nascido com o susto que a mulher deve ter levado:blah:.
     
  3. Breno C.

    Breno C. Usuário

    Valeu carinha! Me esforcei ao máximo para passar a mesma atmosfera de Fell, que é a HQ da qual fiz essa fanfic
     

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