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Small Talks

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por João Reato, 17 Set 2016.

  1. João Reato

    João Reato Usuário

    Oi. Geralmente começa assim. Você não sabe porque você tenta. Mas você gosta das pessoas, ou talvez se sente anti-social. Você quer se divertir, mas depois de tantos livros, tanta midia, um padrão tão elevado de cultura em tudo o que você vê e procura. Ai você se aproxima daquele grupo de amigos e tenta se divertir. Tenta comentar sobre um jogo quem sabe, mas porra cara, você simplesmente não sabe descrever a experiência que você quer compartilhar com essas pessoas e pra piorar ninguém te leva a sério, parece que ta todo mundo jogando poker contra você. Ai devagar vão te mostrando como tudo que você faz e fala é errado. Depois vão conseguindo te convencer e no fim você aceita. Ai começa o pesadelo sem fim e você fica ouvindo aquela politicagem, small talks, e as pessoas ainda se esforçam pra te manter perto, pra te crucificar, alguns até tentar te viciar em alguma droga. E os small talks continuam, até o momento que você não se lembra mais o quão gratificante é uma conversa sadia, uma amizade sincera e um mistério a ser desvelado. Parabens meu amigo. Você também é um Outsider.
    A pergunta.... Como direcionar small talks e se isolar em grupos evolutivos se distanciando dos lobos em pele de cordeiro e se juntar a própria matilha. Como conversar uma conversa sem saber em qual assunto vai chegar e conseguir se divertir sem fazer o minimo esforço de manipular um grupo de pessoas. Como identificar, se afastar o quem sabe destruir um circulo vicioso de small talks praticado por individuos que formam um nucleo de falsidade?
     
  2. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Olá, João. É curioso que com o crescimento das redes sociais, as pessoas estão menos tolerantes e mais irascíveis em debates de qualquer natureza. Nada escapa da patrulha do cú alheio; tudo é passível de censura e reprovação. O resultado disso, é a pasteurização das conversas sobre a vida dos colegas, política e outros assuntos.
     
  3. Caio Alves

    Caio Alves Asuka Langley Soryu

    A linguagem é qualquer coisa de inaproximável mesmo. Em todas as épocas e lugares sempre vai ser impossível você se comunicar perfeitamente. Acho que é por isso que os mesmos temas são discutidos há séculos em filosofia. E o porquê de termos criado a poesia.

    Essa conversa vai longe.

    O problema da modernidade, para além das redes sociais mas as englobando, é uma pasteurização de todas as ideias, conceitos, e, como cereja do bolo, toda uma instituição de décadas de crise epistêmica, hermenêutica que se já deixa os pensadores maluquinhos se reflete no nosso dia-a-dia em um niilismo linguístico e social absurdo. Nós vivemos em uma espécie de oceano pré-Criação, informe, virtual, em nada definido e enformado. É uma coisa terrível, na verdade.
     
  4. MARY_SCOTLAND

    MARY_SCOTLAND Usuário

    Existe alguma resposta pra isso?
     
  5. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Bem, tinha um índice que os empresários usavam para aferir o efeito desse mesmo problema no mundo profissional que era o da dificuldade de se manter a fidelidade de um cliente, retenção de cliente ou algo assim.

    Basicamente a conversa inicial superficial usada para se dirigir a alguém deveria ser o primeiro passo da hospitalidade na direção de manter um contato sustentável e com boas relações para oferecer continuidade de um serviço.

    Mas tem sido muito deturpado. Ao invés do estranho abordar a pessoa com honra e boas maneiras ele trata de se aproveitar.

    Porque para além do small talk da pessoa que pergunta se vai chover, a função social deveria ser a de construir o tecido da comunidade e não se ater apenas ao comitê de boas vindas. Mas como o nível do profissional no mercado anda ruim se trata muitas vezes de um sujeito que sabe o conteúdo e a matéria mas é um grosseirão oportunista que não sabe tratar as pessoas. Daí que entra muita gente em Facebooks dizendo que veio fazer amizade mas não fala que está num ambiente tendencioso, um lugar programado para ser insalubre porque se alimenta da competição e da energia liberada durante a ruptura e destruição das relações.

    O que se tem hoje é muita gente adicionando amigos em razão de algum tipo de medo, seja por medo de não ter o contato daquela pessoa seja por medo de parecer antipático... Só que não adianta, tudo o que é construído com medo nunca vai ter o mesmo peso do que é construído por afinidade. E a bem da verdade, há um preço a se pagar no fim...

    Que isso também é um vampirismo que na internet é o "vampiro virtual".

    Quem quer sair desse meio tem que começar com coisas básicas, deixar de dar energia (cada pessoa tem suprimento limitado e precioso de energia que deve ser usado só aonde vale a pena) e isolar a fonte parasítica.

    Para muita gente isso é dificílimo porque quem é vampirizado tem sinais de dependência, e eu diria que precisa cortar o contato tanto quanto uma pessoa viciada em sexo, uns 6 meses pelo menos.

    Do contrário corre-se o risco de se transformar numa pessoa polida, mas vazia, o que chamamos de "simpatia de secretária" que é até um pequeno avanço em relação a grossura da pessoa que tem surgido atualmente de gente bem informada e imbecil só que muito longe do que precisa ser (simpatia artifical também leva ao vazio). Alguns lugares nem sequer tem a chance de ter a hipocrisia da "falsa simpatia" e a história termina em violência.

    O caminho é fazer denúncias na medida do possível, desbaratar e expor na luz do sol para retirar o falso brilho dessas vitórias aparentes.
     
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  6. Caio Alves

    Caio Alves Asuka Langley Soryu

    Belíssimo esse post, e muito verdadeiro, Akira.

    Eu me sinto muito assim com o facebook. É como se fôssemos todos macacos presos em um viveiro mas humanamente (ou desumanamente) obcecados em fazer macauices para aparecer. Com o tempo a vaidade se entranha tão fundo na alma que esta deixa de ser vaidosa. Brutaliza-se. Petrifica-se em um tipo de caça animalesca. Devora-se.
     
  7. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Nós estamos no mesmo barco.

    O ideal de interação moderna anda sofrendo ataques e perturbações, em especial as plataformas e programas que se submeteram de forma descuidada na política e vêm se chocando com a cultura da companhia de tecnologia e a dos usuários dela (evoluir, etc...). Se esse era o exemplo de interação do futuro então o exemplo dado às pessoas tem sido um exemplo ruim. A política ajuda no começo e depois cobra o preço.

    E a sensação é mesmo a de conflito social permanente. Para efeito de comparação, certas decisões do Vale do Silício andam produzindo estranhamento com a base da internet, usuários comuns e novos empreendedores e está ficando caro abrir negócios na região devido a preferência por favorecer empresas que já tenham movimentação e capital consideráveis (na crise ninguém quer colocar a mão em cumbuca).

    Os grandes players então se aproximam de engajamento político no que as plataformas começam a ter privilégio em relação ao produto (fluxo de informações). Daí o usuário comum se sente como garoto propaganda/promoter de uma corrida armamentista social, só que ao invés de dinheiro o usuário recebe a autorização para usar o sistema. Muitos ainda navegam desavisados na rede pensando que ainda tem toda liberdade de escolha para conter os principais efeitos deletérios das plataformas que usam.(parece afetar video-games também como atesta o interesse da indústria militar em jogos de guerra)

    Em um sistema político que funcione uma empresa grande pode apoiar uma posição política sem tolher o funcionamento das conversas no mundo real. Infelizmente o sistema político americano tem tido momentos de querer dizimar as tradições sem pensar nas conseqüências (o que colocar no lugar) e como a galera da tecnologia sabe muito de computador e pouco de ser humano a tendência é inflar a bolha de erros.

    Alguns links interessantes:

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    Sinistramente, quem tenta expor vem sofrendo tentativas de "assassinato" da imagem virtual com as reputações manchadas, quer dizer, aquele que expõe um erro crítico começa a correr risco:

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  8. Heberus Stormblade

    Heberus Stormblade Paz e Amor

    Esse comportamento está sendo ampliado com a ascensão tecnológica ou é comum ao ser humano em seu estado atual?

    Na experiência que tenho, tais vícios e rituais são seguidos inclusive por aqueles sem qualquer contato com a conversação online. A escala é menor, mas ainda está presente.

    Comunicar-se sem estar engajado produz esse tipo de conversa. Talvez nos comuniquemos demais quando um simples aceno de reconhecimento de existência seria suficiente para o efeito que as partes queriam produzir.
     
  9. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    A tecnologia tem que ser vista como uma ferramenta que amplia nossos canais de comunicação permitindo que possamos interagir com mais as mais diversas culturas, etnias e idiomas mundo afora.

    Mas não podemos esquecer que quem sempre tem o controle do leme da comunicação é o ser humano. Então com ou sem tecnologia, é o ser humano que tem o domínio das ações, então não será a tecnologia por si só que irá mudar essa situação seja pra melhor ou pior.
     
  10. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Bom se me perguntassem eu diria que desde sempre uma boa conversa significativa ou relacionamento importante nunca foram exatamente abundantes em nossa história.

    A partir da aceleração da tecnologia o poder de construção e de destruição do ser humano se potencializa. Mas não é só isso. Conforme experimentos tais como jogos de realidade aumentada tipo Pokemon Go, Sites Políticos em tempo real que vão de campanha de vereador a Presidente, etc, apontam a tendência de que a separação entre nós e a tecnologia perca sentido. Da mesma forma que em certas culturas o mundo espiritual e o mundo material se tratem na verdade do mesmo mundo o mundo simbólico e virtual da computação e o físico tendem a fundir sua influência modificando profundamente hábitos, estratégias e conhecimentos iniciando pelas camadas mais conectadas e empurrando desde o "urbanita na bolha" em Londres e Paris até o pobre habitante de uma fazenda no interior do cerrado que só usa celular no fim de semana quando faz a feira da casa (Globalização).

    No meio de todo o fogo cruzado há movimentos a favor do "Localismo" que pode equilibrar pontos na balança. Alguns artigos comentam que se as forças da sociedade não se voltarem para a manutenção de elementos importantes as estruturas estarão comprometidas:

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  11. Caio Alves

    Caio Alves Asuka Langley Soryu

    O que me lembra de descrição sagaz de Guenon do mundo moderno como sendo uma paródia, ou inversão grotesca, do mundo da Tradição.

    Temos nossos ritos, nossa mitologia, uma liturgia toda própria, dogmas. Algo que nenhuma Igreja ou sociedade secreta continental jamais possuiu com essa integralidade, abrangência e, pior: inconsciência.
     
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  12. Heberus Stormblade

    Heberus Stormblade Paz e Amor

    O que seria isso?
     
  13. Caio Alves

    Caio Alves Asuka Langley Soryu

    O mundo pré-moderno.
     
  14. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Combina com a passagem do Rico e de Lázaro. Quando os dois morrem o Rico vai para Hades/mundo dos mortos. Naquele lugar o Rico consegue ver a alegria e glória de Lázaro mas nada do mundo espiritual celestial o reconhece e ele está sedento e torturado pois a alegria não habita com ele mais.

    Nesse momento,o Rico se pudesse convidar os amigos para um churrasco não encontraria o alimento do corpo e o alimento da alma (conversação e bons momentos) em um cenário de morte com elementos purgatoriais e infernais o alimento não empresta seu sabor, nem a conversa alimenta alma. A existência passa a ser uma sombra, uma abominação abissal em que resta apenas o horror do sofrimento espiritual. Raramente há espaço para apreciar as pequenas grandes coisas com o devido espírito de ação de graças e a divulgação nos empurra para que as tomemos como garantidas.

    O Rico não desejava ser justo porque doía e mortificava o corpo.
     
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  15. Elring

    Elring Depending on what you said, I might kick your ass!

    Um dos maiores defeitos das redes sociais são os algoritmos que encontram pessoas de gostos e ideias semelhantes. Quando o grupo é pequeno, é possível uma troca saudável de opiniões; mas, quando se amplia para um grupo de milhares ou milhões de usuários onde um like é mais importante do que o conteúdo... está criado o o infame troll. É mais fácil e dá mais status insultar e agredir do que argumentar e chegar a um consenso. A velocidade da internet não permite mais reflexões.
     
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  16. Heberus Stormblade

    Heberus Stormblade Paz e Amor

    Sendo essa uma característica humana potencializada pela internet, o que pode ser feito para combatê-la?
     
  17. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    O que o Elring falou tem nome inclusive, acho que é efeito bandwagon e alguns fóruns colocam limite de vários minutos para exibir os karmas dados evitando que as votem porque um monte de gente votou.

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    No caso de combater essas distorções depende também do que a pessoa estiver procurando. Para ilustrar, tem o diretor Mamoru Oshii que representou nos filmes dele momentos de guerra urbana moderna com choque de mundos culturalmente diferentes como "Jin Roh" e o elogiado até pelo James Cameron "Avalon" (uma fantasia Hacker que poderia ser assistida ouvindo Dark City do Machinae Supremacy).

    Ele comenta que quem não houvesse curtido o filme dele seria porque o filme não era para aquele tipo de espectador dando a entender que para notar os pontos de apreciação da obra se deveria ter um mindset ou mentalidade específica do contrário não seria capaz de transitar corretamente nos significados na obra. (espírito da obra?) Quer dizer, ocorre que muita gente contacta pessoas pensando que todos os seres humanos pertençam a mesma disposição do mainstream, mas a verdade é bem outra.

    Na internet a pessoa entra e sai de páginas feitas por pessoas completamente diferentes, travam contato com mundos e experiências diferentes de modo que a pessoa poderia optar por adquirir a capacidade de transitar nesses mundos para aproveitar o melhor deles ao invés de se involver diretamente na destruição de um mindset ruim.

    Por exemplo, o nazismo (o trabalho do Oshii é simbolicamente preenchido com seus elementos) era um mindset, uma mentalidade que dominava uma região em uma época e que criava um muro contra pessoas que pensavam de forma diferente.

    Por sinal, na Alemanha havia os espiões e infiltrados do sistema (como os Hackers e terroristas do Oshii) e havia forças (países) e grupos específicos para combatê-los e aos quais a pessoa podia se unir ou unir nos seus esforços.

    Os descontentes raramente ficam expostos na mídia e a investigação de uma situação social nociva tende a vir mais da população civil comum que de instituições mainstream. Por exemplo, no site JapanFocus recentemente descobriram um grupo de 130 membros de uma polícia secreta japonesa que vem catalogando todos os muçulmanos do país (70 mil pessoas atualmente). A investigação não teria partido de nenhum jornal ou veículo oficial. (Foi parar na suprema corte de lá).

    Spying on Muslims in Tokyo and New York — “Necessary and Unavoidable”?
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    Quer dizer, a pessoa pode acessar esses sites sem problema, mas deve saber que algumas mudanças importantes e necessárias não virão nunca do mindset oficial.
     
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