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Sexismo na Linguagem

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Mellime, 23 Out 2013.

  1. Mellime

    Mellime A little less lost

    Excelente texto / lição do Professor Cláudio Moreno.

    Só senti falta de uma menção ao pessoal que escreve com @ e x ao invés do gênero, como [email protected], acusadxs, [email protected], convidadxs etc.


    sexismo na linguagem

    Uma leitora ficou inconformada com a manchete que encontrou em um grande jornal paulista: “Fulana de Tal foi o quinto juiz suspenso este mês pela Comissão de Arbitragem”. Segundo ela, o jornal demonstrou uma indisfarçável atitude machista ao empregar juiz em vez do consagrado feminino juíza. “O senhor não concorda que a gramática do Português tem um viés claramente sexista? Na escola eu nunca me conformei com a regra que nos obriga a dizer que “o menino, sua mãe, sua tia e suas três irmãs foram convidados para o jantar” — em que um simples vocábulo masculino tem muito mais força gramatical que todos os vocábulos femininos reunidos! Qual o problema de usar convidadas? Por acaso o menino, com isso, sofreria algum tipo de humilhação? E alguém se preocupa com a humilhação das mulheres, neste caso? Em pleno séc. XXI, não deveríamos eliminar de nosso idioma esses resquícios patriarcais, contribuindo assim para derrotar a ideologia de desvalorização da mulher?”.

    Minha cara leitora, não me leves a mal, mas vou discordar integralmente do que dizes — com todo o respeito. Primeiro, nossa gramática não tem o “viés” (palavrinha da moda…) sexista que lhe atribuis; segundo, é impossível mudar essas regras; terceiro, mudanças introduzidas na linguagem não têm o poder de alterar a realidade objetiva; quarto e último, o jornal estava corretíssimo ao usar juiz, e não juíza. Vamos por partes. Em primeiro lugar, essa “supremacia” do masculino que nos leva a usar convidados, e não convidadas, na tua frase (e que faz o dicionário registrar os substantivos no masculino singular — aluno, lobo, prefeito) — essa supremacia, repito, é ilusão. Mattoso Câmara Jr. fez, nos anos 60, a descrição definitiva do sistema de gênero e número de nossos substantivos e adjetivos: o plural é marcado por S, enquanto o singular se assinala pela ausência desse S; a marca do feminino é o A, enquanto o masculino se assinala pela ausência desse A. Sabemos que aluna, mestra e professora são femininos porque ali está a marca; inversamente, sabemos que aluno, mestre e professor são masculinos porque ali não está a marca. Por isso, quando quisermos ser genéricos, podemos usar o singular, masculino (ou seja, o número e o gênero não-marcados): “O brasileiro trabalha mais do que o inglês” (entenda-se: “todos”) — e por esse mesmo motivo o dicionário assim registra os substantivos. Paradoxalmente, o gênero que exclui é o feminino: se dissermos que o aumento vai ser estendido aos aposentados, homens e mulheres estão incluídos; se for, porém, estendido às aposentadas, os homens estão fora. Se o jornal escrevesse que “Fulana de Tal foi a quinta juíza afastada do cargo”, estaria afirmando que, além dela, quatro outras juízas tinham sido afastadas. Como esse não foi o caso – os quatro suspensos antes dela eram homens -, o jornal teve de usar juiz, que engloba o masculino e o feminino.

    As mulheres não devem sentir-se humilhadas por isso; é assim que funciona o nosso idioma. Por que afirmo que essas regras não podem ser mudadas por uma decisão política ou ideológica? Porque, diferentemente das leis que regem um país, das regras do futebol, da convenção de nosso condomínio ou do nosso sistema de acentuação e de ortografia — que são regras de superestrutura, criadas por nós e, ipso facto, modificáveis por nós —, as regras morfológicas e sintáticas do Português estão no nível estrutural, muito mais profundo, evoluindo ao longo dos séculos num ritmo e numa direção sobre os quais não temos o menor controle.

    Por fim, estimada leitora, aconselho-te a abandonar essa esperança de que seja possível mudar a realidade apenas pela introdução de alterações na linguagem. Esta crença ingênua (e onipotente) esteve muito em voga nos anos 70, dando origem, inclusive, ao equivocado movimento do politicamente correto. Muitas feministas pós-Woodstock acreditavam que podiam resgatar (que verbozinho enjoativo!) a dignidade da mulher forçando na linguagem a visibilidade do gênero feminino. Se o vocábulo tinha dois gêneros, os dois deveriam aparecer na frase. Até bem pouco tempo, uma ONG brasileira fazia questão de escrever “os eleitores e as eleitoras votaram”, “os participantes e as participantes receberão”… Felizmente esta tendência está agonizante, e qualquer pessoa culta, quando escreve “Para o bem de seus filhos, os brasileiros deveriam escolher melhor os candidatos em que votam”, sabe que está dizendo “Para o bem de seus filhos (não importa o gênero), os brasileiros (não importa o gênero) deveriam escolher melhor os candidatos (não importa o gênero) em que votam”. Agora, imagina só se eu vou ter a coragem de escrever “Para o bem de seus filhos e de suas filhas, os brasileiros e as brasileiras deveriam escolher melhor os candidatos e as candidatas em que votam”. Que espanto sentiriam os meus leitores e as minhas leitoras!

    [2ª parte]

    Na coluna anterior, procurei demonstrar que não há nenhuma discriminação sexista nas regras de concordância nominal de nosso idioma, ao contrário do que apregoam certos grupos que lutam pelo reconhecimento dos direitos da mulher. Repito: uma expressão como meus amigos sempre terá dois valores — um, mais restrito, que se refere apenas aos amigos homens; outro, mais genérico, que funciona como uma espécie de neutro, designando tanto os amigos masculinos quanto os femininos. Por que isso? Porque o masculino é o gênero não-marcado, inclusivo, enquanto o feminino é um gênero naturalmente excludente; ao falar de minhas amigas, falo das mulheres, e apenas delas. Não é, pois, uma mera atitude que possamos mudar de acordo com nossa vontade; trata-se, isso sim, da maneira como a língua se estruturou ao longo de sua formação, e não vai ser alterada pela decisão de um grupo, por mais numeroso que seja.

    Ora, como isso contraria frontalmente algumas palavras de ordem que ainda são levadas a sério em nosso meio, diversos leitores escreveram para discordar do que afirmei. Dois deles tentaram ao menos entabular uma discussão teórica sobre o assunto, honestamente interessados em me convencer do seu ponto de vista; eu os respeito por isso, embora seus argumentos fossem mais emocionais e políticos do que lingüísticos. Os outros descambaram para o ataque pessoal, dizendo de mim o que Maomé não disse do toucinho — machista, retrógrado e machista retrógrado foi o mínimo com que mimosearam este seu criado. A estes já vou avisando que aqui essa tática não pega; não tenho medo de rótulos, e não vou deixar que o conhecimento científico recue diante de patrulhadores que elevam o tom de voz para esconder a falta de estudo.

    O principal defeito de seu raciocínio é confundir (1) a relação masculino-feminino do sistema morfológico do Português, que é imutável, com (2) a recusa que certos setores da sociedade ainda têm de usar os femininos de cargos e funções — esta sim, uma atitude censurável e que pode (e deve) ser reformada em pouco tempo. No primeiro caso, o uso do masculino como forma abrangente é indispensável para o funcionamento de uma língua como a nossa, em que o artigo, o numeral, o pronome, o adjetivo e o particípio concordam em gênero com o substantivo que acompanham. Se a cada masculino acrescentássemos a forma feminina correspondente, deixaríamos de falar o Português e passaríamos a nos comunicar numa algaravia repleta de ecos intermináveis. Asseguro aos defensores da “inclusão lingüística” que uma frase do tipo “os dez cantores premiados serão reunidos no auditório, onde os admiradores poderão fotografá-los” fará muitíssimo menos dano que algo impronunciável como “os cantores premiados e as cantoras premiadas, num total de dez, serão reunidos e reunidas no auditório, onde os admiradores e as admiradoras poderão fotografar a eles e a elas“, frase tão repetitiva e prolixa que lá pela metade já esquecemos do que ela está falando.

    Coisa bem diferente é a forte resistência que ainda existe em usar a flexão feminina naqueles cargos e postos que, durante séculos, foram ocupados exclusivamente por homens. Quem acompanhou a ascensão política e profissional da mulher nos últimos trinta anos viu a lentidão com que a mídia foi adotando formas femininas que hoje se tornaram indispensáveis: primeira-ministra, senadora, governadora, deputada, prefeita, vereadora, juíza, promotora, entre tantas. O mecanismo da língua prevê esses femininos, mas seu emprego era praticamente nulo devido ao escasso número de mulheres que conseguiam vencer as limitações que lhes eram impostas. Aqui o problema é realmente de natureza ideológica e pode ser solucionado por uma mudança de atitude. O ingênuo e bondoso Exército da Salvação, por exemplo, há muito utiliza os femininos soldada, sargenta, capitã, coronela e generala, que as Forças Armadas ainda relutam em adotar — por enquanto. O Francês, quanto a isso, é surpreendemente mais rígido, como denuncia Marianne Yaguello, e lá os movimentos feministas enfrentam um osso duro de roer: apesar de existir a flexão feminina, grande parte das profissões de prestígio ainda são utilizadas exclusivamente no masculino: “Mme. X est chirurgien” (“cirurgião”), “Il est amoureux de son chirurgien” (“ele está apaixonado por seu cirurgião” – mesmo que se trate de uma mulher!). Como se pode ver, é a língua que sofre a influência da evolução social (dentro, é claro, dos limites fixados por sua estrutura) — e não o contrário, como querem. Ela não pode preceder e forçar a evolução das mentalidades.


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  2. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    não li o texto ainda, depois volto para comentar. mas esse @ e x é o troço mais imbecil que já puderam pensar desde aquele papo de herstory. a língua portuguesa escrita já dá conta disso muito bem sem esse 'x', tanto é que desejo do sandman é uma personagem sem gênero definido e na tradução conseguiram manter isso, sem recorrer à esse x idiota que às vezes só parece erro de digitação. sem contar que, né, grandes bostas tirar o gênero quando escreve mas não resolver o problema quando fala.
     
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  3. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    As lutas do idioma refletem bem os males de cada país.

    Ocorre que as pessoas pensam de forma simplista quando se fala em "o poder emana do povo", porém o caso vai bem mais além.

    Porque do povo também emanam coisas ruins como a confusão mental e a irresponsabilidade...

    Quando as aquisições universais do conhecimento são esquecidas a população começa a pensar que a lógica deixa de valer por decreto verbal ideológico ou pela moda (o indivíduo imagina que porque o idioma é vivo ele sempre pode dar o significado as situações sem ter que encarar o peso da realidade)

    Um caso típico é a luta por direitos iguais. Dificilmente o membro de um grupo radical tem consciência o bastante para pensar naquilo que está por trás movendo a vontade do grupo. O cidadão absorve passivamente, sem digerir o jargão e vocabulário e passa a se comunicar igual a massa ao redor em vários níveis não verbais que vão da empatia a psicologia individual.

    É nesse momento que a massa procura anular o conhecimento adquirido.

    Por exemplo, hoje as pessoas evitam chamar alguém afrodescendente de negro porque a massa descobriu que o significado machuca por estar relacionado ao passado (e presente) de preconceito.

    Entretanto, o correto (o objetivo) é eliminar a camada de significado de sofrimento e que permite que um branco conviva com o significado de ser chamado de branco tanto quanto o afrodescendente deveria se sentir natural ao se mencionar pela cor.

    Quer dizer, deveria ser um insulto a inteligência geral ficar mudando os significados dos termos para um grupo específico em nome de um trauma ao invés da cura. E isso ocorre porque a sociedade (cheia de cicatrizes) anda lentamente e emana (como eu havia dito) vontades de agir que também não são lógicas. (a dor pode enlouquecer)

    Enquanto se cuida dos feridos e do passado das pessoas o conhecimento universal deve ser mantido preservado dentro do meio acadêmico para que as pessoas não se assustem quando encontrarem visões amplas e gerais. Não é porque uma coisa pode ser mudada que ela deva ser mudada. As regras do comportamento do idioma continuam valendo independente do que a população sofreu.
     
    Última edição: 23 Out 2013
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  4. Paraíba Hi-Tech

    Paraíba Hi-Tech Cabra Arretado

    Numa visão mais pragmática da língua, a primeira parte desse texto tá cheio de problemas!
    A visão de língua do autor restringe-se à famigerada norma culta. Isso é típico de gramáticos que enxergam a língua como imutável e atribuem à gramática normativa a função de "baluarte do bom português".

    Na segunda parte, ele tenta se redimir, mas ainda persiste na ideia de que língua é imutável.
    Se assim fosse, estaríamos aqui escrevendo em latim, não?

    A questão que vale a pena discutir é como a língua se modifica.
    Certamente não é pela vontade de um indivíduo. A língua é um fato social e, individualmente, não é possível alterá-la. Se fosse diferente, dificilmente, nós conseguiríamos nos entender, uma vez que atribuiríamos palavras diferentes para designar o mesmo objeto. Essa compreensão se dá por um tipo de "acordo" coletivo. Só que esse "acordo" não é tão rígido como os gramáticos afirmam ser! Ele vai sendo alterado ao longo dos tempos, para se adaptar às necessidades coletivas do grupo que compartilha determinada língua. O resultado disso são as variações linguísticas.

    Pensando nesse aspecto, o uso de @ ou x para romper com a questão gramatical que o professor explicou até bem é uma manifestação até certo ponto coletiva de que essa regra não é mais suficiente para expressar certas questões em português. Esse, pelo menos, parece ser a justificativa (talvez inconsciente) de quem usa esse artifício. Se essa estratégia é suficiente ou não para alterar o uso da língua, somente o tempo irá dizer. Na minha opinião, ainda não é suficiente, uma vez que ela é uma manifestação intencional de um certo grupo.

    Apesar disso, a questão do sexismo na linguagem é muito interessante e o autor não chegou nem perto de discuti-la a contento, pois restringiu seus argumentos em um uso muito restrito da língua. Atualmente, já se pensa em uma língua culta falada (muito diferente da escrita) e em uma gramática descritiva dessa língua oral. Tudo isso para tentar abandonar a ideia de que a língua escrita é "melhor" ou "mais correta" do que a língua em seu uso diário, falada, nas situações informais. A partir dessa reflexão é que surgem estudos sobre o uso dos gêneros e sobre as identidades múltiplas do usuário da língua. Utilizar Mattoso Jr, um linguista, em certos aspectos, ultrapassado denota que o autor nega essa recente visão de língua e se apega a conceitos linguísticos relacionados a segregações históricas, a injustiças sociais e à manutenção do status quo.

    Pra quem quiser se aprofundar no assunto e contrapor as ideias do Claudio Moreno a uma perspectiva mais atual, eu recomendo duas leituras:
    MIKHAIL BAKHTIN - Estética da criação verbal; e
    JUDITH BUTLER - Problemas de gênero.
     
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  5. Pim

    Pim God, I love how sexy I am!

    O povo anda pegando no pé de cada coisa, né? Até na língua portuguesa agora o pessoal tá palpitando. Primeiro censuraram Monteiro Lobato, ignorando toda contextualização de suas obras, agora feminazis tem suas virilhas coçando quando leem tudo no masculino sem saber direito ao certo o motivo disso. Lembro do bafafá que foi quando a Dilma foi eleita presidente e todo mundo queria intubar um "presidenta" na nossa goela como a única forma aceitável e tudo diferente disso seria machismo e toda essa balela que a gente cansa de ler no Facebook por aí.

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    A impressão que dá é que essa galera anda por aí super-reativa à procura de brechas onde possam destilar toda sua pulsão agressiva. Eu, hein!

    Melly, só vi até hoje usarem @ no lugar de "o" ou "a" quando se referiam aos transgêneros, tipo Maitê Schneider falando 'para [email protected] @s [email protected] assistirem sua entrevista no Jô esta noite', mas aí a gente cai num contexto bem delicado e complexo, que é a definição de gênero desta categoria. Uns chamam transgêneros de "eles", outros de "elas", e nesse contexto acho até aceitável o uso da arroba. Isso do X no lugar do "o" ou "a" eu nunca tive a infelicidade de ver.
     
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  6. Slicer

    Slicer Não estava vivo no Dilúvio, mas pisei na lama.

    Não vai ser uma resposta muito erudita mas: esse pessoal que reclama dessas picuinhas têm uma vida muito mais tranquila do que a minha. Eu lembro do D&D 3.0 onde os americanos começaram a utilizar “she” ao invés de “he” para descrever personagens, em uma tentativa de incluir as mulheres no RPG; aí lá pelo meio do texto eles esqueciam, aí lembravam novamente, e no fim o texto não tinha coesão nenhuma e aquilo só irritava os jogadores.
     
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  7. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    isso rola com quem se mete com os 'x' também, slicer. cansei de ver texto que começava usando o 'x' no lugar de o ou a, mas lá pelas tantas voltava pro o ou a, depois x e ficava uma lambança.
     
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  8. Mellime

    Mellime A little less lost


    Pim,
    uma quantidade alarmante de colegas de faculdade meus fazem isso. Basicamente o grupinho dos direitos de gênero.
     
  9. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

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  10. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Acho que formalmente, lembrando esse artigo (muito bom de) Mattoso Câmara, a resposta dele está correta. Mas parece que isso não é suficiente. Esse apagamento do feminino no "neutro" masculino, incomoda. E nada impede as pessoas de tentarem mudar isso, embora como ele quis dizer, seja difícil (senão impossível) mudar uma língua por decreto.

    Lembro o exemplo do sueco, em que as pessoas estão adotando (foi o que soube) um pronome "neutro" literalmente (não no sentido de "valor neutro" saussureano, estruturalista):
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    Vai "pegar"? Não dá para dizer, mas não custa tentar.

    Nenhuma língua é em si machista, Pim, mas os usuários são e isso se reflete nela (acho que isso é básico de Análise do Discurso, né?). Talvez venha daí o incômodo.

    Quanto a Monteiro Lobato, não queriam censurar ou proibir as publicações, o pedido (ao Ministério Público?) era para que os livros viessem com notas referindo-se à caça à onça e ao racismo da época, mas naquela confusão toda, com toda a emotividade típica de discussões assim ("Eu lia ele na infância e não virei racista!" ou "Era o meu autor favorito quando criança, não pode ser racista!") isso se perdeu, mas enfim, outro tópico.

    Não vi isso na época. Acho que Dilma fez bem em usar "presidenta" para se diferenciar como primeira presidente mulher do Brasil, mas é bobagem querer dizer que algo em língua é "a única forma aceitável". Esse exemplo é até interessante de como o uso da língua não muda imediatamente/inevitavelmente a realidade, porque o uso de "presidenta" pelos meios oficiais (Voz do Brasil, por exemplo) gerou o quê de consequência concreta para as mulheres no Brasil? Até agora, acho que nada (a Secretaria de Políticas para as Mulheres continua tendo um orçamento ridículo, mas enfim).

    E o argumento do Sarney não é válido também, porque o que vale para uma língua não vale para outra, claro.
     
    Última edição: 23 Out 2013
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  11. Calib

    Calib Visitante

    Não conheço o sueco, mas essa matéria aí faz parecer que a simples criação de um pronome reto neutro resolveria o problema. Para o português, um tal pronome artificial requereria equivalentes para pronomes possessivos, substantivos, adjetivos, artigos definidos e indefinidos e numerais também. Daí a coisa complica mais um pouco. Não basta apenas o pronome reto para omitir o gênero se eventualmente eu vou querer também qualificar o dito-cujo. Provavelmente esse gênero neutro - se fosse seriamente proposto por estas bandas - usaria o modelo feminino com a substituição da vogal "a", que lhe é característica, por outra que não seja o "o" nem o "e", já em uso para uma infinidade de formas. Só nos sobrariam "i" e "u". Em qualquer dos casos, as paroxítonas assim terminadas precisariam ser sempre acentuadas pelas regras atuais. (Êli é i mais boníti dis alúnis/êlu é u mais bonítu dus alúnus). Mais um empecilho. Cogitei um forçado "y" com som de "i", que poderia burlar tais regras de acentuação, mas é uma intervenção bem grosseira numa grafia que já quase o extinguiu há 70 anos... Sem falar que néam... (Ely é y mais bonity dys alunys)... Íamos parecer o finlandês.
    Enfim. Não é tão simples quanto parece. E eu nem entro na questão da ampla aceitação, que nunca terá.
     
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  12. Grimnir

    Grimnir Usuário

    E no entanto querem resolver o problema mudando a língua. :think:
    Um dia os usuários não serão mais machistas, mas aí perceberão que não faz sentido refletir o não-machismo na língua, pq nesse caso o comportamento é mais relevante. Falem português e não sejam machistas. Problem solved.

    Tão ridícula quanto a resposta do Sarney foi a intervenção da Marta Suplicy.
     
  13. Jacques Austerlitz

    Jacques Austerlitz (Rodrigo)

    Isso me lembra do
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    , que tenta algumas revoluções linguísticas, mas não lembro se ele ataca a questão do sexismo. (Mesmo com todas as gracinhas dos textos dele, acho que ele faz bons apontamentos sobre assuntos diversos).
     
  14. Paraíba Hi-Tech

    Paraíba Hi-Tech Cabra Arretado

    Acho que não é uma questão de querer resolver o problema através de uma mudança na língua.
    Ao meu ver, o caminho a ser seguido pra entender melhor o fenômeno é inverso.
    Que tal pensar que o problema é tão sério e evidente que chega a se refletir na língua?

    Essa imutabilidade da língua é muito relativa. Assim como todo patrimônio social, a língua sofre influência da sociedade que a utiliza.
    Em uma sociedade dominada por um perfil específico, a linguagem vai refletir os valores desse perfil. Acredito que ninguém discorde que a classe dominante na nossa sociedade é, em geral, descrita como homem, rico, branco e heterossexual. É esse grupo que dita, por meio de vários mecanismos de controle social, os padrões. Aí se inclui a tal "norma culta".

    Aquele que não a utiliza é segregado e sofre consequências muito negativas. Opor-se intencionalmente a esses padrões é uma forma de lutar contra aquele perfil dominante opressor. Foi por essa lógica que a presidenta Dilma resolveu se denominar presidenta. Todos devem lembrar o furor que ela causou entre gramáticos, políticos e até entre leigos que não se abstinham de dar o seu pitaco. Nada contra o pitaco, mas é sempre bom entender que por trás de nosso discurso sempre existe uma influência política. No meu entendimento, as pessoas que a criticaram (e ainda a criticam) refletem inconscientemente (ou não!) um preconceito inerente à nossa sociedade.

    Um pensamento análogo pode ser desenvolvido para a questão dos @ e x. Essa é a forma de se posicionar contrariamente ao perfil dominante heterossexual (em geral, homofóbico). De fato, o objetivo principal não é mudar a língua, mas a língua se torna objeto de uma luta ideológica que pode ou não provocar uma mudança linguística. Pra mim, é válido!
     
  15. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    E com isso vão acabando com palavras das mais bonitas da língua e não resolvem o problema.

    Que saudade da época em que eu podia usar um lindo e quase místico "poetisa" ao invés de um insosso e politicamente correto "a poeta".

    @Ana Lovejoy essa estória de herstory é verdadeira? :rofl:
     
    Última edição: 24 Out 2013
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  16. Haran Alkarin

    Haran Alkarin Usuário

    É verdade que alguém propõe seriamente o uso de @'s e x's para evitar o gênero das palavras? :roll:
     
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  17. Calib

    Calib Visitante

    Veja com os seus próprios olhos:


    E a explicação que deram depois de muita polêmica no Facebook:

     
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  18. Calib

    Calib Visitante

    Ou seja: SAJU piada pronta.
     
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  19. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Mas afinal de contas e na língua falada como se pronuncia essa porra? Por que caralhos escrever assim se vou continuar dizendo novos?
     
  20. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    né. por isso esse x é estúpido. nem acho idiota por "muda a língua mas não muda a origem". é só porque não faz sentido você:

    a) usar um código que só será compreendido por um determinado grupo, quando a ideia é justamente o de passar uma mensagem para pessoas de fora daquele grupo
    b) usar um código que só se compreende na língua escrita e não tem como repassar para a língua falada

    é besta demais. até porque, caramba, já existe " o (a) "
     
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