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Sábia tolice

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Excluído046, 12 Out 2011.

  1. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Calvo, bravo, salvo... Parvo.
    Calvo de cansaço, de preocupação.
    Preocupação com o quê? O que comer, o que beber, onde viver.
    Ora, não será viver sofrer?
    Bravo! Bravo? Não, a vida que é brava comigo.
    Essa "vida severina"!
    Eita, minha, sua, nossa sina!
    Severa, não espera, dilacera.
    Pasmo? Eu não! "O coisa ruim" não me assombra.
    Aquele excomungado, desalmado, rejeitado...
    Eu sou é salvo!

    ***

    Coco, sufoco, pouco, sofro, louco... Parvo.
    Vou seguindo essa minha "vida seca", (muito seca!)
    Oh! Que paradoxo inadequado.
    Se é vida, não pode ser seca. Se é seca, é morte.
    Não! Retire o prefixo latino "in", que expressa sentido contrário, negativo.
    A palavra certa é adequado, pois, a minha, a sua, a nossa vida...
    ...Tem sido seca, dura, insegura.
    Vida dura como um coco!
    "Morte em vida", que sufoco!
    Pouco vivo, pouco sonho. Pouco sofro?
    Não. Sofro o dobro!

    ***
    Acho que sou louco. Será que o sou?
    Espero que sim, pois está escrito:
    "nem mesmo os loucos errarão o caminho do céu".
    Xiii! Errei!
    Não faz mal, o caminho me achou.
    Danado! Seguiu-me direitinho, assim como a montanha fez com Maomé.
    Falsidade, expressividade, sagacidade, liberdade... Parvo!
    Não sou dotado de falsidade.
    Se bem que isso não é dote, é "bote".
    Não, não é o bote que se coloca na água para navegar.
    É mais parecido com aquele que as cobras (muitas cobras!) vivem a dar.

    ***

    Expressividade, sagacidade?
    Não. A palavra é liberdade, então.
    É, sou livre para falar o que penso, o que quero, do jeito que sei.
    Entretanto, acabei de me lembrar que penso e logo começo a deduzir que não quero existir.
    Por quê? "Num sei", só "sei que nada sei"!
    É por isso que falo!
    Não devo nada a ninguém!
    Se devesse, eu pagaria.
    Pára Grilo, saia daqui! Pára de "grilar" no meu ouvido!
    Deixe o Chicó pagar a promessa!
    Não vai dar uma de Português.
    Escambo, não! Bugiganga em troca do Pau Brasil, isso é...
    Desonesto! Funesto! PortoZil!

    ***

    Colorir, esculpir... Parvo.
    Eu coloro a minha vida.
    Não, colorir é defectivo, não serve para designar o que faço.
    Mesmo se desse, ficaria uma "opinião formada", uma ordenança, certeza...
    Quer dizer, "eu sempre vou colorir a minha vida".
    Isso nos remete à idéia de rotina, imutável.
    O melhor é dizer, eu posso colorir a minha vida.
    Agora melhorou. Quando eu digo que posso, estou apontando para uma possibilidade.
    Se eu quiser, não preciso colori-la, posso deixá-la em branco.

    ***

    Vamos andando, cuidado!
    Podemos esbarrar na "morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida".
    E por falar, mais uma vez, em vida, "o que será, o que será"?
    Vida, eco ou vida?
    O nobre me disse que estava esculpindo a sua vida.
    A princípio, estranhei, pois ele esculpiu uma estátua de si mesmo sentado em uma cadeira.
    A sua cadeira, seu trono, era constituído de dinheiro.
    Mais tarde entendi, "é que Narciso acha feio tudo o que não é espelho".
    Por isso se aborreceu quando eu disse que minha vida errante...
    ... É mais certa do que a dele brilhante, ou melhor, entediante, alienante.
    O pobre nobre ( lá vem o paradoxo de novo!), só enxerga ele mesmo!

    ***
    Rebuscada, remendada, famigerada... Parvo.
    Linguagem, palavra complexa. Coisa para Rosa explicar. Não, questionar, "neologisar".
    Fala rebuscada? Não, nem de longe.
    Na verdade a minha fala é remendada, famigerada, notada pela marginalidade.
    Sim, minhas palavras estão à margem da intelectualidade.
    Viva o Damázio Siqueiras! "siqueiras, vem de 'sequeira', que significa 'lugar seco...
    ...Que não foi regado'".

    ***
    É, nossa linguagem não foi regada, mas, mesmo assim, resiste.
    Seja bem vinda linguagem Mandacaru!
    Você é alegoria para representar os parvos de ontem, antes de ontem, hoje e amanhã.
    Não sei como Mandacaru, mas resiste à escassez de água.
    Você é espinhoso, e, por isso, não raro, deixa feridas nos outros.
    Mas não fique preocupado, sabemos que não fere porque gosta, mas porque é necessário.
    Além disso, não só de espinhos se faz sua "vida seca".
    Você também produz uma flor, e ela indica que vem a chuva.
    Oh! Que maravilha! A chuva pode vir a cair nos corações humanos.
    Como eles precisam disso!
    É então que entra a sátira. Assim como você, Mandacaru, "ela faz a ferida para curá-la".
    Sim, você que era só espinho antes da chuva, agora se tornou uma bela flor.
    Essa flor gerou um fruto, e dele é feito um chá com grande poder anti-inflamatório.
    Agora sim: manda chá na crueldade, manda chá na hipocrisia, manda chá no "Baile de
    máscaras" que é a nossa sociedade.
    E, enfim, faça com que todos nós nos tornemos verdadeiros, sinceros, sem malícia...
    ...Faz-nos, simplesmente... PARVOS!
     
  2. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Valentina..... gostei do desse eu-lírico que vc botou no poema, esse que é seu próprio revisor e que, contestador, revira as frases do avesso e as "corrige". Muito engenhoso: "coloro... coloro é defectivo...."


    A dramaticidade também é ousada, tipo.. vai falando.. como Drummond.. um Drummond rapper, cheio de fluxo de consciência.


    Parabéns.
     
  3. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Obrigada, Vinnie.
    O engraçado é que o leitor sempre conversa melhor com o texto do que a gente. O texto parece se esconder da gente e se mostrar para o leitor.
     

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