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Sábado - Ian Mcewan

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Ronzi, 12 Fev 2008.

  1. Ronzi

    Ronzi Oh, Crap!

    Ian McEwan é um dos meus novos escritores chatos mais-preferidos-de-bom-do-universo. Novos para mim, óbvio. Afinal, o cara é o autor do melhor romance da década até agora, Reparação (pra mim, também óbvio), que virou filme recentemente e blá-blá-blá.

    Comecei a gostar do cara em Na Praia, depois veio Câes Negros, daí o tchã-nã-nam Reparação, para só daí comprar Sábado, que já tinha ouvido muito falar, mas que eu nunca tinha o ímpeto de pegar da prateleira e levar para casa.

    Sábado captura um dia na vida e nos pensamentos de Henry Perowne, um neurocirurgião bem-sucedido. Não um dia qualquer, mas aquele em que houve a maior manifestação da história de Londres, contra a entrada da Inglaterra na Guerra do Iraque junto com os Estados Unidos. Um milhão de pessoas foram às ruas protestar.

    Neste dia, Henry vê um avião em chamas pela janela às três horas da manhã, faz sexo com sua mulher, sofre um acidente de trânsito e foge por pouco de levar uma surra de marginais, é derrotado em uma disputada partida de squash, compra frutos do mar para o jantar, visita a mãe que sofre de Alzheimer em um asilo, assiste a um ensaio do filho guitarrista, reencontra-se com a filha pela primeira vez em seis meses, vê sua casa ser invadida pelos mesmos marginais que bateram em seu carro, faz uma cirurgia cerebral em um deles, e, por fim, termina o dia na cama refletindo sobre todos esses acontecimentos.

    E o melhor de tudo é que eu postar esse puta spoiler monstro sem usar as tags apropriadas não atrapalha em nada a leitura do livro, por que não é história importante e sim o olhar da personagem principal sobre o dia eo o choque desse dia para ele.

    Henry Perowne é a encarnação da classe média, feliz, bem-sucedida e alienada, fechada em seu próprio mundinho. Não capta a crítica de Flaubert e Tolstói por viver em um ambiente parecido com aqueles dos dois livros. Sua família é a personificação da perfeição. Além dele próprio, conceituado e talentoso, sua esposa é advogada competente, sua filha terá o primeiro livro de poesias lançado por uma grande editora, seu filho é a maior promessa inglesa do blues. Henry orgulha-se de não sentir vontade de ter relações com qualquer mulher que não a sua esposa. Tudo muito decente e correto. Mas quando um bando de marginais se metem no meio de seu dia ele entra em choque com o mundo real.

    Sábado não se limita a mostrar um dia na cabeça de Perowne, traça um panorama rico do homem hoje - os temores de Henry e sua família são, hoje, universais, assim como suas esperanças, angústias e fragilidades.
     

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