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Rose-Marie

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Urubu Rei, 13 Ago 2009.

  1. Urubu Rei

    Urubu Rei Visitante

    Marie


    Marie passeia pela beira dos paredões da praia de Torres, em pleno domingo de carnaval. A praia está pouco freqüentada, como ela gosta. A maioria dos veranistas ainda está dormindo, depois de passar a noite toda na folia.

    Marie detesta o carnaval, assim como também detesta seu nome. Mania dos pais, metidos a intelectualóides de esquerda. Os dois eram fascinados por Godard e, quando ela nasceu, resolveram colocar o nome de sua personagem favorita na filha. Marie acha que a Nouvelle vague francesa já era. Prefere filmes de fantasia e, como toda boa estudante de Física, adora ficção científica. Mas ela acordou cedo não só para fugir da agitação. Ela precisa pensar. Essa noite sonhou com Fernando. Já faz dois anos que ela não o vê ou tem qualquer notícia dele.


    Rose

    Rose está pulando o carnaval em Porto Seguro desde as dez horas da noite de sábado. Está totalmente suada e um pouco bêbada. A sua bunda arde de tão apalpada e beliscada.

    Rose é fissurada por carnaval e adora seu nome. Seus pais eram fãs da Jovem Guarda e, quando ela nasceu, resolveram homenagear sua cantora favorita batizando-a filha com seu nome.

    Rose nota que um homem em pé no meio da multidão que lota a avenida olha insistentemente para ela. É um belo homem, pensa Rose. Deve ter entre 35 e 40 anos. Veste uma camisa pólo com bermuda social e sapatos mocassim que destoam das vestes da maioria dos jovens que circulam pelo local. Um homem de classe, pensa Rose. Mas como é possível manter aquela camisa imaculada em pleno verão da Bahia? Deve ser porque ele não vai atrás do Trio Elétrico, apesar de parecer bem vivo, pensa Rose, com um sorrisinho de bêbada. E nessa hora ela aumenta o ritmo de seu rebolado.

    Ele conversa com um jovem bem vestido, mas com um estilo mais despojado. Os dois apontam para a multidão e parecem trocar as palavras que os homens sempre trocam quando avaliam mulheres gostosas. Esse jovem também olha para Rose cheio de vontade.

    Que se foda, pensa Rose. Ele que vá procurar uma garota da sua idade. O quarentão é meu. Rose ri. Apesar de ter só 20 anos sempre apreciou a companhia de homens mais velhos. Ela se aproxima na hora que ele lhe levanta um brinde. O garotão lhe dá adeus e se afasta.


    Marie

    Marie resolve subir num dos paredões e observar o mar. Desde criança o mar sempre a acalmou. Os movimentos das ondas e o marulho fazem com que ela viaje até o dia em que conheceu Fernando, há quatro anos, quando ela tinha só 19. Também era domingo de carnaval e ele caminhava na beira da praia. Era um homem belo e bem vestido. Aparentava ter uns trinta anos, mais ou menos. Ela estava sentada na beira da praia e ele veio puxar papo. Sua conversa era deliciosa. Era daqueles homens que sabia dizer a coisa certa para agradar uma mulher. O resultado dessa conversa foi que logo depois eles estavam indo para o hotel em que ele estava hospedado, onde ficaram trepando a tarde toda. E por conta disso estenderam sua permanência na cidade por mais uma semana, esse tempo todo passado praticamente dentro do quarto de hotel. Na hora de ir embora ele lhe deu o número de seu telefone e também lhe contou que tinha mulher e filhos pequenos na capital. Ela disse que não se importava. Por ele correria esse risco.

    A felicidade dos dois durou até o dia em que ele descobriu que o seu sócio havia dado um desfalque em sua agência de publicidade e que tinha fugido com quase todo o dinheiro, deixando-o coberto de dívidas. Para coroar a situação sua mulher descobriu que ele tinha uma amante e acabou pedindo o divórcio e ficando com a guarda das crianças. Ele surtara e sumira. Depois de algum tempo apareceu no seu apartamento completamente drogado e pedindo que ela voltasse para ele. Ameaçara-lhe. Ela acabou dando parte na policia e trocando a fechadura do apartamento. Soube depois, por um amigo do casal, que ele havia vendido o resto do que tinha para saldar as dívidas e sumira de vista. Depois disso se passaram mais dois anos. E ela esta ali. E ainda pensa nele.

    Rose

    Rose já está completamente sem roupa no quarto da pousada onde Fernando está hospedado. Ele está lhe chupando com uma fome de lobo. - Devo ser mesmo muito gostosa para ele não se importar em me chupar desse jeito, completamente suada. Eca, ela pensa, mas logo deixa o pensamento de lado, pois a língua do cara é uma delicia. Ele tem um pinto médio, mas fode com a fúria de um garanhão andaluz, seja lá como os garanhões andaluzes fodam. Ele geme, grunhe, resfolega e range os dentes. Que homem, pensa ela, antes de atingir o terceiro orgasmo do dia.

    Quando eles resolvem fazer uma pausa ele olha para ela e diz:
    - Por que você está fazendo isso Marie? Por que você está fingindo ser outra pessoa? E, acima de tudo, por que você me abandonou?

    Rose deve estar mesmo muito bêbada. Esse cara trepa comigo uma vez só e já troca o meu nome? Porra, ela tem vontade de vomitar na cara do sujeito.
    - Que Marie o que cara? Meu nome é Rose. Rosemary da Silva. Filha de Severino da Silva e Jurema. Nascida aqui nessa cidade em 1989.

    Fernando olha espantado para Rose. Sim, há o sotaque. E também há algumas diferenças, como que propositais. Ela é um pouco mais baixa que Marie e têm os seios mais fartos. Mas de resto é Marie sem tirar nem por. O mesmo cabelo negro e sedoso. As mesmas pintinhas no peito. Até a xoxota é a mesma, sem tirar nem por. E o mesmo jeito de trepar.

    - Que se dane, diz ele enquanto salta sobre Rose-Marie com gana. Ele vai é aproveitar e se esbaldar. Rose solta uma gargalhada e passa as pernas em volta de sua cintura.


    Marie

    Marie decide que já é hora de tocar sua vida adiante. Não pode viver de lembranças, por mais bonitas que sejam. Deixará seu amor da juventude naquela praia, onde tudo começou. Seguirá em frente, sem olhar pra trás. Resolve então dar uma última olhada nas ondas quebrando nas pedras. Ao fazer isso se aproxima demais da beira do paredão e cai.

    A queda é curta, mas os pensamentos se sucedem com velocidade vertiginosa na cabeça de Marie. Ela pensa em buracos negros, versos de Artaud e na fragilidade da vida humana. A última coisa que passa em sua cabeça é a teoria que diz que cada um de nós tem um sósia, um duplo perdido em algum dos cantos do mundo. Então ela bate a cabeça com violência em uma pedra.

    A mesma violência com que Fernando usará o abajur para partir a cabeça de Rose no domingo de carnaval em Porto Seguro, cinco anos depois.
     

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