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Romantismo

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Lucas_Deschain, 10 Mar 2010.

  1. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [size=medium][align=center]Romantismo[/align][/size]

    [align=justify]Olá, percebi que vários membros do fórum comentam sobre escolas literárias mas parecem não se sentir a vontade em taxar as obras literárias como pertencentes ao Romantismo ou Realismo ou qualquer outro movimento literário. De cara digo que essas afirmações vazias de sentido como compreender uma obra como sendo "romântica e pronto" também me incomodam muito. Quero propôr uma discussão mais solta, desregrada, que procure explorar os sentidos do Romantismo e suas obras, mas sempre conhecendo que pertencer a essa ou aquela escola literária não dá conta de abarcar toda a riqueza de uma obra literária. E aí, o que você sabem sobre Romantismo, autores românticos, características do movimento, contexto histórico...[/align]
     
  2. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Ninguém se interessa pelo Romantismo? Putz, é a escola literária que mais gosto. Gosto muito da maneira rebuscado com que os autores procuram escrever, na minha cabeça sempre pensava que os autores românticos estão ao lado dos parnasianos na questão de revisão de texto, eles parecem querer tirar o máximo de eloquência e beleza daquilo sobre o que escrevem. O resultado é, na minha singela opinião, fantástico![/align]
     
  3. Alisson P.

    Alisson P. Usuário

    Sei que foi a escola literária que mais rendeu telenovelas de época. :lol:

    Reconheço o valor das obras românticas, mais prefiro bem mais as do Realismo. Personagens idealizados, sentimentalismo extremo e finais felizes não são muito a minha praia.
     
  4. -Arnie-

    -Arnie- Usuário

    Emily Brontë criou um romance mais destruidor e amargo, embora menos escandaloso, do que Eça de Queiroz com o Primo Basílio, por exemplo. Romantismo não é apenas folhetim novelesco, é um engando, provavelmente por causa do nome, ou porque para a TV só é possivel adaptar o enredo, sendo incapazes de passar os recursos que só um livro ou uma peça possuem.

    Vicor Hugo é o meu grande autor dessa geração, isso porque só li Os Trabalhadores do Mar.

    Que livro! Quando eu tiver um monde de dinheiro sobrando compro Os Miseráveis.
     
  5. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    E Byron? E Álvares de Azevedo? E Goethe? Todos românticos...
     
  6. -Arnie-

    -Arnie- Usuário

    O problema com os românticos é que, ou são muito rebuscados e o leitor médio não entende nada, ou tem aquela camada novelesca à Julio Dinis, que já era baixo nivel para época.
     
  7. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]A segunda geração romântica, chamada também de Mal do Século ou Ultra-Romântica, é a minha predileta dentro das obras consideradas românticas, embora não conheça uma série de autores dessa escola literária.
    Aquela angústia, aquela plangência com que eles expressavam o sofrimento que sentiam, aliado ao belíssimo uso da linguagem, evocando ao mesmo tempo o lírico, o macabro e o mórbido...é muito bom.[/align]
     
  8. imported_Rafaela

    imported_Rafaela Usuário

    Eu adoro os livros da época do romantismo, a beleza e a morbidez das obras. Acho que esse é o movimento que mais gosto e mal vejo a hora de estudá-lo na faculdade!! :lendo2:
     

  9. "Oh! make her a grave where the sun-beams rest,
    When they promise a glorious morrow!
    They'll shine o'er sleep, like a smile from the West,
    From her own lov'd island of sorrow."
    TH. MOORE


    Belissimo não??? Citação do início do poema "virgem morta" do Alvares.

    como dizem por aí: "Já bebi muito das fontes literárias do romantismo".Simplesmente amo a geração do mal do século.É um lirismo sem igual.
    Passei quase um ano lendo a lira dos vinte anos para fazer minha monografia sobre a imagem da mulher na obra do Alvares de Azevedo.A imagem crepuscular, ora terror, ora suspense, as paixões pelas virgens sonhadas, a dupla e tripla adjetivação dentre outras caracteristicas do movimento marcaram muito a minha vida.


    Se quiser discutir mais a respeito só mandar MP :sim:
     
  10. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Dupla e tripla adjetivação...nunca tinha pensado nisso, mas realmente é uma característica típica da estética romântica, e o engraçado é que costumo usar dupla adjetivação em praticamente tudo o que escrevo. Referência inconsciente? XD [/align]
     
  11. aaahhhXD inconsciente realmente não sei.., mas sei que os ultra romanticos são mestres nisso.

    Já postou aqui no meia teus poemas??

    Aliás vc cursa letras? ou é só amante da literatura?
     
  12. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Não, sou acadêmico de História, só sou um cara que gosta muito de Literatura mesmo. [/align]
     
  13. Muito bom Lucas :)
     
  14. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Uma coisa que me chamava (e ainda chama) a atenção com relação não só ao Romantismo como também outros movimentos literários, é a forma como eles se relacionam com a realidade histórica vivenciada.
    No caso do Romantismo, é possível apontar a Revolução Industrial e o pós-Revolução Francesa, que certamente são processos que imprimiram marcas na produção literária de seu tempo. Por exemplo, as lamentações lamuriosas dos poetas românticos, o sentimento de descrença com relação ao que virá, e, conseqüentemente, o sofrimento e a plangência de estarem em meio a esse turbilhão de mudanças e transformações que fogem a seu controle e que estavam gerando desdobramentos nada graciosos, como multidões de trabalhadores comp péssimas condições de vida, aglomeração urbana, diminuição da qualidade de vida, miséria etc. Há também a questão que envolve a Revolução Francesa, que gerou tantas esperanças e acabou se mostrando a força das tradições na conservação de determinados grupos no poder que, aos olhos de alguns, poderiam parecer um retrocesso.
    Tudo isso influenciou o imaginário romântico. Não é possível generalizar, pois há românticos que viram na nova organização da sociedade e do modo de vida e de produção melhorias, e que, através de sua literatura, acabaram por vangloriar os processos de industrialização, por exemplo, que estavam ocorrendo.
    A riqueza que é possível entrever na relação entre Literatura e História me fascina e me intriga.[/align]
     
  15. Absolutamente a literatura e a história estão intimamente ligadas, indissociável isso.

    O capitalismo estava influenciando o mundo ainda. A construção dos grandes centros muitos escritores se dirigindo para estudar em SP e RJ.

    Apesar da influência sofrida por outros países o Brasil conseguiu obter uma identidade própria a partir do movimento romântico na terceira geração é muito representado esse lado patriotico. Bem interessante mesmo adoro XD
     
  16. Pescaldo

    Pescaldo Penso, logo hesito.

    A fase patriótica é a primeira. A terceira fase romântica só existiu no Brasil e em nenhum outro lugar. Também podemos chamar de pré-Realismo essa terceira fase romântica, já que é bem mais pé-no-chão que as outras duas.

    O Romantismo produziu muita merda, isso é fato. Assim como produziu também muita coisa boa. Com as minhas duas frases anteriores, o Romantismo tem uma característica inerente a ele que é a produção exacerbada de obras, visto que, durante o mesmo tempo, houve uma "democratização" da sociedade.

    Um golpe forte do qual a Arte, provavelmente, nunca se recuperará: a grana passou a ditar o que deve ser produzido, escritor passou a ser uma profissão e o mecenato se invertia: enquanto que antes alguém sustentava um artista para que produzisse, no Romantismo o artista produzia para que alguém comprasse.

    É fácil galera confundir o Romantismo com os folhetins burgueses que tanto são reproduzidos por aí. Porém, mais forte que isso, a marca do romântico é o trágico, a morte, o sofrimento. Alguns estudiosos sustentam (e com uma boa base para tal) que ainda não saímos do Romantismo, afinal, se parar para pensar bem, a maioria das obras de hoje de todo o mundo artístico ainda é romântica.
     
  17. -Arnie-

    -Arnie- Usuário


    Vicor Hugo, com seu livro Os Miseráveis, e Balzac, e Stendhal são todos românticos mais engajados com a realidade social. Mesmo Balzac, que já deve ter feito de tudo um pouco dentro da Comédia Humana, se detinha nas características romanticas de terceira fase, com um pé já dentro do realismo.
     
  18. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Não sei se estou errado, mas, independentemente da qualidade, folhetins são considerados literatura romântica, não é? (não estou sendo sarcástico, antes que pensem que estou querendo polemizar, é que realmente fiquei em dúvida agora)
    Quanto a temática trágica, a morte, o sofrimento, a angústia, a desilusão, tanto amorosa quanto "social" e até mesmo "filosófica", concordo contigo Pescaldo, pois esse, pelo menos a meu ver, é o cerne da literatura romântica, é o principal diferencial dela em relação às outras. E creio que isso é decorrente, em grande parte, por conta da situação histórica que esses escritores vivenciavam, conforme eu havia postado anteriormente.[/align]
     
  19. Pescaldo

    Pescaldo Penso, logo hesito.

    Expressei-me mal. Eu quis dizer que costumam limitar a principal herança do romantismo o romance folhetinesco, um erro bastante comum.

    Sim, mas formalmente falando, a terceira fase é algo exclusivo ao Brasil. Obviamente que outros autores pegam elementos de aqui e acolá e nunca são limitados pela sua escola literária (Camões que o diga).
     
  20. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Ah, tá. Realmente é um erro que acontece muito. Nas próprias aulas de Literatura que tive na escola. Apesar da professora não restringir o movimento romântico a folhetins, a apostila dava um peso grande nessa produção, talvez supervalorizando-a em detrimento das outras. O que senti falta ao estudar Romantismo na colégio foi justamente aprofundar-se nas obras e autores românticos internacionais, ficamos quase só em Literatura Brasileira.[/align]
     

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