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Religião monoteísta e não ritualística devota a Ilúvatar no mundo real?

Kimberly Raabe

Usuário
Bom dia a todos. Estou fazendo uma pesquisa e gostaria de perguntar se alguém aqui já conheceu uma pessoa que acreditasse como realidade os contos da Terra-média, os Valar e cresse em Ilúvatar como Deus único.

  • Quero esclarecer que já li tópicos sobre "a existência de uma religião baseada nos contos da Terra-Média" e que esse não é meu foco, e sim pessoas com sua crença particular.
  • Já vi nomes para isso em inglês como Iluvatarism (Iluvatarismo), Valarism (Valarismo), "Eruist Belief" (Crença Eruísta) e seus adeptos como "Iluvatarian-Eruist".
  • Eu já pesquisei sobre esse tema e muito do que eu encontrei foram pessoas que acreditam como uma comparação com deuses, seja o da Bíblia ou outros, aqueles que só pensam nas obras como inspiração para sua espiritualidade, aqueles que dizem crer nos Valar mas apenas como deuses em um panteão com vários outros (Nórdicos, Gregos, Hindus), e que geralmente essas pessoas estão ligadas a religião pagã, wicca, e outras coisas esotéricas.
  • Também quero dizer que sei o que Tolkien escreveu sobre a criação de uma religião baseada nos contos. O que eu quero saber são relatos pessoais das pessoas, se algum de vocês conhecer.

O que estou procurando é algo específico: alguém que creia e adore Ilúvatar (o do conto junto com sua história, não como uma comparação ao Deus cristão) como único deus, ou seja, alguém monoteísta, com uma crença orgânica. Se alguém tiver informações sobre isso, eu ficaria grata pela ajuda.
 

Neoghoster Akira

Brandebuque
Isso me lembra que tive um parente que estudava ciências da religião na federal e inclusive minha mãe era bem interessada no assunto, quando tinha um dinheiro sobrando antes da crise, estava estudando hebraico num daqueles cursos das faculdades de Jerusalém via internet pra poder aprofundar mais. Os estudantes do curso desse meu parente iam durante as aulas até a beira do mar com o professor à noite para estudar rituais de entidades como Iemanjá, entre outros.

Como se trata de fenômeno social organizado recente da cultura pop (igual a religião em torno de Star Wars) , pós-Tolkien, à época da explosão dos filmes houve muitas pessoas pela internet que acreditavam que o mundo de Tolkien (com a enorme riqueza de detalhes e efeitos) realmente existiu (ou pelo menos acreditavam na maior parte do mundo nos livros) e eu costumava ver essas pessoas em fóruns exo(eso)téricos da internet (um deles era o antigo Fórum Ascensão em que tinham algumas pessoas assim). Hoje é muito raro.

Os fóruns e o ambiente virtual estão muito mais hostis hoje em dia (por exemplo, já na época membros do Fórum Religião é Veneno faziam ataques freqüentes ao site) e não sei o que poderia ter havido a eles desde então.

O que dá para relatar daquela época é que houve sim algum tipo de efeito coletivo no que os espiritualistas chamam de psicosfera no mindset da população em geral com O Senhor dos Anéis e tinha um pessoal que tinha até visões (sem falar de sonhos). Me pergunto se o material não ativava algum gatilho espiritual nas pessoas. E um ou outro testemunho ou relato de visão ou experiência mais profunda com o mundo de Tolkien, ou mais precisamente o mundo feérico das fadas, escapava em alguns tópicos.

No mais leio blogs de estudos em inglês-espanhol desses assuntos quando dá. Nem vídeo tem sobrado muito tempo mais.
 

Kimberly Raabe

Usuário
Sim eu consegui perceber uma ideia de crença não muito específica, por exemplo, crer em aspectos da obra, acreditar nos Valar como sendo outros nomes para deuses de outras culturas ou até mesmo crer nos Valar como sendo reais mas de outra dimensão ou realidade, ao mesmo tempo acreditando em vários outros aspectos esotéricos, tudo junto. Mas achar alguém que acredite em tudo, em todo o aspecto histórico e no espiritual, ou seja, em Ilúvatar e nos Valar, com exclusividade, está difícil de encontrar para conversar. Eu tenho a impressão de que tem um pouco mais dessas pessoas por aí do que se parece mas elas não querem se expor e eu compreendo. Geralmente quando as pessoas se propõem a conversar com outras sobre assuntos incomuns é de uma forma intimidatória, acusadora. Aí complica. Eu entrei em alguns grupos em inglês e tive bastante respostas, muitas pessoas acharam o tópico interessante e a maioria dos que se manifestaram seguiam essa linha da mistura esotérica que citei.
 

Meneldur

We are infinite.
Usuário Premium
Vale notar que a intenção do Tolkien não era fazer Eru "parecido com o Deus cristão" - era o Deus cristão. Tolkien imaginou a Terra-média como um passado da nossa terra. Então, imbuiu a Terra-média com a sua própria visão de mundo - uma "teologia" católica, em que o Deus cristão se faz presente. Principalmente depois da publicação do Senhor dos Anéis, na década de 50, ele procurava afinar o sistema de mundo da Terra-média com a doutrina católica, e comenta isso em algumas cartas e escritos.
 

Neoghoster Akira

Brandebuque
No cristianismo (Tolkien devia estar ciente pelo que CS Lewis dizia nos textos dele) alguns pregadores falam que no mundo "cada geração tem sua música". Que no caso é Música no sentido amplo e maiúsculo, que inclui na etimologia as famosas "musas gregas" e o lado místico, psicológico e introspectivo presente no modo de vida mesmo no mundo moderno (CS Lewis nos textos bíblicos diria "para dentro e para cima!"), que há no cristianismo e aparece no estimulo ao leitor dentro da obra de Tolkien. E o SdA seria como parte da música da geração, por assim dizer.

É esse estudo (um tanto sincrético) que em um vídeo vi recentemente a Gilda Moura, que é psicóloga pesquisadora de regressão (vai direto aos EUA fazer trabalhos com colegas da área) esses dias lembrou do aniversário de Carl Jung que foi esse final de Julho. Ela faz a citação da diferença entre o místico e o esquizofrênico. Ela fala o que Jung dizia que quando o Místico e o Esquizofrênico vão nadar no mar o esquizofrênico se afoga no mar mas o místico não, pelo contrário, o místico pode voltar ainda melhor.

Nesse conflito, para as pessoas se abrirem hoje tem que haver um mínimo de segurança, conforme você falou, e atualmente depois daquela época o foco do "front" do atrito intimidatório das discussões migrou muito para outras plataformas interativas que surgiram na internet depois dos fóruns. E tem sido inclusive saudável se blindar contra as bad "vibes" que puxam a pessoa para longe do livre discernimento. Em todo caso, a maioria dos fóruns deixou de ter esse tipo de segurança (são terrenos em modo de batalha). Se encontrar uma comunidade assim pra participar, agarre-a e não a solte.

Se pegarmos os vídeos de analistas e psicólogas como a Cassyah Faria que trabalha com regressão de vidas passadas e contatados dá pra ver que o Youtube é hoje um dos campos de ataque de hostilidade ao fluxo de idéias. O canal dela é constantemente atacado e de vários outros youtubers também, inclusive da própria política da plataforma, que hoje é pesadamente ideológica escondendo materiais, derrubando e deletando conteúdo.
 

Kimberly Raabe

Usuário
Se pegarmos os vídeos de analistas e psicólogas como a Cassyah Faria que trabalha com regressão de vidas passadas e contatados dá pra ver que o Youtube é hoje um dos campos de ataque de hostilidade ao fluxo de idéias. O canal dela é constantemente atacado e de vários outros youtubers também, inclusive da própria política da plataforma, que hoje é pesadamente ideológica escondendo materiais, derrubando e deletando conteúdo.

Isso é completamente verdade. A livre circulação de conteúdo está com os dias contados no mundo. Mas eu estou conseguindo bons resultados até. Estou respondendo todos com cordialidade, então alguns estão se sentindo a vontade pra falar. Está sendo uma experiência interessante. Teve até uma pessoa no Facebook que pediu que quando eu encontrasse essas pessoas que eu encaminhasse elas pro médico e ficou brigando comigo literalmente pra fazer isso. Nunca vi uma coisa assim. Entretanto eu posso dizer que minha experiência com estrangeiros está sendo melhor que com brasileiros. Aqui o pessoal já chega xingando. Lá eles tentam ser delicados. Se eu descobrir alguma coisa fora as que já citei, compartilho com vocês. E se alguém quiser conversar comigo pode me mandar mensagem.
 

Kimberly Raabe

Usuário
Olá a todos. Antes que eu criasse esse tópico eu li este aqui https://www.valinor.com.br/forum/topico/a-religiao-dos-valar.148845/post-2627338 criado pelo @Darth Imperius. Nesse comentário o @Fëanor recomendou o trabalho acadêmico do Markus Altena Davidsen sobre "Religiosidade Tolkieniana". Baseada nas pesquisas dele eu vou compartilhar alguns detalhes sobre os grupos que realmente desenvolveram uma religião baseada no Legendarium de Tolkien. Em 2003 e 2012 por conta dos filmes esse assunto veio à tona novamente, então vou deixar esse tópico pensando em discussões futuras porque talvez a série da Amazon possa reacender o tópico.

Davidsen trata sobre vários assuntos no seu trabalho, como a origem desses grupos, a sua lógica interna e justificação, seus rituais (baseados no Legendarium ou não), fusões com outras religiões, passagens nos livros e outros escritos de Tolkien que dariam vazão para essas crenças, outros trabalhos e autores que tratam desse tema e etc.

A seguir eu escrevi um resumo desses grupos, sua origem, proposta, rituais, visão espiritual e influência que tiveram pelas obras de Tolkien.

O primeiro grupo que Davidsen menciona foi de Mytle Receeo, uma mulher residente do sul da Califórnia, no ano de 1973. Ela cria que as histórias escritas por Tolkien eram reais, embora o autor teria por conveniência "escrito a crônica em forma de ficção". Ela dizia ter conversas com Elfos, Anões e Hobbits e que Bilbo apareceu para ela uma vez como uma criança e a revelou a volta dos Nove Caminhantes (A Sociedade do Anel). Seu grupo tinha a intenção de desenterrar Minas Tirith do deserto de Mojave (Califórnia), que ela teria localizado por poderes psíquicos. O projeto entretanto, foi sempre adiado e o grupo se desintegrou.

Em 1972, "Arwen" e "Elanor" fundaram o grupo feminista "The Elf Queen Daughters", alegando terem sido orientadas numa sessão de tábua Ouija. Esses não eram seus nomes verdadeiros, mas sim retirados do livro O Senhor dos Anéis. As duas estabeleceram centros em Illinois e em toda a América. Elas eram praticantes de Wicca entretanto, e usavam elementos das obras de Tolkien apenas como complementos. Elas entendiam que Elbereth seria Arda ou Gaia e entoavam canções para ela em rituais. O uso de Varda era na verdade metafórico, usado para reverenciar o "feminino", assim como sua identificação como Elfos era uma referência ao respeito pela natureza.
Esse movimento foi mais tarde sucedido por "Zardoa Love e Silverflame" que podem ser encontrados aqui https://www.instagram.com/silverelves/. Zardoa conheceu The Elf Queen Daughthers e passou a receber suas cartas. Depois disso, em uma certa noite ele alegou que havia "despertado como elfo" e recebeu sua iniciação no grupo The Elf Queen Daughters. Depois desse evento ele fundou seu próprio centro em Carbondale (Illinois). Diferente do grupo feminista, Zardoa levou sua "identidade élfica" e despertar a sério. Zardoa em sua parceria com Silverflame alegou que sem Tolkien, provavelmente eles não se chamariam de elfos e referem a si como "Elfos Prateados". Entre suas crenças, eles ligavam Arda a Gaia e acreditavam na reencarnação élfica cíclica para ajudar a evolução do Homem. Apesar de terem se referido ao Silmarillion e O Senhor dos Anéis em várias de suas cartas, eles deixaram o Legendarium de lado anos depois. Além disso, eles não consideram as histórias de Tolkien como realidade factual, apenas fonte de inspiração.

Em 1984 é fundado o "Tribunal of Sidhe", em Sacramento (Califórnia). Um de seus fundadores é conhecida como "Lady Danu". Tribunal of Sidhe seguia a linha neo-pagã e seus membros se denominavam "Changeling", ou seja, criaturas míticas/feéricas encarnadas em um corpo humano vindas do "Plano Astral". O grupo sintetizava elementos do Legendarium de Tolkien com Wicca, mitologia Celta e suas próprias crenças pessoais. Eles usavam a mitologia de Tolkien assim como várias outras mitologias conhecidas para rituais e, para eles, antigos folclores, mitos e histórias sobre fadas e elfos refletiam o fato histórico de que os mesmos co-habitaram a terra. Correlacionando a obra de Tolkien, o grupo considerava que o lar dos Changeling no plano astral seria o "Reino Abençoado", onde habitariam o "povo parente", sendo assim, os Valar, Maiar e Elfos. Eles alegavam ser o próprio Tolkien um Changeling e sua obra "a história dos Changeling em forma mítica", tendo o autor mudado algumas coisas para que sua história parecesse menos "controversa".

Na "Alternative Tolkien Society", que você pode acessar aqui (http://alt-tolkien.com/), ativa de 1996 a 2005, membros compartilhavam, entre outros relatos, visitas à Terra-média através de rituais e encontros com elfos. Foi o fundador do site, Martin Baker, que apresentou Calantirniel e Nathan Elwin, fundadores do grupo Tië Eldaliéva e seu braço Ilsaluntë Valion que falaremos a seguir. Baker que era interessado em esoterismo Ocidental considerou as obras de Tolkien espiritualmente fortes tanto quanto outros mitos. Ele escreveu uma série de artigos que chamou de "manuscrito de Tresco" que alegou chegar até ele por "Alice Bailey", no qual estaria provada a historicidade das obras de Tolkien. Neles, o autor estendeu a trama de Tolkien que conectava a Terra-média e a Inglaterra Anglo-saxã. Ele alegava o manuscrito e tradição relacionada como "intensamente real" senão "realmente verdadeira".

Tië Eldaliéva foi fundado em 2005 por Nathan Elwin e Calantirniel. Acesse o site deles aqui https://elvenspirituality.com/. Elwin procurou por décadas por pessoas que compartilhassem de sua crença de que as histórias de Tolkien não seriam ficção mas sim "mito-história* com elementos euhemerísticos**". O que ele sempre encontrou foi "espiritualidade tolkieniana" mesclada com elementos neo-pagãos. Após a leitura de “J.R.R. Tolkien’s Gnosis for our Day” de Stephan Hoeller, Elwin fundou uma comunidade online para exploração gnóstica e mito-histórica do Legendarium de Tolkien. Após conhecer Calantirniel, ambos resolveram criar um "caminho espiritual incorporando Tolkien". Embora a intenção inicial de Elwin fosse se distanciar de outras crenças, a história de Tolkien não relata rituais, portanto o grupo decidiu criar seu próprio calendário lunisolar, incorporando práticas como magia cerimonial da Ordem Hermética da Golden Dawn e Wicca. O grupo Ilsaluntë Valion (https://forum.westofwest.org/) nasceu justamente por divergências entre os membros do grupo. Enquanto em sua raiz Tië Eldaliéva lidava com uma "visão espiritual élfica", alguns membros preferiram uma visão espiritual dos Homens (ou Humana), ou então uma abordagem abrangendo ambos os lados. Alguns membros também se incomodaram com as adições de rituais pagãos usados pelos lideres com o propósito de "preencher as lacunas", ou seja, a falta de atos ritualísticos nas obras de Tolkien. Esses requisitavam uma exploração do Legendarium de forma estrita, sem adições. Outro grupo divergente no que concernia a forma de rituais, preferia as práticas xamanicas, enquanto outros, magia Wicca. Por esse motivo, Elwin se separou do grupo e fundou Ilsaluntë Valion. O novo grupo se afirmava contra a visão Otherkin¹, mas aberta à possibilidade de ancestralidade élfica no gene humano (Meio-Elfos do Legendarium) e mesclava uma visão espiritual tanto élfica como humana. O grupo enfatizou uma linha gnóstica de interpretações e considerou os contos de Tolkien como mito-históricos, juntamente com a intenção de identificar paralelos das histórias de Tolkien e o mundo real embora de forma não plena.

Middle-Earth Pagans foi um grupo fundado em 2004 por Laurasia Sluyswachter para ser um espaço de compartilhamento de experiências de integração do trabalho de Tolkien com "caminhos espirituais". Acesse aqui https://mepagans.proboards.com/. A maioria de seu grupo assim como a fundadora, encontraram-se nos filmes de O Senhor dos Anéis de Peter Jackson. Diferente de outros grupos, este focou seus rituais para os personagens dos filmes propriamente ditos através de rituais de Wicca. Ela correlacionou cada personagem com um poder e função para clamar em seus rituais. Para o grupo, os personagens de O Senhor dos Anéis seriam expressão metafórica do Deus e Deusa pagãos. Laurasia contou que alguns membros do grupo imaginavam que a Terra-média existiria em uma diferente dimensão e que eles poderiam se conectar com ela visitando o "reino astral". Muitos dos membros perderam o interesse depois de um tempo. O site foi muito usado para discussões diversas não relacionadas a ideia central e nunca foi institucionalizado ou centrado em ideias basilares. O grupo, por fim, se dispersou.

Children of Varda nasceu em 2003, nos grupos do Yahoo e foi um grupo direcionado a pagãos e crentes na existência de elfos. O grupo acolhia também cristãos, ambos unidos em seu apreço pelas obras de Tolkien e na crença em elfos. Alguns membros também apresentavam o fator de auto-identificação élfica. Os tópicos proeminentes foram a respeito de música élfica e mémorias élficas do passado que na maioria das vezes eram ligadas a Terra-média, seja no plano astral ou na pré-história do mundo. O grupo entretanto minguou depois de um tempo. Os focos de discussão se voltaram para assuntos alternativos como tarô, horóscopo, reike, karma, anjos da guarda e etc. Assim como o Grupo Pagãos da Terra-média, a variedade de assuntos e a falta de foco fez com que os membros migrassem para grupos mais organizados. Desde 2006 não houve mais nenhuma atividade no grupo.

O grupo Elendë foi criado em 2005 no Yahoo (com o nome original Quest for Middle‐earth and the Elves) por Dana. A premissa do seu grupo era reunir pessoas que cressem que a Terra-média foi um lugar real assim como os Elfos. Diferente dos outros grupos, Elendë não realizou rituais e apenas uma minoria dos membros se auto-identificava como elfo. As discussões se focaram centralmente em debater encontros e experiencias com elfos. Embora fundado com a idéia de realidade da Terra-média, a maioria dos membros descartou essa possibilidade, adotando ao invés disso a interpretação de existência de outro mundo habitado por elfos ou a existência deles no mundo real não atrelada ao Legendarium de Tolkien. A partir desse pensamento as discussões foram desaparecendo e nada mais havia para ser dito, pois um estudo sobre elfos de outras mitologias nunca foi incentivado, nem qualquer conexão ritualística empregada. Desde 2004 o grupo passou a maior parte do tempo inativo.

Indigo Elves é um fórum de discussão ativo desde 2005 no Proboards (acesse aqui https://indigocrystals.proboards.com/). Seu foco está na crença da auto-identificação e natureza élfica, seu despertar e retorno. Seu líder, Ravenwolf, desencoraja rituais direcionados aos Valar, pois nas obras de Tolkien, eles seriam mais como anjos e não como deuses para serem adorados. Ele também se opõe a visão de encarnação élfica, defendendo entretanto a descendência élfica pelo gene. Além disso ele acredita que a Terra-média e os elementos centrais do Legendarium de Tolkien ocorreram em um tempo real do nosso mundo físico. Ele menciona que após o dilúvio ainda houve um período em que os elfos e a magia permaneceram fortes, mas depois disso eles "desbotaram". Entretanto a linhagem com sangue élfico ainda permanece entre os humanos provindos de Arwen e Aragorn. Em relação ao nome do grupo, Índigo é uma pessoa considerada mais sensível e desenvolvida espiritualmente. Alguns membros do grupo se auto-identificam Índigos e consideram a obra de Tolkien assim como mitos de épocas antigas sobre Elfos e Changelings uma forma metafórica para se referir ao real fenômeno Índigo.


Resumindo essas informações, a religião baseada em Tolkien tem profunda e inseparável ligação com o paganismo quando executada na prática. Na maioria dos casos os afetados espiritualmente pelo Legendarium procuram correlação em religiões pré-estabelecidas e se encontram principalmente no neo-paganismo e na adoção ritualística da Wicca.
Dois grupos distintos podem ser observados: aqueles que levam a visão mitopoética*** das obras, alegando que o Legendarium de Tolkien carrega expressões espirituais universais encontradas em várias religiões e culturas, e aqueles que encaram os contos de forma mito-histórica, embora sempre os atrelando a outros mitos e visões espirituais como forma de justificação. Com poucas ressalvas, as religiões apresentadas tentaram pelo menos algum tipo de ritual, principalmente o contato com as divindades, dando mais importância para a experiência de conexão ritual do que para a exploração e correspondência histórica do Legendarium.


*Mito-histórico (Mytho-historical): "o texto é história dramatizada".
**Euhemerístico (Euhemeristic): "o texto é uma lenda".
***Mitopoético (Mitopoeic): "o texto revela entidades sobrenaturais de uma forma metafórica".
¹Otherkin: alguém que sente que não é humano.
______________________________________________________________


Após a leitura desse trabalho eu reformulei minha pergunta no tópico porque ela foi respondida, mas outra dúvida mais estrita surgiu. Embora eu tenha descoberto divergências de crença nesses grupos, nenhum grupo se encaixou nos parâmetros que eu estou procurando para saber mais a respeito: uma crença não ecumênica, não ritualística, mito-histórica e monoteísta.

Quem quiser ler o trabalho do Davidsen pode acessar aqui: https://www.academia.edu/25302152/2..._A_Study_of_Fiction_based_Religion_full_text_.
 
Última edição:

Neoghoster Akira

Brandebuque
Essa cronologia me lembrou que dois meses atrás saiu uma reportagem sobre a popularização massiva entre os adolescentes de uma moda nova que chamam de "Reality Shifting" no fandom de Harry Potter:

What is 'reality shifting' and why is it taking over TikTok?​


By using the “raven” or “Alice in Wonderland” method, fans claim they're entering other universes, primarily so they can get off with Draco Malfoy.​


É digno de nota no conteúdo que eles falam de técnicas para se obter uma experiência trans-liminal, com procedimentos de meditação profunda que aplicam algum tipo de auto-transe ou auto-hipnose (as posições do corpo, etc...)

Há nisso uma perspectiva social e se não me engano na União Soviética havia uma proibição via Estado que produzia a supressão da manifestação da vida espiritual e as pessoas terminavam por buscar por conta própria estudar a mente e a espiritualidade, que a igreja ortodoxa entendia como "religião incompleta", pelo menos do ponto de vista do cristianismo. O que não raramente, derivava em problemas de indisciplina por errar nos experimentos.

A hipnose tem dois lados possíveis, se a pessoa busca enganar (os outros ou a si mesma) ela tende a ficar mais vulnerável ao transe e piorar o estado dela. Se ela conseguir ser honesta e corajosa do começo ao fim ela se sai melhor da experiência do que quando entrou, então é uma terra cheia de perigos, de recompensas mas também de punições.

É fato que o campo da hipnoterapia, em especial no trabalho de psicólogos, explodiu nos últimos anos, e eu mesmo há uns 8 anos tenho ouvido centenas de audios de sessões de pacientes publicadas na internet. Alguns são de arrepiar os cabelos, a Gilda Moura conta de pacientes que voltavam com os olhos negros e só voltavam ao normal depois de vários minutos.

Pessoalmente, o primeiro experimento prático que tive com hipnose foi por volta de uns 12 anos de idade, quando peguei um livro do Brian Weiss (terapeuta da princesa Diana) e resolvi fazer um teste simples e neutro no meu quarto. Havia a opção de usar o CD com os comandos ou usar o livro. Na época bastou dar o comando para uma parte do corpo e o efeito pretendido funcionou, esvanecendo após alguns minutos. Não precisei usar o CD e para mim era o suficiente e eu já sabia que funcionava mas não queria aprofundar ainda o assunto. Por isso só depois da faculdade continuei, conforme relatado.
 

Kimberly Raabe

Usuário
Essa cronologia me lembrou que dois meses atrás saiu uma reportagem sobre a popularização massiva entre os adolescentes de uma moda nova que chamam de "Reality Shifting" no fandom de Harry Potter:

What is 'reality shifting' and why is it taking over TikTok?​


By using the “raven” or “Alice in Wonderland” method, fans claim they're entering other universes, primarily so they can get off with Draco Malfoy.​


É digno de nota no conteúdo que eles falam de técnicas para se obter uma experiência trans-liminal, com procedimentos de meditação profunda que aplicam algum tipo de auto-transe ou auto-hipnose (as posições do corpo, etc...)

Há nisso uma perspectiva social e se não me engano na União Soviética havia uma proibição via Estado que produzia a supressão da manifestação da vida espiritual e as pessoas terminavam por buscar por conta própria estudar a mente e a espiritualidade, que a igreja ortodoxa entendia como "religião incompleta", pelo menos do ponto de vista do cristianismo. O que não raramente, derivava em problemas de indisciplina por errar nos experimentos.

A hipnose tem dois lados possíveis, se a pessoa busca enganar (os outros ou a si mesma) ela tende a ficar mais vulnerável ao transe e piorar o estado dela. Se ela conseguir ser honesta e corajosa do começo ao fim ela se sai melhor da experiência do que quando entrou, então é uma terra cheia de perigos, de recompensas mas também de punições.

É fato que o campo da hipnoterapia, em especial no trabalho de psicólogos, explodiu nos últimos anos, e eu mesmo há uns 8 anos tenho ouvido centenas de audios de sessões de pacientes publicadas na internet. Alguns são de arrepiar os cabelos, a Gilda Moura conta de pacientes que voltavam com os olhos negros e só voltavam ao normal depois de vários minutos.

Pessoalmente, o primeiro experimento prático que tive com hipnose foi por volta de uns 12 anos de idade, quando peguei um livro do Brian Weiss (terapeuta da princesa Diana) e resolvi fazer um teste simples e neutro no meu quarto. Havia a opção de usar o CD com os comandos ou usar o livro. Na época bastou dar o comando para uma parte do corpo e o efeito pretendido funcionou, esvanecendo após alguns minutos. Não precisei usar o CD e para mim era o suficiente e eu já sabia que funcionava mas não queria aprofundar ainda o assunto. Por isso só depois da faculdade continuei, conforme relatado.

Eu soube dessa notícia. Eu acho que esse tipo de coisa vai se tornar cada vez mais comum. Pelo que eu li o tradicionalismo religioso com o tempo vai ser substituído por espiritualidades individuais e experimentais por assim dizer. E pra falar a verdade essa novidade de "realidade aumentada" na minha opinião acelera esse processo. As pessoas hoje em dia estão muito fixadas no "sentir", mesmo dentro de religiões tradicionais, e uma espiritualidade experimental que pode ser "personalizada" tem grande chance de se tornar popular.
 

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