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Refletindo as pausas

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por AlexB, 24 Set 2011.

  1. AlexB

    AlexB Usuário

    O som doce e misterioso do oboé, o brilho épico do trompete, o choro agudo do violino, nada seriam sem as pausas, o silêncio adornado pelas notas musicais, pausas longas ou curtas em conjunto com as notas que as precedem ou sucedem, é a matéria prima da música. Na literatura temos pausas, parágrafos, pontos, dois pontos, ponto e vírgula, vírgula, e as pausas menores: quando a falta das vírgulas nos faz clamar por ar.

    Se formos rezar pela igreja da gramática, a maior função da pausa será semântica, hierarquizando o texto em blocos lógicos, acontece que quando falamos, pausas tem outro significado que não exclusivamente semântico, ou uso meramente sintático, a única que permitiria alguma vocalidade seria reticências, de uso quase exclusivo na literatura. Mesmo assim, com uso restrito e infelizmente abusado, deixando-as caricatas, subentendendo algo e não apenas significando pausa.

    Às vezes é interessante notar como pessoas diferentes falam, mais que o uso de termos próprios, pausas ditam um ritmo que dá a característica de cada um, quantas vezes ouvimos que não se coloca vírgula entre sujeito e verbo, tente notar se as pessoas pausam a fala depois do sujeito para depois acrescentar o resto. É comum? O que significa? Falamos errado?

    A escrita sempre tentou imitar a fala, é ela que aprendemos primeiro, falamos, depois escrevemos, também aprendemos que a escrita usa linguagem mais culta, e quando queremos imprimir certa vocalidade usamos os termos coloquiais da fala, e falhamos em captar um dos elementos mais marcantes da comunicação vocal, o ritmo.

    É possível escrever sem pausas, Gertrude Stein já provou, tornou-se uma assinatura reconhecida pelos leigos na escrita de Saramago. Escrever sem as pausas é um truque interessante, por não existir a sinalização, quando lemos usamos as pausas que nos são naturais com o nosso ritmo. Desta maneira, escrita assim parece possuir um ritmo que nos é natural, é um truque, não existe ritmo que não seja o que você mesmo imprimiu, assim obviamente lhe parecerá fluido e natural. Tens dúvida que é assim que se processa o truque? Pegue um texto em prosa de Drummond seu desconhecido, retire toda pontuação, agora leia: terás a fluência do Saramago mineiro.

    Se é possível escrever sem pausas, qual motivo de não usarmos as pausas para imprimir um ritmo vocal em vez de apenas ordem sintática. Se ao abolir as pausas deixa o leitor livre para imprimir o ritmo que lhe é mais confortável, no caso oposto seria o maestro firme na batuta a conduzir com precisão a melodia da orquestra. Em um caso o autor, como prestidigitador, deixa o ritmo por conta do leitor, que pensa este ser do autor. No uso consciencioso da pontuação o autor foge do truque e toma em suas mãos o ritmo do texto.

    Abraço,
    Alex
     

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