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[RECUPERADO] A Magia das Coisas em Si

VtBBC

Usuário de Castigo
Usuário de Castigo
Tópico: "A Magia das Coisas em Si"
Criado por: Gerbur Forja-Quente
Data: 19-10-2009
Local: Fórum Valinor > J.R.R. Tolkien > J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)
A obra do professor é conhecida por ser fantástica, no sentido que se passa num universo bem diferente do nosso universo real do dia-a-dia, com elfos e anões, hobbits e dragões, trolls, orcs, grandes reinos medievais e as disputas desses reinos entre si. Uma fantasia medieval, história de magos e magias.

Entretanto, nós que conhecemos um pouco mais a fundo as obras do nosso querido professor, sabemos que aqueles que forem ler O Senhor dos Anéis, pela primeira vez, esperando ver as grandes batalhas medievais ou combates de magos que soltam relâmpagos pelas mãos e voam em dragões vai se decepcionar muito. Porque a magia de Tolkien está na sutileza de sua escrita. Não encontramos um dragão em cada esquina na Terra-Média, e as magias da Terra-Média não saem de varinhas em grandes jatos “ectoplasmáticos” de poder coloridos. Na verdade, nós observamos os dois principais magos da história e apesar de acreditarmos piamente que eles são magos muito poderosos, precisamos nos esforçar um pouco para dizer quais são suas magias e encantamentos. Qual a magia de Gandalf? Que “poder” ele realmente usou? Que objeto ou criatura ele convocou de seu chapéu em um momento de necessidade?

Na verdade, Gandalf é um mago que se atrasa logo no começo da história e quase põe tudo a perder. Pois ele é um mago prisioneiro em Orthanc enquanto os Cavaleiros Negros galopam e chiam atrás dos hobbits no Condado.

Gandalf é um mago que tem dificuldades em fazer a travessia de Caradhras, e ele é questionado pelo elfo Legolas por isso que diz: “Se Gandalf se dispusesse a ir na frente com uma chama forte, poderia derreter a neve e fazer uma trilha para vocês”, o mago se irrita e responde “Se os elfos pudessem voar sobre as montanhas, poderiam trazer o sol para nos salvar. Mas preciso de algum material para trabalhar, não posso queimar a neve” justificando sua incapacidade de solucionar os problemas da comitiva magicamente.

Gandalf não sabe qual é o encantamento correto para abrir os Portões de Moria.

Gandalf é um mago, que no momento de dificuldade, com o Balrog em Moria, ao invés de desaparecer dali e transportar todos a salvo para mais longe ou utilizar qualquer outra magia conhecida, morre. Cai no abismo junto com o monstro. Nós fãs, continuamos acreditando que Gandalf é um Senhor Mago, poderosíssimo, mas percebem como é difícil explicar isso para um leitor novo de Tolkien que não assistiu os filmes?

O maior de todos de todos os argumentos que consegui pensar nesse sentido, é o próprio Anel da história. Afinal, O Senhor dos Anéis é uma história fantástica sobre objetos mágicos e importantíssimos que decidem os destinos do mundo: os anéis de poder. Em especial, o Um Anel. Mas todo esse poder absurdo e absoluto de governar a tudo e a todos... como é mesmo que isso funciona? Que poder é esse que o Um Anel tem? Ta ficar “invisível”, conta outro:... (silêncio). E os outros anéis “de poder”, que poder têm? Qual o “poder” dos nove? Dos sete? Dos três? Percebem como nós fãs sabemos que se trata de objetos mágicos, mas mesmo nós temos dificuldade em explicar qual a magia deles. Isso ocorre porque a magia dos anéis não é a magia de Hollywood, a magia que conhecemos bem com relâmpagos coloridos e explosões.

Na verdade, a magia de Tolkien é tão sutil, que ouso dizer que a magia da Terra-Média é a sutileza. O Balrog que eu mencionei agora a pouco, a descrição dele é tão sutil que até hoje, nós “valinorianos” aqui do fórum estamos discutindo se a fera tem asas ou não, rs.

Para concluir o que estou dizendo, vou transcrever um trechinho da descrição de Lórien, quando Haldir permitiu que a Comitiva tirasse suas vendas e olhassem para esse Reino dos Elfos:

*“Os outros se jogaram na relva cheirosa, mas Frodo (...) tinha a impressão de ter atravessado uma janela alta que dava para um mundo desaparecido. Havia uma luz sobre esse mundo que não podia ser descrita na língua dele. Tudo o que via parecia harmonioso, mas as formas pareciam novas, como se tivesse sido concebidas e desenhadas no momento em que tiraram a venda dos olhos, e ao mesmo tempo antigas, como se tivessem existido desde sempre. Frodo não viu cores diferentes das que conhecia, dourado e branco e azul e verde, mas eram novas e pungentes, como se naquele mesmo momento as tivesse percebido pela primeira vez, dando-lhes nomes novos e maravilhosos. Naquela região, no inverno, ninguém podia sentir saudade do verão ou da primavera. Não se podia ver qualquer defeito ou doença ou deformidade em cada uma das coisas que cresciam sobre a terra. Não havia manchas na terra de Lórien”.

Com todo esse maravilhamento, Sam diz a Frodo: “Sinto-me como se estivesse dentro de uma canção”.

E Haldir olhou para eles sorrindo e disse: “Vocês estão sentindo o poder da Senhora dos Galadhrim”.

Veja que interessante, é claro que estamos falando de alguma magia. O próprio Haldir disse essas palavras, que este era o “poder” de Galadriel. Mas mesmo agora que acabamos de ler esse trecho com o poder de Galadriel, mesmo agora você saberia me dizer que poder é esse?

Mesmo agora é difícil porque esse poder é a sutileza. E vou além: a magia da Terra-Média é o poder da sutileza das coisas em si. É mágico, porque na realidade essa é a mágica do ser, a mágica da existência, da essência. Na realidade a única coisa que aconteceu, nesse trecho, foi que eles olharam para uma floresta, e o próprio Frodo admite que não existe nenhuma cor nova nessa floresta, um conjunto de árvores, tudo banal e conhecido. Para Tolkien não. Para Tolkien, um “conjunto de árvores” é algo completamente mágico, absolutamente magnífico, a ponto de nos encartarmos com os hobbits a tal ponto que logo em seguida, já não temos palavras para descrever esse encantamento.

Em outro momento, Frodo sobe no alto de uma árvore e olha na direção de Dol Guldur, a fortaleza do Necromante. Vejam a descrição:

“Levantou os olhos acima da linha do rio e toda a luz se extinguiu, e ele estava de volta ao mundo que conhecia. Além do rio a terra parecia plana e vazia, informe e vaga (...) O sol que batia em Lothlórien não tinha o poder de iluminar a sombra daquela região”.

Haldir diz: “(...) as árvores lutam uma contra as outras e seus ramos apodrecem e definham. (...) Ultimamente uma nuvem negra paira sempre sobre ela. Neste lugar alto você poderá ver os dois poderes que se opõem; e agora ambos sempre lutam através dos pensamentos (...).”

Vejam que o “lado negro da força” também tem seu poder, e também é um poder sutil.

E mais uma vez, Haldir fala sobre os poderes da Floresta das Trevas, e apesar de eu saber que eles existem, acreditar neles, mais uma vez, eu não sei dizer que poderes são esses. Porque o meu conceito inicial de poder é hollywoodiano, e Tolkien nos ensina o poder da sutileza das coisas em si mesmas, que ainda não estamos muito habituados. A Terra-Média tem uma magia própria, que independe de varinhas, palavras mágicas ou de efeitos especiais.

Interessante a Magia da Sutileza da Terra-Média. As coisas tem um poder em si. Uma">em si. Uma árvore é muito mais que uma árvore, ela sozinha tem uma história, que é sua e de sua região. E ainda assim é “apenas” uma árvore.

*Trechos extraídos das páginas 372 e 373 d’A Sociedade do Anel.
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AGRADECIMENTOS A GERBUR FORJA-QUENTE: Anwel (20-10-2009), Edu (27-11-2009), Elriowiel Aranel (20-10-2009), Fluoxetina (19-10-2009), Lew Morias (27-11-2009), Meglin Celebrandir (20-10-2009), Ragnaros (27-11-2009), Roy Batty (25-10-2009), _ Sauron _ (20-10-2009)
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COMENTÁRIOS:

Finwe-Curufinwe disse:
19-10-2009

O que significa magia se não uma explicação para efeitos desconhecidos. Se eu fosse para a Idade Média com um mp4, esse dispositivo seria visto como mágico. Eu gosto de ver a "magia" do mundo de Tolkien como uma tecnologia. Veja, a tecnologia que usamos hoje é exploratória e maquiavélica (como a tecnologia de Saruman, ou de Sauron). A tecnologia élfica por outro lado é voltada para a beleza e para criação de coisas não para um, ou para um propósito politico e sim para embelezar e servir toda a população. Acho que esse é a crítica de Tolkien para a tecnologia. recomendo à todos os artigos aqui da Valinor sobre o livro The Science of Middle-Earth.

— “Branco!”, zombou Saruman. “Serve para começar. O pano branco pode ser tingido. Pode-se escrever sobre a página em branco; a luz branca pode ser decomposta.”

— “E nesse caso deixa de ser branca”, disse Gandalf. “E aquele que quebra uma coisa para descobrir o que ela é deixou o caminho da sabedoria.” [1]

Neoghoster Akira disse:
19-10-2009

Imagino que parte da explicação do funcionamento da magia usada para o bem X magia usada para o mal vem da forma como se organizou o mundo.

A princípio os Ainur procuraram preservar a essência de cada coisa com o máximo de fidelidade segundo aquilo que haviam prestado atenção durante a visão e a música.

Ao construir o mundo, nos primeiros dias, cada forma era fiel aquilo que representava. Nesse mundo antigo os olhos viam aquilo que deveria ser visto, sem interferência ou ruído e o expectador tinha a visão da pureza. De algo virgem que mantinha-se fiel àquilo que deveria ser.

Um fato curioso é o rio que corria nas terras de Galadriel tinha fama de ser curativo e encantado (como eram algumas águas de Ulmo). As pessoas que nele mergulhavam tinham os sentidos restaurados ao seu estado original de equilíbrio.

Manter a essência das coisas era, dentre a hierarquia das magias existentes, uma preocupação fundamental dentre as magias feitas pelos Valar e Maiar. Antes de tudo havia a preocupação dos Valar de respeitar a natureza original de cada existência. Em cima dessa fundação as coisas eram erguidas para o bem ou para o mal.

Para o bem as relações entre essas coisas podiam ser fortalecidas, limpas da escuridão que impregnava cada vez mais o mundo.

:think: Chego a conclusão que Frodo viu pela primeira vez a natureza das coisas usando a plenitude de seus sentidos. Os elfos diziam que não entendiam o que os homens chamavam por magia e observamos que mesmo em tempos escuros seus olhos permaneciam agudos e sua memória era fiel, em contraste aos homens que só podiam ver a realidade se esta realidade se impusesse diretamente e claramente.

Quando os elfos fortaleciam o mundo que enxergavam eles podiam criar objetos de muito maior precisão que os homens que só conseguiam fortalecer essas relações quando elas eram explícitas.

Isso criava um mecanismo de ocultação do mundo. Parte desse sistema foi ocultado por Eru e os homens não seriam habilidosos como os elfos enquanto que parte da ocultação foi provocada por Melkor (exagerou na mão na hora de ocultar).

zorba disse:
19-10-2009

eu acho muito interessante a sutileza da magia nas obras de Tolkien...
exatamente pelo fato dela não ser exagerada, creio que da muito mais realismo (dentro do possível, óbvio) e seriedade.......

imaginem como seria se Gandalf tivesse as magias de D&D, por exemplo?
tudo seria muito mais fácil, era só usar umas bolas de fogo na batalha do abismo de Helm, um dissipar magia em Théoden, uma clarividência pra saber o que Sauron e Saruman estavam planejando e algumas muralhas de energia para proteger Gondor..........

do jeito que foi feito, ao mesmo tempo que os magos parecem mais "fracos", eles detem toda a magiade forma mais concentrada e letal, pois não é qualquer um que sai por ai realizando efeitos magicos, e isso torna a magia ainda mais reservada e potente.........

assim como nos itens magicos, eles não foram feitos para serem usados por qualquer aventureiro, e sim para determinadas pessoas, raças e reinos.........

Fluoxetina disse:
19-10-2009

Finwe-Curufinwe disse:
O que significa magia se não uma explicação para efeitos desconhecidos. Se eu fosse para a Idade Média com um mp4, esse dispositivo seria visto como mágico. Eu gosto de ver a "magia" do mundo de Tolkien como uma tecnologia. Veja, a tecnologia que usamos hoje é exploratória e maquiavélica (como a tecnologia de Saruman, ou de Sauron). A tecnologia élfica por outro lado é voltada para a beleza e para criação de coisas não para um, ou para um propósito politico e sim para embelezar e servir toda a população. Acho que esse é a crítica de Tolkien para a tecnologia. recomendo à todos os artigos aqui da Valinor sobre o livro The Science of Middle-Earth.

Acho que em partes ele está certo, pode ser visto como tecnologia.
Mas se só persarmos que a magia é um toque de evolução ela há de perder "a magia da coisa", redundante mas não achei expressão melhor.
Já as explicações que não são dadas, como o poder dos aneis, acho que o Professor deixou para nossa própria imaginação.
Pois uma vez li um artigo num jornal que nao lembro mais o nome, mas é britânico que tinham feito uma homenagem a Tolkien, que ele havia dito em uma de suas varias frases que "A melhor magia, a melhor história que eu posso contar é aquela que esta escondida na mente de cada leitor", achei que essa frase explicou tudo para mim.


Edit: não um jornal, é um site especializado em Escritores britânicos, se achar, depois passo o link :D

Anwel disse:
20-10-2009

Ótimo post do Gerbur (como sempre). Já vi algumas discussões e comparações sobre a magia da TM, e sempre vejo a mesma palavra: sutileza. É uma boa palavra para se utilizar no caso.

A magia na TM normalmente é algo que parte da pessoa que a utiliza, ou mesmo do objeto mágico, e não de uma fonte externa.

Pra ser mais claro: As "magias" de cura, são algo que saem dos curadores, e não uma invocação de poderes de outro plano.

É uma coisa bem legal de se ver mesmo, e as partes que o Gerbur citou ilustra bem o fato. Aparentemente, para um observador desatento, o jardim de Lothlórien poderia ser normal. Afinal, ele não brilhava no escuro ou possuía labaredas á sua volta. Era simplesmente um jardim bonito, perfeito em sua beleza e sutileza. Algo mágico em si próprio.

Essa é a magia mais bonita que se pode ter (na minha opinião de fã de Tolkien), pois é o que nos "ensina" a descobrir essa "magia" nas coisas do nosso mundo real: aquela cachoeira que nos transmite paz ou aquela árvore antiga que parece tão gostosa de se encostar e passar a tarde fazendo um piquenique.

Isso sim é mágico!

AGRADECIMENTOS A ANWEL: Elriowiel Aranel (20-10-2009), Sentinela (20-10-2009)

Erunamo Tinuviel disse:
20-10-2009

Anwel disse:
Pra ser mais claro: As "magias" de cura, são algo que saem dos curadores, e não uma invocação de poderes de outro plano.

Esse tipo de maiga exposta em toda a obra de Tolkien é o que faz a diferença de outras obras e o que torna toda a obra tão real. Nenhum personagem invoca poderes elementais para realizar feitos, ele simplesmente usa da sua essência para sutilmente alterar um determinado estado, ao invés, de soltar raios que invocam anjos e seres elementais para dar habilidades estranhas aos proprios magos (viajei :cool:).

Uma obra completa, com um ponto de vista sobre magia, visto pouquissimas vezes antes na historia.

Gerbur Forja-Quente disse:
20-10-2009

Anwel disse:
Ótimo post do Gerbur (como sempre). Já vi algumas discussões e comparações sobre a magia da TM, e sempre vejo a mesma palavra: sutileza. É uma boa palavra para se utilizar no caso.

A magia na TM normalmente é algo que parte da pessoa que a utiliza, ou mesmo do objeto mágico, e não de uma fonte externa.

Pra ser mais claro: As "magias" de cura, são algo que saem dos curadores, e não uma invocação de poderes de outro plano.

É uma coisa bem legal de se ver mesmo, e as partes que o Gerbur citou ilustra bem o fato. Aparentemente, para um observador desatento, o jardim de Lothlórien poderia ser normal. Afinal, ele não brilhava no escuro ou possuía labaredas á sua volta. Era simplesmente um jardim bonito, perfeito em sua beleza e sutileza. Algo mágico em si próprio.

Essa é a magia mais bonita que se pode ter (na minha opinião de fã de Tolkien), pois é o que nos "ensina" a descobrir essa "magia" nas coisas do nosso mundo real: aquela cachoeira que nos transmite paz ou aquela árvore antiga que parece tão gostosa de se encostar e passar a tarde fazendo um piquenique.

Isso sim é mágico!

Perfeito mestre Anwel, karma pra ti!

Acho que Anwel conseguiu "me explicar" melhor do que eu mesmo,

Bem, estou sem tempo para fazer um post mais completo agora, mas um exemplo rápido da Magia Sutil das Coisas em Si é o seguinte:

Alguém aí em cima mencionou o riacho de Lórien com suas águas "mágicas" como as águas de Ulmo...

Na verdade, todas as águas são as águas de Ulmo, então nesse sentido, todas as águas tem sua "magia" (magia em si mesma). Quem depois de uma longa caminhada nunca colocou os pés nas águas de um riacho e sentiu o doce toque das águas trazer de volta o conforto e a restauração do descanso aos pés? Isso é a magia da água que os elfos tanto prezam, nós humanos, temos mais dificuldade de entender isso porque nossos dias estão cada vez mais corridos, cada vez trabalhamos mais e olhamos menos para o mundo, damos pouca importância a magia da sutileza das coisas em si. Nós lavamos os pés com o intuito prático de limpa os pés, quando os pés ficam limpos levantamos e continuamos a jornada sem quase nos permitirmos sentir o toque da água.

Somos muito p´raticos e objetivos, e com isso vamos perdendo a sutileza do mundo, vamos perdendo as pequenas mágicas do dia-a-dia qu estão presentes não só na Terra-Média, mas no nosso tempo também, num por do sol, numa árvore bonita que fica no caminho do trabalho, mas nós nunca reparamos nela, no sorriso do nosso filho quando faz alguma "arte".

Resumindo: a mágica do mundo está aí, só não vê, quem não quer.

E Tolkien nos ensina a ver essa magia. Para quem tem olhos para ver e ler, pelo menos. E coração com tempo e disposição para sentir.

Fui!

AGRADECIMENTOS A GERBUR FORJA-QUENTE: Anwel (20-10-2009)

Meglin Celebrandir disse:
20-10-2009

Perfeito, Gerbur!

A magia, o poder, a vontade na obra de Tolkien é algo singelo, sutil e ainda assim belo e maravilhoso!

A magia de Valfenda, Lothlórien, Mordor (por que não?) é algo que não conseguimos compreender e, por isso, mágico!

Entretanto, acredito que tal magia esteja muito fortemente relacionada a quem vê. Será que para os Galadhrim Lothórien tem a mesma magia que tem para Frodo?

Como disse o Anwel, a magia que vemos na obra de Tolkien é a mesma que, guardadas as devidas proporções, vemos na concepção e gestação de uma criança. Na árvore do cerrado que floresce novamente após ser queimada. Na transformação de uma larva em uma bela borboleta...

E ouso dizer também que a amizade entre Frodo e Sam também é mágica!

Mairon disse:
20-10-2009

Um amigo meu que leu a obra e gostou me disse que ficou impressionado na maneira como Tolkien descrevia bem seu mundo, a verdade é que você tem razão Gerbur, a magia de Tolkien não era sua descrição perfeita mas a sua sutileza em descrever, isso para os que tem imaginação é uma descrição tão perfeita que nos leva a lugares maravilhos e cenas incriveis da obra!

Elriowiel Aranel disse:
20-10-2009

Acho que você acabou conseguindo explicar pra mim porque eu não vejo tanta graça em jogos de RPG, por exemplo. Nunca joguei e tinha muita vontade de jogar, mas ao assistir uma partida ou duas desanimei... Achei sem graça...

O que me faz gostar de histórias como "O Senhor dos Anéis" e "Harry Potter" é que a magia tem regras claras.
Não é porque você é mago que pode sair fazendo o que bem entende, sem consequências físicas ou até mesmo algum tipo de punição por uma infração.
Há leis, tanto humanas quanto naturais.
Magia consome energia, não se cria algo 'do nada'... como disse Gandalf no trecho que você citou: ""Mas preciso de algum material para trabalhar, não posso queimar a neve."
Um feitiço poderoso depende de esforço, aprendizado, talento, conhecimento, sabedoria...
Isso nos dá uma sensação de que esses mundos são plausíveis. E por isso nos sentimos confortáveis ao 'entrar' neles, pois é mais fácil nos identificarmos com os lugares e com os personagens. Sentimos empatia, conseguimos nos colocar no lugar deles.
Podem ser grandes e poderosos, mas ainda são humanos [de certa forma] e não deuses onipotentes.


Em "O Senhor dos Anéis", principalmente, o poder não precisa e nem deve ser ostentado... ele deve ser sentido!


Essas versões cheias de relâmpagos que saem das mãos, explosões e etc... dão um ar de falsidade... de que tudo se consegue com um simples estalar de dedos.
Pra mim, pelo menos, torna-se sem graça! E geralmente essas histórias são sempre iguais...

Concordo plenamente com os que disseram que a magia existe. Eu sempre senti assim.
Ninguém nunca entendeu porque eu gosto de andar de ônibus, por exemplo... bem o ônibus anda devagar e enquanto ele passa pela cidade posso observar a paisagem, o céu, abrir a janela pra sentir o vento batendo no rosto, ouvir uma música, observar as pessoas... eu tenho pelo menos um tempinho ocioso entre uma tarefa e outra da correria do dia a dia para ver e sentir a magia do mundo a minha volta.
O que as pessoas não percebem é que a Magia, a Força, Deus... ou chame como quiser... É a Natureza. Está conosco em tempo integral, basta prestar atenção! ;)

AGRADECIMENTOS A ELRIOWIEL ARANEL: Gerbur Forja-Quente (21-10-2009)

zorba disse:
20-10-2009

e acho que esta na concepção de cada ser que possa utilizar-se de magias, os atos que, por ventura , essa pessoa venha fazer....

por exemplo, Gandalf não sai soltando magias "de graça" por ai, porque consome energia e talz, mas também, eu acho, porque seu instinto diz que não é necessario sob qualquer desafio, por mais pífio que seja, fazer uso de uma arte magica.........

a mentaliade dos personagens de Tolkien, não são iguais as de personagens de RPG, que querem derrotar seus inimigos e evoluir, e sim ajudar de verdade para um desenrolar positivo da história.............sem nada de "graça"...........

(sera que alguém me entendeu?) :sacou:

Aellue disse:
22-10-2009

A magia de Tolkien se torna tão impressionante para nós por que nos faz enchergar que não precisamos estar no mundo dele para vê-la... é incrivel como ele consegue nos descrever o mundo que criou e faz com pareça que estamos nele... faz com que procuremos as reais magias do nosso proprio.
Como já disseram, a sutileza é de tal forma diferente das magias que vemos por ai que não fica uma coisa exagerada e por mais bem descrito que seja de forma alguma fica cançativa...
Qual seria a graça de um Gandalf que pudesse fazer os inimigos virarem pó?? ou de inimigos como Saruman que pudessem detruir milhares de vida com apenas um poder?? mas ao contrario disso eles falam que por ele ser poderoso tem que cuidar com a vóz dele... por que ele pode convencer as pessoas falando... quem pensaria que a sutileza da palavra pudesse fazer um estrago enorme?? acredito que é deste tipo de magia que se faz o mundo.. e o nosso mundo também... mas com as muitoas coisas que temos para fazer nós realmente nunca procuramos por essas coisas.

Sienna disse:
27-11-2009

:yes:Apesar de católico fervoroso, ao escrever sobre a magia, pricipalmente a élfica, Tolkien sabia sobre o que estava dizendo. Como Bruxa (ou Wicca), conheço a magia a fundo, e, para os seres realmente mágicos, ela ocorre dessa forma. Vem de dentro, não de forças externas. É a sua energia que voce usa, e não a de outrem, e os resultados sã oobra de seu próprio esforço e poder.
Genial, como tudo em sua obra. :hihihi:

Ragnaros disse:
27-11-2009

Muito bom esse tópico.
_________________________________
Recuperação: Equipe VtBBC
 

Tahar

Usuário
Parabéns a todos por trazer essa explanação sobre a magia de Tolkien.
Simplesmente esclarecedor para mim que estou começando a ler as obras deste ...
 

Lalaith.

Usuário
Talvez esse seja o diferencial das obras de Tolkien, ele, ao contrario de outros escritores, não usa artifícios surreais para mostrar que há magia. O Professor, de um jeito simples e sutil, nos mostrar que a magia não é uma coisa de outro mundo e que não é preciso ir muito longe para encontrá-la, ela esta a nossa volta e basta sensibilidade para perceber e senti-la.
Tolkien nos faz acreditar que magia realmente existe e que todos vivemos em um mundo fantástico... ele pode não ter dragões, elfos, árvores que falam e andam, senhores do escuro e seus anéis, mas, mesmo assim, ele ainda tem uma certa magia.
Parabéns pelo tópico Gerbur, e também aos que conseguiram trazer o tópico de volta!

Não li post por post, então se eu estiver repetindo algo já dito anteriormente, peço desculpas!
 

Atya

Brandebuque
Simplesmente lindo esse tópico!!!
Realmente é tudo tão sutil, mas é o bastante para te transportar até a Terra Média e se perder na magia natural que ela transmiti. A magia está mais nas pequenas coisas, que às vezes passa despercebida, mas que encanta se você parar e saber reconhecê-la e compreender a maravilha que ela emana.
 

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