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[RECUPERADO] A Magia das Coisas em Si

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por VtBBC, 8 Mar 2010.

  1. VtBBC

    VtBBC Usuário de Castigo Usuário de Castigo

    A obra do professor é conhecida por ser fantástica, no sentido que se passa num universo bem diferente do nosso universo real do dia-a-dia, com elfos e anões, hobbits e dragões, trolls, orcs, grandes reinos medievais e as disputas desses reinos entre si. Uma fantasia medieval, história de magos e magias.

    Entretanto, nós que conhecemos um pouco mais a fundo as obras do nosso querido professor, sabemos que aqueles que forem ler O Senhor dos Anéis, pela primeira vez, esperando ver as grandes batalhas medievais ou combates de magos que soltam relâmpagos pelas mãos e voam em dragões vai se decepcionar muito. Porque a magia de Tolkien está na sutileza de sua escrita. Não encontramos um dragão em cada esquina na Terra-Média, e as magias da Terra-Média não saem de varinhas em grandes jatos “ectoplasmáticos” de poder coloridos. Na verdade, nós observamos os dois principais magos da história e apesar de acreditarmos piamente que eles são magos muito poderosos, precisamos nos esforçar um pouco para dizer quais são suas magias e encantamentos. Qual a magia de Gandalf? Que “poder” ele realmente usou? Que objeto ou criatura ele convocou de seu chapéu em um momento de necessidade?

    Na verdade, Gandalf é um mago que se atrasa logo no começo da história e quase põe tudo a perder. Pois ele é um mago prisioneiro em Orthanc enquanto os Cavaleiros Negros galopam e chiam atrás dos hobbits no Condado.

    Gandalf é um mago que tem dificuldades em fazer a travessia de Caradhras, e ele é questionado pelo elfo Legolas por isso que diz: “Se Gandalf se dispusesse a ir na frente com uma chama forte, poderia derreter a neve e fazer uma trilha para vocês”, o mago se irrita e responde “Se os elfos pudessem voar sobre as montanhas, poderiam trazer o sol para nos salvar. Mas preciso de algum material para trabalhar, não posso queimar a neve” justificando sua incapacidade de solucionar os problemas da comitiva magicamente.

    Gandalf não sabe qual é o encantamento correto para abrir os Portões de Moria.

    Gandalf é um mago, que no momento de dificuldade, com o Balrog em Moria, ao invés de desaparecer dali e transportar todos a salvo para mais longe ou utilizar qualquer outra magia conhecida, morre. Cai no abismo junto com o monstro. Nós fãs, continuamos acreditando que Gandalf é um Senhor Mago, poderosíssimo, mas percebem como é difícil explicar isso para um leitor novo de Tolkien que não assistiu os filmes?

    O maior de todos de todos os argumentos que consegui pensar nesse sentido, é o próprio Anel da história. Afinal, O Senhor dos Anéis é uma história fantástica sobre objetos mágicos e importantíssimos que decidem os destinos do mundo: os anéis de poder. Em especial, o Um Anel. Mas todo esse poder absurdo e absoluto de governar a tudo e a todos... como é mesmo que isso funciona? Que poder é esse que o Um Anel tem? Ta ficar “invisível”, conta outro:... (silêncio). E os outros anéis “de poder”, que poder têm? Qual o “poder” dos nove? Dos sete? Dos três? Percebem como nós fãs sabemos que se trata de objetos mágicos, mas mesmo nós temos dificuldade em explicar qual a magia deles. Isso ocorre porque a magia dos anéis não é a magia de Hollywood, a magia que conhecemos bem com relâmpagos coloridos e explosões.

    Na verdade, a magia de Tolkien é tão sutil, que ouso dizer que a magia da Terra-Média é a sutileza. O Balrog que eu mencionei agora a pouco, a descrição dele é tão sutil que até hoje, nós “valinorianos” aqui do fórum estamos discutindo se a fera tem asas ou não, rs.

    Para concluir o que estou dizendo, vou transcrever um trechinho da descrição de Lórien, quando Haldir permitiu que a Comitiva tirasse suas vendas e olhassem para esse Reino dos Elfos:

    *“Os outros se jogaram na relva cheirosa, mas Frodo (...) tinha a impressão de ter atravessado uma janela alta que dava para um mundo desaparecido. Havia uma luz sobre esse mundo que não podia ser descrita na língua dele. Tudo o que via parecia harmonioso, mas as formas pareciam novas, como se tivesse sido concebidas e desenhadas no momento em que tiraram a venda dos olhos, e ao mesmo tempo antigas, como se tivessem existido desde sempre. Frodo não viu cores diferentes das que conhecia, dourado e branco e azul e verde, mas eram novas e pungentes, como se naquele mesmo momento as tivesse percebido pela primeira vez, dando-lhes nomes novos e maravilhosos. Naquela região, no inverno, ninguém podia sentir saudade do verão ou da primavera. Não se podia ver qualquer defeito ou doença ou deformidade em cada uma das coisas que cresciam sobre a terra. Não havia manchas na terra de Lórien”.

    Com todo esse maravilhamento, Sam diz a Frodo: “Sinto-me como se estivesse dentro de uma canção”.

    E Haldir olhou para eles sorrindo e disse: “Vocês estão sentindo o poder da Senhora dos Galadhrim”.

    Veja que interessante, é claro que estamos falando de alguma magia. O próprio Haldir disse essas palavras, que este era o “poder” de Galadriel. Mas mesmo agora que acabamos de ler esse trecho com o poder de Galadriel, mesmo agora você saberia me dizer que poder é esse?

    Mesmo agora é difícil porque esse poder é a sutileza. E vou além: a magia da Terra-Média é o poder da sutileza das coisas em si. É mágico, porque na realidade essa é a mágica do ser, a mágica da existência, da essência. Na realidade a única coisa que aconteceu, nesse trecho, foi que eles olharam para uma floresta, e o próprio Frodo admite que não existe nenhuma cor nova nessa floresta, um conjunto de árvores, tudo banal e conhecido. Para Tolkien não. Para Tolkien, um “conjunto de árvores” é algo completamente mágico, absolutamente magnífico, a ponto de nos encartarmos com os hobbits a tal ponto que logo em seguida, já não temos palavras para descrever esse encantamento.

    Em outro momento, Frodo sobe no alto de uma árvore e olha na direção de Dol Guldur, a fortaleza do Necromante. Vejam a descrição:

    “Levantou os olhos acima da linha do rio e toda a luz se extinguiu, e ele estava de volta ao mundo que conhecia. Além do rio a terra parecia plana e vazia, informe e vaga (...) O sol que batia em Lothlórien não tinha o poder de iluminar a sombra daquela região”.

    Haldir diz: “(...) as árvores lutam uma contra as outras e seus ramos apodrecem e definham. (...) Ultimamente uma nuvem negra paira sempre sobre ela. Neste lugar alto você poderá ver os dois poderes que se opõem; e agora ambos sempre lutam através dos pensamentos (...).”

    Vejam que o “lado negro da força” também tem seu poder, e também é um poder sutil.

    E mais uma vez, Haldir fala sobre os poderes da Floresta das Trevas, e apesar de eu saber que eles existem, acreditar neles, mais uma vez, eu não sei dizer que poderes são esses. Porque o meu conceito inicial de poder é hollywoodiano, e Tolkien nos ensina o poder da sutileza das coisas em si mesmas, que ainda não estamos muito habituados. A Terra-Média tem uma magia própria, que independe de varinhas, palavras mágicas ou de efeitos especiais.

    Interessante a Magia da Sutileza da Terra-Média. As coisas tem um poder em si. Uma">em si. Uma árvore é muito mais que uma árvore, ela sozinha tem uma história, que é sua e de sua região. E ainda assim é “apenas” uma árvore.

    *Trechos extraídos das páginas 372 e 373 d’A Sociedade do Anel.
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    COMENTÁRIOS:

    AGRADECIMENTOS A ANWEL: Elriowiel Aranel (20-10-2009), Sentinela (20-10-2009)

    AGRADECIMENTOS A GERBUR FORJA-QUENTE: Anwel (20-10-2009)

    AGRADECIMENTOS A ELRIOWIEL ARANEL: Gerbur Forja-Quente (21-10-2009)

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    Recuperação: Equipe VtBBC
     
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  2. Anwel

    Anwel Nazgûl Cavaleiro

    Este é um dos melhores tópicos da Valinor, longa vida ao Google Cache!
     
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  3. Tahar

    Tahar Usuário

    Parabéns a todos por trazer essa explanação sobre a magia de Tolkien.
    Simplesmente esclarecedor para mim que estou começando a ler as obras deste ...
     
  4. Lalaith.

    Lalaith. Usuário

    Talvez esse seja o diferencial das obras de Tolkien, ele, ao contrario de outros escritores, não usa artifícios surreais para mostrar que há magia. O Professor, de um jeito simples e sutil, nos mostrar que a magia não é uma coisa de outro mundo e que não é preciso ir muito longe para encontrá-la, ela esta a nossa volta e basta sensibilidade para perceber e senti-la.
    Tolkien nos faz acreditar que magia realmente existe e que todos vivemos em um mundo fantástico... ele pode não ter dragões, elfos, árvores que falam e andam, senhores do escuro e seus anéis, mas, mesmo assim, ele ainda tem uma certa magia.
    Parabéns pelo tópico Gerbur, e também aos que conseguiram trazer o tópico de volta!

    Não li post por post, então se eu estiver repetindo algo já dito anteriormente, peço desculpas!
     
  5. Atya

    Atya Brandebuque

    Simplesmente lindo esse tópico!!!
    Realmente é tudo tão sutil, mas é o bastante para te transportar até a Terra Média e se perder na magia natural que ela transmiti. A magia está mais nas pequenas coisas, que às vezes passa despercebida, mas que encanta se você parar e saber reconhecê-la e compreender a maravilha que ela emana.
     

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