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Raças da Terra-Média: Aspectos do Ser Humano?

Tópico em 'De Fã Para Fã' iniciado por Gerbur Forja-Quente, 6 Jun 2010.

  1. Gerbur Forja-Quente

    Gerbur Forja-Quente Defensor do Povo de Durin

    Estive pensando, tudo o que “existe” (mesmo as coisas e criaturas fantásticas de mitologias e contos de fadas) nasceu de outras coisas que existem primeiro, certo? Por exemplo, só conhecemos o Pégaso, porque um dia o homem viu um cavalo e depois um pássaro e imaginou a junção de ambos. Outro exemplo: quem eram as bruxas? Com certeza não passavam de mulheres idosas, moradoras do campo. Por serem idosas, tinham vivido bastante e tinham bastante experiência de vida e portanto, eram boas conselheiras. Além disso, por viverem no campo, conheciam bem as ervas e faziam chás que chegavam a curar pessoas de certos males como a febre, ou criar males como os venenos, que na época eram vistas como poções. Nos dias de hoje ela não passaria de uma velha curandeira, mas antigamente certamente ela era vista como uma senhora de grandes poderes.

    Sendo assim, do ponto de vista metafórico, podemos pensar nas raças da Terra-Média como aspectos do ser humano?

    Os elfos, são constantemente vistos como o homem em seu estado mais puro, o homem como ele deveria ser: sábio, tendo uma relação mais saudável com a natureza e com as artes. Isso tudo é refletido na beleza dos elfos e também em sua imortalidade. Os elfos tem toda uma áurea, uma relação com a noite, mas o aspecto bom da noite, e das estrelas, os elfos são etéreos, quase não corpóreos, quase apenas espírito... Penso que os elfos representam esse estado etéreo dos homens, eles representam um estado de espírito, a noite sobrepujando as trevas. É dessa dualidade que a metáfora dos elfos trata.

    Ao antagonismo aos elfos coube aos orcs. Elfos inicialmente, mas foram distorcidos, perturbados e mutilados pela escuridão de Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro. Os orcs são o aspecto asqueroso da noite, são as trevas, o desconhecido, o frio, o que transforma bons homens em animais violentos. Isso são os orcs. Não é a toa que orc é a palavra latim para “morte”, por isso a baleia “assassina” se chama baleia “orca”. Os orcs são então as trevas, o mal vencendo o bem, a morte, a loucura, o fim. Um aspecto significativo de todo homem. Mas os orcs de Tolkien não são de todo mal, eles são inventivos, geniais em suas maldades, cheios de planos, estratagemas e máquinas engenhosas. Alguns dizem que os orcs representam o capitalismo ou o industrialismo, com todo seu esforço no derrubamento de florestas em prol da tecnologia. Talvez.

    Existe um outro aspecto da escuridão que não cabe nem aos elfos nem aos orcs... mas aos anões. Os anões não são criaturas da noite etérea como elfos e orcs, mas são criaturas da terra, das entranhas da terra, e é justamente a noite subterrânea que eles representam. Os anões são bem corpóreos, robustos, filhos da pedra, sua mãe é a própria terra, por isso são “firmes na amizade e na inimizade”, por isso são teimosos, o povo mais resistente de todos, resistem à dor, à fadiga, à sede/fome, a doença, mais que qualquer outro, eles são de fato os filhos da terra, a teimosia encarnada, duros e consistentes como sua mãe. Os anões representariam a persistência humana, sua aparente invulnerabilidade e também a engenhosidade positiva, contrapondo aos orcs nesse ponto. Outro aspecto interessante dos anões é que apesar de lutarem do lado “do bem”, e não haver registro de anão que lutou do lado “do mal” (como há de homens e elfos), os anões são considerados mesquinhos, tem um apego muito grande com as coisas materiais, se relacionam com jóias e artefatos que produzem e não com as “coisas que crescem” como os elfos. Um dos anões mais conhecidos, Thorin Escudo de Carvalho, diz em seu leito de morte que “se mais de nós dessem mais valor a comida, bebida e música do que a tesouros, o mundo seria mais alegre”.

    Falando em tesouros, podemos pensar no contraponto dos anões, se eles são gananciosos e não são maus, quem é? Os dragões. Os grandes vermes, são a encarnação da ganância humana, eles matam e destroem reinos com um único propósito: reunir grandes tesouros, mas após reunirem todos os tesouros o que fazem com eles? Nada. Apenas dormem sobre o mesmo, temendo eternamente que os verdadeiros donos reclamem pelo mesmo um dia. Os dragões são a ganância, e como tal, seu elemento não é a terra, mas o fogo, eles são inflamados, essa é sua marca. Cospem fogo, queimam. Mas não só de fogo eles se inflamam, e sim de ego (são arrogantes), tesouro (claro), conhecimento (quem diz que não?) e poder. O fogo em si, a criação e destruição em um único elemento, pois ao mesmo tempo que criam tesouros eles destroem reinos. A ganância.

    Voltando a Thorin e seu leito de morte... para quem ele disse tais palavras? Para o hobbit Bilbo, do Condado. Outro aspecto interessante da humanidade. Os hobbits, como os anões, são criaturas da terra, mas não de sua profundidade e sim de sua superficialidade, são os cultivadores da terra, e apesar de “cultivarem” a terra, têm pouca “cultura”. A representação do tradicional homem do campo: sem grandes preocupações (a não ser a roupa no varal quando chove), tudo leva muito tempo (como o cultivo da terra, o tempo dele é o tempo da terra), tudo é muito engraçado e sofrido, o sertanejo. Para Thorin, eles detêm o mais verdadeiro dos tesouros (e não é a pedra arken)... a simplicidade. Afinal, ninguém pode comer ouro.

    Poderia traçar mais paralelos de outras raças tolkenianas com aspectos da psique e do comportamento humano, mas já estou com sono, rs. O que vocês acham? Esses paralelos têm fundamento? Quais outros vocês já traçaram?
     
    Última edição: 6 Jun 2010
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  2. Meneldur

    Meneldur We are infinite.

    Excelente post, Gerbur!

    Bela comparação. Esse ideal de simplicidade, humildalde, é um dos valores mais presentes nas obras de Tolkien. Quando essa humildade é perdida, as coisas começam a dar muito errado. Por exemplo: quando os hobbits perderam a simplicidade e começaram a querer pisar nos outros, eles destruíram a paz do Condado, no episódio do Expurgo.

    Outro paralelo que podemos traçar é dos Ainur com os homens. Os homens precisam se auto-governar. Nós temos esse aspecto, de termos que nos organizar em sociedade, e, portanto, ter algum Estado. Mas quando esse poder nos sobe à cabeça, o principal propósito dos governos, que é governar para o bem do povo, se destrói, e o governante começa a governar apenas para si. Exemplo disso nas obras tolkienianas é Melkor, que era poderoso mas não queria servir os outros. Com Saruman também aconteceu a mesma coisa: ele era uma pessoa que tinha a obrigação de pensar nos outros, servir os Povos da Terra-média. Mas passou a governar só pra si, olhando pro próprio umbigo.
     
  3. Proscrito

    Proscrito Jamais poderia ser


    Pois é, também fiquei com sono após ler tudo...
    hehe
    Mas tem fundamento sim oque voce disse ai em cima, apesar de o proprio Professor afirmar não gostar de alegorias é algo inerente quando se cria alguma coisa, como o exemplo do pegaso que voce mesmo citou. Poderemos traçar paralelos infindaveis com as obras de Tolkien e sempre aparecerá algo novo, pois ele envolve tantas coisas diferentes...
    Ha alguns dias li uma noticia na aqui na Valinor dizendo o possivel local que originou Valfenda e isso é tão sublime, acho incrivel como isso faz as coisas ficarem mais palpaveis. Pode acreditar que sempre aparecerá algo mais...
     
  4. Ora, e pensas-te bem. :)
    Todos eles boas metáforas. :)

    Então vejamos, todos nós sabemos que quem nasceu primeiro foram os Elfos certo? Tudo o que o Gerbur Forja-Quente disse sobre os elfos é certo. São poderosos, sua presença intimida qualquer ser q seja mau. Para mim eles são o espírito presente da natureza, a pureza, mas acho uma raça arrogante e q achava ser superior a qualquer um, este é o defeito q encontro nos elfos

    Os orcs, só existem por culpa dos elfos. E porquê? Olha, não deviam ter dado ouvidos a Melkor e as suas promessas, pois no seu coração já despertava a as suas duvidas, isso também foi mais uma maneira de cair mais facilmente nas trevas.
    Enfim, quanto aos dwarfs, bem, são de estatura baixa, barbudos, teimosos, e não gostam da companhia dos elfos porque, quem sabe das historias de Beleriand, sabem que estas duas raças andaram á porra e á massa, e mais, mas são fortes, duros e unidos como uma montanha, mas no fundo, não são uma montanha, apenas um calhau nas botas de um Troll malcheiroso., tudo porque não conseguem pedir ou chamar seus aliados. Enfim, o seu defeito mesmo é o orgulho, preferem morrer sozinhos do que morrer com um amigo certo.
    E pergunto, para quê tanta ganância de poder? para quê tirar do outro o q não é teu? E valeu a pena esperar que Thorin cede-se um pouco do seu tesouro, valeu? Acho q só trouxe foi desgraça porque estavam a ficar desunidas as 3 raças, e se não fosse mesmo o Bilbo, teriam sido atacados pela famosa guarda de Bolg e teriam perdido mesmo a guerra.

    Enfim, as coisas simples, também são boas de todo, só q o ser humano é um complicado por sua natureza.:mrgreen:
     
  5. Meneldur

    Meneldur We are infinite.

    Não foram os elfos que deram ouvidos a Melkor. Foi Melkor qua capturou, torturou e corrompeu os elfos. Os elfos não passaram para o lado de Melkor, nem deram ouvidos às suas mentiras no caso da criação dos orcs.
     
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  6. Gerbur Forja-Quente

    Gerbur Forja-Quente Defensor do Povo de Durin

    Sim, sim, a origem dos orcs remete à captura dos primeiros elfos na primeira era, antes do mesmos irem para Valinor. Os capturados foram torturados e mutilados e o resultado disso foram os abomináveis orcs.

    Agora, claro que alguns elfos posteriormente deram ouvidos a Melkor e se tonaram traidores, como o clássico exemplo de Maeglin. O resultado isso foi a queda de Gondolin e outros atrasos aos povos-livres, mas nenhum orc surgiu disso.

    Interessante sua análise dos elfos e dos anões EspectrusSeverius.

    Penso como ti, os elfos são mesmo a representação da natureza, poderia até acrescentar alguns adjetivos como: bela, poderosa, terrível, e (porque não?) as vezes estúpida.

    Elfos são poderosos e têm a natureza a seu favor, principalmente a noite, as estrelas brilham mais forte acima dos grandes reinos élficos. Mas também tem um quê de arrogância. Alguns exemplos: Fëanor (ele virou as costs até para os valar e tudo o que lhe importava era sua obra, poco importava as obras dos demais), Thingol (a primeira conversa dele com Beren rerata muito bem isso), até Elrond (com alguns comentários peconceituosos em relação aos anões), Galadriel (no seu breve surto ao ser tentada pelo Um Anel) e Gildor (escrevi um tópico sobre esse e suas palavras aos hobbits), entre outros.

    A natureza é assi também, quando os homens a controlam demais, ela devora os homens. E as vezes ela surta sozinha, sem a interferência do homem, vide alguns tsunamis e outras catástrofes.

    Quanto aos anões, eles tem mesmo um ponto forte que os elfos apresentam, na minha opinião, em meno escala. Os anões são mais unidos (gostei da comparação com a montanha). Eles também são mais difíceis de dobrar por Melkor ou Sauron, e pouco se importam com esses dois. Os anéis de poder dos anões, que deveriam escravizá-los como os nove reis humanos, além de não conseguirem atingir esse objetivo, tornaram os anões ainda mais ricos e poderosos, e por isso Sauron fez de tudo para reavê-los.

    Entretanto, os anões têm também um ar de arrogância que constantemente os colocam em apuros. Vide o Nauglamir e a Queda de Doriath, algumas palavras de Gimli à Legolas, Haldir e Éomer, e claro, Thorin e a Pedra Arken.

    Acabei de pensar numa coisa... a arrogância está presente em todos, mas por diferentes razões:

    Elfos são arrogantes por sua sabedoria.
    Anões são arrogantes pelos seus trabalhos.
    Homens são arrogantes pelo poder (vide o que os anéis de poder fizeram com eles).
    Melkor/Sauron/Saruman também se tornaram extremamente arrogantes plo poder também.

    E aé os hobbits são arrogantes em relação à mudança, estrangeiros e costumes diferentes dos deles.

    Interessante não? :think:
     
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  7. Ok, desculpa, como leitor, ja me esquecia disso, mas mesmo assim, nao deviam ter se deixado corromper, agora ja la vai.:neutral:

    Mas o importante aqui, é dizer que todos têm o seu lado mau, que nenhuma destas raças é melhor q o ser humano em si, mesmo até os deuses, os Valar.:think:
     
  8. Meneldur

    Meneldur We are infinite.

    Mas nesse ponto da história eles não se deixaram corromper. Melkor não chegou pro elfo e disse: "Elfinho, bonitinho, posso te corromper, fazer você cruzar com outras raças e te transformar num orc?":lol:

    Depois eles se deixaram "corromper" em alguns momentos. Como em Aman, quando os Noldor deram ouvidos às mentiras de Melkor.

    Quanto à isso, concordo inteiramente. Vide o Fratricídio (no caso dos Elfos), ou uma "birrinha" com os Noldor (no caso dos Valar).
     
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  9. Por acaso é interessante sim. Mas ainda bem que existe isto.:D

    Se não fossem estas coisas, o que seria de interessante a história? Acho que é preciso ter tudo um pouco, e cada raça com o seu defeito. :obiggraz:
     
  10. Lol, pois claro k nao, mas faziam o araki( acho k é assim k se escreve. :think:) como os japoneses.:D

    Enfim, em todas as historias o homem é um ser fraco, mas que tem a capacidade d mudar o seu destino, tanto para o bem, como para o mal.:think:
    Quanto a outras criaturas, os seus destinos ja estao traçados, nao á muito q explorar. Digo eu.:think:
     
    Última edição: 28 Jun 2010
  11. Éomer

    Éomer Well-Known Member

    Mas esse estereótipo dos elfos não condiz muito com aquilo que o Silmarillion nos mostra não. Os elfos ali não tinham nada de étereos e puros. Eles podiam ser crueis, como no caso de Fëanor e dos seus filhos, invejosos e maus como Eöl, Saeros e Maeglin. Havia muito das trevas na personalidade de alguns elfos e disso grandes males vieram ao mundo. Talvez os que mais se aproximassem dessa imagem de elfos etéreos e perfeitos fossem os Vaniar.
     
  12. Gerbur Forja-Quente

    Gerbur Forja-Quente Defensor do Povo de Durin

    Sim, o estereótipo dos elfos mais "natureza, paz e amor" está mais presente no Senhor dos Anéis (como em Valfenda e Lórien), no Silmarillion os elfos são mais "sangue nos olhos" mesmo (como Fëanor que você citou).

    Mas eu acho que o estereótipo dos elfos "etéreos" é mais forte que dos elfos crueis. Os elfos foram audaciosos e penderam mais para uma personalidade sombria na primeira era, depois disso eles deram uma boa acalmada dando origem a essa percepção etérea deles.

    Na Sociedade do Anel dá para ver bem isso, quando os hobbits estão no Condado, fugindo dos Cavaleiros Negros, e são salvos pelos elfos de Gildor que passavam pelo local. É a primeira vez que Sam vê os elfos, seu sonho, é uma experiência absolutamente mágica. Os hobbits têm dificuldade para entender se tudo aquilo é real ou sonho de tão bonito e "etéreo".

    Escrevi um tópico sobre essa passagem um tempo atrás, lá falei mais sobre essa percepção pura e sábia que os elfos passam (embora nem todos, como Fëanor), segue o link:
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    E nesse tópico eu abordo mais esse aspecto dos elfos, como sendo o ser humano em seu estado mais puro e sábio, o ser humano como ele deveria ter sido, como sendo a parte boa e também a busca do ideal de perfeição da mente humana.
     
    Última edição: 28 Jun 2010
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