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Prelest e o Mundo Intermediário (Pavel Florensky)

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Caio Alves, 31 Mai 2016.

  1. Caio Alves

    Caio Alves Asuka Langley Soryu

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    Como é tentador chamar de "espirituais" estas imagens - aquelas imagens confusas que absorvem e consomem os sonhos - que aparecem quando nossa alma encontra seu caminho para o outro mundo. Essas imagens são, na verdade, os espíritos da era presente que procuram prender nossa consciência em seu reino. Estes espíritos habitam a fronteira entre os mundos; e, embora sejam de natureza terrena, eles tomam aparências do reino espiritual. Quando alcançamos os limites do mundo comum, nos entramos em condições que são continuamente novas, mas que possuem padrões que diferem totalmente daqueles da existência comum. Aqui, então, entramos na área de grande perigo espiritual... o que acontece, em tais encontros na fronteira, é que o buscador se encontra envolto de mentiras e enganos [...]


    A sobriedade do tempo-espaço na terra nunca é sedutora; nem é o reino angélico, quando a alma vem a ter contato direto com ele. Mas no meio, no limite deste mundo, estão concentradas todas as tentações e seduções: estes são os fantasmas que Tasso retrata ao descrever o Bosque Encantado. Se se possui uma firmeza espiritual da vontade para passar por ali, então eles perderão totalmente seu poder sobre a alma, tornando-se meras sombras de sensualidades, sonhos vazios sem qualquer valor. Mas se, em vez disso, a fé em Deus enfraquece no meio de tal cerco espiritual, então se olha para esses fantasmas e, ao fazê-lo, se despeja a realidade da própria alma neles. Em seguida, os fantasmas obterão grande poder, agarrando a alma e sugando dela ainda mais poder para materializar, assim enfraquecendo a alma em mais medo e mais submissão. Em tal estado, é extremamente difícil - quase impossível - quebrar o seu controle sem a intervenção de outro poder espiritual. Assim, então, são os pântanos elementais na fronteira dos mundos.


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    Pavel Florensky - Iconostasis


    Esta escravização desastrosa é chamada na tradição ascética de prelest: significa orgulho espiritual ou vaidade [opinião pessoal, presunção], e é o estado espiritual mais terrível que uma pessoa pode se encontrar. Ao cometer qualquer outro pecado, a pessoa age de tal forma que entra numa relação com o mundo externo - com suas propriedades objetivas e leis - dentro da qual ele está trabalhando contra a ordem sagrada da criação de Deus, golpeando-a, esforçando-se para quebrá-la. Assim, um pecador comum pode descobrir nesta relação o sustentáculo para mudar sua consciência e se arrepender (arrepender-se em grego, metanoia, uma alteração da totalidade da consciência no nível mais profundo do ser).

    Prelest, no entanto, é completamente diferente. Aqui, o ser enganado não procura satisfação superficial dessa ou daquela paixão; mas - muito mais perigoso - ele imagina ai si mesmo movendo-se ao longo de uma perpendicular do mundo sensível, afastando-se dele. Assim, completamente insatisfeita, a alma do ser absorto em prelest é detida pelos espíritos que habitam a fronteira e que são, assim, alimentados pelas paixões inquietas e insatisfeitas - essa alma, já arde com o fogo do Inferno. A alma fecha-se em si mesma, e assim, toda oportunidade desaparece, na qual a alma poderia - com uma intensa agonia - despertar mais uma vez na consciência: o encontro com o mundo objetivo da criação de Deus.



    Prelest, naturalmente, transmite imagens que excitam paixões em nós. Mas nosso verdadeiro perigo não está nas paixões, mas em nossa apreciação delas. Pois nós podemos, se presos em prelest, tomar as paixões como algo diretamente oposto ao que elas realmente são. Normalmente veríamos nossas paixões pecaminosas como uma fraqueza perigosa, encontrando, assim, a humildade que nos cura delas. No prelest de paixões excitadas, no entanto, nós enxergamos elas como uma espiritualidade realizada, como uma energia sagrada, salvação e santidade. Assim, onde normalmente iríamos procurar romper o domínio de nossas paixões pecaminosas - mesmo se nossas tentativas sejam fracas e inúteis - emprelest, impulsionado pela vaidade espiritual, pela sensualidade espiritual, e (acima de tudo) pelo orgulho espiritual, nós buscamos apertar os nós que nos aprisiona. Um pecador comum sabe que está se afastando de Deus; uma alma em prelest pensa que está cada vez mais próxima Dele e, enquanto está enfurecendo Ele, pensa que está alegrando-Lo.

    Tal confusão desastrosa ocorre em nós porque confundimos as imagens da ascensão com as imagens da descida. Nós podemos colocar toda questão desta forma: a visão que nos aparece na fronteira dos mundos podem ser (1) a ausência da realidade do mundo visível; isto é, um sinal incompreensível de nosso próprio vazio interior, nosso próprio prelest-apaixonado, o banimento da realidade objetiva de Deus; e então, habitando o espaço vazio e próximo de nossa alma, nós encontramos essas máscaras de realidade que são a total renúncia do mundo real; ou pode ser (2) a presença de uma realidade superior do mundo espiritual.

    Neste sentido, então, a auto-purificação ascética também tem para nós um significado duplo. Quando a proximidade espiritual se torna um fim em si mesmo, então a autoconsciência farisaica surge e, inevitavelmente, a admiração de si mesmo. Em tal ascetismo, a alma torna-se vazia e, libertando-se de todos os apegos terrenos, torna-se ainda mais vazia; então, percebendo esse vazio crescente, cada vez mais intolerável, a natureza dele convida para o vazio estas forças espirituais que incitaram toda a pratica farisaica de auto-purificação em primeiro lugar, aquelas forças insaciáveis, distorcidas e radicalmente impuras. Nosso Salvador fala precisamente deste ascetismo autocentrado em Sua parábola da casa varrida,

    "Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso e não encontra, e diz: ‘Voltarei para a casa de onde saí’. Chegando, encontra a casa desocupada, varrida e em ordem. Então vai e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro." Mateus 12:43-45

    "Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso e não encontra,
    e diz: ‘Voltarei para a casa de onde saí’. Chegando, encontra a casa desocupada, varrida e em ordem.
    Então vai e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.
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    "Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso e não encontra,
    e diz: ‘Voltarei para a casa de onde saí’. Chegando, encontra a casa desocupada, varrida e em ordem.
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    Desta forma, aquilo que era conscientemente desejado torna-se seu oposto. Isso ocorre porque o homem garante a si mesmo e aos outros que ele mesmo, no mais profundo de seu coração, é realmente bom - que todos os seus erros e transgressões são, de alguma forma, acidentes, meros fenômenos e não essencialidades, coisas que de alguma maneira aconteceram por acaso; e tudo o que ele espiritualmente necessita é limpar a casa um pouco. Tal homem se encontra completamente insensível à sua própria vontade imperfeita, vendo suas ações exteriores a Deus, como decorrentes exclusivamente de seus próprios esforços; por isso ele exibe a complacência de auto-satisfação espiritual.

    Mas se você continuamente reconhece sua pecaminosidade, você nunca terá tempo para pensar se encontra-se ou não - em seus próprios olhos - espiritualmente "limpo"; em vez disso, sua alma anseia e tem sede por Deus, trêmulo de medo pela catástrofe espiritual de ficar sem Ele; e assim, sua verdadeira preocupação torna-se não você mesmo, mas o que é mais objetivo de tudo: Deus; e agora, o que você realmente quer não é uma casa interior arrumada para congratular a si mesmo, mas - em lágrimas - que Deus visite a casa de sua alma; mesmo às pressas, Deus pode, com uma palavra, transformar uma pequena cabana, mesmo um casebre, em uma câmara de um esplêndido palácio. Com essa direção para sua vida interior, uma visão virá até você não quando - por sua própria vontade - você está tentando ultrapassar os limites de seu crescimento espiritual, excedendo o grau que está aberto para você; em vez disso, ela virá quando - misteriosamente, incompreensivelmente - sua alma for elevada ao mundo invisível por si só, pelo próprio poder daquele mundo, e então (como o arco-íris após o dilúvio, como o "sinal da aliança") a visão celestial aparecerá na sua alma, a imagem visível do reino mais elevado, dado a você como lembrete e 'novidade' revelada [...]. Tal visão é mais objetiva que as objetividades da terra, muito mais convincentes e reais, pois se trata do substrato de toda nossa criatividade terrena, o cristal em que - conformado com suas próprias leis cristalinas - é cristalizado em nossa experiência terrena, tornando-se assim em sua estrutura total um símbolo do mundo espiritual.


    Trecho do livro, Pavel Florensky - Iconostasis

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  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque


    Das paixões, sonhos, imaginações, pesadelos... que habitam uma área parecida ao das musas no trabalho dos artistas. Num universo criativo aproveitado como substrato tanto pelo mundo material quanto pelo mundo espiritual sendo usado para a mentira ou para a verdade, mas acima de tudo para testar a vontade e inclinação do espírito (talvez pudéssemos até considerar que demônios se comportem como musas malignas).

    Na antigüidade o artista buscava a inspiração específica e respectiva para o que procurava, podendo se perder mortalmente nessa exploração.

    Naquelas momentos de perdição podiam emergir confusões, maus conselhos, loucura e violência incalculável, como por exemplo alguém que inocentemente decida classificar que tudo seja uma "benção". O que está incorreto, pois que o que vem da maldade não tem que ver com benção. E a saída do Eden por mais que produza fé na superação da queda é ainda condenação devido ao trabalho da maldade.

    Porque a natureza aí está para se testar contra erros como as deformações e doenças, objeto de estudo da ciência e do trabalho humano:

    .

    Essa influência ainda ocorre, e homens que ignoram o poder dos desejos do pensamento humano se tornam manipulados. Uma vez que representem arquétipos ou incorporações da vontade invocada por uma pessoa (invocações das musas acontecem de forma parecida a das paixões, de forma íntima) se materializará no mundo o caráter ou a falta de caráter do que já havia no plano das idéias do invocador.

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    De fato o possuído é um manipulado desses processos. De algo o atraiu intuitivamente nos momentos fracos e solitários. De que a oferta e insinuação infernal se escreve que pode se basear num resto de memória celestial já presente no humano, naquele mínimo de amostra do poder divino no passado eterno de cada um (alma que sai da mão de Deus). E é o Eden todo outra vez, alegria pura sendo distorcida ao invés de cuidada.
     

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