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Notícias Por que CBF não rompe vínculo com empresa que organiza amistosos da seleção

Fúria da cidade

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Seleção brasileira encarou Senegal em Cingapura: logística criticada por longa viagem, lesões e estádio vazio Imagem: Pedro Martins/Mowa Press

Pivô de polêmicas nos bastidores nos últimos anos, a ISE, empresa que organiza os amistosos da seleção brasileira através da Pitch International (responsável pela parte operacional), voltou a ficar sob holofotes nos últimos jogos do time canarinho. Em uma nova realidade, as críticas não vinham apenas de fora da CBF, aparecendo também no discurso de funcionários da entidade - como o técnico Tite.

As duas recentes entrevistas deram o tom da atual relação. Nos Estados Unidos, em setembro, o primeiro ataque público do treinador: "A Pitch precisa cuidar disso, sim. Tem de ter um campo melhor para jogar. Não pode ter um campo desse, não dá para ter um espetáculo num gramado desse. Dá para jogar 'soccer', dá para jogar de tênis", criticou Tite, após o duelo contra o Peru disputado em um desgastado gramado do Coliseu de Los Angeles.

"O que mais me deixou chateado foi a falta de respeito da Pitch com a seleção brasileira e a de Senegal também por não trabalharmos no campo de jogo. Isso me deixou descontente. Atletas de alto nível merecem respeito maior. O campo não é o ideal, não nos atende", seguiu, em tom bélico, nos amistosos deste mês em Cingapura.

O discurso encontra eco nos corredores da sede da CBF. É unânime a ideia de que um rompimento com a Pitch seria o melhor caminho no momento. Abandonar a parceira comercial que responde pelos eventos do seu principal ativo, no entanto, é tarefa praticamente impossível para a confederação.

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Tite criticou gramados e logística dos amistosos da seleção brasileira e abriu guerra contra a Pitch
Imagem: Pedro Martins/Mowa Press

A CBF não vê segurança jurídica para romper o contrato firmado até o final de 2022. De acordo com pessoas da alta cúpula da entidade ouvidas pela reportagem, o vínculo celebrado com a Pitch não prevê uma cláusula de rescisão, o que torna tudo muito mais complicado.

No entendimento da diretoria do presidente Rogério Caboclo, romper com a Pitch significaria uma briga desgastante, longa e, principalmente, distante. Como o contrato foi firmado em Londres, a disputa se daria em tribunais da Inglaterra. Sem multa prevista, o valor a ser pago à empresa seria determinado por juízes locais, sem qualquer influência da CBF, atingindo centenas de milhões de libras, valor que poderia alcançar a casa do bilhão - convertida para o real.

Com valores fora da realidade da CBF, a ideia, que chegou a ser conversada, não foi levada adiante.
Celebrado no apagar das luzes da gestão Ricardo Teixeira, no início de 2012, o contrato com a Pitch já fora alvo de debate interno no início do trabalho de José Maria Marín e Marco Polo Del Nero. Desde então, porém, a confederação já se via amarrada. A insegurança jurídica se fazia presente desde o começo do acordo de dez anos.

Pitch distante em 2020 e 2021


Sem opção no momento, a CBF se apega ao calendário dos próximos anos para minimizar a crise e o descontentamento de Tite, comissão técnica e jogadores. Após os já criticados amistosos de novembro em Riad, na Arábia Saudita, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, a Pitch só voltará a decidir locais, adversários e logísticas da seleção brasileira em 2022.

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Campo ruim, iluminação inapropriada e arquibancadas vazias em Los Angeles incomodam jogadores e comissão técnica
Imagem: Pedro Martins/Mowa Press

Para 2020, as eliminatórias sul-americanas ocuparão quase todas as datas. A Fifa separou apenas uma janela para a disputa de dois amistosos - em junho. A seleção realizará ambos em solo nacional, durante a preparação para a Copa América, com a CBF definindo locais, adversários e toda a logística. Com isso, a Pitch não será envolvida nas operações. Para 2021, todas as janelas da Fifa - quatro, sendo oito amistosos - serão utilizadas para jogos classificatórios visando a Copa do Mundo 2022.

R$ 12 mi a cada jogo, mas muita dor de cabeça


O ano de 2022 deverá se o último de uma conturbada parceria iniciada em 2006, quando a ISE, controlada pelo grupo saudita Dallah al Baraka, adquiriu os direitos dos amistosos da seleção. O Ministério Público da Espanha acusou o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell e Ricardo Teixeira de lavagem de dinheiro em jogos entre 2007 e 2009.

No início, a empresa Kentaro realizava as operações de amistosos para a ISE. Na renovação, em 2012, a Pitch assumiu essa função e ganhou cada vez mais poder, aproveitando seu "know-how" para expandir as atividades na Europa. Antes da seleção, a empresa jamais havia organizado um evento esportivo, o que levantou suspeitas em um contrato milionário.

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Ricardo Teixeira deu início à polêmica parceria com ISE e renovou contrato que colocou a Pitch na organização dos amistosos
Imagem: Michael Regan/Getty Images

A cada jogo, ISE e Pitch pagam, somadas, três milhões de dólares à CBF (R$ 12,5 milhões em valores atuais). No início do vínculo, tal verba era considerada a salvação de um caixa ainda não tão poderoso e os questionamentos esportivos eram ignorados. Com os novos contratos e receitas publicitárias, o dinheiro dos amistosos deixou de ser a principal fonte da confederação brasileira. Com isso, aspectos importantes dentro das quatro linhas começaram a ser observados com mais rigidez.

Recentemente, por exemplo, a CBF vetou a ideia da empresa de levar os jogos da seleção para Bangladesh e Kuwait. Por outro lado, também não aceitou jogar em Londres se os adversários não fossem aqueles apontados como ideal por Tite e sua comissão. A "lupa" sobre tantas questões acabou por desgastar um contrato que nunca tratou a disputa em campo como prioridade. O lado financeiro, no entanto, ainda pesa quando se pensa em romper a história com Pitch e ISE antes de 2022, ano final do contrato que não deverá ser renovado.

https://www.uol.com.br/esporte/fute...-empresa-que-organiza-amistoso-da-selecao.htm
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A CBF só vai ter condição de se livrar dessa empresa só em 2022? Que merda!
 

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