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Politicamente Correto

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Feynman, 10 Jan 2011.

  1. Feynman

    Feynman Usuário

    [align=justify]Aproveitando a deixa de outros tópicos, e discussões em outro fórum que participo.

    O processo histórico que palavras e expressões passam e sempre passaram até se incorporarem de forma paulatina e natural ao nosso vernáculo vem sendo substituído, por palavras e expressões pretensamente neutras (livres de preconceito), criadas de forma artificial seguindo um ideário questionável que ao tentar inibir o preconceito, acaba o mascarando, deixando um quê de hipocrisia.
    Palavras como: aleijado, negro, veado, mulato, puta, anão, são quase que criminalizadas hoje em dia, sendo substituídas por outras, a priori, vazias de sentido histórico e social. Afro-descendente, alegre, portador de necessidades especiais...

    Não se limitando apenas ao uso corrente/oral, o politicamente correto, vez ou outra ameaça fazer uma espécie de revisionismo histórico em livros há muito escritos. É impossível calcular o estrago cultural que isso viria causar.

    Antes que me acusem de alarmista, ou adepto de alguma teoria conspiracionista maluca. Lembro que de forma rotineira, obras tem sido, senão revisadas (vide tópico sobre Mark Twain), desaconselhadas!? (vide tópico do Lobato). Não obstante quem se lembra da cartilha que o governo passado (nem tanto!) tentou emplacar, onde termos como palhaço, anão, funcionário público....eram taxados como inadequados pelos “pensadores” do estado.

    Enfim, acho interessante tecer um debate acerca do tema. Não só para meter o pau, como também para encontrar pontos benéficos.


    Ps1: Para possíveis doutores em semiótica, lingüística, etimologia...esse tópico se presta apenas a simples discussão.
    Ps2: o politicamente correto é uma tendência global, o exemplo acima dado acerca da cartilha proposta pelo governo, foi apenas para contextualizar regionalmente o tema.
    Ps3: Sim, sei que sou prolixo! XD[/align]
     
  2. Izze.

    Izze. What? o.O

    Sabe o que isso parece? O Ministério da Verdade em 1984. Gente alterando termos e passagens de livros como que para negar que o preconceito existe/existiu. O politicamente correto atingiu um patamar irritante há muito tempo. Não que tudo tenha que ser incorreto, mas por favor, não ajam como se o mundo fosse perfeitinho. Não pintem um retrato da realidade para os jovens de que tudo é lindo e maravilhoso, até porque eles já sabem muito bem disso. Vai crescer é uma geração que sabe que o mundo tem problemas, mas vai agir como se eles não existissem.
     
  3. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    [align=justify]Putz, .Izze, tinha falado isso no tópico das alterações nas obras do Monteiro Lobato: parece coisa de 1984. Acho que tentar "apagar" esse tipo de coisa somente gerará mais confusão e problemas, encarar isso de forma aberta, discutindo, criticando, relacionando-o com diversos aspectos da nossa própria realidade, isso sim é a maneira mais adequada, a meu ver, para se lidar com isso.

    Obviamente que há limites, o problema está em saber onde colocá-los. O politicamente corretose baseia em certos pressupostos plausíveis, mas que, devido aos limites identificados nos lugares errados, acabam por inverter essa lógica, tornando-os condenáveis.

    É um questão deveras complexa.[/align]
     
  4. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Vou meio que dar Ctrl+C Ctrl+V na minha opinião, mas digo e repito: depende do interlocutor assim como na Física depende do referencial.

    Quando o interlocutor é uma criança ou um pré-adolescente, eu acho correto sim que palavras sejam abrandadas e substituídas por palavras que se adequem ao tempo em questão. Lobato era racista assim como Euclides da Cunha, e ambos achavam o sertanejo sub-raça: hoje nós sabemos que esses ideais darwinistas sociais são errôneos do ponto de vista ético, pois esta última modificou-se com a evolução de nossa sociedade (que está evoluindo, não adianta negar).

    A razão disso é simples: uma criança ou um pré-adolescente não tem uma formação psicológica necessária para se entender o contexto de uma obra. Alguém me explica o porque diabos eu vou colocar um texto com conotações racistas de 50 anos atrás na mão de uma criança que quer comer cola? Não tem sentido! Esse tipo de texto precisa ser filtrado, precisa ser adequado à nossa ética contemporânea, oras. Se daqui há 50 anos o certo vai ser chamar uma pessoa negra de macaca de carvão, isso só Mãe Diná sabe; do que me preocupo é com nossos futuros indivíduos críticos talhados em nosso conceito ético contemporâneo...

    Quando o indivíduo em questão tiver um desenvolvimento psicológico adequado, aí sim, poderemos dar textos que contenham fragmentos éticos passados, como o fato do sertanejo ou do negro ser considerado uma subraça... Agora antes disso... Pra quê? Pra quê eu vou perturbar a criança, mente em formação, com um argumento histórico-cultural-ético-literário do livro que ela está lendo? Ainda mais nós, que adoramos uma literatura, né não?


    O politicamente correto, intrínseco à nossa ética contemporânea, não pode e nem deve ser compreendido por indivíduos em formação: ele só pode ser questionado e analisado, tomado como base valores passados e tendências futuras, por pessoas com seu livre-arbítrio e opinião crítica formadas, inteiriças... Ainda mais porque ele é um conceito imperialista atualmente regido por interesses privados associados com meios midiáticos.

    (agora se estivéssemos na Grécia Antiga, seria ótimo ter um Publius Lobatus dizendo que os hilotas são uma subraça: que gozo do espartano!)
     
  5. Pescaldo

    Pescaldo Penso, logo hesito.

    A criança quer saber o significado da palavra. Mesmo que ela leia e saia falando por aí, não quer dizer que ela saiba o que significa pelo contexto macro histórico-cultural-ético-literário.

    No final das contas, ela vai procurar no dicionário ou perguntar para os pais. Se os pais aplaudirem a palavra e não a repreenderem pelo uso ela vai continuar usando, se houver repreensão, ela para. É bem simples. Melhor ainda se ela receber uma explicação simples do porquê não utilizar tal palavra ("você não pode usar porque faz aquela pessoa ficar triste, então não usa essa palavra, é feia.).

    Delegar a educação moral e cívica ao Estado ou a empresas é ditatorial e nefasto. O policamente correto faz exatamente isso ao delegar uma cartilha de "palavras inadequadas" ou ao não recomendar livros para as escolas.

    Você castra, desde cedo, a possibilidade de questionamento e levantamento contra determinadas questões. Um exemplo disso são as salas de aula cada vez mais padronizadas e cada vez mais apáticas quanto a diversos assuntos, hipocrisias mais latentes e todo esse tipo de coisa ruim que essa política de politicamente correto já vem traçando há anos.

    A pluralidade de opinião e formação são fundamentais para a criação duma sociedade em constante crescimento pelo conflito de idéias e valores desde o início da vida. Uma criança que não questiona, que não é conflitada, que é blindada o tempo todo como essa onda vem sugerindo, é um adolescente apático e um adulto linear.

    Sou completamente contra, reprovo essa estatização da educação que, no final das contas, é isso que se está acontecendo.
     
  6. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    A educação moral e cívica constitui também função do Estado, oras... Esse Estado só se torna ditatorial quando ele impede que a sociedade conduza e redefina a educação moral e cívica e outros, mas fora isso, é dever do estado delegar essa educação, assim como é dever nosso fiscalizar o Estado de forma democrática (se bem que uma ditadura pode ser perfeitamente democrática...)

    O estímulo de questionamentos para a criança pode ser feito por outros métodos sem colocá-la em frente com um texto de teor racista, com um choque de questionamentos que da mesma forma que pode demonstrar-se benéfico, pode ser perfeitamente plausível. Adaptações literárias que se encaixem com nosso contexto, colocando a criança, durante fases de sua vida (infância e pré-adolescência) na ignorância é necessário para que nossos valores contemporâneos sejam constituídos... Ninguém daria um conto dos Irmãos Grimm para uma criança hoje em dia: o Lobo Mau comendo a vovó e a chapeuzinho com um objetivo moralístico, ou então os anões esquentando uma bota de ferro e vendo a bruxa dançando até a morte... Isso já foi muito comum, extremamente comum, e não há de se negar que os Irmãos Grimm constituem um valor artístico de grande porte: mas adaptações aconteceram com o intuito de contextualizar seus contos com o período histórico vigente.

    Mesmo porque, a simples adaptação de palavras acaba sendo incompleta: Tia Anastácia é a típica empregada negra ignorante, burra, submissa, coadjuvante e ridicularizada de forma explícita pelos alter-egos do Lobato ao longo do livro. Nós ainda estamos digerindo a abolição da escravidão, e para mim é um retrocesso continuar expondo indivíduos em formação a questionamentos tais (afinal, no Brasil, é contar com a sorte que algum adulto vai dizer para essa criança que aquilo é errado: o professor é preconceituoso ou então está tentando não levar um tiro; o pai e a mãe estão trabalhando o dia inteiro fora e por aí vai...)
     
  7. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    é, como já disseram, o problema ñ está nas palavras, está nas pessoas. acho q é botar a culpa em quem ñ pode se defender. acusam textos, escritores mortos, acusam épocas passadas d serem os culpados pelos problemas atuais. em alguns casos pode até ser, mas acho q é superficial d+ isso, é varrer a sujeira pro quintal do vizinho, tirar das nossas costas o trabalho d melhorar e mascarar o problema apontando bodes espiatórios, q é + fácil. eu trabalho diariamente com N problemas pra resolver, e sei q depois da cagada feita ñ resolve nada apontar dedos para cabisbaixos, oq resolve mesmo é buscar soluções inteligentes.

    mas acho q isso é reflexo de nossa época e portanto inevitável. é como aquela apresentação d powerpoint q circula pelos emails da vida perguntando como as crianças sobreviveram aos anos 80. mesma coisa. a questão é, como a literatura sobreviveu até agora? sinceramente, acho q se ela sobreviveu às fogueiras, vai sobreviver aos politicamente corretos.

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    ah, 1984 deve ser 1 dos próximos da lista d obras revisadas/desaconselhadas. seria curioso ver 1 livro sofrer os efeitos q ele mesmo previu. ou profético.
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  8. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Censurar livros como 1984, que possuem como alvo um público crítico psicologicamente completo, já trata-se de um problema. Mas acho difícil que isso vá ocorrer: hoje em dia compensa mais você rotular um livro como 1984 de inacessível, absurdo, utópico ou simplesmente "difícil demais". Existem meios de censura implícitos e muito mais eficientes que a censura direta que foi tão usada por ditaduras anteriores: hoje em dia o processo de deturpação de fatos por meios midiáticos descrito no 1984 está mais em voga do que nunca, com a diferença de termos aqui uma forma mais discreta: afinal, eu não vejo 1984 como o retrato de uma ditadura... O governo de 1984 é democrático, a partir do momento que tem o consentimento dos proles: a questão é que os mesmos são alienados por uma mídia onipotente e onipresente, exatamente como temos hoje em dia: e daí minha defesa de uma forma democrática de se atuar e possivelmente censurar a mesma como o Conselho de Comunicação do Ceará (mas isso é assunto para outro tópico....)
     
  9. Feynman

    Feynman Usuário

    Mais do que função é um dever constitucional o estado oferecer educação a população, isso não é discutido.
    Só gostaria (em tópico mais oportuno) de saber como um governo ditatorial pode ser democrático. Pra mim são termos antagônicos!



    Seguindo esse raciocínio, gerações de crianças que foram criadas escutando e lendo as histórias do Lobato formariam um legado de racistas. Mas o que se vê não é bem isso, crianças não são imunes a idéias e pensamentos moralmente contestáveis, nem devem ser blindadas para isso, devem sim exercitar e aprimorar (com ajuda dos pais, professores, livros.......) o senso critico do que é certo e errado.

    Taí o problema, acha correto moldar o conteúdo de livros a um sistema, como você mesmo afirma, está degradado?
     
  10. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    na república d platão, ele coloca a ditadura como a pior forma d governo. a 2ª pior é a democracia. ou seja, da democracia para a ditadura é apenas 1 pulinho.
     
  11. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Refiro-me tanto à Ditadura do Proletariado, como uma fase de transição do capitalismo para o comunismo, donde o proletariado tomaria o poder e reverteria a exploração capitalista,

    Quanto como base algumas definições de ditadura que falam a respeito da mesma como sendo basicamente a absorvição do legislativo pelo executivo: assim nós teríamos um poder legislativo submisso ao executivo (e por conseguinte o judiciário também vinculado fortemente ao executivo). Se a partir desse conceito tivermos uma população que exerça a soberania direta ou indiretamente, então é possível que se tenha, afinal, uma ditadura democrática.

    Mas geralmente o que ocorre é um processo democrático ditatorial em seu introito, onde o povo consente e apoia a vinculação de ditadores com o poder, mais ou menos no Brasil com a Marcha da Vitória, onde o povo preferiu uma ditadura a um governo com tendências comunistas =p (o que se fosse seguir os moldes soviéticos, não mudaria tanto, visto que as revoluções comunistas em moldes soviéticos eram efêmeras e sem fases de transição...)

    Afinal de contas, se democracia é o governo do povo, e se o povo é manipulado, democracia acaba sendo um governo manipulado. E há quem diga que ditaduras são governos manipulados, logo...

    Mas nós temos um legado de racistas... O preconceito e a marginalização das pessoas negras continua mais presente do que nunca: basta ver o número de diplomas de pessoas negras jogados no lixo ou o número de pessoas marginalizadas negras: nossa sociedade, ainda que de forma indireta e hipócrita, mantem os grilhões escravocratas com muito orgulho e com muito amor...

    Na verdade é justamente o contrário: se nós temos um sistema racista e discriminante para com a sexualidade ou a cor da pele (dois exemplos), é ir contra o sistema aprovar medidas que impeçam que o estímulo ao racismo em crianças seja aprovado.

    Agora é claro que também não é tudo que tem que ser lá aprovado... Com o livro dos Lobatos eu sou a favor, pois tratam-se de livros com um público-alvo infantil em cujo texto o teor racista é nítido... Já com o Mark Twain... Eu li um pouco a respeito dele e pelo que entendi, ele não era lá muito de escrever livros infantis... Se o público alvo dele não era o infantil, aí acaba sendo completamente prejudicial a censura de trechos, pois que bastaria explicar o contexto da obra em notas de rodapé obrigatórias ou algo do gênero...

    (as notas de rodapé nos textos infantis não resolveriam a questão? Como se as crianças fossem ler notas de rodapé; como se realmente viessem a sucintar algum aspecto de forma completa...)

    E também não sou a favor de qualquer adaptação de textos infantis, pois, dependendo da adaptação, acaba sendo realmente prejudicial (como se trocassem nigga por slave num texto infantil...)

    Mesmo porque, segundo o Wikipedia, "O conceito filosófico do politicamente correcto é que ao evitar a utilização destes termos discriminatórios estaremos a trabalhar para uma sociedade mais inclusiva e igualitária.", e isso é deveras insuficiente, na medida em que o combate à mentalidade racista se dá em âmbitos maiores que o simples combate a termos, pois, como dizem Sírio Possenti e Roberto Leiser Baronas, em "A linguagem politicamente correta no Brasil: uma língua de madeira?":

    "considera que a troca de palavras marcadas por palavras não
    marcadas ideologicamente pode produzir a diminuição dos
    preconceitos. Trata-se de uma tese simplista, já que é mais
    provavelmente a existência dos preconceitos que produz aqueles
    efeitos de sentido, embora não se possa desprezar o fato de que o
    discurso pode servir para realimentar as condições sociais que
    dão suporte às ideologias e aos próprios discursos."


    Ou seja: aquém da simples adaptação textual, é preciso haver primeiro uma discussão e reconhecimento e depois políticas de integração social, derruindo a marginalização tão nítida do negro na sociedade mundial...
     

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