1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

~~Poesias Francesas~~

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Artanis Léralondë, 19 Dez 2007.

  1. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Hi :D

    Quem é amante de poesias francesas,postem aqui,por gentileza :mrpurple:

    Bem, vou começar com uma que eu amo :grinlove:
    pois, já falei em outro tópico aqui que gosto muito de poesias que envolvam estrelas =]

    ESTRELAS
    Antoine de Saint-Exupéry

    As pessoas tem estrelas
    que não são as mesmas.
    Para uns que viajam,
    As estrelas são guias.
    Para outros, elas não passam
    de pequenas luzes.
    Para outros os sábios, são problemas.
    Para o meu negociante,eram ouro.
    Mas todas essas estrelas se calam.
    Tu porém terás estrelas como ninguém (...)
    quando olhares o céu de noite,
    porque habitarei numa delas,
    porque numa delas estarei rindo,
    então será como se todas as
    estrelas te rissem!
    E tu terás estrelas que sabem rir!


    Porque, adoro um céu estrelado :)

    Vou ver se acho mais...:lendo:
     
  2. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    O Beija-Flor (Le Colibri)

    O verde beija-flor, rei das colinas,
    Vendo o rocio e o sol brilhante
    Luzir no ninho, trança d'ervas finas,
    Qual fresco raio vai-se pelo ar distante.

    Rápido voa ao manancial vizinho,
    Onde os bambus sussurram como o mar,

    Onde o açoká rubro, em cheiros de carinho,
    Abre, e eis no peito úmido a fuzilar.

    Desce sobre a áurea flor a repousar,
    E em rósea taça amor a inebriar,
    E morre não sabendo se a pode esgotar!

    Em teus lábios tão puros, minha amada,
    Tal minha alma quisera terminar,
    Só do primeiro beijo perfumada!

    (Autor:Leconte de Lisle traduzido por Pedro II do Brasil)

    ________________________________________________________
    A Jovem Cativa (La Jeune Captive) :grinlove:

    — “Respeita a foice a espiga que desponta;
    Sem receio ao lagar o tenro pâmpano
    Bebe no estio as lágrimas da aurora;
    Jovem e bela também sou; turvada
    A hora presente de infortúnio e tédio
    Seja embora: morrer não quero ainda!


    De olhos secos o estóico abrace a morte;
    Eu choro e espero; ao vendaval que ruge
    Curvo e levanto a tímida cabeça.
    Se há dias maus, também os há felizes!
    Que mel não deixa um travo de desgosto?
    Que mar não incha a um temporal desfeito?

    Tu, fecunda ilusão, vives comigo.
    Pesa em vão sobre mim cárcere escuro,
    Eu tenho, eu tenho as asas da esperança:
    Escapa da prisão do algoz humano,
    Nas campinas do céu, mais venturosa,
    Mais viva canta e rompe a filomela.

    Deve acaso morrer? Tranqüila durmo,
    Tranqüila velo; e a fera do remorso
    Não me perturba na vigília ou sono;
    Terno afago me ri nos olhos todos
    Quando apareço, e as frontes abatidas
    Quase reanima um desusado júbilo.

    Desta bela jornada é longe o termo.
    Mal começo; e dos olmos do caminho
    Passei apenas os primeiros olmos.
    No festim em começo da existência
    Um só instante os lábios meus tocaram
    A taça em minhas mãos ainda cheia.

    Na primavera estou, quero a colheita
    Ver ainda, e bem como o rei dos astros,
    De sazão em sazão findar meu ano.
    Viçosa, sobre a haste, honra das flores,
    Hei visto apenas da manhã serena
    Romper a luz, — quero acabar meu dia.

    Morte, tu podes esperar; afasta-te!
    Vai consolar os que a vergonha, o medo,
    O desespero pálido devora.
    Pales inda me guarda um verde abrigo,
    Ósculos o amor, as musas harmonias;
    Afasta-te, morrer não quero ainda!” –

    Assim, triste e cativa, a minha lira
    Despertou escutando a voz magoada
    De uma jovem cativa; e sacudindo
    O peso de meus dias langorosos,
    Acomodei à branda lei do verso
    Os acentos da linda e ingênua boca.

    Sócios meus de meu cárcere, estes cantos
    Farão a quem os ler buscar solícito
    Quem a cativa foi; ria-lhe a graça
    Na ingênua fronte, nas palavras meigas;
    De um termo à vida, há de tremer, como ela,
    Quem aos seus dias for casar seus dias.

    (Autor:André Chénier e tradução de Machado de Assis)
    _______________________________________________________
    A Musa Venal

    Musa do meu amor, ó principesca amante,
    Quando o inverno chegar, com seus ventos irados
    Pelos longos serões, de frio tiritante,
    Com que has de acalentar os pésitos gelados?

    Tencionas aquecer o colo deslumbrante
    Com os raios de luz pelos vidros filtrados?
    Tendo a casa vazia e a bolsa agonizante
    o ouro vais roubas aos céus iluminados?

    Precisas, para obter o triste pão diário,
    Fazer de sacristão e de turibulário,
    Entoar um Te-Deum, sem crença nem favor,

    Ou, como um saltimbanco esfomeado, mostrar
    As tuas perfeições, através d'um olhar
    Onde ocultas, a rir, o natural pudor!

    (Autor:Charles Baudelaire e tradução de Delfim Guimarães)
    ____________________________________________________________
    Benção

    Quando, por uma lei da vontade suprema,
    O Poeta vem a luz d'este mundo insofrido
    A desolada mãe, numa crise de blasfêmia,
    Pragueja contra Deus, que a escuta comovido:

    — "Antes eu procriasse uma serpe infernal!
    Do que ter dado vida a um disforme aleijão!
    Maldita seja a noite em que o prazer carnal
    Fecundou no meu ventre a minha expiação!

    Já que fui a mulher destinada, Senhor,
    A tornar inffeliz quem a si me ligou,
    E não posso atirar ao fogo vingador
    O fatal embrião que meu sangue gerou.

    Vou fazer recair o meu ódio implacável
    No monstro que nasceu das tuas maldições
    E saberei torcer o arbusto miserável
    De modo que não vingue um só dos seus botões!"

    E sobre Deus cuspindo a sua mágoa ingente
    Ignorando a razão dos desígnios do Eterno,
    A tresloucada mãe condena, inconsciente,
    A sua pobre alma às fogueiras do inferno.

    Bafeja a luz do sol o fruto malfadado,
    Vela pelo inocente um anjo peregrino;
    A água que ele bebe é um néctar perfumado,
    O pão é um manjar saboroso, divino.

    Com as nuvens a rir, brincando com a aragem,
    A Cantar, vai pisando o aspérrimo caminho;
    Seu anjo protetor segue-o nessa romanagem
    E chora ao vê-lo assim: feliz qual passarinho.

    Aqueles a quem ama, olham-no, receoso,
    Ou então, conhecendo a sua mansidão,
    Com um prazer ferroz, com dentes venenosos,
    Procuram no morder, ferir-lhe o coração!

    Ao vinho como pão, que lhe fazem servir,
    Conseguem misturar escarros, cinza, pó;
    Objeto em que ele toque, é mandado partir;
    Fingindo distração, pisam-lhe os pés sem dó!

    Sua própria mulher grita pela cidade:
    — "Já que ele me apregoa a bela entre as mais belas,
    Vou fazer o papel das deusas de outra idade,
    E meu corpo vestir com os adornos delas.

    Com perfumes de mirra e incenso, hei de, enlevada
    No ambarino licor de vinhos peregrinos,
    Erguer-me um pedestal, fazer-me venerada,
    Usurpando o lugar dos sacrários divinos.

    E, quando me cansar dessas farças impias,
    Pousarei no seu peito minha esbelta mão,
    E meus dedos de anéis, como garras de harpias
    Hão de rasgar-lhe a carne até o coração.

    Como a avezinha embel, que treme e chora inquieta
    Assim lhe hei de arrancar o coração surpreso,
    Que servirá de pasto à fera predileta,
    A quem o lançarei, com todo o meu desprezo!"

    A demandar o Céu, o trono resplendente,
    Ergue o Poeta p'ra Deus as pálpebras doridas
    E o dúlcido clarão da sua alma de crente
    Não lhe deixa avistar os povos homicidas...

    — "Bendito seja vós, Senhor, que o sofrimento
    Concedeis como alívio à nossa perdição,
    Essência divinal, suavíssimo fermento,
    Que depura e conforta o nosso coração!

    Eu sei que não deixais, Senhor, de reservar-me
    Um lugar junto a Vós nas santas Legiões,
    E para a grande festa haveis de convidar-me
    Dos Tronos, da Virtude e das Dominações.

    Eu sei que o sofrimento é a nobreza suprema,
    Única distinção que tem hoje valor
    E sei que, a marecer um místico diadema,
    Só o Universo e o Tempo é que m'o hão de impor.

    Embora disponhais de imensa pedraria,
    Das estrelas do céu, das pérolas do mar,
    Vossa engenhosa mão, Senhor, não poderia
    A c'roa construoir que intento conquinstar!

    O diadema que alvejo é puro refulgente,
    Todo efeito da luz dos tempos que lá vão,
    Dessa pristina luz perante a qual a gente
    Vê que os olhos mortais vivem na escuridão!"

    (Autor:Charles Baudelaire e tradução de Delfim Guimarães)
    ________________________________________________________
    Chuva e Sol :lol::lol::lol::lol:

    Junta ao pendor do abismo e suster-se sozinha;
    quase a tombar no mal, lutar vencendo o mal,
    é difícil, é belo! Eu vi exemplo igual
    na ingênua candidez de linda criancinha.

    Disse a mamãe, um dia, à loura Georgeana:
    — Se até anoitecer, eu não te ouvir chorar,
    nem dar gritos, prometo, amor, ir-te comprar
    uma nenê gentil, d'olhos de porcelana.

    Apenas isto ouviu, a bela pequenita
    dança e salta a cantar, com tal sofreguidão,
    que entontecendo, cai, ao comprido, no chão.
    Esqueceu-lhe a promessa. Ei-la que chora e grita.

    — Prantos? adeus boneca. Ouvindo esta ameaça,
    ergue-se Georgeana e diz muito ligeira,
    mudando o choro em riso, e com imensa graça.
    — Chorei... por brincadeira...

    Autor:Louis Ratisbonne
    __________________________________________________________

    Elevação

    Por cima dos paúes, das montanhas agrestes,
    Dos rudes alcantis, das nuvens e do mar,
    Muito acima do sol, muito acima do ar,
    Para além do confim dos páramos celestes,

    Paira os espírito meu com toda a agilidade,
    Como um bom nadador, que na água sente goso,
    As penas a agitar, gazil, voluptuoso,
    Através das regiões da etérea imensidade.

    Eleva o vôo teu longe das montureiras,
    Vai-te purificar no éter superior,
    E bebe, como um puro e sagrado licor,
    A alvinitente luz das límpidas clareiras!

    Neste bisonho dai' de mágoas horrorosas,
    Em que o fastio e a dor perseguem o mortal,
    Feliz de quem puder, numa ascensão ideal,
    Atingir as mansões ridentes, luminosas!

    De quem, pela manhã, andorinha veloz,
    Aos domínios do céu o pensamento erguer,
    — Que paire sobre a vida, e saiba compreender
    A linguagem da flor e das coisas sem voz!

    (Autor:Charles Baudelaire e tradução de Delfim Guimarães)
    ______________________________________________________
    :lol: Não se pede nada à mesa


    — Mamãe, tu podes dar-me um bom bocado
    de cozido, pois não?
    — Meu filho, sabes bem
    que quem pedir à mesa nada tem.
    Oh! não peço mais nada, estou calado.
    — Pois sim, mas tira a mão
    do saleiro, não posso adivinhar
    para que queres sal, Valentinzinho!
    — Mamãe, é para a carne com toucinho,
    que eu não pedi, mas sei que me vais dar.

    Autor:Louis Ratisbonne
    ____________________________________________________
    muito legal esse...:traça:
    Albatroz

    Às vezesm no alto mar, distrai-se a marinhagem
    Na caça do albatroz, ave enorme e voraz,
    Que segue pelo azul a embarcação em viagem,
    Num vôo triunfal, numa carreira audaz.

    Mas quando o albatroz se vê preso, estendido
    Nas tábuas do convés, — pobre rei destronado!
    Que pena que ele faz, humilde e constrangido,
    As asas imperiais caídas para o lado!

    Dominador do espaço, eis perdido o seu nimbo!
    Era grande e gentil, ei-lo o grotescio verme!...
    Chega-lhe um ao bico o fogo do cachimbo,
    Mutila um outro a pata ao voador inerme.

    O Poeta é semelhante a essa águia marinha
    Que desdenha da seta, e afronta os vendavais;
    Exilado na terra, entre a plebe escarninha,
    Não o deixam andar as asas colossais!

    (Autor:Charles Baudelaire e tradução de Delfim Guimarães)

    _______________________________
    esta é grandinha mais vale a pena ler ;)

    Perseverando

    A águia é o gênio... Da tormenta o pássaro,
    Que do monte arremete altivo píncaro,
    Qu'ergue um grito aos fulgores do arrebol,

    Cuja garra jamais se pela em lodo,
    E cujo olhar de fogo troca raios
    — Contra os raios do sol.
    Não tem ninho de palhas... tem um antro
    — Rocha talhada ao martelar do raio,
    — Brecha em serra, ant'a qual o olhar tremeu...

    No flanco da montanha-asilo trêmulo,
    Que sacode o tufão entre os abismos
    — O precipício e o céu.
    Nem pobre verme, nem dourada abelha
    Nem azul borboleta... sua prole
    Faminta, boquiaberta espera ter...

    Não! São aves da noite, são serpentes,
    São lagartos imundos, que ela arroja
    Aos filhos p'ra viver.
    Ninho de rei!... palácio tenebroso,

    Que a avalanche a saltar cerca tombando!...

    O gênio aí enseiba a geração...
    E ao céu lhe erguendo os olhos flamejantes
    Sob as asas de fogo aquenta as almas
    Que um dia voarão.
    Por que espantas-te, amigo, se tua fronte
    Já de raios pejada, choca a nuvem?...

    Se o réptil em seu ninho se debate?...
    É teu folgar primeiro... é tua festa!...
    Águias! P'ra vós cad'hora é uma tormenta,
    Cada festa um combate!...
    Radia!... É tempo!... E se a lufada erguer-se
    Muda a noite feral em prisma fúlgido!

    De teu alto pensar completa a lei!...
    Irmão!-Prende esta mão de irmão na minha!...
    Toma a lira-Poeta! Águia!-esvoaça!
    Sobe, sobe, astro rei!...
    De tua aurora a bruma vai fundir-se
    Águia! faz-te mirar do sol, do raio;

    Arranca um nome no febril cantar.
    Vem! A glória, que é o alvo de vis setas,
    É bandeira arrogante, que o combate
    Embeleza ao rasgar.
    O meteoro real — de coma fúlgida —
    Rola e se engrossa ao devorar dos mundos...

    Gigante! Cresces todo o dia assim!...
    Tal teu gênio, arrastando em novos trilhos
    No curso audaz constelações de idéias,
    Marcha e recresce no marchar sem fim!...

    Autor:Victor Hugo


    :cerva:
     
  3. Liv

    Liv Visitante

    Nossa, que lindas! :grinlove:

    Não conheço poesias francesas! :~~~~
     

Compartilhar