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Poemas de Sylvia Beirute

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Carioca224, 20 Jul 2010.

  1. Carioca224

    Carioca224 Usuário

    CORPOS NÃO IDENTIFICADOS


    amam-se os nossos corpos mortos.
    amam-se num amor subterrâneo: os nossos corpos mortos.
    amam-se os nossos corpos mortos num muro transparente
    por onde vejo ainda: os nossos corpos mortos.
    amam-se na ressonância do amanhecer que desperta
    leve e docemente sobre a vitamina F que os seus cabelos
    conservam: os nossos corpos mortos.
    amam-se na respiração limpa dando caminho a uma
    contemplação de cristais, a uma porta que ora:
    os nossos corpos mortos.
    amam-se no sonambulismo do primeiro acto, próximo
    de uma prova contrária à sede que a nuvem rejeita:
    os nossos corpos mortos.
    amam-se numa súbita vontade que crucificou
    a metamorfose do dia de hoje: os nossos corpos mortos.
    amam a emulação palpável dos presentes na
    cerimónia fúnebre: os nossos corpos mortos.
    porque só depois do amor, descansa a morte.

    Sylvia Beirute
    (sylviabeirute.blogspot.com)


     

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