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Plástico criado na UFPR reduz para 5 meses tempo de decomposição do produto

Fúria da cidade

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A professora Michele Rigon Spier e o estudante de mestrado Luis Alberto Gallo Garcia integram equipe de trabalho que desenvolveu formulações de plástico biodegradável Imagem: Divulgação/UFPR

Pesquisadores do Paraná desenvolveram uma embalagem biodegradável que pode se tornar uma nova alternativa para sacolas e sacos plásticos de lixo disponíveis no mercado. Enquanto os materiais convencionais, oriundos do petróleo, levam mais de 100 anos para se decompor no meio ambiente, testes no Laboratório de Engenharia Bioquímica e Biotecnologia (Lengebio), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), demonstraram que o composto produzido em Curitiba precisaria de cinco meses para se desintegrar totalmente no solo.

Hoje, sacolas consideradas oxibiodegradáveis - que se degradam com apoio de aditivos, na presença de oxigênio e incidência de luz e calor em sua superfície, podem resistir até três anos depois de enterradas.

Mesmo após a oxidação, esses materiais não desaparecem totalmente, deixando microplásticos que ainda podem ser encontrados no oceano ou no organismo de animais. Já os materiais biodegradáveis se decompõem pela ação de micro-organismos vivos em até 180 dias, conforme estabelece normativa da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
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Material em equipamento no laboratório da UFPR: cor verde vem do uso de algas na composição
Imagem: Divulgação/UFPR

O estudo paranaense, que vem sendo feito há dois anos, resultou em duas formulações com propriedades parecidas - uma branca, com base em amido, e outra verde, com base em amido e algas.

Ambas foram desenvolvidas de forma paralela, com aditivos biodegradáveis, compostos de fonte renovável e outros ingredientes mantidos em sigilo. "As duas podem ser usadas pra substituir o plástico convencional. A vantagem do plástico verde é que ele tem uma aceleração da degradação do solo em 7%, comparado com o de base amido. A desvantagem é que tem um custo um pouquinho maior", explica a coordenadora da pesquisa, a engenheira de alimentos Michele Rigon Spier, 42 anos, do departamento de Engenharia Química da UFPR.

Além dela, a equipe de trabalho conta com estudantes de mestrado e doutorado da UFPR e a colaboração do professor Fábio Yamashita, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).


Excedentes da agroindústria

Há 16 anos atuando na área da inovação e tecnologia, Michele relata que a ideia de trabalhar com algo semelhante ao polietileno de baixa densidade (PEBD) veio do desejo de encontrar uma formulação que reduzisse a poluição no meio ambiente. "A partir dessa preocupação, vimos oportunidade para desenvolver um produto como um novo negócio no Brasil. Percebemos que ainda temos uma certa distância entre o que é pesquisado e o que é produzido no país", comenta a pesquisadora.

Conforme a professora, há uma tendência forte pela produção de sacolas biodegradáveis a partir de subprodutos da indústria agrícola, o que encontraria condições favoráveis no Brasil. "Temos um excedente de subprodutos da agroindústria que não vai causar conflito de alimentos para consumo humano. Então, poderíamos usar esse excedente ou subprodutos que a indústria de alimentos não utiliza para produzir os plásticos biodegradáveis", avalia.
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Plástico biodegradável na cor branca tem como base o amido de milho
Imagem: Divulgação/UFPR

Análises


Foram necessárias pelo menos três etapas para que os pesquisadores chegassem ao plástico biodegradável obtido. Primeiro, houve um estudo sobre matérias-primas com potencial para substituir o plástico convencional. Depois, a produção dos filmes plásticos em equipamento industrial. Em seguida, vieram as análises e melhoramento das fórmulas para obter mais resistência e maleabilidade, por exemplo.
Em um dos testes, a equipe enterrou o plástico branco e o plástico verde em um solo simulado para, a cada dez dias, retirar amostras e analisar a perda de massa. "Fomos percebendo a redução dos fragmentos. Em dois meses, a perda já havia sido de metade; em cinco meses, de 100%. Fiquei até emocionada quando isso aconteceu", relata Michele.

Ela acredita que novos resultados devem ser obtidos nos próximos dois meses, quando os pesquisadores testarão a biodegradação das embalagens na água. "Os resultados poderiam ser mais rápidos se tivéssemos parceiros. Como não temos recursos, vamos fazendo em um ritmo mais lento", assinala Michele, ao explicar que o apoio financeiro é importante para adquirir reagentes e produtos químicos usados no experimento, entre outras ações.

Transferência de tecnologia

A ideia, conforme a pesquisadora, é apresentar os resultados a investidores. Em troca do apoio oferecido para a pesquisa, eles receberiam a transferência de tecnologia para produzir o material e colocá-lo no mercado.

Michele afirma que ainda não pode mensurar o percentual de quanto o plástico biodegradável obtido em laboratório custaria a mais que o plástico derivado do petróleo. No entanto, avalia que empresas que já produzem sacos e sacolas plásticas convencionais poderiam usar os mesmos equipamentos para operar com a fórmula da UFPR. "Seriam necessárias apenas algumas adaptações", pontua. Variando algumas propriedades, também seria possível aplicar a fórmula na produção de canudinhos, copos e outros recipientes plásticos.

A pesquisadora sustenta que o valor final desses produtos seria incomparável, do ponto de vista ecológico, ao do plástico que o consumidor está acostumado. "Esse plástico tem um valor muito maior que é a ajuda ao meio ambiente, à gestão do lixo, ao bem da população. É muito mais do que o transporte de materiais. Não é só o valor comercial", enfatiza.

1,5 milhão se sacolinhas por hora

De acordo com o Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), ainda não há sacolas biodegradáveis comercializadas em larga escala no mercado brasileiro.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) calcula que cerca de 1,5 milhão de sacolinhas plásticas são distribuídas por hora no Brasil. Oitenta por cento dessas embalagens são reutilizadas para acondicionar lixo, seguindo para lixões e aterros sanitários.

https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas...-5-meses-tempo-de-degradacao-de-embalagem.htm

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Cinco meses para se decompor no cenário atual que vivemos já é uma excelente notícia.
 

Fúria da cidade

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Mais outro desenvolvimento de plástico biodegradável

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Estudantes do DF desenvolvem plástico biodegradável usando casca de laranja


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Com uma estufa improvisada de caixa de madeira e muita força de vontade, três alunos do Centro de Ensino Médio 2 do Gama, no Distrito Federal, conseguiram desenvolver um plástico biodegradável feito a partir da casca de laranja. O resultado de oito meses de estudo rendeu ainda um convite para participar da World Invention Competition and Exhibition (WICE). O evento é uma competição e exibição mundial de invenções, que ocorre em setembro, na Malásia.

A ideia dos estudantes começou em agosto de 2019, quando Barbara Wingler, 18, Kazue Nishi, 17, e Lucas Silva,19, se juntaram para pensar em alternativas para diminuir os impactos negativos causados pelo plástico no meio ambiente.

Estima-se que haja 150 milhões de toneladas de resíduos plásticos no oceano. Além disso, durante a pesquisa, os estudantes descobriram que a casca da laranja, devido aos seus compostos orgânicos, também pode ser tóxica e poluir a natureza caso descartada de maneira errada.
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A primeira película do plástico biodegradável feito a partir da casca de laranja
Imagem: Divulgação/Clube de Ciências Marie Curie

Com o auxílio do professor de química Alex Aragão, os alunos resolveram então utilizar a casca da fruta como matéria prima. Após um longo processo, os jovens chegaram à primeira película de plástico biodegradável.

"Com as nossas condições de trabalho, todo o processo para transformar a casca de laranja demora 10 dias. Primeiro, a casca fica de molho na água, depois é preciso secar em uma estufa, que fizemos de maneira improvisada com uma caixa de madeira e tampa de vidro", explica Aragão.

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Os estudantes do DF usaram uma estufa improvisada para secar as cascas de laranja
Imagem: Reprodução/Clube de Ciências Marie Curie

Com uma estufa de fluxo de ar, por exemplo, todo o processo duraria menos de uma semana. Após esses dias de secagem, o material é triturado até virar pó. Depois, é feita a mistura com diversos reagentes químicos.

"O que a gente mais enfrenta, em se tratando de pesquisas na área da ciência, é a falta estrutura e investimento. Por isso ainda é tão difícil chamar atenção de indústrias para novos produtos, novas formas de fazer. É preciso contar com divulgação e, às vezes, tirar dinheiro do próprio bolso para custear materiais", afirma o professor, que também é responsável pelo Clube de Ciências Marie Curie, do Gama.

Depois de ganharem três prêmios de feiras de ciências nacionais, os desafios dos criadores do projeto ainda continuam. Para conseguir participar da World Invention Competition and Exhibition (WICE), eles criaram uma vaquinha virtual, para ajudar com os custos da viagem.

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Os estudantes ao lado do professor Alex Aragão (de azul) durante a Feira Brasiliense de Tecnologia e Ciências (Febratec)
Imagem: Reprodução/Clube de Ciências Marie Curie

"Já estamos com 50% da meta atingida, acredito que vamos conseguir. Como professor, penso que é importante, cada vez mais, incentivar o interesse dos alunos por ciência. Eu fico fascinado com essa geração, que já no Ensino Médio demonstra tanto empenho. E é de se esperar que daqui alguns anos as universidades recebam alunos ainda mais preparados para desenvolver propostas e projetos científicos", aponta.

De acordo com o professor, os jovens devem agora aprimorar a resistência do bioplástico feito a partir da casca de laranja para, futuramente, ser usado na produção de copos, canudos e sacolas.
 
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