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Philip Roth

G.

Ai, que preguiça!
Philip Milton Roth (Newark, Nova Jersey, 19 de março de 1933) é um romancista norte-americano de origem judaica, considerado um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX. É conhecido sobretudo pelos romances, embora também tenha escrito contos e ensaios.

Entre as suas obras mais conhecidas encontra-se a colecção de contos «Goodbye, Columbus», de 1959, a novela «O complexo de Portnoy» (1969), e a sua trilogia americana, publicada na década de 1990, composta pelas novelas «Pastoral Americana» (1997), «Casei com um comunista» (1998) e «A Mancha humana» (2000).

Muitas das suas obras reflectem os problemas de assimilação e identidade dos judeus dos Estados Unidos, o que o vincula a outros autores estado-unidenses como Saul Bellow, laureado com o Nobel de Literatura de 1976, ou Bernard Malamud, que também tratam nas suas obras a experiência dos judeus estado-unidenses.

Grande parte da obra de Roth explora a natureza do desejo sexual e a autocompreensão. A marca registrada da sua ficção é o monólogo íntimo, dito con um humor amotinado e a energia histérica por vezes associada com as figuras do herói e narrador de «O complexo de Portnoy», a obra que o tornou conhecido.

Recebeu o Prêmio Pulitzer na categoria de ficção por Pastoral Americana em 1998. É conhecido sobretudo por seu alter-ego, Nathan Zuckerman protagonista de diversos de seus livros. Foi galardoado com o prestigioso Prémio Internacional Man Booker em 2011.


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Gostaria de compartilhar esse post desse autor, que conheci há pouco com a leitura de Indignação, com vocês.


P.S.: desculpem o simples ctrlc + ctrl v, mas não conheço ainda muito sobre o autor :timido:
Qualquer contribuição é bem vinda :yep:!
 
Última edição:

G.

Ai, que preguiça!
vcs já ouviram falar ou até mesmo já leram essa trilogia dele intitulada "ZUCKERMAN ACORRENTADO"?

gostei demais da descrição sobre o livro:sim:
 

Pips

Old School.
Não sou muito fã dele, na verdade acho bem superestimado os livros dele: O Complexo de Portnoy e O Animal Agonizante.
 

G.

Ai, que preguiça!
Estou lendo agora Homem comum e estou gostando bastante... Só li um livro do autor por enquanto: Indignação. Não sei ainda tudo o que esperar dele mas até agora me agradou bastante o estilo direto, pungente, angustiante e ao mesmo tempo sensível, íntimo :yep:.
 

Mavericco

I am fire and air.
O Operação Shylock tem uma premissa e uma amarração fantástica, mas me parece arrastado demais... Dava pra resolver em metade das quase quinhentas páginas do livro. Sei que tem umas cenas importantes muito por aquelas características hilárias e bastante absurdas que o Roth sabe fazer muito bem, por exemplo a cena em que ele se encontra com o Roth impostor no quarto de hotel, mas nem isso justifica. É um sentimento que não tive por exemplo com O Teatro de Sabbath, que é também um dos mais extensos da obra dele.
 
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Reactions: G.

Bruce Torres

Let's be alone together.
Eu achava que ele já era bom com O Complexo de Portnoy e Pastoral Americana, obras densas de enfoque na psique masculina judaica, mas aí peguei Adeus Columbus e fiquei impressionado como ele era também era bom como contista. Exceto pela novella que dá nome à coletânea - que já pressagia o desenvolvimento dessas questões sobre identidade no universo judaico -, todos os demais contos mostravam a influência dos autores iídiche do passado. A Conversão dos Judeus é absurdo de tragicômico, e Eli, o Fanático é um feito incrível da literatura pós-Holocausto: ele desnuda o judeu de sua assimilação pra expor a fragilidade de sua condição.
 

Daniel Hume

Às arrécuas
Pqp, essa notícia acabou com o meu dia. Roth era seguramente o maior escritor vivo até então e um dos meus heróis literários. Um escritor corajoso e honesto, escreveu uma penca de obras-primas literárias.

Descanse em paz, mestre. E pau no cu da Academia Sueca.
 

Bruce Torres

Let's be alone together.
Um adeus a Philip Roth
Da Casa
28 de Maio de 2018 às 12:43
por Jorio Dauster (direito de reprodução cedido pelo Valor Econômico)

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FOTO: © Nancy Crampton

Nos próximas dias e semanas certamente leremos dezenas de eulogias a Philip Roth, sem sombra de dúvida um dos maiores nomes da literatura em língua inglesa da segunda metade do século passado. Além das queixas por jamais ter sido agraciado com o Prêmio Nobel (o que o põe na companhia dignificante de Borges e Nabokov, para só citar dois de meus autores prediletos), não há como deixar de estudar suas reflexões incessantes e dolorosas sobre a identidade dos judeus na sociedade norte-americana. Como descendente de avós que chegaram aos Estados Unidos paupérrimos e sem falar uma palavra de inglês, de pais que já haviam se adaptado externamente aos hábitos locais mas falavam ídiche em casa e frequentavam as sinagogas, Roth buscava a aculturação total, que implicava o abandono de rituais religiosos, de costumes seculares, de um modo de pensar que ele julgava confinador. Os conflitos de que daí decorreram, inclusive devido à hostilidade que lhe devotavam os segmentos mais conservadores da comunidade judaica, gerou uma série de livros brilhantes, a começar pelo revolucionário O complexo de Portnoy.

Deixando aos críticos literários a tarefa gigantesca de lidar com uma personalidade vulcânica, refletida em sua intrincada vida conjugal, vou apenas repassar aqui rapidamente as seis obras dele que tive o prazer de trazer para o vernáculo, estimulando o leitor brasileiro a lê-las ou relê-las.

Em Indignação, seu penúltimo romance, escrito em 2008, um jovem estudante judeu de Newark vai para um universidade em Ohio a fim de escapar do pai sufocante, um açougueiro kosher que teme neuroticamente os perigos que a vida adulta guarda para o filho. Lá, o protagonista se apaixona por uma moça que já tentara o suicídio e tem embates cada vez mais violentos com as autoridades universitárias, em especial por quererem obrigá-lo a frequentar os serviços religiosos quando ele se declara ateu. Finalmente expulso da universidade, é recrutado pelo Exército e, meses antes de completar vinte anos, morre na guerra da Coreia. Escrito numa prosa simples e direta, Roth mostra como as escolhas impetuosas de um jovem raivoso podem ter consequências trágicas quando ele não consegue se fazer compreender pelos adultos que o cercam.

Nêmesis retrata o drama de um jovem que é responsável pelo pátio de recreio de uma escola num bairro judeu de Newark e vê seus pupilos ameaçados por uma brutal epidemia de poliomielite no verão de 1944, quando não havia vacina para tal doença e suas vítimas morriam ou ficavam aleijadas. Os dilemas existenciais e religiosos que o protagonista enfrenta se multiplicam quando ele próprio fica enfermo e imagina que infeccionou algumas crianças de quem cuidava numa colônia de férias. Roth aqui, mais uma vez, nos põe magistralmente diante das fragilidades da condição humana.

Os fatos e Patrimônio, escritos respectivamente 1988 e 1991, são obras autobiográficas que revelam muito sobre o caráter e personalidade do autor. No primeiro, Roth descreve sua infância segura nas décadas de 1930 e 40, sua educação universitária, o relacionamento tempestuoso com a primeira mulher, seu embate com a comunidade judaica por causa dos primeiros livros. Patrimônio, ao relatar as doenças que afligem seu pai idoso, conduz inevitavelmente a uma profunda análise sobre o relacionamento dos dois e as indignidades que a medicina moderna impõe aos que precisam cuidar de seus enfermos e moribundos. Houve páginas que traduzi com os olhos marejados de lágrimas – e duvido que o leitor escape incólume de uma narrativa tão incisiva.

O professor do desejo, de 1977, é um mergulho burlesco em todas as fantasias sexuais de David Kepesh (um dos alter egos de Roth), que, na faculdade, se considerava “um libertino entre os doutos, um douto entre os libertinos”. Mas, obviamente, há muito mais que erotismo nessas páginas vívidas de Roth.

Por fim, Quando ela era boa (publicado originalmente em 1967), é um melodrama de família que, em muitos aspectos, se baseia na experiência de Roth com sua primeira esposa, uma típica WASP (branca, anglo-saxã, protestante). É também o único livro do autor em que o personagem principal é uma mulher, no caso uma figura insuportavelmente moralista que termina por se destruir ao tentar reformar todos os homens a seu redor.

***

Jorio Dauster é um dos maiores tradutores do país. Nascido em 1937, entrou para o Serviço Diplomático em 1961. Foi embaixador junto à União Europeia de 1991 a 1999 e presidente da Vale do Rio Doce de 1999 a 2001. Foi membro do Conselho do Global Crop Diversity Trust (Roma), presidente do Conselho de Administração da Ferrous Resources do Brasil e compositor de sambas e marchinhas. Traduziu as principais obras de J.D. Salinger, Vladimir Nabokov, Ian McEwan e Philip Roth. Lincoln no limbo, de George Saunders, é seu mais recente trabalho como tradutor.

Fonte: http://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/Um-adeus-a-Philip-Roth
 

Béla van Tesma

Blood-sucker

Philip Roth, elogiado escritor e questionado pela obsessão por sexo e a fama de misógino
Considerado um dos grandes contadores de histórias norte-americanos do século XX, uma nova biografia explora seu lado sombrio, seus medos e sua relação com as mulheres

A diretora Isabel Coixet, que dirigiu Fatal, filme baseado em uma obra de Philip Roth, já havia contado ao El País Semanal, em novembro de 2019, algumas peculiaridades de seu contato com o escritor nos meses anteriores às filmagens. No encontro que mantiveram no estúdio anexo a sua magnífica casa no Estado de Nova York, não faltaram os sinceros elogios da cineasta ao escritor. Eram sinceros, mas Coixet explicou que também os havia ensaiado porque os agentes daquele que foi considerado um dos grandes contadores de histórias dos EUA no século 20 lhe haviam aconselhado a não economizar elogios e nem pensar em exaltar outro escritor na presença dele.

Coixet escreveu, então, sobre o autor norte-americano: “Você leu seu livro para mim. Três vezes. Parava em algum parágrafo de que gostava particularmente e me dizia: ‘Isto não é magnífico?’ (...) Você sempre parava na cena quando Consuela, a protagonista de O animal agonizante, mordia o pau do professor Kepesh. Fazia um barulho estranho com os dentes, olhava para mim como esperando que eu me escandalizasse. E me perguntou como eu iria filmar aquela cena”.

Em poucas frases eram retratadas a grandeza e os abismos de um escritor que também era uma pessoa e cultivava lados sombrios. Agora, quase três anos depois de sua morte, ocorrida em maio de 2018, uma nova biografia que será lançada em 6 de abril aborda essas outras arestas de Roth que vão além de livros como O Complexo de Portnoy ou a trilogia formada por Pastoral americana (1997), Casei com um comunista (1998) e A marca humana (2000). A nova biografia, assinada por Blake Bailey, Philip Roth: the biography, recebeu ótimas críticas de periódicos britânicos como The Times e levou esse jornal a pôr em questão se alguma vez houve um escritor na história da literatura norte-americana mais sexualizado do que Roth. E a resposta do jornal britânico é contundente: “Roth faz John Updike e Saul Bellow parecerem recatados”.

O livro revela que no primeiro dia em que o escritor visitou Londres em 1958, foi ver a pedra Rosetta e os mármores de Elgin no Museu Britânico e depois se dirigiu para o Soho em busca dos serviços de uma prostituta. E também que quando lecionou na Universidade da Pensilvânia os alunos que se matricularam tarde em seu curso, para o qual havia excesso de inscrições, acabaram sendo avaliados na seleção tanto pela aparência física como pelos dons intelectuais. Outro detalhe de sua personalidade é vislumbrado no relato de que durante seu longo relacionamento com a atriz Claire Bloom, com quem acabou se casando em 1990 e de quem se separou em 1994, Roth lhe disse a certa altura que por causa de seus problemas cardíacos seu relacionamento deveria ser casto a partir daquele momento. Mas que, na realidade, ele não podia aceitar a impotência como uma condição permanente em sua vida, parou de tomar todos os betabloqueadores e mantinha relações sexuais com pelo menos duas mulheres, mas escondia essa decisão de sua esposa.

Blake Bailey também afirma em sua biografia que Roth gostava de interpretar o papel de Pigmalião com suas amantes, dizendo-lhes o que ler, como falar ou se comportar e que, à medida que foi envelhecendo, suas amantes se tornavam cada vez mais jovens. Chegou a se vangloriar de suas conquistas com frases como “eu tinha 40 e ela, 19”, quando recordava o caso que manteve com uma de seus alunas na Universidade da Pensilvânia. Um padrão que se repetiu com a escritora Lisa Halliday, que se tornou sua amante quando ele tinha 69 e ela, 25. Conheceram-se quando ela trabalhava na agência literária Wylie e era a responsável pelos assuntos do escritor. Quando o relacionamento deles acabou, transformou-se em uma amizade à prova de bombas. De fato, no primeiro romance de Hallyday, Asymmetry, um dos trechos narra o caso entre uma jovem (Alice) que trabalha no meio editorial e um autor famoso, eterno aspirante ao Nobel (Ezra Blazer), e Roth ficou encantado com a publicação.

De acordo com seu biógrafo, na vida privada, ou Roth era amado ou odiado. Por exemplo, Mia Farrow, com quem teve um breve romance, o defendia com unhas e dentes. Assim como muitas de seus amantes que acabaram se tornando suas amigas. Mas o mesmo não aconteceu com as duas mulheres que foram suas esposas, que em momentos diferentes tornaram públicos relatos pavorosos de dois casamentos realmente desastrosos.

Sua primeira mulher foi Maggio Martinson. Ele contava que estava tentando terminar com ela em 1959, quando ela o enganou dizendo que estava grávida. Roth concordou em se casar, desde que ela abortasse. Divorciaram-se em 1963 após quatro anos que descreveram como “histrionicamente infelizes”. O relacionamento com sua segunda mulher, Claire Bloom, durou 14 anos e quando chegou o divórcio, em 1993, ele a acusou de “tratamento cruel e desumano”. Ela contou sua versão em 1996 em um livro de memórias focado em seu relacionamento e que foi muito pouco lisonjeiro para Roth, Leaving a doll’s house (abandonando uma casa de bonecas). Ela o retratou como egoísta, manipulador, devasso, adúltero e um misógino que em suas obras mostrava as mulheres como manipuladoras ou submissas e raramente dignas de crédito. Uma visão que, segundo os críticos, melhorou em seus últimos romances, embora sua obsessão pelo ego masculino nunca tenha diminuído.

A vida de Philip Roth transcorreu assim, em combate: lutou para ser considerado um romancista sério e não um fanático por sexo―tema presente em muitos de seus livros―, lutou contra seus críticos, suas ex-esposas e contra a própria decadência física. Também contra o medo de não poder escrever o próximo romance. E ainda lutou para engrandecer sua imagem, neutralizando as críticas com entrevistas combinadas ou indicando aos biógrafos com quais velhos amigos seus deveriam falar, com perguntas que ele mesmo preparara. Não recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, mas foi considerado um dos grandes escritores do século XX. As dúvidas sobre sua qualidade como pessoa ou sobre os medos que o dominavam ficaram na esfera privada.




tl;dr = Fofoquinha sexual de escritor já morto. Só leia se for fanático pelo Roth. :lol:
 

Mavericco

I am fire and air.
O biógrafo foi acusado de estupro:

Biógrafo de Philip Roth é acusado de estupro​

O livro “Philip Roth: The biography” teve venda interrompida pela editora WW Norton; no Brasil, Companhia das Letras também suspendeu tradução da obra

A editora americana WW Norton interrompeu o envio e venda promocional do livro Philip Roth: The biography, de Blake Bailey, depois que o autor da biografia foi acusado de estupro. Uma reportagem do jornal The New York Times detalhou as acusações, que foram reveladas inicialmente pelo blog literário do escritor Ed Champion.

A editora Companhia das Letras anunciou, em nota, que suspendeu a tradução do livro até que o caso seja apurado e que “está em contato com a editora americana e os agentes literários para se inteirar de mais detalhes”.

O surgimento das denúncias contra o autor, publicadas blog, acusam Bailey de “aliciamento, estupro, manipulação e agressão sexual”.

Ao New York Times, a WW Norton enviou nota dizendo que “diante das graves acusações, decidimos interromper o envio e a promoção de Philip Roth: The biography, enquanto aguardamos qualquer informação adicional que possa surgir”.

Já o escritor se manifestou por meio de seu advogado, Billy Gibbens, e disse que “discorda da decisão de Norton de parar de promover seu livro”. Ele também nega todas as acusações.

A maior parte das acusações contra Bailey são de ex-alunas suas, que tiveram aulas com ele na década de 1990, numa escola de Nova Orleans. Eve Peyton, uma das ex-alunas ouvidas pelo Times, afirma que o escritor a estuprou quando ela era estudante da Universidade de Missouri, em junho de 2003.

Segundo Peyton, ela e Bailey haviam saído para beber e, depois, ele a levou para a casa dele, onde teria ocorrido o crime. A ex-aluna diz que o escritor ignorou suas negações ao sexo, a violentou e só parou [de a estuprar] quando ela disse que não usava anticoncepcional. Depois disso, Bailey teria dito ainda que desejava Peyton desde quando ela tinha apenas 12 anos de idade.

Além do livro sobre Philip Roth, Blake Bailey também é autor das biografias literárias de Richard Yates, John Cheever e Charles Jackson.

 

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