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PESCADOR DO LIRISMO

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por jessebarbosadeoliveira, 2 Out 2010.

  1. Pescar pensamentos
    E transformá-los, ao sabor da alquimia,
    Em iguarias da Poesia.

    Pescar,
    Com astuciosa energia,
    A delação contra os matizes
    Da miséria, esconsa ou furtiva
    E convertê-la em metralhadoras compulsivas
    Que cuspam balas de fogo da poesia,
    Assassinando a peçonhenta hipocrisia!



    Pescar o airoso voo da abelha,
    O sorrateiro voo do açor,
    O lúgubre voo do corvo,
    O termal voo da centelha,
    O solitário voo do albatroz,
    O imensurável voo da cordilheira,
    O insidioso voo da harpia,
    O perspicaz voo da megalomaníaca águia faminta,
    O dantesco voo do usurário abutre, o aeronáutico perito caçador de carniça,
    O perscrutativo voo da coruja, sempre alerta, oportunista,
    O garboso voo da garça, discípula da brisa,
    O grandiloquente voo do ébano cisne simbolista,
    O feérico voo das libélulas-borboletas, velas de chama sucinta,
    O hialino voo da gaivota, paladina da libertária utopia
    E o thecoviano voo da cotovia,
    Comutando-os no cimento, na argamassa, no concreto,
    Na viscosa argila, na titânica longarina,
    Na onipotente vivenda de alvenaria da Poesia!


    Ah,
    Tornar exeqüível
    A mais idílica das pescarias:
    Deslindar,
    Ao bel-prazer do incessante fluxo
    E refluxo da odisseia dos dias,
    Que o elixir da vida
    Foi, é e eternamente será
    A onipresente e suprema arte cristalina da Poesia!

    Ah,
    A bem que se diga,
    Quero que --- num iminente amanhã qual ao longe,
    Inermemente rutila ---
    A esperança-lamparina
    Faça de meu ser em letargia
    Mais um prolífico pescador da Poesia!
    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
     

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