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Personalidades e/ou personagens da TV nostálgicos

Fúria da cidade

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'Jornal disse que eu morri': por onde anda Pablo, do 'Qual é a música?'



Augusto Rodriguez como Pablo no 'Qual é a Música?' e atualmente
Augusto Rodriguez como Pablo no 'Qual é a Música?' e atualmenteImagem: Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/pablosbt


Quem cresceu assistindo à televisão ouviu a expressão em algum momento: "Pablo, qual é a música?". A frase icônica dita por Silvio Santos no programa do SBT tornou o espanhol Augusto Rodriguez, 67, conhecido em terras brasileiras.

Ele foi o primeiro dublador da gincana musical que começou no fim da década de 1970. O impacto foi tão grande que, mesmo após sua saída, no fim da década de 1980, seus substitutos eram chamados de Pablo e seguiam o visual andrógino, roupas coloridas e a pintura facial.

Silvio pediu para eu criar alguma coisa e sugeriu a banda Kiss como inspiração, mas achei a pintura preta e branca muito forte. Aí, lembrei que o Silvio gostava de purpurina e comecei a fazer pinturas coloridas no rosto. Augusto Rodriguez, em entrevista a Splash, por telefone


Pablo, do 'Qual é a Música?', em foto tirada em 2024; fora do Brasil há quase 40 anos, ex-dublador do programa do SBT não trabalha mais


Pablo, do 'Qual é a Música?', em foto tirada em 2024; fora do Brasil há quase 40 anos, ex-dublador do programa do SBT não trabalha maisImagem: Arquivo pessoal

Morando na Europa há quase 40 anos, Pablo já não trabalha mais e vive entre a Espanha, seu país natal, e o Reino Unido, onde passa parte do tempo com seus amigos. Mesmo assim, pensa em português e não deixa de falar "portunhol", pois mantém contato com muita gente do Brasil.

Em entrevista a Splash, ele falou como veio parar no Brasil, a origem do seu nome artístico, do boato de sua morte que circulou no país em meados de 2000, e suas impressões quando esteve aqui em 2012. Leia abaixo:

Chegada ao Brasil​


"Quando tinha 17 anos, um primo me convidou para trabalhar numa loja de antiguidades em Salvador —antes tinha ido ao Brasil de férias e me encantei. Depois, me mudei para São Paulo, e trabalhei em vários bancos.

Um dia, fui a uma discoteca com amigos no centro de São Paulo e tinha um concurso de dublagem. Me inscrevi e ganhei.

Fazia algumas noites de dublagem na Boca do Lixo [região central de São Paulo, nas imediações da Estação da Luz], fui gostando e ficando, até que se tornou meu trabalho oficial.

'Gugu me viu'​


Gugu [o apresentador, que trabalhava como produtor], que na época era uma espécie de secretário do Silvio Santos, me viu na noite paulistana.

Ele sugeriu que eu procurasse o Valentino Guzzo [produtor do SBT e Vovó Mafalda] para participar de um programa de calouros chamado Show do Gongo em 1977. Ganhei e me chamaram para trabalhar no SBT.

Augusto Rodriguez como Pablo no Qual É a Música e atualmente
Augusto Rodriguez como Pablo no "Qual É a Música" e atualmenteImagem: Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/pablosbt
Comecei trabalhando na produção de programas de calouros na emissora e fazendo coreografias.

No fim de 1977, iniciei no "Qual é a Música?". Na época, disse ao Silvio que já trabalhava durante a noite, e ele me respondeu: "não se preocupe, você entra no início da tarde e sai à noite".

Como o programa era gravado, conseguia fazer várias dublagens, que depois iam ao ar com o programa montado.

Primeiro Pablo, muitos Pablos​


Foram os colegas da noite que me deram o nome de Pablo. Paulo tem vários no Brasil, mas Pablo, não.
Também gostava bastante do nome, pois lembrava do poeta chileno Pablo Neruda, e de um ator do cinema espanhol chamado Pablito Calvo, famoso pelo filme "Marcelino Pão e Vinho".

Para o Silvio, sempre fui Pablo. Na minha família, sou Augusto, mas amigos meus me chamam de Pablo.
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 Augusto Rodriguez vestido como Pablo em foto de arquivo
Augusto Rodriguez vestido como Pablo em foto de arquivoImagem: Arquivo pessoal

Saída do Brasil​


Fiquei no "Qual é a Música?" entre o fim da década de 1970 até 1987. Durante as férias do Silvio, fui a Barcelona por um tempo para um trabalho temporário e voltei ao Brasil para gravar mais alguns programas.
[O trabalho na Espanha] me chamou novamente e acabei ficando na Europa.

Fazia shows e atuava como uma espécie de mestre de cerimônia. Tinha uma bailarina que me acompanhava, que dublava músicas da Cindy Lauper, que estava na moda na época. Também me vestia de palhaço e marionete em apresentações.

Boato de morte​


Certa vez, uma amiga em Londres me falou: saiu num jornal do Brasil que você morreu [a publicação dizia que ele havia morrido vítima da Aids]. Isso foi em meados de 2000, quando teve uma nova edição do "Qual é a música?".

Na época, não tinha tanto celular, e a internet não era tão popular. O principal meio de comunicação era o telefone normal.
Fiz uma reclamação para o jornal, aí vieram até mim em Londres para tirar fotos minhas e me pediram desculpas. Às vezes, falam uma coisinha, exageram e fica para sempre. Ninguém escuta a retratação.

Decepção com o centro de São Paulo​


Voltei ao Brasil em 2012 para gravar o Programa Silvio Santos. Participei do jogo do sininho e obviamente fiquei em último, pois só tinha músicas novas [na brincadeira, uma música era tocada e quem batesse o sino primeiro deveria responder].
Passei pelo centro de São Paulo e vi tudo diferente. Ali era maravilhoso, pois era uma região que tinha muitos shows. Fiquei decepcionado ao ver a região naquela época.

Me chocou muito e me deu medo da Cracolândia [que estava concentrada na área na Estação da Luz à época], pois sempre tive boas lembranças.


Da esquerda para a direita: Pablo (Augusto Rodriguez), Valesca Popozuda, cantor Naim, Gretchen, Felipeh Campos (que também foi Pablo) e Viviane Araújo, durante participação do jogo do sininho, no Programa Silvio Santos, em 2012
Da esquerda para a direita: Pablo (Augusto Rodriguez), Valesca Popozuda, cantor Naim, Gretchen, Felipeh Campos (que também foi Pablo) e Viviane Araújo, durante participação do jogo do sininho, no Programa Silvio Santos, em 2012Imagem: Arquivo pessoal

Eu amo o Brasil e gostarei por toda a minha vida. Na verdade, tenho só a agradecer ao país que me fez conhecido e por ter me permitido ser artista. Agradeço a Deus e ao Silvio Santos.

 
O caso acima é um dos mais típicos de morte antecipada decretada, justamente pela pessoa ter saído dos holofotes da mídia há muitos anos.
 

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