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Perséfone.

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Soul Asylum®, 27 Jun 2008.

  1. Soul Asylum®

    Soul Asylum® Usuário

    Quando a neblina desliza como a um tapete,
    O âmbar quase que sólido do teu cheiro
    Ciranda as minhas pernas,
    Hora a estender-se, hora a retrair-se,
    Tempos em tracejo, tempos em revés,
    A extasiar-me em tuas curvas.

    Fito a tua silhueta na sobra através da vela,
    Quer, inquietar-me pelos poros,
    Quer, suspirar-te em meus ouvidos,
    Envolvendo-me em teus desejos.

    Sinto o palor recostar-me à parede,
    Tombo como um cerne cortado e velho,
    O coração acelerado, sem tempo de respirar;
    Estás enfim nas minhas veias.

    Os meus olhos surgem cheios de intento,
    Surtindo o efeito do vinho, te contemplo,
    Invento um caminho por entre as tuas veredas,
    Na garoa embriagada dos teus lascivos desejos.

    Amo-te, tanto que nem sei como;
    É como um rio que vaga ao cálido curso,
    Amo-te, tanto que me atordoa,
    E atordoado na noite me dano.

    Amo-te tanto, que por dentro recolho-me em sonhos
    Epicuristas. Desgovernas a minha morada,
    E um grito desumano desata-se em chuva,
    Amo-te tanto, que me perco em teu juízo.

    Amo-te tanto, tal qual uma semente libertina
    Filha dos horizontes e dos ventos,
    Parte pagã, parte celeste, píncaro suicida;
    Amo-te na medida desproporcional à matéria,
    Sentindo gota a gota o morrer das horas em tuas pernas.

    Amo-te: sem saber para onde eu vou, nem como fico;
    Amo-te: na identidade híbrida dos nossos corpos;
    Amo-te, queimando em ardente chama que não cessa;
    Amo-te sendo servo absoluto. Um beijo em suplício.

    Amo-te: com a minha alma a acumpliciar o teu corpo;
    Amo-te, e teu desejo é o meu desejo sendo exorcizado,
    E a tua voz rouca sai da minha boca transbordada,
    E o teu desespero me exaspera uma suspiração rouca.

    Amo-te, revelando-me em sete mil dores,
    Entre sete mãos espalmadas,
    Por sete preçes inacabadas,
    Por sete mil amores de ciclos incompletos,
    E por sete mil beijos aguardados, faz-me o drama!

    Aninhando-me em teu corpo despetalado,
    Amo-te. Revelando-me em castos sorrisos,
    Amo-te. Consolidando-me em teu regaço nítido,
    Amo-te. Então explodo em versos mil de amores.

    Amo-te, perdendo-me entre os teus negros cabelos,
    Amo-te, lendo-te com as pontas dos meus dedos,
    Amo-te embriagado-me nas tuas mãos,
    Como a brisa a se enroscar nas folhagens melindradas.

    Amo-te, enquanto o teu corpo inibido
    Desliza por sobre as nuvens,
    Amo-te, a cada peça desvencilhada do teu quebra-cabeça,
    Envolto em um círculo dum mar que nunca se acaba.
     

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