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Patinetes elétricos podem mudar mobilidade urbana, mas apresentam dilemas

Tópico em 'Ciência & Tecnologia' iniciado por Fúria da cidade, 15 Jun 2018.

  1. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Ter que andar 2 km de um lugar para outro em uma cidade grande demanda certo esforço físico ou pode ser um exercício de paciência no trânsito. Em alguns lugares dos Estados Unidos, este trajeto pode ser feito com patinetes elétricos alugáveis, capazes de deslocarem uma pessoa a até 24 km/h em trajetos curtos.
    Trata-se de mais um serviço nos moldes disruptivos da Uber ou do Airbnb, embora sem ter uma indústria consolidada afetada diretamente, como táxis e hotéis foram afetados pelos aplicativos de corridas compartilhadas e aluguel de quartos.

    O grande expoente deste novo filão do mercado tecnológico é a Bird, uma startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão e que recebeu uma rodada de investimentos de US$ 150 milhões no fim de maio.

    Kevin Roose, do "New York Times", explicou como funciona: você dá sua carteira de motorista, registra um cartão de crédito, aceita uns termos básicos (como não andar em calçadas) e aí escaneia um código no guidão do patinete com o app no celular. O veículo apita e a trava dele é liberada para o uso.
    Com o patinete em mãos, é possível fugir do trânsito e se deslocar mais rápido do que você faria a pé. O preço cobrado pela Bird é de US$ 1,15 (R$ 4,27, na cotação de hoje) pelo minuto de aluguel. Ou seja, aqueles 2 km seriam percorridos pelo menos cinco minutos, custando no mínimo US$ 5,75 (R$ 21,35).


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    Patinetes podem ser deixados na calçada

    Encerrada a viagem, você estaciona onde quiser, conclui a corrida no aplicativo e tira uma foto de onde ficou o veículo para auxiliar o próximo usuário a encontrá-lo.

    O preço não é baixo, especialmente se considerada a conversão para o real, mas pode sair mais barato do que pegar um carro no engarrafamento – além de não poluir, já que se trata de um meio de transporte elétrico.

    De acordo com o levantamento do "New York Times", os patinetes elétricos também são seguros, contrariando uma impressão de que os usuários deles levariam riscos a pedestres e se colocariam em risco nas ruas, ao trafegarem ao lado de carros. Só que, na prática, não há dados que sustentem essa percepção.

    Utilizando como exemplo a cidade de Santa Monica, na Califórnia, o jornal obteve informações que só cinco incidentes envolvendo patinetes ocorreram desde novembro.

    Outra crítica feita ao serviço é que ele estaria congestionando calçadas com patinetes estacionados após o uso. Esse questionamento é válido, dado que, repentinamente, centenas de unidades do veículo passaram a circular pelas ruas e costumam ser deixados em lugares com grande circulação de pessoas.
    Ainda assim, isso é um problema contornável: basta a criação de espaços para estacionamento dos patinetes nas ruas ou calçadas, como carros ou ônibus têm.

    Existe ainda outro potencial adversário aos veículos, um problema que é inexistente no Brasil.
    Em cidades como San Francisco, a proliferação dos patinetes elétricos foi interpretada como um simbolismo do elitismo do mundo da tecnologia. A cidade, cujo metro quadrado encareceu com o aumento do número de grandes empresas no Vale do Silício, passou a ter desafios de moradia àqueles que não são remunerados pelos Facebooks e Googles da região.

    Uma consequência disso foi uma rejeição aos símbolos criados pela indústria tecnológica por parte dessa população marginalizada pelas fortunas dela. Os patinetes da Bird são um deles, tendo sido vandalizados e usados em protestos contra essa elitização.

    Ainda não existe um equivalente à Bird aqui no Brasil, embora em breve paulistanos poderão alugar bicicletas em um esquema parecido, da startup Yellow. A empresa de aluguel de bicicletas, sem uma estação, estreia na capital do Estado São Paulo em julho. Os veículos serão destravados por app, cobrarão por distância rodada e serão rastreados por GPS.

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    Se implantarem algo semelhante aqui espero que não explorem no preço.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  2. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Receio que esse artefato será mais caro do que qualquer um de nós pode imaginar. Se no Brasil até carro "popular" é caro pra caramba, duvido muito que a gente vá ver muitos desses por aqui. Mas vai saber, quem sabe daqui a pouco a gente não está até surfando no ar com pranchas voadoras ou seja lá o que for que vão inventar da próxima vez.
     
  3. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Lembrando do patinente motorizado antigo, em movimento, pela velocidade, ele ocupa mais espaço ao redor de si do que um pedestre e precisa mesmo de área para andar. Quando aparece uma pessoa em Hoverboard eu já preciso me afastar da pessoa e ir mais longe do que de um pedestre normal. Se um caminhante anda a 5km/h, se uma bicicleta anda acima dos 24km/h então ele tende a ocupar esse intervalo de velocidade em um espaço que ficaria entre a faixa de bicicletas e a calçada do pedestre. Considerando nossas calçadas irregulares, ruas estreitas, fora do padrão o produto ficaria espremido. Para efeito de cálculo de custo ele poderia ser aplicado em locais de teste mais planejados tipo shoppings, parques e aeroportos.
     
  4. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Aparentemente não achei o patinete mostrado na foto grande, mas só olhando de perto pra ver se ocupa muito espaço mesmo.
     
  5. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

  6. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

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    Pedestres e usuários relatam convivência pacífica; estacionamento indevido gera queixas

    Elas ocupam nas calçadas um espaço que já é reduzido por bancas de jornal, mesas, cadeiras, placas e outras tralhas. Apesar disso, patinetes elétricas são bem toleradas por moradores e frequentadores do Itaim-Bibi (zona oeste paulistana), um dois bairros em que mais circulam esses veículos desde o último semestre.

    Um dos motivos é o próprio congestionamento das calçadas e sua má conservação. “Nem tem como andar muito rápido”, diz o segurança Nilton Oliveira Santos, 41.

    De seu posto à frente de um prédio na rua Pedroso Alvarenga, ele observa o que a Folha constatou por conta própria: com rodas pequenas e pouca margem de manobra, o veículo exige marcha lenta sobre pisos irregulares.

    À espera de regulamentação municipal, o uso da patinete segue resolução do Contran: pode ocupar ciclovias e ciclofaixas (a no máximo 20 km/h) e calçadas, a até 6 km/h. Essa velocidade —semelhante a de uma pessoa andando rapidamente— é impraticável nos horários de pico no Itaim.

    “Venho bem devagar, quase parando”, diz a consultora Gabriela Brephol, 24, na calçada da rua João Cachoeira. A lentidão não atrapalha. “A sensação de deslizar é tão boa. Volto mais feliz para o trabalho depois do almoço.”

    Grande parte dos usuários, porém, prefere andar pela rua. O economista Luiz Eduardo Messa, 40, só sai da pista de rolamento se o trânsito está muito denso. “A calçada é muito desconfortável”, concorda o engenheiro Vinicius Kemmer, 32.

    Para quem caminha pelo bairro, há outros candidatos a vilão. A pedagoga Maria Herminia Lombardi, 88, cruza tranquilamente com patinetes todos os dias. “O problema são as motos. Não respeitam sinal fechado nem faixa de pedestre, e andam até pela contramão.”

    Dona de uma banca de jornais Lucia Rosária dos Santos, 64, quase foi atropelada duas vezes. Por bicicletas. “Vivem pela calçada, e as de entrega correm muito. Qualquer dia vai ter desgraça feia.”

    Aos 93, o funcionário público aposentado Mario Corbisier caminha com a ajuda de uma bengala e não se sente importunado nem por bicicletas nem por patinetes. “Quer saber o que me incomoda? É o carro. Outro dia quis passear com o meu e fiquei uma hora preso no trânsito.”

    Recém-chegada de San Francisco,
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    , a economista Tainakã Tacca se
    sente mais segura no Itaim.

    Na cidade americana, conta ela, o carrinho em que levava sua filha de 9 meses quase foi atropelado. Tainakã é a favor das patinetes, “uma ótima opção de mobilidade”, mas sente falta de regulação.

    “Precisa organizar melhor, deixar claro que o pedestre é prioridade e aumentar a segurança para o usuário.”
    No processo iniciado neste sábado pela prefeitura, um dos pontos em discussão é o tráfego pela calçada. O secretário de Mobilidade e Transportes, Edson Caram, defende a proibição: “Nossas calçadas hoje não são tão largas ou adequadas às vezes nem para o pedestre. Não dá para dividir com ciclista ou patinete.”

    João Sabino, diretor de Relações Governamentais da Yellow, uma das empresas que operam patinetes na cidade, discorda: “No mundo todo, as ruas e calçadas vão mudando com os novos conceitos de transporte. Se falta espaço nas calçadas, o melhor é ampliá-las para comportar os novos meios de transporte”.

    Opinião semelhante tem o vereador Police Neto (PSD), autor de um projeto de lei que organiza os serviços de compartilhamento de patinetes e bicicletas (o texto
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    em janeiro).
    “Se tem mais gente querendo andar a pé ou de patinete, precisa mudar o sistema viário: ampliar a calçada, iluminar, investir mais nessas novas formas de mobilidade.”

    Paula Nader, cofundadora e executiva da Grin —que na última semana
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    — diz o melhor caminho é informar e orientar para criar uma nova cultura de convivência.
    “Há oportunidades para melhorar e readaptar as calçadas para incorporar também as patinetes”, diz ela.

    A julgar pelas cerca de 40 entrevistas feitas em cinco horas de visita à região, as patinetes parecem incomodar mais os pedestres quando estão paradas —ou “largadas”— em locais impróprios. “É uma falta de respeito com os cadeirantes”, reclama a consultora tributária Amanda Brandão, 36.

    A Folha viu e fotografou veículos atravessados na calçada, sobre faixas de pedestre ou no meio do piso tátil usado por deficientes visuais.

    Disciplinar esse estacionamento é outro item que vai ser discutido entre prefeitura e empresas. O secretário Caram defende também a redução da velocidade permitida nas ciclovias —na semana passada,
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    , nas avenidas Faria Lima e Berrini.

    Já no bairro, não há relatos de problemas, segundo o 1º Batalhão de Polícia de Trânsito, responsável por policiamento e fiscalização de trânsito no Itaim-Bibi. O órgão afirma que não registrou ocorrência de acidente de trânsito envolvendo patinetes elétricas, nem recebeu reclamações relacionadas ao seu uso.
     
  7. Ranza

    Ranza Macaco

  8. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Empresas apostando alto é sempre bom, mas acima de tudo é fundamental que as vias de circulação sejam minimamente satisfatórias.
     
  9. Ranza

    Ranza Macaco

    Então, se você tiver mais empresas ofertando o serviço a preços acessíveis, atraíra mais consumidores, o que irá gerar uma demanda de vias de circulação.
    Se o número de patinetes e bicicletas aumentarem nas cidades, acredito que os próprios motoristas de carro irão apoiar uma via dedicada a estes (nem que seja para tira-los do caminho).
     
  10. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Eu fico um tanto cético com o boom movido do techno-marketing.

    Tem o caso das bicicletas simples, que em tese são mais baratas e tem um público maior que patinetes, mas nunca realmente foi implantada com eficiência no Brasil. Temos uns problemas de desenho do traçado urbano antigos que precisariam de um movimento de demolição igual fazem na China. A maioria dos prefeitos faz um retoque aqui e ali mas foi só um cosmético em locais mínimos.

    Estava lendo no site Granola Shotgun de americanos que dizem que o traçado de ciclovias e calçadas por lá está um caos começando em lugares absurdos e terminando em lugar nenhum. Os urbanistas das cidades foram fazendo novas vias nas cidades e o espaço para pedestres e ciclovias está sendo acuado para áreas impraticáveis, perigosas, etc...

    Danny Thomas Almost Killed Me
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    Essa questão de espaço tem sido disputada a tapa por empreiteiras e construtoras, enquanto isso a cadeia ainda não está sustentável.

    Com a economia atual acho que o mais provável é que em zonas financeiramente lucrativas os projetos modernos deixem algum espaço para novos meios de transporte enquanto as áreas antigas, das classes mais baixas permaneçam como incógnita. Vão ter que abrir a carteira pra poder aparecer aquelas vias suspensas e calçadas em vários andares de filmes de Sci-fi.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  11. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Eu também continuo bem cético.
    Se eu for me basear apenas por São Paulo, que pela grande população e o enorme mercado consumidor que tem, é a cidade onde mais se tenta midiaticamente implantar sistemas de transporte alternativos e que já experimenta uma década de implantação de ciclovias e ciclofaixas, que diga-se de passagem no início teve a maior parte de seu percurso implantado a torto e a direito sem nenhum estudo viário profundo, muito menos detalhado de custo/benefício e sem ao menos uma consulta pública, sendo mais realizado como cumprimento expresso de meta de campanha (vide o Haddad).

    Existe uma certa adesão, mas bem distante ter acontecido aquele boom revolucionário e transformador, capaz de mudar radicalmente a forma como as pessoas se deslocam pela cidade e isso acontece basicamente pelos seguintes motivos: Primeiro, a topografia da cidade de um modo geral não favorece, sendo até plana em alguns lugares, mas muito acidentada em outros. Segundo, algumas vias tem um traçado e um piso seguro e outras são totalmente perigosas e inadequadas. Terceiro, a maioria da população não reside próximo de seu local de trabalho e/ou estudo e dependendo do trajeto é altamente desestimulador em longas distâncias, usar um meio de transporte cuja topografia do trajeto e a qualidade das vias não favorece, causando desgaste maior tanto a bicicleta e principalmente ao ciclista que necessitará ter sempre um tempo extra para se recompor fisicamente e realizar um banho entre cada deslocamento.

    Por essas e outras que a cidade ainda experimenta muito mais o chamado ciclismo de final de semana, porque nesse caso são favorecidas pelo fato de algumas vias serem parcialmente ou até totalmente interditadas, como a Av. Paulista por exemplo e ironicamente nessa situação específica, tive a oportunidade de ver os ciclistas preferido trafegar no asfalto da avenida, em meio aos pedestres prejudicando a circulação deles, do que na própria ciclovia feita exclusivamente para eles, que aliás foi um investimento bilionário. Só que ciclismo de final de semana, embora tenha um bom volume de ciclistas presentes, não é indicativo que a bicicleta é efetivamente um expressivo transporte alternativo, pois durante a semana volta a ter aquele número baixo e inexpressivo de ciclistas de sempre.
     
    Última edição: 27 Fev 2019
  12. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

  13. Béla van Tesma

    Béla van Tesma Usuário

    Já inviabilizaram o negócio :lol:
     
    • LOL LOL x 1
  14. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Tem gente que trata patinete como se fosse um mero brinquedo, mas sem a mínima segurança é sim um "brinquedo perigoso".
     

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