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“Passageiro do Brasil: São Paulo”

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por heimmrich, 15 Jul 2011.

  1. heimmrich

    heimmrich Usuário

    Visto que nasci em um avião, parecia estranho que eu olhasse tão pouco para cima em Brasília e tanto em São Paulo. A explicação é simples: o céu brasiliense está sempre lá à desarrumar nossos cabelos. Já São Paulo têm arranha-céus, que guiam a visão do turista desacostumado para cima, levando-o a olhar o que ninguém sabe se é mesmo céu ou só fumaça.

    Era exatamente o que eu fazia, fora da minha zona de conforto, no meio da Av. Paulista com o sol a pino. Milhares de pessoas cruzavam-me e nenhuma notava o jovem embasbacado com uma cidade diferente de tudo aquilo que ele havia visto – o que é óbvio, já que em meus dezessete anos de vida, vi muito pouco. Era tanta a falta de atenção que tenho certeza que, se eu estivesse nu, ainda passaria desapercebido – já que também não há lá grandes coisas à se perceber.

    Já noite, desci até a Rua Augusta para entender sua famosa reputação. Era notável. Cosmopolita, como diziam, é pouco para descrevê-la. Podia-se ver, em qualquer dos lados que olhasse, novos baianos, mutantes, titãs e ratos de porão, todos ultrajados à rigor.
    Sentei em um bar qualquer, pedi uma água e fiquei à observar a procissão de tudo aquilo que me é brasileiro. Não era o brasileiro sertanejo, carioca ou africano como cantam os saudosistas, mas o novo, aquele que injeta até nos estrangeirismos uma essência perfeitamente brasilis.

    Pedi a conta e aí veio o primeiro assalto. Cinco reais – diz a atendente com um sorriso falso que eu queria afogar no que restou da minha água e só não o fiz porque, pelo visto, ela era preciosa. Paguei à contra-gosto. Ser brasileiro não é barato.
    Continuo descendo a Augustinha (chamo assim porque depois de pagá-la cinco reais, já me sentia íntimo da garota) até não saber mais onde estava. Peguei o primeiro ônibus que passou, esperançoso, já que o motorista não fez questão de responder quando lhe perguntei, de que este se dirigisse até alguma rodoviária onde poderia localizar-me melhor.

    Após atravessar a Marginal, o ônibus pára em qualquer lugar e o motorista avisa: fim da linha. Desço me sentindo tão perdido quanto um brasiliense em São Paulo. Vejo um rapaz parado na esquina e pergunto-lhe onde posso encontrar o metrô mais próximo. Aí veio o segundo assalto da noite: Metrô o caralho, mermão, passa a grana e o aparelho, meu! – Desde então comecei a questionar essa possessividade tão típica dos paulistanos. Para eles, tudo é “meu”. Oras, fui eu quem comprou o celular. Seu não, meu! Mas quando ele me apontou a arma decidi que não adiantava discutir e entreguei o que foi pedido.

    Depois de muito andar acabo dando de cara com o metrô. Logo que vi a placa, sinalizando onde eu estava, compreendi que ser assaltado era o mínimo que eu podia esperar: “aqui é Capão Redondo, truta, não Pokémon” como já diriam os Racionais. Com o pouco dinheiro que havia escondido na meia consegui voltar para o meu hotel. Passei o dia seguinte trancado em meu quarto, assistindo a tv que passava os mesmos programas ruins de Brasília e à noite tomei o avião rumo ao “meu” avião.
    Passar alguns dias na garoa é turbulento para quem nasceu passageiro.
     

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