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Para Ler o Pato Donald - Ariel Dorfman e Armand Mattelart

Tópico em 'Quadrinhos' iniciado por imported_Amélie, 8 Fev 2009.

  1. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Pensa nas tirinhas/quadrinhos do Pato Donald sendo analisadas sob a perspectiva da comunicação de massa e do colonialismo (capitalismo)... E declaradamente Marxista? Sim, é dessa forma que os autores tratam a obra...

    Tem conclusões curiosissimas sobre o mundo Disney que raramente nos questionamos...

    De onde o Pato Donald consegue dinheiro se ele não trabalha?
    Quem são os pais de Huguinho, Zézinho e Luizinho?
    Porque Donald nunca casa com a Margarida?
    Como o Tio Patinhas pode ser tão frio e tão rico?

    Dorfman e Mattelart discutem que tudo isso faz parte de uma "lavagem cerebral" de que o capitalismo é reforçado com estimulos ao consumo, à reprodução, à opressão como tudo isso fosse a ordem natural do mundo...

    Alguém já leu e gostaria de trocar algumas idéias sobre?
     
  2. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Eu ainda não li, mas ouvi falar desse livro e pelo que você descreve do livro me pareceu meio tendencioso (os autores, não você)...

    O Donald trabalha sim, muito, praticamente em cada história ele está em um emprego diferente, só que ele é rabujento e às vezes um pouco burro pra se manter em algum... :lol:

    Não sei quem são os pais do Huguinho etc., mas muitos personagens de fantasias não têm pais ou família, isso é comum eu acho.
    Sendo assim, quem são os pais do Chaves? E os do Pernalonga?
    Não sei porque o Donald não casa com a Margarida, mas também ela é uma chata e ele um durango com três sobrinhos pra sustentar. Vão se casar? ¬¬ Depois eu sempre achei a Margarida meio galinha (apesar de pata) e que merecia ficar mesmo é com o panaca do Gastão. :lol:

    E por fim, o tio Patinhas não é frio o tempo todo. Nas histórias do Carl Barks (o mais famoso e talentoso dos desenhistas da Disney, criador do Patinhas e chamado de "o homem dos patos") só nas primeiras histórias ele era frio e pão duro pois foi baseado no personagem Scrooge da história de Charles Dickens, depois o Barks escreveu muitas histórias em que o Patinhas se mostra bem humano, apesar de continuar pão duro.
    ;)
     
  3. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Mas a idéia de se basear no capitalismo é tendenciosa... E no livro isso fica claro o tempo todo!!!

    Eles dizem que os sobrinhos são uma reprodução em série... e o fato de ter apenas tios, os desvincula dos conceitos de familia...

    Adorei o que vc escreveu das respostas Clara... :rofl::rofl::rofl: Mas a intenção dos autores é ir ideologicamente além da explicação simples!
     
  4. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Bota tendencioso nisso! :susto:
    Mas se "desvincula dos conceitos de família" então, quer coisa mais anti-burguesa que isso?


    É, eles enxergam o que querem, não é?
    Dá pra fazer a leitura que a gente acha mais conveniente em muitos livros, quadrinhos, filmes e músicas por aí...
     
  5. Paulo

    Paulo Cabeça de Teia

    Não li o livro mas, pela descrição, parece meio tosco. Um tipo de análise descompromissada e superficial.

    O ponto de partida não é só aceitável como também evidente: "produtos" culturais, quaisquer que sejam, relacionam-se diretamente com a ideologia hegemônica, seja através da reprodução, contraposição ou transformação. A ironia da história é que somos sempre homens de nosso próprio tempo.

    Assim, apresentar a hipótese de que as histórias do Pato Donald (ou whatever) funcionam como difusoras da ideologia hegemônica é explicitar o óbvio. O difícil é o passo seguinte: demonstrar através da análise crítica como isso ocorre. É nesse ponto que o livro parece fraco (ainda que isso seja só uma impressão).

    A ideia de família não deve ser identificada como um traço burguês. Muito pelo contrário, é possível pensar em paralelos entre a dissolução das famílias ampliadas tradicionais e a ascensão do capitalismo. Nem mesmo a nossa família restrita atual é eminentemente burguesa, porque seria?

    Não entendi a questão acerca da obra ser ou não tendenciosa.
     
  6. imported_?

    imported_? Usuário

    Lembro de uma historinha em que o Mickey cola a cara na vitrine de uma loja e diz que adora olhar vitrines, a gente se diverte e não gasta um centavo.

    E tá cheio de gente pensando assim em Shoppings pela cidade. :rofl:
     
  7. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    Marx escreveu sobre a necessidade da supressão da família n'O Manifesto do Partido Comunista. Considerava que "a família, em sua plenitude , existe apenas para a burguesia", já que a família atual, a família burguesa, fundamenta-se no capital e no lucro


    Não li o livro também e posso estar escrevendo besteiras, mas pela amostra que a Amélie colocou no post ficou parecendo, pra mim pelo menos, que os autores utilizaram algumas histórias, talvez algumas ideias dos produtos Disney pra concluir que estes fazem uma lavagem cerebral nas pessoas que lêem os gibis: tio Patinhas é o frio rico opressor, Donald o proletário oprimido que nunca consegue emprego ou levar uma vida digna.
    Ou talvez Patinhas represente os países ricos e Donald os do terceiro mundo...
    Seguindo essa linha de pensamento pode-se fazer essa relação opressor/oprimido em tudo quanto é história que tenha mocinhos e vilões.
    Com o Batman e o Coringa; com Homem Aranha e Duende Verde; com Aragorn, Elfos, Mago e Hobbits de um lado e Golum, orks e Sauron de outro ...
    Sempre os primeiro vistos como opressores e os segundos como oprimidos que se rebelaram, que foram contra a ordem estabelecida.
     
  8. Paulo

    Paulo Cabeça de Teia

    Primeiro uma qualificação: o Manifesto, ainda que tenha um caráter literário belíssimo, não é uma obra conceitualmente rigorosa.

    A ideia desse trecho que você mencionou é a seguinte: com o avanço do modo de produção capitalista é possível observar uma certa preservação da família burguesa consoante à destruição da família proletária.

    [
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    Essa passagem é discutível. Ainda assim, o argumento do livro parece ser que a ausência de figuras paternas ou maternas nas histórias do Pato Donald os apresenta, precisamente, não como burgueses, mas como proletários (i.e., segundo a passagem acima, esses sujeitos cuja ideia de família existe apenas como ausência). O argumento faz sentido se você pensar que essas histórias são destinadas não à fina flor da burguesia, mas à massa proletarizada.

    Complementando: que a família burguesa (i.e. a família restrita contemporânea, jamais a família ampliada tradicional) seja uma estrutura adaptada aos imperativos do capital, não se pode derivar daí que seja também uma estrutura burguesa por princípio, ou mesmo que seja necessária para a reprodução do capital. Ocorre justamente o oposto, é a dissolução da família proletária tradicional que existe como pressuposto para esse modo de produção.

    [quote='Clara V.]Não li o livro também e posso estar escrevendo besteiras, mas pela amostra que a Amélie colocou no post ficou parecendo, pra mim pelo menos, que os autores utilizaram algumas histórias, talvez algumas ideias dos produtos Disney pra concluir que estes fazem uma lavagem cerebral nas pessoas que lêem os gibis: tio Patinhas é o frio rico opressor, Donald o proletário oprimido que nunca consegue emprego ou levar uma vida digna.
    Ou talvez Patinhas represente os países ricos e Donald os do terceiro mundo...[/quote]

    Acho que o termo que você quer usar é "simplista" e não "tendencioso". Se o livro faz esse tipo de analogia tão direta, sem mediações, então eu confirmo a minha impressão inicial de que é uma análise tosca. Mas isso não tem relação com ser "tendencioso".

    Essa parte do seu post ficou um pouco confusa. Contra a ordem estabelecida só podem se rebelar os oprimidos. Para os opressores, o status quo é sempre desejável.

    Isso não significa, contudo, que todo questionamento da ordem seja igualmente lícito. O escravocrata que lamenta o fim da escravidão, apesar de se rebelar contra a atual ordem estabelecida (ou contra uma parte dela), não pode ser igualado ao escravo do século XIX que se rebelou (justamente) contra a antiga ordem.
     
  9. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    hahahaha gente, como vcs conseguem discutir sobre a obra, se vcs nem leram?!?

    tipo, bacana toda essa explicação... mas olha, eu garanto, por mais que seja tendencioso e óbvio (o que eu não acho tanto, já que são poucas obras que se propõem a fazer isso de maneira tão clara), só posso dizer que é super engraçado!!!!

    Relax...
     
  10. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    É impossível ler isso sem dar algumas risadas. Certas coisas são tão bizarras que acabam cômicas. Fez que eu lembrasse da declaração do diretor-adjunto do Departamento de Justiça e Classificação Indicativa, senhor Tarcízio Ildefonso, dizendo por que as Meninas Super Poderosas não receberiam selo de programa Especialmente Recomendado para Crianças e Adolescentes:

    De resto, tio patinhas é um ótimo pato, mas um péssimo capitalista. Apesar de ser um self-made duck (guardando a moedinha número um e tudo o mais), deixa todo seu dinheiro parado num cofre. É sovina – ou seja, consome pouco- e não movimenta a economia. Mesmo assim, é um dos heróis da minha infância.
     
  11. Thorondir

    Thorondir Usuário

    Eu já li, há muito tempo atrás, que esse lance dos sobrinhos está muito presente nas obras da Disney e remete à cultura norteamericana. Podem reparar que em vários desenhos o personagem mora com o tio, ou então o tio está presente (como O Rei Leão).

    Mistérios Disneyanos...
     
  12. POR ISSO, que a Disney é cheia de mensagem subliminar.
     
  13. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Importante! Denúncia encontrada no site da Cultura acerca do livro:

     
  14. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Peço desculpas pelo comentário seguido, tropecei nesse texto e lembrei daqui.

     
  15. Paulo

    Paulo Cabeça de Teia

    Caro Raphael, uma preocupação me tira o sono: será que você entendeu que o texto é uma piada? Veja bem, não faço troça de suas capacidades interpretativas tão bem afiadas e afinadas mas, dada a monstruosa falha do autor em ser engraçado, temi que lhe escapasse o sentido pretendido ao texto. O problema aqui é que o Sr. Cristaldo ignora uma regra vital no humor: mesmo as piadas mais absurdas demandam coerência interna. Como o referido texto é uma colagem de frases e palavras pretensamente irônicas, acredito que o Sr. Cristaldo tenha pensando que coerência seria uma demonstração de zelo excessivo.

    Devo admitir, contudo, que a preocupação acima descrita não foi, verdadeiramente, a minha motivação para voltar à esse tópico. O caso é que o acaso é sempre fortuito e, de formas tortuosas, esse texto, e mais precisamente o autor do mesmo, tem alguma serventia para a discussão em curso.

    Desde já peço desculpas por uma digressão que, ao contrário de minhas intenções, pode parecer desnecessária e demasiadamente longa. Com sorte, ao final do argumento, será demonstrada sua pertinência.

    O ponto é que o ilustre Sr. Cristaldo não conta apenas com seu
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    (quase tão bom quanto os textos do Olavo de Carvalho) e com seus
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    para divulgar suas ideias na internet. O ilustre Sr. conta também com um
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    , e não aguarda convites para expressar suas, digamos, "opiniões".

    Dada a multiplicidade de exemplos, selecionei um que parece ajudar nessa discussão: na comunidade
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    , em meio à inúmeros fãs do popular autor, o Sr. Cristaldo anuncia sua presença com o seguinte tópico:
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    .

    Entre outras "ideias", diz o Sr. Cristaldo:

    [
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    ]

    Resumo da ópera: a inspiração do quadro de Picasso, Guernica, não foi o bombardeio da cidade homônima. Como fundamento para expressar tal idéia, diz o Sr. Cristaldo que não é possível encontrar no quadro "nem sombra de bombas, bombardeios ou cenas de guerra".

    A
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    . O desenrolar do debate pode ser acompanhado nos links acima.

    Pondo um fim à já longa digressão, no que esse caso ajuda a discussão em curso nesse tópico?

    Ora, a partir das participações irônicas do Raphael e desse último texto do Sr. Cristaldo (a malfadada piada) tenta-se argumentar (sempre através de subterfúgios e desvios, jamais de forma explícita, vale dizer) que são ilícitas (e rídiculas!) quaisquer análises cujos resultados apontem para interpretações que superem o senso comum e o óbvio.

    Assim, o livro em questão (Para Ler o Pato Donald) é merecedor de críticas não pela forma como empreende essa análise, mas por afrontar o senso comum e imaginar que nas inocentes histórias do Pato Donald encontra-se mais do que o infantil cotidiano de patópolis.

    Para "Guernica" ser um quadro inspirado no bombardeio, era necessário apresentar ao menos uma bomba! Da mesma forma, a menos que Donald seja textualmente referido como "proletário" pelas próprias hq's, é abusivo a priori, a despeito de quaisquer outros indícios, caracterizá-lo dessa forma.

    Apesar de não ter empreendido a leitura do livro em questão, o argumento aqui é válido uma vez que os comentários sarcásticos do Raphael (e de seu guru) não se limitam a esse livro mas, como já disse, à qualquer análise complexa.

    No limite, a proibição colocada pelo Raphael (e cia) incorre na impossibilidade da história enquanto disciplina científica. Ora, toda a historiografia fundamenta-se na idéia de que vestígios do passado (textuais ou não) revelam questões e problemáticas das sociedades que os produziram. Se é lícito pensar que o Coliseu nos diz muito sobre as práticas romanas, porque seria tão ridículo pensar que o Pato Donald nos revela muito sobre a sociedade do séc. XX?

    Por fim, e apenas para ilustrar, duas indicações:

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    , de Mark Fisher; e
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    , escrito e apresentado por Slavoj Žižek.
     
  16. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Prezado Paulo, como vão as coisas?

    Algo me diz que você tem tempo demais nas mãos, mas tudo bem. Isso não é assunto meu. Só o que posso aconselhar é o seguinte: laugh a little bit.

    Você discutiria a sério com um macarthista hidrófobo? Não dá. O mesmo vale para algumas viúvas de Marx dos nossos tempos. Vêem conspirações imperialistas escondidas atrás de cada arbusto (ou quadrinhos dos duck tales). Que mais não seja, o texto foi postado como forma (ou tentativa) de humor. Se um ou dois membros entenderam e tiverem rido, já terá valido a pena

    Em tempo: Diz a lenda que vários intelectuais procuraram Janer para discutir melhor o texto. Muito boa-praça, Cristaldo logo entregou o jogo para um deles (professor da UnB). Revelou que o texto era piada. Parece que desapontou bastante gente.
     

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